Pesquisa canadense revela que árvores densas em parques resfriam o dia mas retêm calor à noite

Pessoas fazem piquenique e aproveitam o dia em um parque urbano. (Foto: phys.org)

Pesquisadores da Concordia University descobriram que o arranjo de árvores em parques influencia de modo oposto o resfriamento durante o dia e a noite. Certas configurações que aliviam o calor solar de tarde podem reter calor após o pôr do sol.

O estudo analisou 13 parques em Montreal, no Canadá, e investigou três tipos de ambientes distintos. As áreas examinadas incluíam gramados abertos, grupos dispersos de árvores e aglomerados densos de vegetação arbórea.

Durante o dia, os aglomerados densos demonstraram a maior capacidade de reduzir a temperatura do ar. Eles se beneficiam da sombra intensa e do processo de evapotranspiração, pelo qual as plantas liberam vapor d’água e refrescam o ambiente.

À noite, o quadro se inverte completamente e essas mesmas copas densas atrapalham a liberação do calor acumulado durante o dia. O ambiente então se mantém mais quente do que em configurações diferentes.

Os gramados abertos tendem a esfriar mais rápido assim que o sol se põe. Para avaliar o desconforto humano, os pesquisadores mediram a umidade relativa do ar e calcularam a temperatura de globo úmido.

Essa métrica combina calor e umidade de forma integrada. As diferenças entre as configurações de vegetação foram atenuadas quando consideradas essas métricas.

A umidade pode moderar os contrastes térmicos entre árvores densas e gramados abertos. Os autores recomendam que parques urbanos sejam projetados com diversidade estrutural.

A combinação equilibrada de áreas de sombra de árvores maduras com gramados abertos maximiza o conforto térmico tanto nas horas de sol intenso quanto nas noites de verão. Essa abordagem ganha relevância especial durante ondas de calor.

Embora o estudo foque em Montreal, uma cidade com clima continental úmido de verão, os resultados podem se aplicar a outras regiões com características semelhantes. Planejadores urbanos e arquitetos paisagistas precisam repensar critérios de densidade de árvores, espécies, irrigação e estrutura do dossel arbóreo.

Conforme aponta o portal da Concordia University, não basta simplesmente plantar árvores nas cidades. É fundamental distribuir de forma inteligente o espaço aberto e a vegetação densa para garantir conforto térmico durante todas as 24 horas.

A pesquisa reforça que o ciclo completo do dia deve orientar o desenho de áreas verdes urbanas. O conforto noturno revela-se tão importante quanto o alívio térmico diurno em períodos de calor extremo.

Esses achados contribuem para estratégias mais sofisticadas de adaptação climática em ambientes urbanos. A distribuição equilibrada surge como ferramenta estratégica contra o aumento das temperaturas nas metrópoles.

Com informações de phys.org.


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