A China consolida sua imagem como potência responsável no Oriente Médio ao adotar postura radicalmente distinta da dos Estados Unidos na crise com o Irã.
Xi Jinping defendeu a reabertura do Estreito de Ormuz por meios diplomáticos em conversa com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman. O líder chinês reforçou o compromisso com soluções pacíficas e com a restauração da estabilidade regional.
Conforme o Al Jazeera, o posicionamento de Xi contrasta diretamente com o tom de Donald Trump, que celebrou o bloqueio naval a Teerã. Washington aposta em sanções e coerção enquanto Pequim mantém diplomacia ativa e relações com todos os envolvidos no conflito.
A China é o maior parceiro comercial da República Islâmica do Irã e adquire até 90% de seu petróleo exportado. O país mantém ainda acordos estratégicos com a Arábia Saudita, o Catar e os Emirados Árabes Unidos para proteger seus interesses energéticos.
O pesquisador do Instituto Abba Eban, Gedaliah Afterman, ressaltou que a China se beneficia da situação atual sem se envolver diretamente. Afterman observou que Pequim se prepara para ampliar sua presença durante a fase de reconstrução pós-crise no Golfo Pérsico.
O chanceler chinês Wang Yi realizou 26 ligações telefônicas com interlocutores regionais entre o início do conflito e o cessar-fogo parcial de abril. O enviado especial Zhai Jun participou de quase duas dezenas de reuniões com líderes do Oriente Médio no mesmo período.
Xi Jinping se reuniu com autoridades dos Emirados Árabes Unidos e da Arábia Saudita para consolidar seu papel de mediador confiável. Pequim optou por não assumir protagonismo público na trégua temporária entre Washington e Teerã, ao contrário do ocorrido na mediação de 2023 entre o Irã e a Arábia Saudita.
O analista da Escola de Estudos Internacionais Rajaratnam, Drew Thompson, apontou que essa discrição permite à China preservar sua flexibilidade política. Thompson explicou que Pequim evita compromissos definitivos em acordos de paz de alta complexidade.
A China vetou resolução do Conselho de Segurança da ONU que propunha ações coordenadas para reabrir o Estreito de Ormuz. Pequim defende que a medida deve seguir estritamente a via diplomática, sem imposições militares externas.
O pesquisador da Society for Strategic Studies, Chang Ching, destacou que a prioridade chinesa na região é de natureza econômica. Chang Ching lembrou que mais de 40% do petróleo importado pela China vem do Oriente Médio e depende da estabilidade do fluxo pelo estreito.
A pesquisadora da Universidade Tsinghua, Jodie Wen, alertou que Pequim não tomará decisões precipitadas antes do encontro entre Xi Jinping e Donald Trump sobre tarifas e comércio. Wen mencionou ainda os preparativos para a segunda Cúpula China-Árabe e as negociações de acordo de livre comércio com o Conselho de Cooperação do Golfo.
Ao se apresentar como força promotora de estabilidade e desenvolvimento, a China fortalece sua reputação global. O acadêmico da Universidade de Estudos Internacionais de Zhejiang, Ma Xiaolin, concluiu que os observadores internacionais distinguem quem constrói a paz de quem desestabiliza a ordem mundial.
Com informações de ALJAZEERA.
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