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A Bahia continua vermelha

46 Comentários🗣️🔥 A nova pesquisa Quaest na Bahia traz bons números para o presidente Lula e para o governador Jerônimo Rodrigues. Não significa que será passeio. Jerônimo ainda precisa consolidar seu nome junto ao próprio eleitorado, e o grande desafio será reconquistar quem o elegeu em 2022, quando obteve 49,45% dos votos válidos no primeiro […]

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Flickr governo da Bahia. Lula e Jeronimo nas obras do VLT de Salvador. Abril de 2026.

A nova pesquisa Quaest na Bahia traz bons números para o presidente Lula e para o governador Jerônimo Rodrigues. Não significa que será passeio. Jerônimo ainda precisa consolidar seu nome junto ao próprio eleitorado, e o grande desafio será reconquistar quem o elegeu em 2022, quando obteve 49,45% dos votos válidos no primeiro turno e venceu o segundo turno com 52,78% contra ACM Neto.

A Bahia é o principal estado do Nordeste e o quarto maior colégio eleitoral do país, com 11,3 milhões de eleitores. Equivale a 26% do voto nordestino e a 7,2% do voto nacional. É o estado que o PT governa há mais tempo no Brasil. A administração petista tem grandes projetos encaminhados, e seguramente em 2026 a Bahia oferecerá uma das vitrines mais importantes para o presidente Lula no debate político do ano, apesar dos problemas que o estado ainda enfrenta.

Os números do primeiro turno

No cenário 1 da pesquisa estimulada, ACM Neto (União) aparece com 41%, Jerônimo Rodrigues (PT) com 37%, Ronaldo Mansur (PSOL) com 1% e José Estevão (DC) com 0%. Os indecisos somam 11% e brancos, nulos e abstenção, outros 10%. No cenário 2, sem José Estevão, a foto é praticamente a mesma: ACM com 41%, Jerônimo com 36%, Ronaldo Mansur com 1%, indecisos 14%, brancos e nulos 8%. Em segundo turno simulado, a vantagem de ACM se reduz: 41% contra 38% de Jerônimo, com 12% indecisos e 9% de brancos e nulos.

A diferença está dentro da margem de erro nos cenários decisivos.

Por que ACM Neto não tem o jogo ganho

À primeira vista, os números parecem favoráveis ao ex-prefeito de Salvador. Aparece à frente em todos os cenários e tem maior conhecimento entre o eleitorado: 52% dizem que conhecem e poderiam votar nele, contra 45% de Jerônimo. Mas é preciso olhar para outras camadas da pesquisa.

A primeira é a aprovação do governador. Jerônimo mantém 56% de aprovação contra 33% de desaprovação. São números muito acima da média dos governadores brasileiros. A avaliação positiva do governo está em 37%, regular em 33% e negativa em apenas 25%. Esse é o principal alicerce de uma futura campanha à reeleição. Será também a plataforma natural para reduzir rejeição e ampliar apoio nos meses de propaganda eleitoral.

A segunda camada é a preferência política do eleitor baiano. 51% dos entrevistados afirmam que o governador merece ser reeleito, contra 42% que dizem o contrário. 47% querem que o próximo governador seja aliado de Lula, contra apenas 16% que preferem um aliado de Bolsonaro. Outros 32% preferem um nome independente, mas a esmagadora maioria desse grupo de independentes tende a se alinhar com o lulismo na hora do voto, como mostra o histórico baiano.

A terceira camada, talvez a mais reveladora, é a escala de posicionamento político. Na pesquisa Quaest, 26% dos baianos se declaram lulistas, 16% de esquerda não lulista, 33% independentes, 9% de direita não bolsonarista e 10% bolsonaristas. A Bahia é um dos estados menos bolsonaristas do país. Há mais lulistas no estado do que toda a soma da direita não bolsonarista com os bolsonaristas reunidos.

A armadilha de ACM Neto

Esses dados delineiam o terreno minado em que ACM Neto terá de caminhar. Conforme o debate eleitoral se polarizar, e o cenário mais provável é que polarize, o ex-prefeito vai encontrar enorme dificuldade para mostrar de que lado está. Se aderir ao bolsonarismo, perde os 9% da direita não bolsonarista e boa parte dos independentes. Se tentar manter distância, perde os 10% de bolsonaristas duros que já não confiam nele desde a eleição de 2022, quando recusou apoio explícito a Bolsonaro e foi derrotado.

