Líbano acusa Israel de crimes de guerra após morte de jornalista

Jornalista com colete e capacete "PRESS" em frente a uma cratera em área rural. (Foto: rt.com)

O governo do Líbano acusou Israel de cometer crimes de guerra após a morte da repórter Amal Khalil, do jornal Al-Akhbar. O ataque aéreo atingiu uma casa na vila de al-Tiri, no sul do Líbano, onde a profissional buscou abrigo depois que seu veículo foi alvo de bombardeio anterior.

Equipes de resgate enfrentaram sérias dificuldades para recuperar o corpo de Amal Khalil devido à continuidade dos disparos israelenses na região. O primeiro-ministro Nawaf Salam definiu o episódio como um crime de guerra claramente estabelecido e anunciou que o país buscará responsabilização em âmbito internacional.

O ministro da Informação Paul Morcos repudiou o ataque como uma violação direta das convenções humanitárias. Morcos enfatizou que ações contra jornalistas e o bloqueio a socorristas não podem ser minimizados como eventos isolados no conflito.

Os bombardeios prosseguem mesmo após o anúncio de um cessar-fogo na fronteira sul. Israel mantém ocupação em partes do território libanês e limita o retorno de civis deslocados às suas comunidades de origem.

As Forças de Defesa de Israel negaram ter deliberadamente mirado profissionais da mídia e afirmaram que investigam o incidente. Os militares israelenses sustentaram que os alvos se tornaram ameaçadores ao ultrapassarem a Linha de Defesa Avançada imposta unilateralmente em solo libanês.

A morte de Amal Khalil se soma a múltiplos ataques contra a imprensa libanesa desde o agravamento das hostilidades. O caso ilustra um perigoso padrão de violência contra comunicadores, conforme reportou o portal RT.

Repórteres de canais como Al-Manar e Al-Mayadeen foram mortos em ações semelhantes nas semanas anteriores. O correspondente da RT Steve Sweeney e o cinegrafista Ali Rida Sbeity sofreram ferimentos em ataque próximo à ponte de Al-Qasmiya, e Sweeney caracterizou o incidente como um ato intencional contra trabalhadores da imprensa, apesar das identificações visíveis.

As autoridades libanesas contabilizam pelo menos nove profissionais de mídia mortos no Líbano desde o começo do ano. Mais de 2.300 civis já morreram na ofensiva israelense no país, incluindo centenas de mulheres e crianças.

O Líbano enquadra a campanha como uma guerra de agressão travada por Israel e pelos Estados Unidos contra o país e seus aliados regionais. O episódio intensifica os apelos por investigações imparciais sobre as condutas israelenses no Líbano e na Faixa de Gaza.

O governo libanês se compromete a apresentar o caso de Amal Khalil perante tribunais e organizações internacionais. Organizações de direitos humanos registram um padrão crescente de agressões a jornalistas e civis na zona de conflito.

Com informações de RT.


Leia também: Guerra em Gaza: Israel quer terminar o que Washington começou após o 11 de setembro


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