A demanda global por terras raras cresce em ritmo acelerado, impulsionada por veículos elétricos, data centers, robótica e sistemas de defesa. O relatório da Agência Internacional de Energia conclui que a cadeia de suprimentos permanece extremamente concentrada na China.
Desde 2015, a demanda por elementos magnéticos como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio dobrou. As projeções indicam crescimento superior a 30% até 2030, caso as políticas atuais sejam mantidas.
A capacidade instalada fora da China para minerar, refinar e fabricar ímãs cobre apenas uma fração do necessário. Até 2035, o material minerado disponível deve atender metade da demanda mundial, enquanto o refino atingirá 25% e a produção de ímãs, menos de 20%.
A China domina cerca de 60% da extração global de terras raras magnéticas, mais de 90% do refino e quase 95% da produção de ímãs permanentes. Essa participação cresceu de forma expressiva nas últimas duas décadas.
As autoridades chinesas adotaram controles sobre exportações, licenças e tecnologias associadas. As medidas provocaram interrupções imediatas em fábricas da indústria automotiva e de outros setores fora do país.
O controle foi posteriormente ampliado para sete elementos de terras raras pesadas, produtos que os contêm, ímãs e tecnologias de processamento. As regras passaram a se aplicar também a itens fabricados no exterior que incorporem esses materiais.
Essas ações resultaram em elevação de preços e em gargalos nas indústrias automotiva e eletrônica em vários países. O cenário reforça a vulnerabilidade estratégica das cadeias globais de suprimentos.
Novos projetos de mineração, refinamento e produção de ímãs fora da China tornaram-se urgentes. Políticas públicas capazes de atrair investimentos substanciais surgem como elemento central para construir resiliência.
A cooperação internacional ganha importância decisiva para mitigar riscos. Nenhum país consegue, sozinho, desenvolver cadeia completa que vá da mina ao ímã de alto desempenho.
O documento estima necessidade de aproximadamente 60 bilhões de dólares em investimentos na próxima década. Esses recursos destinam-se a desenvolver cadeias mais diversificadas e seguras.
A reciclagem de materiais já em uso representa via complementar relevante. Essa prática pode reduzir em até 35% a necessidade de extração primária até 2050.
Tecnologias substitutas para elementos mais escassos também podem aliviar pressões sobre mercados vulneráveis. Persistem, porém, obstáculos em tecnologia avançada, mão de obra especializada e equipamentos que atrasam novos empreendimentos.
Medidas governamentais devem incluir planejamento para emergências, incentivos fiscais e regulatórios, segurança jurídica para projetos e apoio à pesquisa em materiais alternativos. O estudo analisado no portal CleanTechnica serve de base para discussões do G7 ao longo de 2026.
Cientistas, industriais e governos enfrentam prazo cada vez mais apertado. Setores centrais à transição energética, à mobilidade sustentável e à segurança nacional exigem respostas coordenadas e estruturadas até o fim da década.
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