Inteligência artificial da DeepMind avança para testes clínicos com remédios revolucionários

Ilustração editorial sobre Inteligência artificial da DeepMind avança para testes clínicos com remédios revolucionários. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

A era dos medicamentos projetados por inteligência artificial está prestes a dar um salto histórico: a Isomorphic Labs, subsidiária britânica da Google DeepMind, anunciou que seus primeiros fármacos desenvolvidos por IA entrarão em testes clínicos com humanos em breve. O presidente da empresa, Max Jaderberg, revelou o marco durante o evento WIRED Health, em Londres, no dia 16 de abril, chamando o momento de ‘muito emocionante’ para a ciência e a medicina.

A expectativa inicial era de que os testes começassem até o final de 2025, conforme declarado pelo CEO da DeepMind, Demis Hassabis, no ano passado, mas a empresa agora trabalha para acelerar o cronograma. Fundada em 2021 como um desdobramento da divisão de pesquisa em IA da Alphabet, a Isomorphic Labs utiliza o AlphaFold, plataforma pioneira da DeepMind que revolucionou a previsão de estruturas proteicas, para acelerar a descoberta de novos tratamentos.

As proteínas, compostas por 20 aminoácidos diferentes, são essenciais para todos os organismos vivos e determinam funções biológicas cruciais a partir de suas estruturas tridimensionais. Prever essas formas era um desafio monumental desde os anos 1970, devido ao número astronômico de configurações possíveis, até que o AlphaFold 2, desenvolvido por Hassabis e John Jumper, apresentou resultados impressionantes em 2020 usando técnicas de deep learning.

Em 2021, a DeepMind disponibilizou uma versão de código aberto do AlphaFold, permitindo que cientistas ao redor do mundo acessassem a ferramenta. Já em 2024, a terceira versão da plataforma, o AlphaFold 3, ampliou ainda mais as capacidades ao prever interações entre proteínas e outras moléculas vitais, como DNA e RNA, um avanço fundamental para o design de medicamentos. ‘Isso é exatamente o que você precisa para a descoberta de fármacos: entender como uma molécula pequena se liga a um alvo, com que força e quais outros efeitos colaterais podem ocorrer’, explicou Hassabis à WIRED.

Desde seu lançamento, o AlphaFold já previu as estruturas de praticamente todos os 200 milhões de proteínas conhecidas pela ciência e foi utilizado por mais de 2 milhões de pesquisadores em 190 países. O impacto da tecnologia foi reconhecido com o Prêmio Nobel de Química em 2024, concedido a Hassabis e Jumper, destacando aplicações como o combate à resistência a antibióticos e o desenvolvimento de enzimas capazes de decompor plásticos.

A Isomorphic Labs deu um passo além com o lançamento do IsoDDE, sua própria engine proprietária de design de medicamentos, que, segundo a empresa, mais que dobra a precisão do AlphaFold 3. A startup já estabeleceu parcerias estratégicas com gigantes farmacêuticas como Eli Lilly e Novartis para explorar o potencial da IA na descoberta de novos tratamentos, além de desenvolver sua própria linha de medicamentos focados em oncologia e imunologia.

‘O emocionante sobre as moléculas que estamos projetando é que, por termos um entendimento muito mais profundo de como elas funcionam, conseguimos torná-las extremamente potentes’, afirmou Jaderberg ao público do WIRED Health. ‘Isso permite doses menores, reduzindo efeitos colaterais e interações indesejadas.’ A empresa também nomeou um diretor médico e levantou US$ 600 milhões em sua primeira rodada de financiamento no ano passado, reforçando sua infraestrutura para os testes clínicos.

A missão declarada da Isomorphic Labs é ambiciosa: ‘resolver todas as doenças’. ‘É uma missão louca’, admitiu Jaderberg, ‘mas falamos isso com seriedade, porque acreditamos que deve ser possível.’ Com a entrada dos primeiros medicamentos projetados por IA em testes com humanos, a ciência médica se aproxima de uma revolução que pode redefinir o tratamento de doenças complexas e desafiar os limites da inovação farmacêutica.


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