Menu

Colapso da AMOC pode liberar CO₂ do Oceano Austral e adicionar até 0,27 °C ao aquecimento global

0 Comentários🗣️🔥 Uma nova pesquisa publicada na revista Communications Earth & Environment demonstra que o colapso da Circulação Meridional de Revolvimento do Atlântico — conhecida como AMOC — pode transformar o Oceano Austral de sumidouro de carbono em fonte emissora do gás. O fenômeno adicionaria entre 0,17 e 0,27 graus Celsius ao aquecimento global mesmo […]

sem comentários
Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News
Imagem gerada por IA pelo Flux Pro (fal.ai), a partir de prompt do Cafezinho. 14/04/2026 16:31

Uma nova pesquisa publicada na revista Communications Earth & Environment demonstra que o colapso da Circulação Meridional de Revolvimento do Atlântico — conhecida como AMOC — pode transformar o Oceano Austral de sumidouro de carbono em fonte emissora do gás.

O fenômeno adicionaria entre 0,17 e 0,27 graus Celsius ao aquecimento global mesmo em cenários de concentrações já elevadas de CO₂ na atmosfera. Segundo matéria do portal Olhar Digital que repercutiu o estudo, os resultados revelam riscos amplificados e potencialmente irreversíveis para as regiões polares e para o equilíbrio climático planetário.

O estudo realizou simulações computacionais que alteraram a salinidade do Atlântico por meio da adição controlada de água doce, forçando o enfraquecimento e o colapso da AMOC.

Em níveis pré-industriais de CO₂ equivalentes a 280 partes por milhão, a circulação se recuperava assim que a entrada de água doce era interrompida. Em contraste, sob concentrações de 350 ppm, o sistema permanecia desligado de forma permanente uma vez colapsado.

O dado ganha peso porque a atmosfera terrestre atingiu 350 ppm pela última vez por volta de 1988 e atualmente registra cerca de 430 ppm. Da Nian, do Instituto Potsdam para Pesquisa do Impacto Climático, explica que concentrações elevadas de CO₂ tornam a AMOC instável e a empurram para um estado biestável, no qual o enfraquecimento pode persistir por séculos antes do colapso definitivo.

Os efeitos projetados mostram alterações extremas na distribuição de calor. Em cenário com cerca de 450 ppm de CO₂, as temperaturas na Antártida poderiam subir até 6 graus Celsius, enquanto no Ártico haveria queda de aproximadamente 7 graus Celsius.

Essas mudanças decorrem da intensificação da mistura oceânica no Oceano Austral, que traz águas profundas ricas em carbono para a superfície e libera CO₂ para a atmosfera. Os autores indicam que o colapso da AMOC implicaria elevação adicional de 47 a 83 partes por milhão no CO₂ atmosférico mesmo mantidas condições climáticas estáveis.

Toda essa liberação adicional viria do Oceano Austral e não de fontes terrestres, o que reforça o papel central dos oceanos como reguladores do ciclo do carbono.

Os achados se somam a evidências anteriores que já apontavam forte fragilidade da AMOC. Estudos complementares sugerem que o limiar para mudança irreversível pode se situar em torno de 4 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais, embora ainda existam incertezas sobre o momento exato em que esse ponto de inflexão seria ultrapassado.

A possibilidade de a AMOC nunca retornar ao estado ativo após colapso em ambiente de alta concentração de carbono torna o cenário particularmente preocupante para a estabilidade de longo prazo do sistema climático.

O oceano absorve atualmente cerca de um quarto de todas as emissões humanas de CO₂ e tem atuado como importante aliado na regulação do clima. Quando a dinâmica oceânica é alterada pelo colapso da AMOC, esse papel pode se inverter e o mar passa a contribuir de forma adicional para o aquecimento.

As projeções indicam não apenas aumento das temperaturas médias globais, mas também redistribuição significativa de calor que altera padrões climáticos em diversas latitudes, com impactos sobre ecossistemas marinhos, correntes atmosféricas e regimes de precipitação.

As direções futuras do clima dependem de forma crítica da trajetória das emissões e dos níveis atmosféricos de CO₂. Se as concentrações continuarem a crescer ou se mantiverem em patamares elevados, a vulnerabilidade do sistema a respostas extremas — como o desligamento permanente da AMOC — aumenta de maneira substancial.

O estudo reforça a necessidade de que políticas de mitigação e adaptação incorporem urgentemente esses riscos de pontos de não retorno oceânicos. A ameaça de liberação adicional de carbono vinda do próprio oceano amplia o sentido de urgência em reduzir emissões e proteger os mecanismos reguladores naturais do planeta antes que transições abruptas se tornem inevitáveis.


📬 Assine a Newsletter do O Cafezinho

Receba a Manchete do Dia diretamente no seu e-mail, de graça e sem enrolação, todo dia pela manhã. É só colocar o seu e-mail abaixo:

[mailchimp_subscribe_form]

Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News

Comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário

Escreva seu comentário

Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!


Leia mais

Recentes

Recentes