É uma situação parecida com a de Ciro Gomes no Ceará. ACM Neto, aliás, é aliado de Ciro nesse movimento antipetista no Nordeste, que consegue prosperar em alguma capital específica, mas que aparentemente não vai prosperar muito em 2026.

A foto do estado em abril de 2026

As fundações para o PT obter mais uma vitória ampla na Bahia estão sólidas. Aprovação alta do governador, hegemonia lulista no estado, rejeição estrutural ao bolsonarismo, preferência maciça por um governador alinhado ao presidente. Se a campanha for bem organizada, a tendência é Jerônimo se eleger no primeiro turno e Lula registrar mais uma de suas grandes votações no estado.

Por enquanto, a Bahia continua vermelha.

 

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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Rodrigo Meireles

29/04/2026

Pesquisa é retrato, não profecia. Jerônimo tem números favoráveis agora, mas 49,45% em 2022 mostra que quase metade do eleitorado não comprou o projeto — reconquistar esse pessoal exige entrega, não só alinhamento com Lula. No setor de tecnologia a gente sabe: aprovação sem métrica de resultado vira fumaça rápido.

    Nadia Petrova

    29/04/2026

    Rodrigo, falou como um bom gerente de produto: sem métrica, até o mais vermelho dos dashboards vira miragem. Na Rússia, a gente viu aprovação de 80% virar fumaça quando o preço do pão falou mais alto que a TV estatal — e aqui, com 49,45% de rejeição prévia, ignorar a entrega concreta é flertar com o recall silencioso.

    Karina Libertária

    29/04/2026

    Para de viagem, Rodrigo. Metade não comprou porque viu que é mais propaganda do que delivery real. Enquanto vocês esperam entrega desse povo, eu já fiz hedge aqui em Miami e não dependo de handout de político.

      Fernando O.

      29/04/2026

      Fala em hedge mas não apresenta um número sequer. Enquanto isso, a Bahia segue majoritariamente com Lula e Jerônimo porque os indicadores sociais mostram melhora real, não ideologia. Mas conta aí: qual o retorno desse hedge em Miami?

      Carlos Henrique Silva

      29/04/2026

      Karina, sua fala é um exemplo cristalino do que Gramsci chamaria de senso comum burguês elevado à condição de ideologia: a crença numa suposta autonomia individual que esconde, sob o brilho do hedge em Miami, a mais brutal dependência de estruturas globais de exploração. Você reduz a política a uma transação mercantil – delivery ou handout – como se a vida social fosse um cardápio de aplicativo. Mas essa metáfora é sintoma, não diagnóstico. Marx já mostrava que o fetichismo da mercadoria oculta as relações sociais que a produzem. Seu hedge não brotou do seu talento isolado; ele é fruto de uma arquitetura financeira internacional que drena riqueza do trabalho alheio, inclusive do trabalho de quem vive na Bahia e que você despreza com a soberba de quem confunde privilégio com mérito.

      Quando você diz que não depende de “handout de político”, revela a alma da ideologia liberal: o Estado só é problema quando atende aos de baixo. Para você, ele é invisível nos subsídios ao setor financeiro, nas isenções bilionárias, nos paraísos fiscais que usa, na própria estabilidade institucional que permite a existência do mercado onde opera. Essa cegueira seletiva é o que Gramsci identificava como hegemonia: a classe dominante universaliza sua experiência, fazendo crer que o horizonte de Miami é a régua da normalidade. Mas a Bahia vermelha não é about esperar entrega; é about reconhecer que, para a esmagadora maioria, o Estado é a única trincheira contra a voracidade do capital. Sem ele, não há sequer a infraestrutura que torna seu aplicativo de investimentos funcional.

