Um levantamento recente do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) revelou o mapa atualizado das filiações partidárias no estado, oferecendo um retrato preciso da musculatura política de cada legenda às vésperas das articulações para as eleições de 2026. Segundo o portal A Fonte, o estado soma 330.899 filiados distribuídos entre 29 partidos, com o MDB na liderança e o PT consolidando posição estratégica na quarta colocação.
Os números são mais do que uma curiosidade estatística: funcionam como termômetro da capilaridade partidária e da força de mobilização territorial que cada sigla poderá acionar no próximo ciclo eleitoral. O MDB aparece com 41.587 filiados, o que representa 12,57% do total, seguido por União Brasil (33.627, ou 10,16%) e PSDB (28.424, ou 8,59%), enquanto o PT surge logo em seguida com 27.513 filiados, equivalente a 8,31% do eleitorado partidário paraibano.
O reflexo de 2022
O desempenho do PT na Paraíba reflete o avanço consolidado desde as eleições de 2022, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva venceu com ampla margem no estado e o partido ampliou sua representação legislativa. A estrutura partidária formada desde então, reforçada pela experiência da federação Brasil da Esperança em 2022 — que garantiu ao partido tempo relevante de TV e acesso ampliado ao Fundo Eleitoral —, mostra que o campo progressista mantém capilaridade em municípios estratégicos, especialmente no Litoral e no Agreste, regiões que concentram mais de 60% do eleitorado.
Em contraste, o MDB preserva sua tradição de partido de base municipalista, herança de décadas de domínio em prefeituras e câmaras municipais. Essa presença histórica explica a liderança no ranking, embora a legenda tenha perdido protagonismo nacional desde 2018. O União Brasil, por sua vez, herda a estrutura do antigo DEM e PSL, mas enfrenta o desafio de transformar filiação em voto num estado onde o bolsonarismo perdeu força desde o segundo turno de 2022.
A máquina de 2024 e o poder municipal
O cruzamento com o mapa das prefeituras eleitas em 2024 mostra que o MDB ainda controla parte expressiva das cidades médias, enquanto o PSB e o PT ampliaram influência em polos urbanos como João Pessoa, Campina Grande e Patos. Essa base municipal é determinante para a disputa de 2026, quando o peso do interior tende a definir o equilíbrio entre centro e esquerda.
O PSB, com 21.634 filiados (6,54%), mantém posição intermediária, mas seu poder real está no comando de prefeituras estratégicas e na aliança orgânica com o PT. Já o PL, com 17.582 filiados (5,31%), aparece abaixo do Republicanos e do PP, evidenciando que a direita bolsonarista não conseguiu consolidar estrutura robusta no estado, mesmo após o ciclo de polarização nacional.
A matemática das alianças
Com 27,5 mil filiados, o PT tem base suficiente para sustentar candidaturas próprias e negociar alianças regionais com PSB e PCdoB, repetindo a fórmula vitoriosa de 2022. A experiência federativa anterior mostrou que a união entre PT, PCdoB e PV ampliou o alcance eleitoral e garantiu maior visibilidade nas campanhas, algo que pode ser retomado em novas configurações para 2026.
O MDB, embora numericamente superior, tende a fragmentar-se entre alas locais, o que pode reduzir sua eficiência eleitoral. A presença do União Brasil e do PSDB na faixa dos 30 mil filiados indica competitividade, mas sem o mesmo grau de organicidade e engajamento militante que caracteriza o PT, especialmente nas pautas sociais e sindicais.
Por que isso importa
O mapa de filiações é um dos indicadores mais confiáveis para medir a força de base antes do início formal das campanhas. Ele revela não apenas quem tem mais filiados, mas quem tem militância ativa e capacidade de mobilização no território, algo que a direita paraibana ainda tenta reconstruir após o colapso das estruturas bolsonaristas em 2022.
Para o campo progressista, a presença consolidada do PT e de seus aliados diretos em mais de 200 municípios reforça o potencial de crescimento em 2026, sobretudo se o governo federal continuar entregando investimentos em infraestrutura e programas sociais no Nordeste. O MDB lidera em volume, mas o PT cresce em densidade política — e essa diferença pode ser decisiva quando o eleitor for às urnas.
O ranking completo
O levantamento do TRE-PB mostra a seguinte distribuição: MDB (12,57%), União Brasil (10,16%), PSDB (8,59%), PT (8,31%), PP (7,48%), PRD (7,10%), PSB (6,54%), Republicanos (5,51%), PL (5,31%), PDT (4,64%), Podemos (3,97%), PSD (3,02%), Cidadania (2,76%), PCdoB (2,33%), Avante (2,29%), Solidariedade (1,83%), PV (1,82%) e demais partidos somando 4,73%. No total, são 330.899 filiados registrados.
O dado é simbólico: em um estado historicamente competitivo, a disputa de 2026 promete repetir o padrão de 2022, com o campo progressista consolidado e a direita fragmentada. A Paraíba segue sendo um termômetro do Nordeste — e o PT, mesmo em quarto lugar numérico, é quem mais cresce em capilaridade e influência política.
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