A nova pesquisa Quaest na Bahia traz bons números para o presidente Lula e para o governador Jerônimo Rodrigues. Não significa que será passeio. Jerônimo ainda precisa consolidar seu nome junto ao próprio eleitorado, e o grande desafio será reconquistar quem o elegeu em 2022, quando obteve 49,45% dos votos válidos no primeiro turno e venceu o segundo turno com 52,78% contra ACM Neto.
A Bahia é o principal estado do Nordeste e o quarto maior colégio eleitoral do país, com 11,3 milhões de eleitores. Equivale a 26% do voto nordestino e a 7,2% do voto nacional. É o estado que o PT governa há mais tempo no Brasil. A administração petista tem grandes projetos encaminhados, e seguramente em 2026 a Bahia oferecerá uma das vitrines mais importantes para o presidente Lula no debate político do ano, apesar dos problemas que o estado ainda enfrenta.
Os números do primeiro turno
No cenário 1 da pesquisa estimulada, ACM Neto (União) aparece com 41%, Jerônimo Rodrigues (PT) com 37%, Ronaldo Mansur (PSOL) com 1% e José Estevão (DC) com 0%. Os indecisos somam 11% e brancos, nulos e abstenção, outros 10%. No cenário 2, sem José Estevão, a foto é praticamente a mesma: ACM com 41%, Jerônimo com 36%, Ronaldo Mansur com 1%, indecisos 14%, brancos e nulos 8%. Em segundo turno simulado, a vantagem de ACM se reduz: 41% contra 38% de Jerônimo, com 12% indecisos e 9% de brancos e nulos.
A diferença está dentro da margem de erro nos cenários decisivos.
Por que ACM Neto não tem o jogo ganho
À primeira vista, os números parecem favoráveis ao ex-prefeito de Salvador. Aparece à frente em todos os cenários e tem maior conhecimento entre o eleitorado: 52% dizem que conhecem e poderiam votar nele, contra 45% de Jerônimo. Mas é preciso olhar para outras camadas da pesquisa.
A primeira é a aprovação do governador. Jerônimo mantém 56% de aprovação contra 33% de desaprovação. São números muito acima da média dos governadores brasileiros. A avaliação positiva do governo está em 37%, regular em 33% e negativa em apenas 25%. Esse é o principal alicerce de uma futura campanha à reeleição. Será também a plataforma natural para reduzir rejeição e ampliar apoio nos meses de propaganda eleitoral.
A segunda camada é a preferência política do eleitor baiano. 51% dos entrevistados afirmam que o governador merece ser reeleito, contra 42% que dizem o contrário. 47% querem que o próximo governador seja aliado de Lula, contra apenas 16% que preferem um aliado de Bolsonaro. Outros 32% preferem um nome independente, mas a esmagadora maioria desse grupo de independentes tende a se alinhar com o lulismo na hora do voto, como mostra o histórico baiano.
A terceira camada, talvez a mais reveladora, é a escala de posicionamento político. Na pesquisa Quaest, 26% dos baianos se declaram lulistas, 16% de esquerda não lulista, 33% independentes, 9% de direita não bolsonarista e 10% bolsonaristas. A Bahia é um dos estados menos bolsonaristas do país. Há mais lulistas no estado do que toda a soma da direita não bolsonarista com os bolsonaristas reunidos.
A armadilha de ACM Neto
Esses dados delineiam o terreno minado em que ACM Neto terá de caminhar. Conforme o debate eleitoral se polarizar, e o cenário mais provável é que polarize, o ex-prefeito vai encontrar enorme dificuldade para mostrar de que lado está. Se aderir ao bolsonarismo, perde os 9% da direita não bolsonarista e boa parte dos independentes. Se tentar manter distância, perde os 10% de bolsonaristas duros que já não confiam nele desde a eleição de 2022, quando recusou apoio explícito a Bolsonaro e foi derrotado.
É uma situação parecida com a de Ciro Gomes no Ceará. ACM Neto, aliás, é aliado de Ciro nesse movimento antipetista no Nordeste, que consegue prosperar em alguma capital específica, mas que aparentemente não vai prosperar muito em 2026.
A foto do estado em abril de 2026
As fundações para o PT obter mais uma vitória ampla na Bahia estão sólidas. Aprovação alta do governador, hegemonia lulista no estado, rejeição estrutural ao bolsonarismo, preferência maciça por um governador alinhado ao presidente. Se a campanha for bem organizada, a tendência é Jerônimo se eleger no primeiro turno e Lula registrar mais uma de suas grandes votações no estado.
Por enquanto, a Bahia continua vermelha.