      A desigualdade brasileira não é acidente, é projeto. As pessoas que você acusa de comprar propaganda são as mesmas que sustentam, com seu trabalho precarizado, a acumulação que torna possível o seu hedge. O “vermelho” da Bahia não é cor partidária vazia; é a expressão eleitoral de quem sabe, na carne, que o mercado não entrega escola, posto de saúde ou água encanada – entrega concentração de renda. Sua fala recalca o fato de que a mobilidade para Miami é privilégio de classe, não escolha racional universal. Enquanto você celebra sua independência, depende de uma cadeia global de dependência que mantém milhões presos a salários de fome. O delivery que você ironiza é, para muitos, a diferença entre comer e não comer.

      O problema, Karina, não é a Bahia acreditar em propaganda. É você acreditar na propaganda mais perigosa de todas: a de que o mercado é neutro e a política é atrapalhação. Essa crença não resiste a cinco minutos de análise materialista séria. Sua liberdade termina onde começa a dos outros – e a sua, hoje, está assentada sobre a negação sistemática da liberdade alheia. Chame isso de handout se quiser, mas sem essa “esmola” do Estado, o capital não teria quem explore, nem consumidores para seus produtos, nem estabilidade para seus hedges. A Bahia continua vermelha porque há uma inteligência coletiva que você, do alto do seu portfólio, se recusa a enxergar: a de que política não é aplicativo, é luta de classes.

Ana Costa

29/04/2026

Os números realmente mostram uma base sólida para o PT na Bahia, todavia fico curiosa para ver como Jerônimo vai lidar com aquele eleitor que votou nele em 2022 mas ainda não se sente representado — 49,45% no primeiro turno não é pouca coisa, mas tampouco é garantia de reeleição tranquila. Por outro lado, a oposição local também não parece ter até agora um nome capaz de furar essa bolha de lealdade histórica. A ver os próximos capítulos.

    Ronaldo Pereira

    29/04/2026

    Ana, 49,45% no primeiro turno com a máquina patronal jogando contra é vitória da classe trabalhadora, não bolha de lealdade. O peão na fábrica sabe de que lado o pão é amassado, e se a oposição não tem nome é porque nunca calçou as botas do povão.

    Cíntia Alves

    29/04/2026

    Ana, adorei a análise: a Bahia virou aquele crush que já deu certo mas ninguém sabe se aguenta mais quatro anos sem surtar. Enquanto a oposição não aprende a fazer um meme que preste, sigo aqui com meu estoque de desconfiança e uma esperança bem meia-boca.

Lucas Pinto

29/04/2026

Fala-se em “Bahia vermelha” como quem constata uma cor no mapa, um dado naturalizado, quase meteorológico. Mas essa tonalidade política não cai do céu nem brota espontaneamente do solo generoso do Recôncavo. Ela é construída, disputada, negociada palmo a palmo no terreno movediço da hegemonia. Gramsci já nos ensinava que o poder não se mantém apenas pela coerção: ele precisa de consentimento, dessa adesão que parece voluntária mas é tecida nas malhas da sociedade civil – nos sindicatos, nas igrejas, nas escolas, nos meios de comunicação. A pesquisa Quaest registra a temperatura desse consenso em determinado momento, mas o termômetro não explica as forças que produzem o calor.

E é justamente aí que mora o perigo da leitura triunfalista. Dizer que “a Bahia continua vermelha” como se fosse uma essência imutável do povo baiano é apagar as contradições que atravessam esse próprio campo político. Jerônimo Rodrigues teve 49,45% dos votos válidos em 2022 – ou seja, mais da metade do eleitorado não votou nele no primeiro turno. Isso não é detalhe estatístico, é sintoma. O desafio não é apenas “consolidar o nome”, como se fosse questão de marketing ou recall de marca. O desafio é reconquistar corações e mentes que podem estar desencantados com a distância entre o discurso de campanha e a gestão concreta, com as alianças espúrias que o governismo impõe, com a lentidão das transformações prometidas.

Do ponto de vista de um marxista ateu que lê Foucault com atenção, interessa-me menos o placar eleitoral e mais as microfísicas do poder que operam no cotidiano baiano. Que opressões persistem mesmo sob um governo dito progressista? Como as estruturas capitalistas seguem intactas – o latifúndio, a especulação imobiliária em Salvador, a precarização do trabalho, a violência policial nas periferias – enquanto se celebra a vitória eleitoral? O poder não é um objeto que se toma de assalto no palácio de Ondina; ele circula, se exerce, se capilariza. E um governo pode perfeitamente ser “vermelho” na sigla e cinzento na prática se não enfrentar essas capilaridades.

