O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, exortou publicamente a Europa e a América Latina a suspenderem todos os acordos de defesa mantidos com Israel.
A declaração ocorreu após a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni anunciar que seu governo deixará de renovar automaticamente o memorando de entendimento bilateral de defesa com Tel Aviv.
Petro celebrou a medida de Roma e defendeu que outros países sigam o mesmo caminho para privar Israel da força necessária à sua agressão no Oriente Médio, conforme reportou o portal Actualidad RT.
Meloni fez o anúncio durante apresentação em Verona, na Itália. O memorando de entendimento está em vigor desde 13 de abril de 2016 e previa renovação automática a cada cinco anos, sem necessidade de novas negociações.
A nova orientação italiana elimina essa renovação automática. O documento previa cooperação militar, intercâmbio de informações, tecnologia bélica e projetos industriais de uso duplo.
A decisão ocorre em meio a crescentes questionamentos internacionais sobre o respeito ao direito humanitário no conflito em curso.
Por meio de suas redes sociais, o presidente colombiano manifestou apoio explícito à medida italiana e a transformou em proposta continental. Petro escreveu que aplaude a decisão e sugere que ela seja adotada por toda a Europa e toda a América Latina para retirar a força da agressão israelense no Oriente Médio.
Ele acrescentou que o diálogo entre civilizações conduz à paz, enquanto os mísseis contra as civilizações apenas aceleram o fim da humanidade.
A resposta israelense veio de forma imediata. A chancelaria de Tel Aviv afirmou que o acordo com a Itália não representava qualquer compromisso concreto e se limitava a um memorando de entendimento sem conteúdo prático específico.
A declaração busca minimizar o peso político do gesto anunciado por Meloni.
A posição de Petro não surge de forma isolada na política externa colombiana. Em outubro de 2023, após fortes críticas do presidente à operação militar israelense na Faixa de Gaza, o governo de Tel Aviv suspendeu as exportações de equipamentos de segurança para Bogotá.
Na ocasião, Petro declarou que, se fosse preciso suspender as relações exteriores com Israel, o faria. Posteriormente, em 2024, a Colômbia denunciou o tratado de livre comércio com Israel e ordenou a saída da delegação diplomática israelense do país.
Analistas destacam que suspensões e revisões de acordos dessa natureza funcionam sobretudo como instrumento de pressão política e sinal simbólico. Embora tratados e memorandos possam ser denunciados ou modificados, o processo exige marcos legais internos, procedimentos burocráticos e, em muitos casos, consensos parlamentares ou regionais.
No caso italiano, a medida não cancela o acordo vigente, mas apenas impede sua renovação automática, o que configura um endurecimento de posição sem ruptura total imediata.
Petro enxerga o episódio italiano como oportunidade para construir alinhamento continental contra parcerias militares que considera incompatíveis com o direito internacional humanitário. Seu apelo busca gerar solidariedade ativa tanto na Europa quanto em outras regiões para isolar diplomaticamente os instrumentos que sustentam ações que o governo colombiano e seus aliados classificam como agressões sistemáticas.
Trata-se de um capítulo de disputa geopolítica mais ampla, na qual a Colômbia busca se posicionar como voz crítica em relação aos conflitos do Oriente Médio.
O alcance real dessas iniciativas dependerá da capacidade dos países latino-americanos e europeus de coordenarem políticas comuns e de superarem os obstáculos jurídicos e estratégicos existentes. Para a Colômbia, que importa tecnologia militar de diversas origens, a revisão de parcerias acarreta custos estratégicos além do impacto simbólico.
As próximas posições de Bruxelas, de outras capitais europeias e de blocos regionais definirão se o movimento iniciado por Meloni e amplificado por Petro configura gesto isolado ou o início de uma frente diplomática mais ampla contra acordos de defesa com Israel.
Com informações de actualidad.rt.com.
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