O vice-presidente do Parlamento da República Islâmica do Irã, Hadi Haghshenas, anunciou que o primeiro repasse do novo pedágio sobre o trânsito marítimo no estreito de Ormuz foi depositado na conta do Banco Central iraniano. A medida reacende o debate sobre os ganhos que Teerã poderia obter ao taxar o uso dessa rota estratégica, por onde circula cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo.
O vice-presidente do Parlamento iraniano, Ali Nikzad, estimou que o país poderia arrecadar até 62 bilhões de dólares anuais com uma taxa de 10 dólares por barril transportado. Cálculos da Reuters indicam que cerca de 150 navios cruzavam diariamente o estreito, o que poderia gerar receitas de até 110 bilhões de dólares por ano com pedágio de 2 milhões de dólares por embarcação.
Analistas citados pelo jornal russo Vzgliad ponderam que o volume transportado dificilmente permaneceria estável caso Teerã aplicasse a cobrança de forma rígida. O analista Igor Yushkov, do Fundo Nacional de Segurança Energética e da Universidade Financeira do Governo da Rússia, afirmou que a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos tenderiam a redirecionar exportações por oleodutos alternativos.
Yushkov destacou que o pedágio funcionaria não apenas como instrumento econômico, mas também como ferramenta de pressão política. Teerã poderia ajustar as tarifas conforme a postura de cada país em relação aos Estados Unidos e a Israel.
Nações consideradas amistosas receberiam descontos ou isenções, enquanto parceiros de Washington pagariam valores mais altos. Países que mantêm bases militares norte-americanas enfrentariam tarifas elevadas, ao contrário daqueles que retirassem tais instalações.
A analista Kristina Gudym, do grupo financeiro Finam, lembrou que o direito internacional proíbe a cobrança por simples passagem em estreitos marítimos. As taxas só seriam permitidas em troca de serviços específicos prestados aos navegantes.
Teerã justifica o pedágio como pagamento por garantia de segurança na rota. Gudym observou que nem o Irã nem os Estados Unidos ratificaram a Convenção da ONU sobre o Direito do Mar, o que permite a ambos aplicar legislações nacionais nas águas que controlam.
Apenas o Irã possui capacidade real para garantir o trânsito seguro no estreito, evitando riscos como minas ou incidentes. Essa posição singular reforça o peso estratégico de Teerã na região.
A simples menção ao pedágio já cria um prêmio de risco sobre o petróleo que passa por Ormuz. Tal efeito eleva custos de seguro e logística, o que pode tornar rotas alternativas economicamente competitivas apesar da maior distância.
Com o pedágio, a República Islâmica reforça sua capacidade de resistência no comércio energético global. A iniciativa sinaliza que Teerã pretende converter sua vantagem geográfica em ativo de soberania contra as sanções impostas pelos Estados Unidos, ampliando o debate sobre o controle das rotas marítimas estratégicas no cenário internacional.
Leia mais sobre o assunto na actualidad.rt.com.
Leia também: Irã avalia plano para reforçar controle sobre o Estreito de Ormuz
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