O líder da bancada da União Democrata-Cristã (CDU), Jens Spahn, defendeu a realização de um debate nacional sobre o retorno da Alemanha à energia nuclear. Especialistas consultados pelo Tagesschau refutam essa possibilidade e apontam para desafios técnicos e econômicos significativos.
O pesquisador Malte Küper, do Instituto da Economia Alemã (IW) em Colônia, explicou que a reativação não reduziria os preços da energia no curto prazo. Muitas instalações estão em processo de desmantelamento, o que torna a ideia de religamento inviável e exige um novo início completo.
Matthias Dewald, responsável pela área de descomissionamento da Sociedade para Segurança de Instalações e Reatores (GRS), estimou entre 15 e 20 anos a duração do processo de desmonte. Ele destacou que as estruturas e sistemas das antigas usinas já estão sendo removidos, o que inviabiliza qualquer religamento rápido das centrais.
O professor de sistemas energéticos da Universidade Técnica de Dortmund, Christian Rehtanz, afirmou que nenhuma usina alemã poderia operar novamente nas condições atuais. O argumento de Spahn se apoia em estudo norte-americano da Radiant Energy Group, publicado em 2024, mas as realidades locais diferem bastante, segundo o especialista.
O serviço científico do governo federal alemão apontou, em relatório de 2021, as incertezas sobre custos de construção e descarte de resíduos radioativos. A PreussenElektra, subsidiária da E.ON, descartou por completo a reativação das usinas Isar 2 e Brokdorf após desmontar grandes componentes e desativar sistemas essenciais.
O caso do reator francês de Flamanville serve de alerta para os custos descontrolados em projetos nucleares. O empreendimento, que tinha orçamento inicial de três bilhões de euros, atingiu mais de doze bilhões — demonstrando a dependência de subsídios estatais para viabilizar a tecnologia.
Malte Küper reconheceu que, do ponto de vista climático, o fechamento antecipado das usinas nucleares pode ter representado um equívoco estratégico. Manter essa fonte por mais tempo, priorizando simultaneamente o fim das usinas a carvão, teria sido mais vantajoso, embora não contribua para a neutralidade climática prevista para 2045.
Christian Rehtanz concordou que os longos prazos de licenciamento e construção chegam a duas décadas. Ele defendeu o investimento maciço em energias renováveis, com ênfase em sistemas de armazenamento, redes inteligentes e maior eficiência no uso da eletricidade.
O chanceler federal Friedrich Merz reconheceu que o abandono da energia nuclear pode ter sido precipitado demais. Ainda assim, ele admitiu que reverter a decisão atual não traria solução imediata para os problemas energéticos do país.
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