O grande desafio que o artigo vislumbra, mas não nomeia, é o da despolitização do eleitorado. Quando a reconquista dos votos é colocada como meta técnica, e não como processo de reacender a consciência crítica, corremos o risco de transformar cidadãos em clientes. A esquerda institucional precisa decidir se quer apenas ganhar eleições ou se quer, de fato, construir hegemonia no sentido gramsciano mais profundo: uma visão de mundo que se enraíze nas massas, que enfrente o senso comum conservador incutido pelo púlpito neopentecostal e pela televisão, que desnaturalize a miséria e a desigualdade.

A Bahia continua vermelha no mapa, mas o vermelho pode ser sangue ou pode ser bandeira. Pode ser a inércia de uma máquina partidária que se reproduz ou pode ser a chama viva de um povo que se reconhece sujeito da própria história. Os números da Quaest são fotografia; o filme ainda está rodando, e o roteiro não está escrito. Dependerá da capacidade do campo progressista de fazer autocrítica, de se reconectar com as bases para além dos períodos eleitorais, de ousar enfrentar os poderes estabelecidos que seguem oprimindo mesmo quando o governador é do PT. Sem isso, o vermelho será apenas verniz sobre as mesmas estruturas de sempre.

    Paulo Ribeiro

    29/04/2026

    Caro Lucas Pinto,

    Você mobiliza Gramsci com a precisão de quem entende que hegemonia não é adjetivo, é substantivo concreto. E acerta no nervo exposto: reduzir a persistência eleitoral do campo progressista na Bahia a uma coloração inercial no mapa é sucumbir àquilo que o próprio Gramsci chamava de “economicismo histórico”, aquela ilusão de que as superestruturas políticas simplesmente refletem, como autômatos, uma suposta essência popular. Sua leitura está corretíssima ao lembrar que o consentimento é produzido, não brota. Mas permita-me tensionar um ponto: quando você lança mão de Foucault para deslocar o olhar das eleições para as “microfísicas do poder”, talvez incorra num risco simétrico ao que denuncia — o risco de dissolver a especificidade do momento político-eleitoral numa analítica do poder tão capilarizada que perde de vista as hierarquias reais de força. Sim, o poder circula, mas é Althusser quem nos adverte que há aparelhos ideológicos de Estado que concentram e organizam essa circulação de forma desigual. A eleição, com todos os seus limites burgueses, ainda é o momento em que as classes subalternas podem, ao menos, deslocar frações do bloco no poder. Não é “apenas” fotografia, como você diz — é correlação de forças cristalizada num instante, e isso importa para a guerra de posição.

    Sua provocação sobre o governo “vermelho na sigla e cinzento na prática” ecoa, e muito, a crítica de Mariátegui ao reformismo que se contenta em administrar o capital sem ferir suas estruturas. De fato, Jerônimo Rodrigues governa sobre o latifúndio intacto, sobre a especulação imobiliária que expulsa os pobres de Salvador, sobre uma polícia militar que segue executando jovens negros nas periferias como se o Palácio de Ondina fosse mera continuação do gabinete do governador anterior. Concordo integralmente que a máquina partidária pode transformar o vermelho em verniz. Mas aqui introduzo uma distinção tática: a esquerda que conquista o executivo estadual não está em condições de abolir a propriedade privada dos meios de produção por decreto — e você sabe disso. O problema não é que ela não queira “enfrentar as capilaridades”, mas que enfrentá-las exige construir, previamente, uma nova correlação de forças na sociedade civil que torne esse enfrentamento viável sem que o governo seja derrubado no dia seguinte. O dilema é gramsciano até a medula: como governar para as classes subalternas enquanto o bloco histórico dominante mantém o controle da mídia, dos púlpitos, do judiciário e, fundamentalmente, da economia? A resposta não é abandonar a disputa institucional, mas articulá-la a uma pedagogia política de massas que vá além do ciclo eleitoral.

