O Departamento do Tesouro dos EUA estendeu a licença geral que afrouxa sanções sobre petróleo russo transportado em navios, autorizando a venda e entrega de mais de 100 milhões de barris já carregados no mar.
Kirill Dmitriev, chefe do Russian Direct Investment Fund e enviado especial presidencial russo para cooperação econômica internacional, detalhou o alcance da decisão. Ele afirmou que a extensão de 30 dias da suspensão afetará volume superior a 100 milhões de barris em trânsito.
A autorização temporária cobre embarques de petróleo cru e produtos de petróleo da Rússia carregados até 12 de março de 2026. O objetivo declarado pela administração norte-americana é estabilizar os mercados globais de energia diante das tensões no Oriente Médio.
Conforme apontou o portal Sputnik, citando Dmitriev, a extensão enfrentou forte resistência de líderes da União Europeia e do Reino Unido. O presidente Volodymyr Zelensky criticou duramente a medida, afirmando que ela fortalece economicamente a Rússia.
O instrumento legal central é a General License 134A, emitida pelo Office of Foreign Assets Control. Esta licença beneficia exclusivamente cargas já em trânsito e exclui qualquer novo carregamento realizado após a data limite.
Autoridades do Tesouro dos EUA sustentam que a flexibilização não trará benefício financeiro significativo para o governo russo. A maior parte da receita de Moscou continua a derivar de tributos sobre a produção interna de petróleo.
A decisão expõe as contradições da estratégia de sanções energéticas de Washington. Enquanto mantém discurso de pressão máxima contra Moscou, as necessidades de estabilidade de preços globais forçam recuos pontuais sempre que o risco de choque nos mercados se eleva.
O volume liberado é similar ao registrado em flexibilizações anteriores da mesma licença. Esta repetição demonstra que o petróleo russo em trânsito marítimo representa desafio logístico constante para o sistema de sanções ocidental.
Críticos europeus e ucranianos argumentam que qualquer afrouxamento compromete a eficácia geral das medidas contra a Rússia. Ainda assim, o Tesouro norte-americano priorizou o equilíbrio dos mercados globais de energia acima da rigidez absoluta nas restrições.
A extensão ocorre em momento de elevada volatilidade provocada por interrupções potenciais de oferta no Oriente Médio. Esta realidade obriga Washington a calibrar sua política de sanções para evitar alta descontrolada nos preços do petróleo, que afetaria consumidores em todo o planeta.
A General License 134A mantém caráter temporário e limitado no escopo. Sua renovação reiterada revela os limites práticos de tentar isolar completamente o petróleo russo dos circuitos comerciais internacionais sem gerar efeitos colaterais graves.
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