China condena bloqueio dos EUA no estreito de Ormuz e reafirma laços estratégicos com o Irã

Imagem gerada por IA pelo Flux Pro (fal.ai), a partir de prompt do Cafezinho. 14/04/2026 05:51

A China condenou o bloqueio naval anunciado pelos Estados Unidos contra portos iranianos, classificando-o como perigoso e irresponsável.

O porta-voz Guo Jiakun afirmou que a medida apenas elevará as tensões na região, fragilizando um cessar-fogo precário e ameaçando a passagem segura de navios pelo estratégico estreito de Ormuz.

Ao mesmo tempo, Pequim reforçou seus compromissos políticos e econômicos com o governo iraniano e garantiu que não aceitará qualquer violação de seus interesses energéticos ou de soberania nacional.

Conforme apuração da Reuters citada pelo portal da RFI, o presidente Xi Jinping pediu respeito à soberania dos Estados e ao direito internacional.

O líder chinês assegurou que a China seguirá exercendo papel construtivo para o restabelecimento da paz no Oriente Médio, mantendo-se firme diante da escalada da crise.

Guo Jiakun rejeitou de forma categórica as acusações de que Pequim estaria fornecendo armas ao Irã, classificando esses relatos como difamação infundada e associações maliciosas.

Ele destacou que a política chinesa de exportação de armamentos é prudente e responsável, alinhada às leis domésticas e às obrigações internacionais.

As autoridades chinesas evitam confronto aberto com Washington, mas deixam claro que a prioridade permanece a estabilidade dos fluxos energéticos globais, essenciais para a economia do país.

O estreito de Ormuz constitui elemento vital para o comércio mundial de energia, pois por suas águas transita cerca de um quinto de todo o petróleo e gás consumidos no planeta.

Essa passagem é especialmente estratégica para as importações chinesas, o que explica a ênfase de Pequim na defesa da navegação livre e na oposição a medidas unilaterais que possam perturbar o equilíbrio regional.

Navios chineses continuam a cruzar a região sem obstáculos significativos, mesmo diante do aumento das tensões.

Ao reafirmar seus laços com Teerã, o governo chinês deixou evidente que a cooperação econômica — especialmente no setor energético — não sofrerá interrupções.

Essa posição surge após o fracasso das conversações internacionais realizadas em Islamabad, que não resultaram em cessar-fogo definitivo, abrindo caminho para o anúncio do bloqueio naval americano contra portos iranianos.

A China tem insistido que intervenções militares unilaterais apenas complicam a situação e que a diplomacia representa o caminho para preservar a soberania e os interesses legítimos das nações envolvidas.

A postura de Pequim revela um cálculo estratégico claro: enquanto critica ações que considera contrárias ao direito internacional, o país se apresenta como ator responsável, capaz de defender seus interesses energéticos e comerciais sem recorrer a escaladas militares.

O apelo à moderação busca preservar o frágil equilíbrio regional, ao mesmo tempo em que reforça os laços históricos e econômicos com o Irã em momento de elevada pressão externa.


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