    Seu alerta contra a despolitização e a transformação de cidadãos em clientes é certeiro. A pesquisa Quaest registra tendências, mas o perigo está em tratar esses números como meta de gerência de marca, e não como termômetro da consciência de classe. Reconquistar corações e mentes, para usar sua expressão, não se faz com marketing político — e nisso a esquerda institucional peca gravemente ao terceirizar sua comunicação para agências que falam a língua do mercado. Mas reconectar-se com as bases exige também que nós, intelectuais orgânicos, não desprezemos as vitórias parciais como se fossem irrelevantes. O fato de a Bahia reeleger um governador do PT enquanto o neopentecostalismo avança e o bolsonarismo segue forte é, sim, sintoma de uma contradição viva, não resolvida. Mas também é sinal de que há uma memória de classe, uma experiência acumulada dos governos anteriores que ainda disputa o senso comum. O desafio é transformar essa memória em projeto, e projeto em cotidiano. Sem isso, como você bem diz, o vermelho será apenas a cor da bandeira que tremula sobre a mesma miséria de sempre — e o sangue continuará correndo nas quebradas, indiferente às siglas no poder. A questão que fica é: estamos dispostos a fazer a autocrítica profunda que nos leve da mera ocupação do estado para a construção de uma verdadeira reforma intelectual e moral, ou seguiremos nos contentando em pintar de vermelho o mapa eleitoral enquanto as estruturas capitalistas seguem intocadas?

    Celio Fazendeiro

    29/04/2026

    Lucas, dexa de ser chato com esse blá-blá-blá de comuno de universidade, rapá. A Bahia é vermelha de sangue de vagabundo e se continuar desse jeito o agro vai ter que desmatar tudo pra fazer um estacionamento.

João Martins

29/04/2026

Talvez o ponto mais problemático ao ler uma manchete como essa seja a suposição implícita de que números brutos de intenção de voto, colhidos a mais de um ano da eleição, representam alguma garantia ou tendência irreversível. Quando o texto admite que Jerônimo “ainda precisa consolidar seu nome junto ao próprio eleitorado” e que o desafio será “reconquistar quem o elegeu em 2022”, ele entrega a fragilidade da narrativa. Em 2022, Jerônimo obteve 49,45% dos votos válidos no primeiro turno. Isso não é hegemonia, é um desempenho competitivo que exigiu segundo turno. Uma pesquisa Quaest agora pode até mostrar bons números, mas sem o detalhamento metodológico das taxas de abstenção projetadas, do perfil de renda dos entrevistados e do recall de voto anterior, qualquer leitura triunfalista é apenas especulação com grife de instituto.

Precisamos colocar lupa sobre o que significa “consolidar o nome”. Em termos práticos, isso exige analisar dados de conhecimento de gestão: quantos eleitores sabem citar espontaneamente uma realização da atual administração estadual? Qual o índice de aprovação em áreas como segurança pública e infraestrutura? A Bahia ostenta alguns dos piores indicadores de violência do país, com taxas de homicídios persistentemente altas segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Se a pesquisa Quaest não cruzou intenção de voto com percepção de insegurança, está omitindo uma variável preditiva muito mais robusta do que a identidade partidária. Eu gostaria de ver os números brutos, não apenas os percentuais agregados que alimentam a manchete confortável.

Há também o problema da transferência de popularidade. O resumo menciona números bons para Lula e para Jerônimo, sugerindo uma correlação automática. Mas a ciência política documenta há décadas que popularidade presidencial não se transfere linearmente para governadores, especialmente em períodos de crise econômica ou quando a gestão local tem falhas visíveis. Dados do Datafolha de ciclos anteriores mostram que o eleitor segmenta sua escolha de acordo com a proximidade da entrega de serviços. Preciso ver o percentual de eleitores que aprovam Lula mas desaprovam Jerônimo, porque é nesse gap que mora o risco eleitoral. Sem essa granularidade, a tal “onda vermelha” pode não passar de uma marola se o governo federal enfrentar desgaste na economia.

