Forças iranianas interceptaram três navios comerciais no estreito de Ormuz e elevaram a tensão com Washington, mesmo após Donald Trump prorrogar unilateralmente a trégua no Golfo Pérsico.
Conforme reportou o portal alemão Tagesschau, o cargueiro Epaminondas com bandeira da Libéria e o MSC Francesca registrado no Panamá foram conduzidos para águas iranianas. As autoridades de Teerã justificaram a ação como resposta a violações das normas de navegação na região.
O bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos levou a Guarda Revolucionária a decretar prontidão máxima. A força reiterou que defenderá a soberania marítima do país contra imposições externas.
Trump justificou a extensão da pausa como atendimento a pedido do governo do Paquistão para viabilizar diálogo. As conversações diretas previstas entre Teerã e Washington em território paquistanês foram suspensas em meio ao recrudescimento das hostilidades.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, acusou os Estados Unidos de violarem a trégua ao inspecionar um petroleiro iraniano no Indo-Pacífico. Ele classificou a operação como ato de guerra incompatível com qualquer esforço de distensão.
Um assessor do presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, expressou profunda desconfiança sobre as reais intenções de Trump. O auxiliar indicou que a prorrogação poderia configurar manobra para encobrir preparativos de ataque surpresa.
A Guarda Revolucionária advertiu que reagirá com força proporcional à continuidade da pressão militar e econômica dos EUA. A entidade citou a possibilidade de atingir instalações petrolíferas em países do Golfo que cooperem com Washington e Israel.
O Comando Central dos Estados Unidos informou que permanece em estado de prontidão na região. A marinha americana mantém o cerco naval aos portos iranianos mesmo após a declaração de prorrogação da trégua.
Analistas ouvidos pela emissora alemã afirmam que Teerã busca fortalecer sua posição negocial diante da pressão crescente. As sanções unilaterais e a presença militar sustentada dos EUA na área reduzem drasticamente as chances de acordo duradouro.
O estreito de Ormuz responde por grande volume do petróleo transportado no mundo. A sucessão de incidentes navais e acusações recíprocas expõe a fragilidade da trégua anunciada entre o Irã e os Estados Unidos.
Leia também: Irã acusa EUA de pirataria após captura de navio no Estreito de Ormuz
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