A agressão militar contra o Irã expôs a vulnerabilidade energética da Austrália, que depende fortemente de combustíveis importados. O quase fechamento do Estreito de Ormuz reduziu o tráfego marítimo em 95% nessa rota, que responde por cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito mundial.
O governo do primeiro-ministro Anthony Albanese lançou uma campanha publicitária de milhões de dólares pedindo aos cidadãos que economizem combustível. As autoridades reduziram pela metade o imposto federal sobre combustíveis e intensificaram contatos com Singapura, Malásia e Brunei em busca de novos acordos de fornecimento.
Segundo o Al Jazeera, especialistas consideram essas medidas paliativas. Elas não resolvem a dependência estrutural do país em relação aos combustíveis fósseis.
O professor Hussein Dia, da Universidade de Tecnologia de Swinburne, afirmou que cerca de 80% do combustível refinado consumido na Austrália vem de centros asiáticos como Singapura, Coreia do Sul e Malásia. Esses centros dependem do petróleo bruto do Oriente Médio.
O diretor do think tank Climate Energy Finance, Tim Buckley, destacou que a vulnerabilidade australiana difere da americana, embora o país exporte gás natural liquefeito e carvão. Buckley afirmou que os EUA iniciaram a guerra sem plano algum.
Os estados australianos adotaram medidas para reduzir o consumo de gasolina. Victoria e Tasmânia ofereceram transporte público gratuito, enquanto Queensland reduziu as tarifas para 50 centavos.
Nova Gales do Sul anunciou investimento de 100 milhões de dólares australianos em pontos de recarga para veículos elétricos. A iniciativa visa acelerar a transição energética.
Um incêndio na refinaria de Geelong, em Victoria, aumentou as preocupações com o abastecimento. A instalação, com mais de 50 anos, responde por 120 mil barris de derivados por dia e é uma das duas refinarias ainda em operação no país.
O incidente levou o ministro da Energia e Clima, Chris Bowen, a cancelar viagem a uma conferência internacional sobre o fim dos combustíveis fósseis na Colômbia. Bowen declarou que o sol australiano não pode ser interrompido por uma guerra e reforçou o potencial solar do país.
A França destinou 10 bilhões de euros anuais para eletrificar sua economia e a Indonésia planeja ampliar sua capacidade solar para 100 gigawatts. O governo federal australiano ainda não anunciou novos aportes significativos em renováveis.
Um em cada três lares australianos já possui painéis fotovoltaicos e quatro estados oferecerão três horas diárias de eletricidade gratuita às residências. O pesquisador Ketan Joshi, do Instituto da Austrália, vê nessa expansão descentralizada uma mudança estrutural que reduz o uso de gás.
Essa tendência de base pode revelar-se mais eficaz que as ações de curto prazo do governo central. A crise energética afeta diretamente os pequenos países do Pacífico, que dependem de importações de combustível.
Tuvalu gasta um quarto de seu PIB em energia e declarou estado de emergência. O professor Christiaan De Beukelaer, da Universidade de Melbourne, advertiu que a escassez ameaça serviços básicos nessas ilhas.
Ele defendeu que a Austrália reduza seu consumo e invista em alternativas sustentáveis para aliviar a pressão sobre os vizinhos. A situação obriga o país a repensar sua matriz energética com ênfase em renováveis e sistemas descentralizados.
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