Os eleitores da Bulgária voltaram às urnas para escolher um novo parlamento, marcando a oitava eleição legislativa em apenas cinco anos.
O pleito ocorre após a queda do governo conservador anterior, derrubado por amplos protestos populares que tomaram as ruas em dezembro e exigiram o fim do que manifestantes descreveram como um modelo oligárquico de poder.
As seções eleitorais abriram às 7h no horário local e encerraram às 17h GMT, segundo jornalistas da AFP. A votação é considerada decisiva para o futuro político do país, que enfrenta prolongada instabilidade institucional desde 2021.
Desde aquele ano, nenhum governo conseguiu completar um mandato completo, acumulando sucessivos impasses parlamentares que paralisaram reformas e atrasaram investimentos estratégicos.
Conforme reportou o Al Jazeera, a disputa tem como favorito o ex-presidente e ex-general da Força Aérea Rumen Radev. Ele passou a liderar o recém-criado grupo de centro-esquerda Progressista Bulgária após o encerramento de seu mandato presidencial.
A plataforma do grupo defende uma política externa mais independente e a retomada de laços econômicos e energéticos com a Rússia. Radev, de perfil nacionalista e crítico do envio de armas búlgaras à Ucrânia, ganhou destaque ao apoiar as manifestações anticorrupção que derrubaram o governo conservador no fim do ano passado.
Sua campanha promete reformar o sistema judicial, combater a corrupção e reconstruir a confiança nas instituições públicas. Pesquisas realizadas antes da abertura das urnas apontavam o grupo de Radev com cerca de 35% das intenções de voto, à frente dos partidos tradicionais.
Analistas alertam, no entanto, que a fragmentação do parlamento pode novamente dificultar a formação de uma coalizão estável. O ciclo de instabilidade que já dura meia década poderia assim se prolongar.
A Bulgária, país de 6,5 milhões de habitantes, tem vivido sob governos de curta duração que não resistiram à combinação de pressão popular e disputas parlamentares. Esse cenário atrasou reformas estruturais e investimentos estratégicos, especialmente nas áreas de energia e infraestrutura.
O quadro político búlgaro também reflete uma divisão geopolítica mais ampla na Europa Oriental. O debate se acirra entre forças que defendem maior alinhamento com a União Europeia e aquelas que buscam reaproximação com Moscou.
A possível vitória de Radev, visto como favorável ao diálogo com a Rússia, ocorre em um momento em que vários países do leste europeu questionam os limites de sua dependência das estruturas ocidentais. Esse debate ganhou força especialmente no contexto do conflito na Ucrânia.
Os protestos que precipitaram a atual eleição mobilizaram centenas de milhares de pessoas nas principais cidades do país. Jovens tiveram papel central, exigindo transparência e o fim da influência de grupos econômicos sobre o sistema político.
Esse movimento consolidou-se como força social relevante no debate eleitoral e pressionou os partidos a apresentarem propostas concretas de reforma institucional. Independentemente do resultado, a Bulgária enfrenta o desafio imediato de formar um governo funcional e restaurar a confiança da população nas instituições.
Com informações de Al Jazeera.
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