Segura que o filho é teu! Advogado explica porque o escândalo do Banco Master é de direita

Daniel Vorcaro, ex-presidente do Banco Master. Divulgação.

Em um detalhado fio publicado no X no dia 15 de abril de 2026, o advogado Thiago Süssekind — mestre em Políticas Públicas pela Universidade de Oxford e formado em Direito pela UERJ — apresentou uma análise provocadora sobre o escândalo do Banco Master. Süssekind argumentou que, ao contrário de narrativas que tentam associar o caso predominantemente à esquerda ou ao governo Lula, os fatos mostram que a maioria dos atores políticos envolvidos, especialmente os mais influentes, pertence ao campo da direita.

Utilizando um tom irônico e didático, o autor construiu o que chamou de “Placar do Escândalo Master”, atualizando-o progressivamente enquanto listava governadores, prefeitos, parlamentares, ex-ministros, empresários e membros do Judiciário. Ele afirmou ter sido “benevolente” com a direita ao excluir alguns nomes por falta de provas concretas ou por ambiguidade ideológica, mas mesmo assim o resultado apontou para uma desproporção clara.

Süssekind começou pelos governadores que, segundo as investigações, teriam tentado investir recursos de aposentados em produtos do banco. Citou Cláudio Castro (PL-RJ), Clécio Luís (União Brasil-AP, ligado a Alcolumbre) e Wilson Lima (União Brasil-AM, bolsonarista). Em seguida, analisou 16 fundos municipais que aportaram no Master: apenas dois prefeitos eram de partidos de esquerda (PSB e PDT), sendo que um deles assumiu após afastamento de um antecessor de direita. Os demais eram majoritariamente de legendas como PSD (incluindo base de Tarcísio de Freitas em São Paulo), PSDB, MDB (aliados de Caiado), Podemos e PP. Somando os governadores, o placar inicial ficou em **Direita 17 x 1 Esquerda**.

O fio avançou para as tentativas de salvamento do banco em Brasília. Süssekind destacou Ciro Nogueira (PP, ex-chefe da Casa Civil de Bolsonaro), que propôs emenda para ampliar a cobertura do FGC, e Filipe Barros (PL), deputado bolsonarista, com projeto semelhante. Mencionou ainda a proximidade de Vorcaro com Antonio Rueda (União Brasil) e a atuação do governador Ibaneis Rocha (MDB-DF, bolsonarista), que teria exposto o BRB em R$ 12 bilhões na compra de carteiras podres e tentado adquirir 58% do banco — manobra barrada pelo Banco Central de Gabriel Galípolo. Um requerimento de urgência para afastar diretores do BC, assinado por parlamentares majoritariamente de direita (PP, União, Republicanos), também entrou na conta. O placar subiu para **Direita 25 x 2 Esquerda**.

Em seguida, o autor listou repasses milionários via escritórios de advocacia e consultorias. Do lado direito, figuraram Antonio Rueda (R$ 6,4 milhões), ACM Neto (R$ 5,4 milhões), empresas ligadas a Ratinho (R$ 24 milhões), Fábio Wajngarten (ex-Secom de Bolsonaro, R$ 3,8 milhões) e Ronaldo Bento (ex-ministro de Bolsonaro, R$ 6,2 milhões). Do lado esquerdo, citou o escritório de Ricardo Lewandowski (R$ 5,93 milhões) e Guido Mantega (R$ 14 milhões). Henrique Meirelles foi tratado como neutro. Atualização: **Direita 30 x 4 Esquerda**.

Negócios duvidosos com Vorcaro envolveram João Carlos Bacelar (PL) e Fábio Faria (ex-ministro de Bolsonaro), elevando o placar para **Direita 32 x 4 Esquerda**. Na seção de campanhas eleitorais, Süssekind lembrou que Fabiano Zettel, operador de Vorcaro, foi o maior doador de Tarcísio de Freitas e Jair Bolsonaro em 2022, e que Nikolas Ferreira usou jatinho do banqueiro no segundo turno (embora não tenha incluído o nome). Chegou a **Direita 34 x 4 Esquerda**.

O autor ressaltou que a Polícia Federal investigou com independência no governo Lula e que o Banco Central de Galípolo liquidou o banco, impedindo a venda ao BRB. Já na gestão de Roberto Campos Neto, a autorização para Vorcaro comprar o Banco Máxima em 2019 teria ocorrido por 8 a 0 após mudança de votos de diretores (decisão rejeitada anteriormente). Ele optou por não incluir Campos Neto por falta de prova concreta.

Para “diminuir a goleada”, Süssekind incluiu suspeitas na Bahia envolvendo Rui Costa e Jacques Wagner (PT), com contratos de crédito consignado e pagamentos a sócio de Vorcaro. O placar passou a **Direita 34 (ou 36) x 6 Esquerda**.

Ao tratar do Judiciário, citou Dias Toffoli (viagens em jatinho, negócio em resort) e Alexandre de Moraes (amizade com Vorcaro, mensagem suspeita no dia da prisão e R$ 80 milhões pagos ao escritório da esposa Viviane). Reconheceu que ambos não são de esquerda clássica — Moraes foi secretário em governo de direita e indicado por Temer; Toffoli teve aproximações com o PT no passado, mas atuou contra Lula em certos momentos. Mesmo assim, adicionou-os à esquerda. Incluiu ainda Kássio Nunes Marques (indicado por Bolsonaro, com viagens e repasses ao filho via consultoria, alvo do Coaf) e Jhonatan de Jesus (Republicanos, base bolsonarista no TCU). Resultado final, mesmo com benevolência: **Direita 36 x 8 Esquerda** — “só” quatro vezes menos.

Süssekind concluiu que o escândalo não pode virar “pizza” em Brasília, com foco seletivo em poucos nomes para proteger a maioria. Criticou a direita por ignorar o envolvimento de seus principais partidos, das doações eleitorais diretas a Bolsonaro e do fato de a farra ter sido encerrada no governo Lula. Para ele, uma investigação ampla e isenta é necessária, sem proteções corporativas.

O fio gerou intensa repercussão, com milhares de interações, elogios de quem viu nele um contraponto factual e críticas de quem considerou a contabilidade enviesada ou incompleta. Independentemente do debate ideológico, a análise de Thiago Süssekind trouxe à tona a capilaridade nacional do caso Banco Master, que envolveu recursos públicos, fundos de pensão, políticos de diferentes espectros e instituições como o Banco Central e o Judiciário. O escândalo continua em investigação pela Polícia Federal, com delações em negociação e debates sobre CPIs no Congresso.

Miguel do Rosário: Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.
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