Nenhuma solução disponível preserva Veneza em sua configuração atual diante da elevação do nível do mar e do afundamento gradual do solo — é o que conclui um estudo analisado pelo Phys.org.
Os pesquisadores compararam diferentes estratégias de adaptação para diversos cenários de aumento marítimo. As opções incluem a manutenção das barreiras do sistema Mose, a construção de diques circulares, o fechamento total da lagoa e a realocação da população para o interior.
O sistema Mose demandou cerca de 6 bilhões de euros em sua construção. As barreiras foram acionadas 108 vezes desde 2020 e 30 vezes nos primeiros meses de 2026, conforme o estudo.
O acionamento frequente interfere na navegação e no turismo da região. Ele altera o equilíbrio ecológico da lagoa e exige sistemas adicionais de tratamento de esgoto e bombeamento de água.
A injeção de água salgada em rochas subterrâneas poderia elevar o solo e prolongar a eficácia do Mose. Mesmo assim, o aquecimento global elevará os oceanos por séculos e superará qualquer barreira existente.
A construção de um anel de diques separaria fisicamente Veneza da lagoa. Essa medida alteraria completamente a paisagem e a dinâmica natural do local.
O fechamento integral da lagoa com superdique e bombeamento permanente resistiria a elevações de até 10 metros. Essa solução provocaria, contudo, impactos devastadores sobre o ecossistema lagunar.
A realocação gradual dos habitantes para o continente surge como último recurso. Ela se tornaria necessária em cenários de aumento superior a 5 metros após o ano 2300.
Os diques custariam entre 500 milhões e 4,5 bilhões de euros, enquanto o fechamento total superaria 30 bilhões. A transferência da cidade poderia chegar a 100 bilhões de euros, sem considerar o patrimônio histórico.
O estudo afirma que nenhuma alternativa mantém Veneza intacta em sua forma presente. Todas as opções geram perdas culturais, ecológicas e sociais profundas.
O planejamento de longo prazo torna-se essencial para cidades costeiras vulneráveis. A situação de Veneza serve como alerta para as limitações das soluções técnicas diante das mudanças climáticas.
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