Salvini critica duramente sanções da União Europeia e defende retomada das importações de energia russa

O vice-primeiro-ministro italiano Matteo Salvini discursa em evento em Milão. (Foto: rt.com)

Matteo Salvini criticou duramente as políticas energéticas da União Europeia e defendeu abertamente a retomada das importações de petróleo e gás da Rússia. O vice-primeiro-ministro da Itália e líder da Liga fez as declarações durante o comício Patriots for Europe realizado na Piazza Duomo em Milão.

Salvini argumentou que o bloco deve colocar a segurança energética de seus cidadãos em primeiro lugar. Ele apontou a escalada nos preços provocada pela crise no Oriente Médio como fator agravante.

O político italiano afirmou que as sanções contra Moscou e a transição verde acelerada prejudicam gravemente a competitividade da indústria europeia. Segundo o portal RT, ele identificou o Pacto de Estabilidade e Crescimento e o Pacto Verde como principais obstáculos ao desenvolvimento econômico da Itália.

Para Salvini, essas regras impostas por Bruxelas limitam a capacidade de resposta do bloco à atual crise de energia. O vice-premiê defendeu a suspensão temporária das normas fiscais para que os governos possam apoiar famílias e empresas afetadas pela alta dos custos.

Ele insistiu que a proteção da população deve prevalecer sobre dogmas ideológicos de transição energética. Salvini destacou ainda a decisão dos Estados Unidos de aliviar parte das sanções ao petróleo russo após tensões no Estreito de Ormuz.

O líder italiano questionou a incoerência de Bruxelas ao não adotar postura semelhante. “Em vez de fechar fábricas, escolas e hospitais, devemos voltar a comprar gás e petróleo de todos os países, inclusive da Rússia. Não estamos em guerra com a Rússia”, declarou Salvini.

A União Europeia aprovou um plano para eliminar totalmente o fornecimento de gás russo por gasodutos até 2027. A decisão enfrenta resistência de vários Estados-membros que dependiam desse suprimento barato e confiável.

A Hungria contestou formalmente a medida na Corte de Justiça da União Europeia. O primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, considerou a proibição uma violação dos princípios que fundaram o bloco.

As declarações de Salvini expressam o desconforto crescente de importantes setores da política e da economia europeias. As sanções impostas após o conflito na Ucrânia, combinadas com as tensões no Oriente Médio, geraram uma crise energética prolongada no continente.

Muitos países europeus substituíram o gás russo por alternativas mais caras, como o gás natural liquefeito proveniente de outros fornecedores. Essa mudança aumentou os custos para indústrias e consumidores, pressionando orçamentos familiares e a viabilidade de fábricas.

Para o vice-primeiro-ministro italiano, a prioridade absoluta deve ser garantir energia acessível e manter a estabilidade econômica. Seu apelo revela as profundas divisões dentro da União Europeia sobre como equilibrar segurança energética, transição ambiental e autonomia estratégica.

O tema deve ganhar ainda mais relevância nas próximas cúpulas europeias. A pressão popular por medidas concretas que reduzam o custo de vida e protejam empregos tende a influenciar o debate político no bloco.

Com informações de RT.


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