A especialista em relações internacionais Somayeh Pasandideh detalhou os eventos que levaram ao golpe de 1953 no Irã, apontando os interesses britânicos no petróleo como o fator central para a derrubada do primeiro-ministro Mohammed Mossadeq, em entrevista ao Sputnik International.
O Reino Unido era o principal beneficiário do petróleo iraniano por meio da Anglo-Iranian Oil Company antes da nacionalização. As autoridades em Londres impuseram sanções econômicas rigorosas e um bloqueio comercial para tentar reverter a decisão soberana de Teerã.
A estratégia de pressão econômica não produziu os resultados esperados de forma imediata. O MI6 planejou a Operação Boot enquanto a CIA executou a Operação Ajax, com táticas que incluíam guerra psicológica, suborno de elites e estímulo a protestos nas ruas.
Os Estados Unidos aderiram à ação conjunta por receio de que o Irã se aproximasse da União Soviética em plena Guerra Fria. O desfecho imediato foi a deposição de Mohammed Mossadeq e a restauração do poder do xá Mohammad Reza Pahlavi como aliado ocidental.
O arranjo permitiu o retorno do controle estrangeiro sobre os recursos energéticos iranianos por longo período. O governo do xá Mohammad Reza Pahlavi enfrentou, desde o início, questionamentos sobre sua legitimidade interna e sua profunda dependência das potências ocidentais.
A insatisfação popular acumulada ao longo das décadas seguintes alimentou um crescente movimento de resistência nacional. Esse processo contribuiu de forma decisiva para a eclosão da Revolução Islâmica de 1979.
Pasandideh observou que o golpe gerou um legado duradouro de desconfiança em relação às potências ocidentais. A intervenção acabou fortalecendo correntes nacionalistas que definem a postura soberana e independente do Irã até os dias atuais.
O episódio de 1953 serve como referência sobre o peso dos recursos naturais nas disputas geopolíticas. A especialista concluiu que a tentativa de restaurar a ordem anterior produziu consequências opostas às pretendidas por Londres e Washington.
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