A China ativou oficialmente em abril de 2026 seu primeiro datacenter submarino comercial com alimentação 100% por energia eólica offshore — uma iniciativa que alcança eficiência energética até 30% superior à média industrial.
O datacenter está localizado na Área Especial de Lin-gang, na costa de Xangai, e é conduzido pela Shanghai Hicloud Technology com suporte estatal. Mais de 95% da eletricidade utilizada provém de fontes renováveis, majoritariamente turbinas eólicas no mar. Na fase inicial já em operação, a instalação dispõe de capacidade de 2,3 megawatts (MW); a segunda fase deverá elevar esse número para 24 MW, com investimento estimado em 1,6 bilhão de yuan (cerca de US$ 225 milhões). Esse projeto foi reconhecido pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China (NDRC) como modelo de tecnologia verde e baixa emissão.
Uma inovação técnica importante é o PUE (Power Usage Effectiveness). O Lingang opera com PUE inferior a 1,15, enquanto datacenters terrestres típicos na China chegam a valores acima de 1,50. O resfriamento natural proporcionado pela água do mar reduz os gastos com refrigeração de 40–50% para menos de 10% do consumo energético total, resultando em economia geral estimada entre 30% e 40% em comparação a modelos convencionais em terra.
A estrutura submersa consiste em cilindro vertical de aço pressurizado com módulos de servidores encapsulados em ambiente estanque com gás inerte, minimizando corrosão e risco de incêndio. O datacenter opera cerca de 35 metros abaixo da superfície e está conectado diretamente às turbinas eólicas costeiras por dois cabos submarinos de 35 kilovolts. A instalação exige tolerância extremamente precisa: folga entre as pernas estruturais e o leito marinho de apenas 0,18 metros, com desvio máximo permitido de 10 centímetros — o desvio final registrado foi zero.
Esse modelo elimina totalmente o uso de água doce para refrigeração. A água do mar passa a agir como dissipador térmico natural, reduzindo o consumo hídrico a níveis insignificantes. Em Xangai, isso alivia pressão sobre redes de abastecimento e mitiga impactos ambientais vistos em datacenters terrestres, que costumam evaporar milhões de litros anualmente.
Embora o experimento Project Natick da Microsoft (2013-2024) tenha provado viabilidade técnica com baixa taxa de falhas em protótipos submersos em águas escocesas, nunca foi levado à escala comercial. Esse novo empreendimento marca a transição para instalações subaquáticas operacionais comercialmente.
Entre as organizações envolvidas estão Hicloud, Shenergy Group, China Telecom Xangai, INESA e CCCC Third Harbor Engineering. Há carta de intenção para expansão para 500 MW vinculados à geração eólica offshore, embora detalhes como localização exata e cronograma ainda não tenham sido divulgados.
Esse projeto redefine padrões globais de soberania digital: ao integrar tecnologia avançada com energia renovável in-situ, diminui dependência de redes externas e de combustíveis fósseis. Para a China, significa maior autonomia estratégica em infraestrutura digital, vital para inteligência artificial, comércio exterior e segurança cibernética. Ambientalmente, representa passo relevante na mitigação do aquecimento global com economia de energia, água e solo.
O modelo também oferece exemplo concreto para países do Sul Global investirem em computação sustentável, menos vulnerável ao imperialismo tecnológico e aos impactos climáticos. Se escalado mundialmente, poderá alterar cadeias de poder digital, promover justiça climática e reduzir significativamente o impacto ambiental de setores de TI nos Estados Unidos, Europa e demais regiões.
Fontes: Xinhua English; DataCenterDynamics; Shanghai Daily via CityNewsService.