China se fortalece como alternativa pacífica aos EUA na guerra do Irã

Representantes da China em reunião, com um deles levantando a mão. (Foto: aljazeera.com)

O presidente da China, Xi Jinping, tem posicionado seu país como defensor da estabilidade em meio ao conflito que envolve o Irã, Israel e os Estados Unidos.

O líder chinês defendeu a reabertura do estreito de Ormuz e enfatizou que a paz na região representa interesse comum para as nações do Golfo e para a comunidade internacional.

Durante diálogo telefônico com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, Xi Jinping reafirmou o apoio de Pequim a iniciativas diplomáticas. Essa abordagem se diferencia do posicionamento de Donald Trump, que comemorou os progressos militares americanos e prometeu sustentar o bloqueio naval até a conclusão de um novo acordo.

Conforme reportou o Al Jazeera, a China tem utilizado o momento para reforçar sua imagem de ator não intervencionista. O pesquisador Gedaliah Afterman, do Instituto Abba Eban de Diplomacia e Relações Internacionais, apontou que Pequim opta por aguardar e explorar as consequências da política de confronto de Washington.

Essa linha de ação se baseia na política chinesa de não interferência nos assuntos internos de outros países. Pequim mantém laços comerciais sólidos com a República Islâmica do Irã, de onde adquire grande volume de petróleo, e preserva relações positivas com os países do Golfo, com Israel e com os próprios Estados Unidos.

O acadêmico Ma Xiaolin, do Instituto do Mediterrâneo da Universidade de Estudos Internacionais de Zhejiang, observou que a China cultiva bons relacionamentos com todos os atores da região mesmo quando estes se encontram em lados opostos. Essa rede de contatos permite que Pequim exerça papel de mediadora sem se vincular a alianças militares.

A China vetou uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que propunha ações coordenadas para a reabertura do estreito de Ormuz. Pequim considerou que o texto não enfatizava suficientemente o caminho diplomático em detrimento de intervenções externas.

O pesquisador Chang Ching, da Sociedade de Estudos Estratégicos de Taipé, explicou que o interesse chinês no Oriente Médio é predominantemente econômico. A estabilidade regional é essencial para garantir o comércio e o fluxo contínuo de energia para a segunda maior economia do mundo.

Mais de 40% das importações de petróleo da China provêm do Oriente Médio. O analista Feng Chucheng, da Hutong Research, alertou que uma escalada adicional poderia ameaçar a segurança energética chinesa e obrigar uma resposta mais direta que o governo busca evitar.

A China contribuiu de forma relevante para as negociações que resultaram em um cessar-fogo temporário entre os Estados Unidos e a República Islâmica do Irã. O chanceler Wang Yi manteve dezenas de contatos diplomáticos desde o início das hostilidades, enquanto o enviado especial Zhai Jun realizou reuniões com diversos líderes regionais.

Xi Jinping também dialogou com o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Khaled bin Mohamed Al Nahyan, para alinhar posições com os Emirados Árabes Unidos. Essa iniciativa evoca o protagonismo assumido por Pequim na mediação entre o Irã e a Arábia Saudita em 2023.

O especialista Drew Thompson, da Escola de Estudos Internacionais S. Rajaratnam, de Singapura, avaliou que a China busca atuar como pacificadora sem assumir os riscos inerentes a um processo de paz intrincado. O Oriente Médio não constitui prioridade central da estratégia chinesa, embora a estabilidade seja vital para seus interesses comerciais.

Acadêmicos e diplomatas da região reconhecem a atuação chinesa como elemento de equilíbrio no conflito. Ma Xiaolin considerou que a comunidade internacional observa quais atores promovem a estabilidade e quais contribuem para o desmantelamento da ordem vigente.

A especialista Jodie Wen, da Universidade Tsinghua, classificou como improvável que Pequim adote medidas que prejudiquem o diálogo com Washington. A avaliação reforça a leitura de que a China prioriza a preservação de seus canais diplomáticos com todas as partes.

Pequim prepara a segunda Cúpula China-Árabe e negocia acordo de livre comércio com o Conselho de Cooperação do Golfo. Os analistas concluem que a estratégia chinesa visa preservar o equilíbrio entre todos os parceiros e ocupar posição vantajosa na reconstrução regional após o fim das hostilidades.

Com informações de ALJAZEERA.


Leia também: China amplia influência no Oriente Médio ao se diferenciar da postura belicista dos EUA contra o Irã


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