Equipe internacional descobre arsenal quase universal de micróbios para degradar plásticos

Imagem gerada por IA pelo Flux Pro (fal.ai), a partir de prompt do Cafezinho. 15/04/2026 15:02

Uma equipe internacional de cientistas identificou 625.616 proteínas microbianas capazes de atacar polímeros naturais e sintéticos.

O estudo indica que mais de 95 por cento das espécies procarióticas carregam genes com esse potencial de degradação.

O projeto MicroWorld reuniu pesquisadores da Universidade de Turku, na Finlândia, de instituições catalãs como a Universidade Autônoma de Barcelona e La Salle-URL, e do Instituto de Ciência de Tóquio.

Os resultados foram publicados na revista Environmental Technology & Innovation e detalhados pelo portal Phys.org.

Os autores construíram um banco de dados chamado Plastic-Degrading Clusters of Orthologous Groups, conhecido como PDCOGs.

Essa base organiza as proteínas em 51 grupos ortólogos que revelam semelhanças evolutivas entre espécies bacterianas e arqueias.

As proteínas atuam sobre 11 polímeros naturais e 28 polímeros sintéticos.

Micróbios de ambientes tão distintos quanto solos, sedimentos abissais, águas polares e fontes termais apresentam essa capacidade biodegradativa.

Solos e ecossistemas endolíticos mostram enriquecimento particular dessas enzimas.

O padrão aponta para seleção ecológica local que favorece o desenvolvimento de tais ferramentas moleculares.

A pesquisa altera a visão de que somente micro-organismos especializados conseguem degradar plásticos.

Na prática, a habilidade aparece como traço quase universal entre os procariotos em todo o planeta.

Cientistas preveem que o repertório molecular sirva de base para inovações em biotecnologia ambiental.

Biorreatores adaptados a diferentes temperaturas, pH e salinidade podem surgir a partir desses dados.

A degradação natural de muitos plásticos sintéticos ainda ocorre de forma lenta nos ecossistemas.

A presença dos genes não garante atividade enzimática eficiente em todas as condições ambientais reais.

Avanços futuros exigirão engenharia genética, modelagem molecular e testes em escala piloto.

Apenas assim o potencial genômico identificado se converterá em soluções tecnológicas práticas contra o acúmulo de resíduos.

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