Um estudo em larga escala revela que a combinação entre queimas controladas e retenção de árvores maduras acelera a regeneração natural em florestas boreais submetidas a manejo.
Essa linha de pesquisa busca equilibrar as demandas da indústria madeireira com a necessidade de proteger a biodiversidade local.
Segundo a pesquisa divulgada pelo portal phys.org, o método promove o estabelecimento robusto de mudas de espécies comerciais como o pinheiro silvestre e a bétula.
A equipe científica conduziu a análise da qualidade e do volume da regeneração natural 11 anos após a aplicação dos tratamentos na região leste da Finlândia.
O experimento em escala de paisagem incluiu 24 locais distintos nas áreas de Ilomantsi e Lieksa, cada sítio variando de três a cinco hectares de extensão.
Os pesquisadores dividiram os locais em dois grupos para comparação: metade das áreas recebeu queimas controladas durante o verão de 2001, enquanto a outra metade permaneceu sem intervenção de fogo para que os efeitos pudessem ser medidos de forma precisa ao longo do tempo.
A regeneração natural atingiu os padrões exigidos pela indústria nas áreas que associaram queima controlada, corte raso e níveis moderados de retenção de árvores maduras.
As espécies pioneiras típicas de ambientes perturbados se desenvolveram de maneira expressiva no solo exposto ao fogo.
Espécies de sucessão mais tardia, como o abeto norueguês, apresentaram desempenho superior nas áreas que não passaram por queima.
Nessas localidades, as árvores que resistiram à colheita inicial favoreceram o processo de recuperação.
Nas zonas destinadas à proteção integral, o fogo foi utilizado exclusivamente para fins de restauração ecológica, sem qualquer atividade de extração madeireira.
Nesses casos, a regeneração natural transcorreu de forma mais lenta e com menor densidade de indivíduos.
Os especialistas observam que o ritmo reduzido nas áreas protegidas pode produzir uma floresta com estrutura de idades mais diversificada, característica que tende a elevar a resiliência do ecossistema contra futuras perturbações.
Os dados do estudo incorporaram medições detalhadas de densidade, altura, diâmetro e estado de saúde das árvores, com avaliações realizadas em grades de amostragem mantidas por todo o período de observação.
Os resultados apontam para a possibilidade de revisão nas práticas atuais de manejo florestal, com novas abordagens que eliminam a necessidade de operações agressivas de preparo do solo, as quais costumam causar compactação e perda de nutrientes.
A retenção de árvores maduras implica redução no volume de madeira colhida em cada ciclo, e a realização de queimas controladas representa investimento inicial que deve ser considerado pelos gestores.
Esses custos encontram compensação na eficiência da regeneração natural, que dispensa plantio artificial em larga escala e contribui para a manutenção de habitats adequados a espécies ameaçadas.
O principal objetivo consiste em reduzir os efeitos negativos associados ao corte raso intensivo, e com a adoção dessas técnicas a biodiversidade nas florestas boreais exploradas comercialmente tende a aumentar de forma consistente.
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