CNT/MDA traz boas notícias para Lula

14.04.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva durante entrevista ao Brasil247, Revista Fórum e DCM. Palácio do Planalto, Brasília-DF Foto: Ricardo Stuckert / PR

Uma das pesquisas mais tradicionais do país confirma que o presidente mantém vantagem sólida sobre Flávio Bolsonaro no primeiro e no segundo turno, lidera na intenção espontânea de voto e tem uma base eleitoral mais fiel do que qualquer adversário.

Lula e a frente ampla democrática que o apoia estavam precisando de uma pesquisa séria, de instituto com prestígio e metodologia consolidada, que trouxesse boas notícias.

A nova rodada da CNT/MDA, divulgada nesta segunda-feira, 14 de abril de 2026, trouxe boas notícias.

Os números não pintam um cenário de euforia — a complexidade da política brasileira não permite isso — mas redesenham um quadro de estabilidade que o campo democrático pode celebrar com maturidade. Lula segue firme. E os dados mostram por quê.

Primeiro turno: nove pontos à frente

Na intenção de voto estimulada para o primeiro turno, Lula aparece com 39,2% contra 30,2% de Flávio Bolsonaro — uma vantagem robusta de nove pontos percentuais, com a corrida ainda a mais de dois anos de distância.

Segundo turno: vantagem que se traduz em milhões

É no cenário de segundo turno, porém, que a fotografia ganha contornos mais nítidos. Contra Flávio Bolsonaro, Lula vence por 44,9% a 40,2%, com 11,3% de brancos e nulos e apenas 3,6% de indecisos.

Para quem prefere traduzir porcentagens em gente de carne e osso: segundo os dados mais recentes do TSE, o Brasil tem hoje cerca de 161 milhões de eleitores aptos a votar. Isso significa que aproximadamente 72 milhões de brasileiros já declaram intenção de reeleger Lula num eventual segundo turno, contra cerca de 64,7 milhões que optariam por Flávio Bolsonaro.

A diferença não é abstrata. São quase 7,5 milhões de votos. Se o presidente chegar ao segundo turno com essa dianteira, será muito difícil para o herdeiro do bolsonarismo virar o jogo.

A comparação que a direita prefere evitar

O argumento favorito dos críticos é de que Lula estaria “fraco”. Os dados históricos da própria CNT/MDA desmentem essa narrativa com eloquência.

O comparativo de avaliação do governo federal no mesmo ponto do mandato — três anos e quatro meses — é revelador. Lula registra 32,2% de avaliação positiva (ótimo/bom), 29,4% de regular e 37,2% de negativa. Bolsonaro, em maio de 2022, tinha 30,4% de positiva, 25,2% de regular e 43,6% de negativa. Ou seja: Lula tem mais aprovação e menos rejeição do que Bolsonaro tinha no mesmo período — e Bolsonaro chegou competitivo ao segundo turno.

Se ampliarmos o olhar para a aprovação pessoal do presidente, a distância se torna ainda mais evidente. Bolsonaro registrava 37,9% de aprovação pessoal e 58,8% de rejeição em maio de 2022. Lula, em abril de 2026, tem 44,9% de aprovação e 49,6% de desaprovação — sete pontos a mais na aprovação, nove a menos na rejeição.

Quem diz que Lula está fraco precisa explicar como Bolsonaro, com números piores, quase se reelegeu.

O voto de granito: 77% dos eleitores de Lula já decidiram

Há um dado na pesquisa que merece atenção especial e que costuma passar despercebido no noticiário: a solidez da decisão de voto.

Quando perguntados se sua escolha é definitiva ou ainda pode mudar até o dia da eleição, 77% dos eleitores que declaram voto em Lula dizem que já se decidiram. Apenas 23% admitem a possibilidade de mudar de opinião.

Nenhum outro pré-candidato se aproxima desse grau de fidelidade. Flávio Bolsonaro tem 69% de voto firme — respeitável, mas abaixo. Ronaldo Caiado e Renan Santos ficam em meros 35%. Romeu Zema, em 23%. O chamado voto de Lula não é volátil. É o mais blindado do tabuleiro político brasileiro.

Os estratos: onde Lula domina, onde disputa

A análise estratificada do segundo turno revela um Brasil fiel à sua geografia social — e mostra que a base de Lula tem estrutura, não apenas volume.

O presidente vence com folga entre mulheres (46% a 36%), entre eleitores acima de 60 anos (53% a 34%), entre quem ganha até dois salários mínimos (52% a 34%) e entre quem tem ensino fundamental (60% a 29%). No Nordeste — sul base histórica —, Lula esmaga: 60% a 30%.

Os flancos de disputa são conhecidos: entre homens (43% a 45%), no Sul (32% a 52%), na faixa de renda média e entre eleitores com ensino superior. O Sudeste registra empate técnico, com 41% para cada lado.

A aprovação estratificada do governo espelha esse mapa. Lula tem 60% de aprovação pessoal no Nordeste, 55% entre idosos e 52% entre os mais pobres. A base popular segue coesa — e é essa base que vence eleições no Brasil.

A curva de aprovação: o vale ficou para trás

A aprovação pessoal do presidente oscilou ao longo do mandato, como é natural. Saiu de 57% em maio de 2023 — o pico — e desceu até 40,5% em fevereiro de 2025, pressionada pelo cenário econômico e pela alta do dólar.

Mas o que a CNT/MDA de abril mostra é uma trajetória de recuperação consolidada. A aprovação subiu de 40,5% para 44,0% em setembro, 48,1% em novembro, e agora se acomoda em 44,9% — uma posição estável, acima do vale e em patamar que nenhum presidente recente sustentou no terceiro ano de governo, à exceção de Lula em seu segundo mandato, que registrava 76% neste ponto.

Mais revelador: na avaliação de governo, Lula hoje tem 37,2% de avaliação negativa. Bolsonaro no mesmo período tinha 43,6%. Michel Temer tinha 71%. Dilma Rousseff, 31% — mas com apenas 33% de positiva, seis pontos atrás de onde Lula se encontra agora.

O cenário está posto

A pesquisa CNT/MDA de abril de 2026 não é uma pesquisa de campanha. É uma radiografia do Brasil político a dois anos das urnas. E a radiografia mostra um presidente que, mesmo governando sob pressão interna e incerteza global, mantém vantagem competitiva sólida — no primeiro turno, no segundo turno, e na fidelidade de seu eleitorado.

Lula tem o voto mais firme. Tem aprovação superior à de qualquer antecessor recente no mesmo ponto do mandato, com exceção de si próprio. E tem uma frente ampla que, embora precise trabalhar seus flancos — sobretudo entre jovens, homens e a classe média —, parte de uma posição que Bolsonaro jamais alcançou nos mesmos três anos e quatro meses de governo.

Para a base democrática, o recado da CNT/MDA é inequívoco: há muito trabalho a fazer, mas a disputa será travada em terreno favorável.

Fonte dos dados: Pesquisa CNT/MDA — abril de 2026. Clique aqui para baixar a íntegra do relatório.

Redação:
Related Post

Privacidade e cookies: Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com seu uso.