Nesta quarta-feira (15 de abril de 2026), durante a “marcha da classe trabalhadora” realizada na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu no Palácio do Planalto uma pauta com 68 reivindicações de representantes das centrais sindicais. O encontro ocorreu no dia seguinte ao envio ao Congresso Nacional do projeto de lei que propõe a redução da jornada de trabalho para no máximo 40 horas semanais e o fim da escala 6×1.
Ao se dirigir aos dirigentes sindicais, o presidente afirmou que é necessária mobilização e pressão dos trabalhadores para garantir a aprovação da redução de jornada no Legislativo. “Vocês não podem abdicar da sagrada responsabilidade de vocês de lutar pelos trabalhadores que vocês representam”, declarou Lula. Ele ressaltou que o período é desafiador e que cada proposta enviada ao Congresso demanda o apoio das bases sindicais.
Durante o evento, Lula homenageou o ativista e ex-balconista Rick Azevedo, criador do movimento Vida Além do Trabalho (VAT), que deu origem ao projeto de redução de jornada. O presidente sugeriu que, caso a lei seja aprovada, receba o nome do ativista. Azevedo recordou que desenvolveu burnout e depressão devido ao excesso de trabalho e pouco descanso, o que o levou a denunciar, em setembro de 2023, o modelo de seis dias de trabalho para apenas um de folga em vídeos que viralizaram nas redes sociais.
Lula aproveitou o encontro com as centrais para criticar as reformas Trabalhista (2017) e da Previdência (2019), classificando-as como retrocessos para a classe trabalhadora. O presidente alertou ainda que grupos de oposição no Brasil defendem modelos semelhantes aos aplicados na Argentina, que permitem o aumento da jornada para até 12 horas diárias de trabalho.
Representantes das centrais sindicais celebraram a decisão do governo de enviar o projeto. O presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Adilson Araújo, afirmou que a medida pode gerar até 4 milhões de novos empregos e defendeu uma nova indústria voltada à sustentabilidade socioambiental, alertando para os riscos da “pejotização” no mercado de trabalho. Miguel Torres, presidente da Força Sindical, destacou que a marcha mobilizou mais de 20 mil trabalhadores e que o projeto está maduro para entrar em vigor, promovendo mais tempo para família, saúde e lazer.
O coordenador do Fórum das Centrais Sindicais, Clemente Ganz, explicou que as reivindicações apresentadas visam os próximos cinco anos, focando em transformações tecnológicas e climáticas. Segundo Ganz, mulheres e jovens serão os mais impactados pela inteligência artificial, conforme estudos da OIT. No encerramento, Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), defendeu a proteção de trabalhadores de aplicativos, enquanto Sônia Zerino, da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), destacou a importância de incluir o combate ao feminicídio na pauta da classe trabalhadora por meio da educação.
Fonte: Agência Brasil


Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!