O Irã classificou como o cúmulo da hipocrisia as exigências de Bruxelas sobre o livre trânsito no estreito de Ormuz.
A resposta de Teerã veio após a chefe da diplomacia europeia Kaja Kallas cobrar que o Irã abandonasse planos de cobrança de taxas de passagem na região. Ela alegou que o direito internacional garante o trânsito livre e sem encargos.
O porta-voz da chancelaria iraniana Esmaeil Baghaei acusou o bloco de adotar duplo padrão. Ele questionou a seletividade europeia ao invocar princípios jurídicos internacionais.
Baghaei ressaltou que nenhuma norma internacional impede o Irã, como Estado costeiro, de adotar medidas de proteção. O diplomata afirmou que a noção de trânsito incondicional perde validade diante do posicionamento de ativos militares dos Estados Unidos e de Israel na região.
O estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, voltou a ser foco de tensão. O Irã restabeleceu controle militar sobre o tráfego marítimo na via estratégica.
A decisão foi tomada em resposta a violações e atos de pirataria praticados por forças norte-americanas. O governo iraniano prometeu manter a vigilância até que Washington cesse as restrições à circulação de navios iranianos.
Dois navios indianos foram obrigados a recuar para o oeste do estreito após operação da Marinha do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica. A ação incluiu disparos de advertência, conforme a Reuters e a agência Tasnim.
Cerca de 20 embarcações que se preparavam para cruzar o estreito tiveram de alterar suas rotas. A informação foi confirmada pelo Wall Street Journal.
O presidente Donald Trump afirmou que Teerã não poderá chantagear Washington com decisões sobre a via marítima. A declaração reforçou o tom de confronto mantido por setores políticos norte-americanos.
Para o Irã, a postura dos Estados Unidos e de seus aliados europeus revela contradições evidentes. Eles exigem livre trânsito para frotas militares enquanto impõem sanções que limitam o comércio iraniano, inclusive de bens civis.
O governo iraniano sustenta que o controle de Ormuz é questão de soberania e segurança nacional. A medida responde à presença de forças estrangeiras em suas fronteiras marítimas.
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