O governo de Burkina Faso dissolveu 118 organizações não governamentais e associações civis, em decisão anunciada em 17 de abril de 2026 pelo ministro da Administração Territorial e Mobilidade, Emile Zerbo.
Zerbo proibiu as atividades dessas entidades e exigiu que seus dirigentes se adequem à legislação aprovada em julho de 2025. Muitas das organizações dissolvidas atuavam na defesa dos direitos humanos e na promoção da liberdade de associação.
O descumprimento da norma pode resultar em sanções previstas na legislação vigente. A medida consolida o controle estatal sobre a sociedade civil, conforme noticiou o portal Al Jazeera.
O capitão Ibrahim Traoré comanda o país desde o golpe militar de 2022. Desde então, o governo adotou uma série de medidas que limitam o espaço de atuação de partidos e organizações civis.
Em janeiro de 2026, o governo dissolveu todos os partidos políticos após um período de três anos de suspensão. Em novembro de 2025, as autoridades obrigaram ONGs nacionais e internacionais a transferir suas contas bancárias para um banco estatal recém-criado.
Essas iniciativas coincidem com a guerra em curso contra grupos armados ligados à Al-Qaeda e ao ISIL no território burquinabê. As autoridades acusam com frequência organizações financiadas do exterior de colaborarem com esses grupos.
A Anistia Internacional condenou a dissolução das entidades. O pesquisador sênior da organização para o Sahel, Ousmane Diallo, descreveu a ação como um ataque à liberdade de associação.
Diallo argumentou que a decisão contraria a Constituição de Burkina Faso e os compromissos internacionais do país na área de direitos humanos. O pesquisador apontou que o ato integra uma estratégia de silenciamento da sociedade civil por meio de leis restritivas, intimidação, detenções e perseguição a defensores de direitos.
A entidade demandou a revogação imediata da medida e a retomada das atividades das organizações afetadas. Traoré já declarou publicamente que os cidadãos deveriam esquecer a democracia.
Com informações de Al Jazeera.
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Evelyn Olavo
30/04/2026
É patético ver Pedro e Samara presos na horizontalidade de conceitos mortos enquanto o alinhamento geopolítico exige a purgação dos agentes da entropia globalista. Como dizia o filósofo, é preciso esmagar a serpente que se disfarça de caridade para manter a soberania no eixo correto. Burkina Faso está apenas limpando o lixo astral e material de quem tenta achatar a força vital da nação sob o mando de potências estrangeiras.
Francisco de Assis
30/04/2026
Evelyn, minha cara, esse teu papo de lixo astral e entropia cheira a delírio de quem vive com a cabeça alienada, bem longe da realidade do povo que trabalha. Enquanto tu se perde nessa tua metafísica de almanaque, o Brasil do presidente Lula dá aula de soberania real com diplomacia altiva e o povo voltando a ser dono do próprio destino. O fato é que o nosso país hoje é o farol do Sul Global, provando que se governa com justiça social e autoridade soberana, sem precisar de delírios persecutórios.
João Batista Alves
30/04/2026
É preciso ter coragem para enfrentar essas organizações que, muitas vezes, servem apenas para desestruturar a família e os valores tradicionais sob o pretexto de progresso. Louvo a decisão de colocar ordem na casa e proteger a soberania nacional contra ideologias que não respeitam a nossa fé. Que Deus ilumine os governantes para que a moral prevaleça sobre os interesses mundanos.
Paulo Ribeiro
30/04/2026
Meu caro João Batista, compreendo o seu entusiasmo com a ideia de soberania, mas creio que sua análise se detém na superfície de uma retórica moralista, ignorando a profundidade das engrenagens do poder e da geopolítica. Ao evocarmos Gramsci, percebemos que essas organizações não operam no vácuo; elas compõem o que chamamos de hegemonia na sociedade civil, servindo frequentemente como correias de transmissão de interesses do capital internacional sob a máscara da filantropia e do humanitarismo liberal. No entanto, o seu apelo aos valores tradicionais e à família me parece um equívoco analítico que Althusser classificaria como uma captura pelos Aparelhos Ideológicos de Estado. O problema central em Burkina Faso, e em tantos outros países do Sul Global, não é propriamente uma crise de fé ou de costumes, mas a necessidade urgente de desmantelar a infraestrutura de dependência neocolonial que utiliza o discurso do progresso para manter a subalternidade material e o controle sobre os recursos naturais.
Se observarmos essa realidade pela lente de José Carlos Mariátegui, veremos que a verdadeira soberania não nasce da imposição de uma moral abstrata, mas da construção de um projeto político que brote da realidade concreta do povo, sem os decalques e cópias do liberalismo eurocêntrico. Louvar a dissolução de entidades civis apenas por um viés religioso é ignorar que a justiça social exige, acima de tudo, a autonomia dos meios de produção e a libertação do jugo imperialista que as ONGs, muitas vezes, ajudam a consolidar ao fragmentar as lutas populares em pautas setoriais financiadas pelo Norte Global. O que está em jogo na região do Sahel é a possibilidade de uma ruptura com a lógica de tutela externa, algo que vai muito além de uma simples disputa entre moral e mundanismo; trata-se da luta de classes em escala internacional e do direito soberano à autodeterminação histórica, sem que isso sirva de pretexto para a supressão das liberdades fundamentais do próprio povo que se pretende libertar.
Samara Oliveira
30/04/2026
João, a fé que eu sigo não teme a organização popular, pois o Evangelho nos chama para servir aos mais pobres e denunciar as injustiças. Dissolver entidades que muitas vezes são o único amparo dos necessitados não é proteger a moral, mas sim calar quem luta contra a fome e a opressão. Que a nossa espiritualidade nos leve a defender a liberdade dos humildes e não o silenciamento autoritário.
Pedro Almeida
30/04/2026
Caro João, a história nos ensina, de Aristóteles a Hannah Arendt, que o esvaziamento do espaço público em nome de uma moralidade estatal costuma ser o prelúdio da tirania, e não o real fortalecimento da nação. Dissolver o tecido da sociedade civil sob o pretexto da tradição é, na verdade, deixar o cidadão desarmado diante da força bruta do poder centralizado, ignorando que a verdadeira polis se constrói na pluralidade e não no silenciamento institucional.