Pré-natal integral é menor entre indígenas e mulheres com pouco estudo

Nesta segunda-feira (13 de abril de 2026), um estudo divulgado pelo Centro Internacional de Equidade em Saúde da Universidade Federal de Pelotas (ICEH/UFPel), em parceria com a organização Umane, revelou que, no Brasil, quase todas as grávidas (99,4%) fazem pelo menos uma consulta de pré-natal. No entanto, o acesso ao atendimento integral diminui ao longo da gestação para mulheres indígenas, com menos escolaridade e moradoras da Região Norte.

Em média, considerados todos os perfis de gestantes, a cobertura entre a primeira e a sétima consulta cai de 99,4% para 78,1%. O ideal é que o acompanhamento comece assim que houver a confirmação ou suspeita da gestação, preferencialmente até a 12ª semana.

De acordo com a pesquisa, gestantes com menor escolaridade são as que menos completam o pacote de consultas do pré-natal. Enquanto 86,5% das grávidas com maior nível de educação formal finalizam o ciclo, o percentual cai para 44,2% entre aquelas com menor tempo de estudo.

O levantamento destaca o abismo social enfrentado por mulheres indígenas com baixa escolaridade. Apenas 19% delas conseguiram seguir a recomendação médica de consultas para o pré-natal, proporção significativamente inferior aos 88,7% registrados entre mulheres brancas com 12 anos ou mais de escolaridade.

As mães indígenas apresentam índices de exclusão superiores aos observados entre mulheres pretas e pardas. Apenas 51,5% das mulheres de povos originários chegam a finalizar o acompanhamento, contra 84,3% das brancas, 75,7% das pretas e 75,3% das pardas. Em quase metade dos casos (46,2%), o acompanhamento das indígenas é abandonado, índice três vezes maior do que o registrado entre mulheres brancas (15,3%).

Regionalmente, a Região Norte apresenta o menor índice de pré-natal plenamente respeitado (63,3%). Em seguida vêm o Nordeste (76,1%) e o Centro-Oeste (77%). As regiões com melhores taxas são o Sudeste (81,5%) e o Sul (85%).

Os pesquisadores recomendam políticas específicas para gestantes adolescentes com menos de 20 anos, já que o serviço de pré-natal integral é alcançado por apenas 67,7% delas, patamar abaixo dos 82,6% observados entre mulheres acima de 35 anos.

O levantamento baseou-se em mais de 2,5 milhões de nascimentos registrados no Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc), em 2023, pelo Ministério da Saúde. A especialista Luiza Eunice, pesquisadora responsável pelo estudo no ICEH/UFPel, observa que o parâmetro de sete consultas é recente no país, tendo sido elevado pelo governo federal em 2024 com o lançamento da Rede Alyne, estratégia para reduzir a mortalidade materna em 25% até 2027.

Eunice defende medidas de combate ao racismo estrutural e à discriminação na oferta do cuidado, além de programas voltados a adolescentes para debater educação sexual e combater o estigma da gravidez nesta fase. Ela pondera que o avanço depende de fatores como transporte público e o fortalecimento do vínculo entre gestantes e profissionais de saúde.

Evelyn Santos, gerente de Investimento e Impacto Social da Umane, afirmou em entrevista à Agência Brasil publicada nesta segunda-feira (13 de abril de 2026), que o sistema de saúde deve ser proativo. Segundo ela, independentemente de moradia, cor de pele ou escolaridade, o Poder Público deve fornecer um pré-natal adequado a todas as mulheres, tratando as vulnerabilidades como um chamado para a ação.

O pré-natal é essencial para detectar precocemente doenças e condições de saúde, permitindo o tratamento devido e reduzindo riscos durante o parto. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) salienta que o acompanhamento também fornece instruções sobre o aleitamento materno, que deve ser a única fonte de alimento do bebê até os 6 meses e mantido até os 2 anos ou mais.

A frequência das consultas deve ser mensal até a 28ª semana, quinzenal da 28ª até a 36ª semana e semanal no final da gestação. Os exames de rotina incluem hemograma, tipagem sanguínea, glicemia em jejum, testes rápidos para sífilis, HIV, toxoplasmose, hepatite B e urina, além de ecografia obstétrica e citopatológico de colo do útero conforme a necessidade clínica.

Fonte: Agência Brasil

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