O governo Lula enfrenta forte pressão para revogar a taxa de 20% sobre compras internacionais de até 50 dólares, conhecida como taxa das blusinhas.
A medida, instituída em agosto de 2024 pelo Programa Remessa Conforme, gerou desgaste político e afetou a popularidade do presidente junto às camadas de menor renda. A ala política do governo defende abertamente o fim total da cobrança.
O presidente Lula chegou a classificar a taxa como desnecessária, especialmente para pessoas de baixo poder aquisitivo. A arrecadação, porém, superou todas as projeções iniciais.
Entre agosto e dezembro de 2024, o imposto gerou mais de 1,1 bilhão de reais, valor 63% superior aos 700 milhões previstos pela equipe econômica para o período. Em 2025, a taxa bateu recorde ao arrecadar 5 bilhões de reais.
O resultado veio mesmo com a queda no volume de remessas internacionais, que passou de média mensal de 14,7 milhões para cerca de 10,5 milhões após a cobrança entrar em vigor. O varejo nacional comemora o ganho de competitividade frente aos produtos importados.
Já os Correios registraram prejuízo financeiro decorrente da redução dos envios internacionais. O ministro José Guimarães, do PT, e o líder do governo na Câmara reforçaram o coro pela revogação completa da taxa.
Eles argumentam que a cobrança penaliza sobretudo os consumidores de menor renda sem trazer ganhos comprovados de emprego. A equipe econômica resiste à medida e classifica a taxa como fonte relevante de receita.
Os técnicos defendem que o imposto ajuda a equilibrar a competição com importados que chegam com carga tributária menor. O vice-presidente Geraldo Alckmin manifestou-se contrário à revogação durante coletiva no Palácio do Planalto.
Ele destacou que os produtores nacionais enfrentam carga tributária superior e que a manutenção do imposto preserva empregos na indústria. No Congresso, o presidente da Câmara Hugo Motta, do Republicanos-PB, sinalizou abertura ao debate.
Ele, porém, recomenda cautela com o impacto fiscal e defende consulta prévia a relatores, ao setor produtivo e a representantes de consumidores. O setor têxtil apoia a manutenção da taxa como mecanismo de proteção ao mercado interno.
Consultorias econômicas apontam que o ônus recai principalmente sobre famílias de baixa renda. O governo estuda alternativas intermediárias para tentar conciliar os interesses opostos.
Entre as opções estão a redução parcial da alíquota e a criação de faixas de isenção para determinados valores de compra. Qualquer alteração exige ampla articulação com o Congresso Nacional.
A revogação total exigiria ainda compensação de bilhões em receitas para evitar agravamento do déficit público ou cortes em programas sociais. A discussão revela o conflito entre demandas eleitorais da base popular, interesses da indústria nacional e compromissos com o equilíbrio fiscal.
O tema segue avançando em conversas internas no Planalto e no Legislativo sem definição imediata sobre o caminho escolhido.
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