Por fim, um olhar cético ao conceito de “reconquistar”. Se Jerônimo precisa reconquistar quem o elegeu, é porque houve erosão. A pergunta relevante é qual foi a magnitude dessa perda e em quais estratos sociais ela ocorreu. Perdeu entre jovens? Entre evangélicos? No interior ou na região metropolitana de Salvador? Sem esses cruzamentos, a pesquisa serve mais para aquecer o noticiário político do que para iluminar a dinâmica real. Dados agregados são pobres preditores, e a insistência em lê-los como fotografia do futuro é o que faz analistas tropeçarem. Quero ver a planilha completa, os anexos metodológicos, as margens de erro por subgrupo. Até lá, mantenho a recomendação de rigor: menos manchete, mais microdado.

    Cecília Torres

    29/04/2026

    João, seu comentário opera exatamente no registro que falta ao debate público: trocar a manchete confortável pela planilha completa. É justamente por tratar pesquisa como fotografia do futuro, e não como retrato precário e granulável, que o noticiário político tropeça há ciclos. Enquanto institutos e redações não publicarem microdados, margens de erro por subgrupo e cruzamentos com percepção de insegurança, a tal “onda vermelha” segue sendo especulação com grife.

    Sgt Bruno 🇧🇷

    29/04/2026

    Microdado, planilha, metodologia… tá com medinho de ver a hegemonia vermelha, é? Selva, melancia! Comunista se tira na bala, não com cruzamento de variável.

    Pedro

    29/04/2026

    Enquanto cês ficam procurando anexo metodológico e microdado, meu voto vai pro bagulho que pesar menos no litro da gasolina e no IPVA. Na rua a gente não cruza planilha, a gente sente no bolso.

João Carvalho

29/04/2026

A resiliência do voto popular na Bahia revela menos uma fidelidade automática e mais a memória coletiva de um projeto que, mesmo com contradições, ainda se contrapõe ao desmonte neoliberal. O desafio de Jerônimo não é apenas nominal: é reencantar um eleitorado que exige a radicalização das políticas de equidade racial e justiça territorial, sob risco de vermos a abstenção corroer o que as pesquisas sugerem como vantagem.

    John Marshall

    29/04/2026

    Sua análise evoca o que Marx chamaria de ‘memória da classe’ — não mera lealdade ao partido, mas reconhecimento de interesses objetivos. Contudo, a radicalização que você defende carrega o risco hobbesiano de romper o pacto de moderação que mantém a autoridade legítima; Jerônimo precisa mais de Locke do que de Rousseau para reencantar sem desencantar o centro.

    Ronaldo Silva

    29/04/2026

    Tá bonito no papel, mas na rua o que o povo fala mesmo é de gasolina cara, feira que não fecha e imposto que não para de subir. Esse discurso de radicalização e reencantamento não enche tanque de ninguém.

      Renata Oliveira

      29/04/2026

      Você tem razão, Ronaldo. De nada adianta discurso inflamado se o povo sente o peso no bolso todo santo dia. A política precisa parar de só acenar com bandeiras e começar a resolver o que dói na mesa e no tanque das famílias.

Carlos Menezes

29/04/2026

Sempre bom lembrar que pesquisa é retrato do momento, não profecia. Os números parecem sólidos para o governo, mas aquele eleitor que votou no Jerônimo em 2022 e hoje sente o bolso apertar pode não repetir o voto automaticamente. Resta saber até quando a máquina e a lembrança da eleição passada seguram essa base.

    Sofia García

    29/04/2026

    Carlos, vc mandou a real: pesquisa é print da timeline, não o story completo. Mas a treta é que o eleitor que já tava no aperto em 2022 agora tá vendo o iFood subir e o pix sumir, e memória afetiva de campanha não enche barriga. A máquina até gira, mas a fatura do cartão chegou primeiro.

    Mateus Silva

    29/04/2026

    Carlos, sua leitura reduz a política a um termômetro de bolso, como se a adesão ao projeto petista na Bahia fosse só inércia ou clientelismo. A hegemonia que segura essa base não é máquina nem saudade de 2022, é enraizamento de classe e construção de sentido que sobrevive até às crises, porque o subalterno sabe, por experiência, de que lado o Estado se ausenta menos. O voto não se perde automaticamente quando o aperto chega; se fosse assim, a direita nunca teria base popular, já que suas políticas sempre arrocharam quem votou nelas.

