Irã ameaça fechar Estreito de Hormuz se EUA mantiverem bloqueio a portos iranianos

Navios da Guarda Costeira dos EUA transitam pelo Estreito de Hormuz. (Foto: Wikimedia Commons)

O Irã ameaçou não manter o Estreito de Hormuz aberto caso os EUA persistam com o bloqueio imposto aos portos iranianos.

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, acusou Donald Trump de proferir uma série de afirmações falsas sobre a situação. Ghalibaf advertiu que o tráfego marítimo será rigidamente controlado por rotas designadas e exigirá autorização expressa de Teerã.

As autoridades iranianas indicaram que o canal ficará disponível para navios comerciais apenas sob regras definidas pela Autoridade Portuária iraniana. As rotas deverão ser coordenadas e previamente anunciadas.

Trump assegurou que não restam pontos de atrito pendentes para selar um acordo com o Irã. Ele garantiu, no entanto, que o bloqueio aos portos iranianos continuará até a formalização completa de todos os termos negociados.

O presidente americano anunciou que as medidas entrariam em operação plena a partir de 13 de abril. Trump alegou que a passagem pelo Estreito de Hormuz permaneceria livre para navios que não partem nem têm destino no Irã.

As declarações opostas provocaram perplexidade no cenário internacional. O Irã classificou o discurso de Trump como repleto de mentiras e citou especificamente sete alegações incorretas feitas em curto espaço de tempo.

Bagher Ghalibaf enfatizou que o estado real do estreito será definido sobre o terreno e não por postagens em redes sociais. A posição iraniana reflete o repúdio ao uso do bloqueio como instrumento de pressão contra a soberania de Teerã.

Os EUA condicionam o fim das restrições à aceitação de compromissos sobre o estoque de urânio enriquecido iraniano. Washington exige ainda garantias de que a República Islâmica nunca buscará o desenvolvimento de armas nucleares.

O Estreito de Hormuz constitui uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta. Aproximadamente 20% de todo o petróleo global transita diariamente por suas águas.

Qualquer interrupção ou controle rigoroso no estreito pode gerar desordem imediata nos mercados energéticos mundiais. Os preços do petróleo tendem a disparar, com impactos diretos sobre combustíveis e inflação em países dependentes de importações.

Teerã denuncia o bloqueio como ferramenta de coerção econômica para forçar concessões no programa nuclear. A tensão atual expõe as contradições entre a retórica de negociação de Washington e a manutenção de medidas punitivas contra a soberania iraniana.

A situação permanece fluida, com ambas as partes reafirmando suas posições máximas. Trump descreveu as negociações como muito próximas de uma solução satisfatória, apesar das críticas iranianas.

Conforme apurou o Al Jazeera, as divergências revelam o alto grau de desconfiança acumulada entre os dois países. Analistas alertam que uma escalada efetiva afetaria rotas globais de abastecimento e a estabilidade econômica internacional.

O controle iraniano sobre o estreito representa carta estratégica relevante nas conversações em curso. O desfecho dessa disputa terá repercussões que vão muito além da região e alcançarão os mercados de energia em todo o mundo.

Com informações de aljazeera.com.


📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho

Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.

Redação:
Related Post

Privacidade e cookies: Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com seu uso.