Autoridades iranianas acusaram os Estados Unidos de quebrarem a confiança ao tentarem impor condições unilaterais durante as negociações realizadas em Islamabad, no Paquistão.
O objetivo das conversações era alcançar um cessar-fogo duradouro e resolver divergências sobre o programa nuclear iraniano e o controle do Estreito de Ormuz.
O porta-voz consular Mohammad Saeid Reza Mosayeb Motlagh e o presidente do Parlamento iraniano Mohammad Bagher Ghalibaf expuseram a posição de Teerã em declarações divulgadas pelo portal RT.
Segundo o diplomata iraniano, o plano inicial previa dez pontos apresentados pela República Islâmica, com o reconhecimento explícito dos direitos nucleares pacíficos, inclusive o enriquecimento de urânio.
Os EUA teriam concordado inicialmente com essa base, mas depois passaram a vetar esse direito e a exigir concessões unilaterais, o que foi interpretado como quebra de confiança.
Bagher Ghalibaf destacou que o Irã se aproxima do diálogo com boa intenção, porém não existe confiança enquanto o histórico de compromissos assumidos e depois violados se repetir, inclusive com ataques a instalações iranianas enquanto as conversações ainda estavam em curso.
As negociações em Islamabad duraram cerca de 21 horas sob mediação paquistanesa.
O impasse central girou em torno das cláusulas nucleares e do chamado passe seguro para navios que transitam pelo Estreito de Ormuz, especialmente aqueles que transportam energia ou mercadorias para a Índia.
O Irã reafirmou seu compromisso exclusivo com o uso pacífico do programa nuclear e exigiu o reconhecimento prévio desses direitos como condição para qualquer acordo.
Do outro lado, os Estados Unidos demandaram garantias de que o Irã não buscaria armamento nuclear nem desenvolveria essa capacidade de forma acelerada, além de limites mais rígidos ao enriquecimento de urânio.
Fontes americanas afirmaram ter apresentado uma oferta final considerada a melhor possível, mas alegaram não ter recebido contrapartida aceitável por parte de Teerã.
O lado iraniano rebateu que a própria ideia de uma oferta final sem reciprocidade real representava uma tentativa de redefinir parâmetros já discutidos e de formatar o resultado conforme as prioridades de Washington.
Esse movimento foi visto em Teerã como tática de pressão que minava a seriedade do processo, segundo os representantes iranianos citados pelo portal RT.
Além das questões nucleares, o Irã reclamou que, apesar de ter oferecido permissão de trânsito seguro por Ormuz, as condições contratuais e financeiras vinham sendo revistas de forma unilateral pelos Estados Unidos, gerando incerteza sobre o cumprimento de compromissos.
Autoridades iranianas advertiram que, sem garantias prévias — como a vinculação entre o cessar-fogo e a interrupção de ataques contra forças iranianas e a liberação de ativos econômicos bloqueados —, não haveria legitimidade para avançar no processo.
O cessar-fogo provisório de duas semanas permanece como o único elemento em vigor, o que mantém o risco de escalada.
O colapso das tratativas reflete os alertas feitos por líderes como Ghalibaf sobre a necessidade de compromisso fiel com os termos iniciais.
Teerã considera inaceitável que as condições estabelecidas por Washington sejam alteradas durante ou após as conversas.
O Irã instou China, Rússia e Índia a desempenharem papéis construtivos para conter qualquer unilateralismo e imposição diplomática, defendendo uma ordem internacional mais equilibrada, baseada no respeito à soberania.
Para os iranianos, o episódio demonstra que o diálogo só avança quando ocorre entre iguais, com reconhecimento mútuo e adesão rigorosa aos acordos firmados.
A ausência desses elementos levou ao encerramento das conversações sem novo acordo, ampliando a desconfiança acumulada ao longo de sucessivos ciclos de negociações.
O resultado expõe os limites atuais do processo diplomático entre as duas partes em meio a tensões persistentes no Oriente Médio.
Com informações de rt.com.
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