    Ana Souza

    29/04/2026

    Concordo que pesquisa não é profecia, Carlos, mas na Bahia a fidelidade partidária costuma envolver laços mais profundos que a economia imediata – tem identidade, gratidão e uma rede de proteção social que muitos eleitores sentem no dia a dia. A máquina ajuda a segurar a base, mas só se sustenta se houver entrega real; sem isso, até a memória afetiva da eleição passada perde força.

Mariana Costa

29/04/2026

Os números mostram força, mas eleição se ganha com voto, não com pesquisa. Jerônimo tem o desafio de transformar aprovação em engajamento real — o eleitorado baiano já mostrou que não vota só por inércia.

    João Santos

    29/04/2026

    Mariana, pesquisa é meio de enganar trouxa. Voto mesmo é na urna, e o povo da Bahia já tá esperto com esse vermelhão que só promete e entrega corrupção.

      Cecília Ramos

      29/04/2026

      João, corrupção é pecado e tem em todo canto, mas reduzir a política a isso é ignorar o que a Bíblia mais cobra: justiça para os pobres e cuidado com a criação. A Bahia vermelha erra, sim, mas foi com governos populares que o povo mais saiu da miséria extrema e teve voz — isso também é fruto do voto na urna.

José dos Santos

29/04/2026

Pesquisa é igual a promessa de campanha, no volante a gente vê que a realidade é outra. O povo aqui reclama do preço do combustível e do trânsito travado todo dia, independente da cor do governo. Precisamos de estabilidade pra quem rala atrás do volante, não de discurso.

    Fernando O.

    29/04/2026

    José, o preço do combustível é ditado pelo mercado internacional, não por discurso de palanque. Se quiser debater estabilidade, vamos falar de Brent e defasagem, não de cor de governo.

      Jeferson da Silva

      29/04/2026

      Fernando, essa história de ‘mercado internacional’ é a mesma desculpa que usam há décadas pra esconder que o trabalhador sempre paga o pato. Quem tá na fábrica, pegando condução e vendo o preço do gás subir todo mês, sabe que defasagem e Brent não enchem barriga de filho de metalúrgico.

Cíntia Ribeiro

29/04/2026

A resiliência eleitoral do PT na Bahia segue como um case relevante para quem estuda sistemas partidários estaduais, mas a pesquisa revela o desafio de transformar aprovação em enraizamento. O ponto crítico é a volatilidade entre os eleitores que já votaram em Jerônimo em 2022: sem a consolidação desse contingente, a vantagem nas intenções de voto pode se diluir conforme a campanha avança, algo comum em contextos de segundo mandato. Vale observar se a percepção de entrega de políticas públicas no nível local conseguirá superar a dependência do capital político de Lula.

    Padre Antônio Rocha

    29/04/2026

    Cíntia, essa frieza técnica para analisar o coração do povo baiano ignora o óbvio: enquanto não houver temor a Deus nos palácios, toda essa “resiliência” não passa de barganha política que corrompe a alma da nossa gente. O verdadeiro enraizamento é moral e espiritual, não se mede com pesquisas, mas com a volta das famílias à missa e o abandono dessas ideologias que o PT tanto abraça.

      Marta Souza

      29/04/2026

      Padre, a fé não enche barriga nem gera emprego. A Bahia precisa de menos Estado e mais mercado, não de mais missas para abençoar a miséria que o PT criou com essa ladainha ideológica.

        Maria Silva

        29/04/2026

        Dona Marta, fé não enche barriga mas também não rouba o almoço de ninguém. O que deixa o prato vazio é esse Estado obeso que o PT pariu na Bahia, mamando nas tetas do contribuinte enquanto o povo espera milagre.

