China acelera corrida por recursos com máquina que perfura mais de 1 km sob a terra

Imagem gerada por IA pelo Flux Pro (fal.ai), a partir de prompt do Cafezinho. 14/04/2026 12:56

Uma máquina de 500 toneladas e 8,1 metros de diâmetro perfurou pela primeira vez mais de 1.000 metros de rocha dura em escavação vertical — feito inédito que a China acaba de colocar em operação na província de Liaoning, no nordeste do país. Desenvolvida pela China Railway Construction Corporation (CRCC), a “Gangtie Jiliang” (espinha de aço) está sendo usada em um projeto de minério de ferro, segundo o South China Morning Post. ([scmp.com](https://www.scmp.com/news/china/science/article/3349367/mining-revolution-chinas-500-tonne-underground-carrier-tunnels-kilometre-mine-ore?utm_source=openai))

O equipamento realiza escavação de face inteira em rocha dura a profundidades superiores a 1.000 metros — algo jamais alcançado até agora. Ele se distingue dos métodos tradicionais de construção de poços por seu corte circular contínuo, permitindo acesso direto ao depósito mineral sem necessidade de galerias subterrâneas complexas ou bases auxiliares, o que reduz tempo e custos. Fontes estatais descreveram o projeto como um “porta-aviões subterrâneo”, devido à sua escala monumental. ([scmp.com](https://www.scmp.com/news/china/science/article/3349367/mining-revolution-chinas-500-tonne-underground-carrier-tunnels-kilometre-mine-ore?utm_source=openai))

O consórcio liderado por Ding Zhangfei, pesquisador-chefe do projeto, superou desafios técnicos como rocha ultramáfica com dureza acima de 8 na escala de Mohs, alta pressão e temperaturas que aumentam cerca de 25-30 °C a cada 1.000 metros adicionais de profundidade, conforme estudos geológicos de Liaoning. Foram obtidas diversas patentes relativas aos mecanismos de corte, à refrigeração e à estabilização estrutural — essenciais para evitar colapsos e operar com segurança em condições extremas. ([scmp.com](https://www.scmp.com/news/china/science/article/3349367/mining-revolution-chinas-500-tonne-underground-carrier-tunnels-kilometre-mine-ore?utm_source=openai))

Analistas destacam que o avanço marca o início da exploração do “espaço mineral profundo” — depósitos situados entre 500 e 2.000 metros abaixo da superfície — horizonte cada vez mais importante à medida que jazidas superficiais se esgotam ou se tornam inacessíveis. A capacidade de minerar nesse novo patamar pode mudar significativamente as cadeias globais de oferta de ferro, metais estratégicos e elementos raros usados em tecnologias limpas e defesa. ([climateenergyfinance.org](https://climateenergyfinance.org/wp-content/uploads/2026/03/CEF_Raw-Power-China-FDI-into-Critical-Minerals-and-Metals_18Mar2026.pdf?utm_source=openai))

No plano ambiental, a Gangtie Jiliang promete impactos visuais e superficiais menores em comparação à mineração de superfície: evita desmatamento extensivo, acúmulo de rejeitos horizontais e grandes clareiras. Contudo, persistem riscos ao solo e ao lençol freático, como dispersão de metais pesados, contaminação de água subterrânea e instabilidade geológica, exigindo monitoramento constante e regulação rigorosa. Estudos recentes sobre contaminação em solos próximos a minas metálicas chinesas identificam concentrações elevadas de metais potencialmente tóxicos e riscos à saúde significativos para adultos e crianças. ([hess.copernicus.org](https://hess.copernicus.org/articles/29/3957/2025/index.html?utm_source=openai))

Estratégicamente, o projeto integra o esforço estatal para reforçar soberania tecnológica, reduzir dependência de fornecedores estrangeiros e fortalecer competências próprias em engenharia profunda, patentes e controle sobre matérias-primas críticas. Espera-se que isso influencie não apenas mineração, mas também instalações subterrâneas para armazenamento, energia limpa ou infraestrutura militar resistente a ameaças externas. ([climateenergyfinance.org](https://climateenergyfinance.org/wp-content/uploads/2026/03/CEF_Raw-Power-China-FDI-into-Critical-Minerals-and-Metals_18Mar2026.pdf?utm_source=openai))

No plano geopolítico, trata-se de mais uma peça no tabuleiro da multipolaridade emergente. Ao dominar tecnologias antes restritas a países desenvolvidos, a China amplia seu poder de barganha sobre minerais essenciais, usados em veículos elétricos, energias renováveis e indústrias de defesa. Nações importadoras podem enfrentar assimetrias na negociação ou serem compelidas a firmar parcerias vantajosas aos interesses chineses. ([ey.com](https://www.ey.com/en_tw/insights/mining-metals/risks-opportunities?utm_source=openai))

Em resumo: a entrada em operação da Gangtie Jiliang redefine as regras da exploração mineral global. Estabelece uma nova fronteira para extração em profundidade, com potencial de abrir depósitos até então inacessíveis, reduzir impactos ambientais visíveis e consolidar controle tecnológico estratégico. O salto implica não apenas extração de minerais, mas extração de influência no futuro científico, ambiental e diplomático do planeta.

Com informações de e.vnexpress.net.

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