Um cessar-fogo de dez dias entre Israel e o Líbano entrou em vigor após semanas de intensos combates e bombardeios no sul libanês.
O acordo, mediado pelos Estados Unidos, foi anunciado em meio à pressão internacional por uma trégua que permita negociações mais amplas na região. Segundo reportagem da RT, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o Hezbollah faz parte do entendimento, embora a organização tenha boicotado conversas diretas com Israel por considerá-las inúteis.
Trump declarou em sua rede social que espera que o Hezbollah “aja bem” durante o período de trégua. O presidente americano descreveu o momento como uma oportunidade para uma paz duradoura.
As ofensivas israelenses no sul do Líbano deixaram pelo menos 2.196 mortos e deslocaram mais de 1,2 milhão de pessoas. Os ataques aéreos em Beirute e outras cidades incluíram ordens de evacuação em massa para expandir a chamada “zona de segurança” no sul do país. Os bombardeios atingiram áreas densamente habitadas, aprofundando a crise humanitária no território libanês.
O governo do Irã incluiu o fim da campanha israelense no Líbano como condição essencial para qualquer acordo de paz permanente na região. Autoridades iranianas confirmaram que acompanharão o cumprimento do cessar-fogo por parte de Israel e dos EUA, segundo o deputado libanês Hassan Fadlallah, do bloco Lealdade à Resistência, ligado ao Hezbollah.
Fadlallah afirmou ao canal Al Mayadeen que Teerã monitorará de perto o comportamento israelense. O parlamentar lembrou que Israel tem histórico de descumprimento de compromissos anteriores e que a vigilância iraniana busca garantir que a trégua não seja usada como pretexto para novas incursões militares.
Embora não tenha reconhecido formalmente o acordo mediado por Washington, o Hezbollah divulgou comunicado exigindo que a trégua abranja todo o território libanês. O grupo também pediu a restauração da situação anterior ao recrudescimento dos confrontos e a proibição de movimentação de tropas israelenses dentro do país.
Mesmo após o início oficial da trégua, a Agência Nacional de Notícias do Líbano relatou que a artilharia israelense continuou a bombardear as cidades de Khiam e Dibbine por mais de uma hora. O episódio levantou dúvidas sobre a efetividade imediata do cessar-fogo e reforçou o temor de violações unilaterais por parte de Israel.
Antes da entrada em vigor do acordo, o Exército israelense informou ter atingido mais de 380 alvos do Hezbollah no sul do Líbano, incluindo lançadores de foguetes e centros de comando. Em comunicado, as Forças de Defesa de Israel afirmaram que manteriam suas posições na região e advertiram os civis deslocados a não retornarem às áreas ao sul do rio Litani até nova ordem.
O texto divulgado pelo Departamento de Estado dos EUA estabelece que Israel deve se abster de operações ofensivas em território libanês, seja por terra, ar ou mar. No entanto, o documento também garante a Israel o direito de agir em “autodefesa” diante de ameaças iminentes — cláusula que Tel Aviv historicamente utiliza para justificar ações militares unilaterais e que pode gerar interpretações divergentes sobre o alcance real da trégua.
O governo libanês comprometeu-se a adotar medidas para impedir que o Hezbollah e outros grupos armados realizem ataques contra alvos israelenses a partir de seu território. A cláusula reflete a pressão de Washington por maior controle estatal sobre as milícias, mas também expõe as limitações estruturais do Estado libanês em meio à devastação causada pelos bombardeios.
A trégua de dez dias é vista como um teste para a possibilidade de um acordo mais duradouro. A desconfiança mútua entre as partes permanece o principal obstáculo para qualquer perspectiva de paz estável, recolocando em evidência a incapacidade dos EUA de impor uma solução definitiva em uma região que Washington ajudou a desestabilizar ao longo de décadas de intervenção militar e apoio incondicional a Israel.
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