        Lurdinha Deus Acima de Todos

        29/04/2026

        Marta, você tá é com inveja porque a Bahia é de Jesus e o PT vai fechar as igrejas, tá amarrado! 🔥🙏🇧🇷

Pedro Almeida

29/04/2026

A hegemonia não se mede apenas nas urnas, já nos advertia Gramsci: vitória eleitoral sem direção cultural e moral é como construir sobre areia movediça. Jerônimo precisa transformar cada voto de 2022 em consciência de classe organizada, sobretudo entre os que hoje flertam com o canto da sereia do neofascismo tupiniquim. A Bahia vermelha só se sustentará se o povo for protagonista, não mero número de pesquisa.

    Rodrigo RedPill

    29/04/2026

    Gramsci, coach? Tá achando que consciência de classe enche barriga ou paga boleto, my friend? Enquanto vocês repetem mantra de DCE, o mercado não perdoa – e esse “protagonismo do povo” só vai gerar mais red no final do mês.

    Dr. Thiago Menezes

    29/04/2026

    Interessante invocar Gramsci, mas você teria como operacionalizar conceitos como “consciência de classe organizada” em indicadores testáveis, ou é só retórica sem métrica? Porque, na ciência política empírica, discursos sem definições claras sofrem do mesmo vício que você atribui à areia movediça: soam bem, mas afundam na hora de medir.

Lucas Alves

29/04/2026

Pesquisa agora é igual horóscopo: sempre tem um “mas” que justifica qualquer resultado futuro. “Jerônimo precisa consolidar” é basicamente admitir que metade do eleitorado pode pular fora se aparecer algo melhor. Engraçado como sempre ignoram que fidelidade política é quase tão sólida quanto promessa de ano novo.

    João Batista

    29/04/2026

    Lucas, a Bíblia já ensina que o homem sem Deus é inconstante em todos os seus caminhos (Tiago 1:8). Essa fidelidade líquida que você aponta é só o reflexo de uma sociedade que trocou valores eternos por promessas vazias, e a esquerda permissiva colhe exatamente o que planta: gente que não se firma em nada.

    Carlos Oliveira

    29/04/2026

    Lucas, entendo seu ceticismo, mas comparar pesquisa a horóscopo é desprezar o trabalho sério de metodologia estatística que há décadas reflete tendências reais do eleitorado. A questão não é que o povo seja volúvel por natureza; é que a fidelidade só se consolida quando as promessas de campanha viram política pública concreta na mesa, no salário e no acesso à terra — algo que as elites e a mídia corporativa boicotam diariamente.

      Cláudio Ribeiro

      29/04/2026

      Carlos, sua observação vai ao cerne da questão: a hegemonia, como nos ensinou Gramsci, não se constrói apenas no discurso, mas na materialidade das relações sociais — é no acesso à terra, ao salário digno e à comida na mesa que o consentimento se enraíza ou se rompe. Quando Foucault desvela o poder microfísico que disciplina os corpos, ele nos ajuda a entender que o boicote cotidiano das elites e da mídia opera exatamente para impedir que essas políticas públicas se concretizem, mantendo a população num estado de precariedade funcional ao neoliberalismo.

Adalberto Livre

29/04/2026

ISSO É O CUMUNISMO DESTRUINDO O BRASIL ACORDA BAHIA PETRALHADA LADRONA

    Marcos Andrade Niterói

    29/04/2026

    Adalberto, esse grito em caixa alta só entrega o desespero de quem não tem projeto. A Bahia segue investindo em gente e infraestrutura, enquanto a extrema-direita repete bordão sem nunca ter entregue um túnel Charitas-Cafubá ou um metrô decente. Aqui em Niterói a gente mostra como a esquerda que sabe governar faz.

    Eduardo Teixeira

    29/04/2026

    Adalberto, comunismo de verdade nunca tivemos, mas o estrago que o Estado faz com impostos escorchantes e regulações burras é real e diário. Enquanto a Bahia aplaude quem sangra o empreendedor, o atraso continua.

    Clotilde Pátria

    29/04/2026

    Adalberto, é verdade! O comunismo já tomou o Brasil e amanhã vão implantar a ditadura de vez, só um milagre de Deus pra nos livrar dessa petralhada satânica! Clamemos por intervenção divina urgente!

Jhonny

29/04/2026

No Vermelho pois està quebrada e Vermelho sangue de tantos homicidios.


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