China registra recorde de 68 GW em exportações de energia solar em março

Um trabalhador instala um painel solar, representando a expansão da energia solar. (Foto: electrek.co)

A China exportou um volume recorde de 68 gigawatts de tecnologia solar em março, dobrando o montante de fevereiro e superando em quase 50% o recorde anterior registrado em 2025.

Os números foram divulgados pela organização de pesquisa energética Ember e reproduzidos pelo portal Electrek. A análise revela como a demanda global por fontes renováveis ganha força em meio à volatilidade dos preços de combustíveis fósseis.

Cinquenta nações registraram recordes históricos de importação de produtos solares chineses no período. Outras sessenta alcançaram suas máximas de importação em seis meses, com a Ásia e a África respondendo por cerca de três quartos do crescimento total.

Na Ásia, as importações dobraram e atingiram 39 gigawatts, impulsionadas por Índia, Malásia e Laos. Esses países registraram aumentos respectivos de 141%, 384% e 108%.

O continente africano apresentou expansão ainda mais acentuada, com salto de 176% nas compras, totalizando 10 gigawatts. Nigéria, Quênia e Etiópia ultrapassaram pela primeira vez a marca de 1 gigawatt em importações solares em um único mês.

Esse movimento indica uma transformação no comércio internacional de energia limpa. Países dependentes de combustíveis fósseis buscam reduzir vulnerabilidades por meio de investimentos em infraestrutura solar.

A alteração na política fiscal chinesa a partir de abril também contribuiu para o pico observado em março. O ajuste nas isenções de exportação deve elevar em cerca de 9% o custo dos painéis, levando muitos importadores a anteciparem seus pedidos.

As exportações de painéis solares cresceram 91% ante fevereiro e chegaram a 32 gigawatts. As remessas de células e wafers aumentaram 108% e somaram 36 gigawatts.

Diversos mercados optam cada vez mais pela importação de componentes intermediários em vez de painéis completos. Essa estratégia permite a montagem local, a agregação de valor e a redução de riscos nas cadeias de suprimentos.

O impulso não se restringe à energia solar e abrange também baterias e veículos elétricos. As exportações chinesas desses itens avançaram 70% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Somente o setor de baterias gerou 10 bilhões de dólares em março, com demanda elevada da União Europeia, da Austrália e da Índia. Esses mercados expandem rapidamente suas redes de armazenamento de energia e de mobilidade elétrica.

O relatório Global Electricity Review 2026 da Ember detalha os efeitos dessa expansão renovável. O crescimento da solar em 2025 substituiu geração a gás em escala equivalente a volumes significativos de gás natural liquefeito.

O analista sênior da Ember Euan Graham observa que as oscilações recentes nos preços dos combustíveis fósseis aceleram a transição energética mundial. Graham ressalta que os países não apenas importam recordes de equipamentos como também desenvolvem capacidades industriais domésticas.

O exemplo da China demonstra a dinâmica de uma transição energética acelerada pela pressão dos mercados. Essa tendência fortalece a resiliência econômica e promove maior autonomia frente aos choques nos preços de petróleo e gás.

Ao dominar a produção e as exportações, a China molda novos padrões de cooperação tecnológica global. O país facilita a transferência parcial de etapas da cadeia produtiva para seus parceiros comerciais estratégicos.


Leia também: China inicia construção de usina solar de alta altitude no Tibete


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