A Bélgica enfrenta uma crise inédita no setor de batatas industriais, com preços despencando a zero euro devido a uma superprodução recorde.
A colheita de cinco milhões de toneladas entre 2025 e o início de 2026 saturou o mercado e deixou produtores com estoques que ninguém quer comprar. Os armazéns das indústrias de batata frita estão lotados, e a demanda por novos lotes praticamente desapareceu.
As empresas já haviam firmado contratos antecipados com agricultores, garantindo 75% da produção a preços fixos. Isso manteve estável o valor das batatas usadas nas frites congeladas vendidas nos supermercados.
O problema atinge o restante da safra, vendido no mercado livre, que perdeu completamente o valor comercial. Agricultores como Bruno Warnant, de Chastres, na região da Valônia, relatam perdas severas e tentam evitar o desperdício distribuindo gratuitamente toneladas de batatas à população.
Warnant afirma ter entregue 120 toneladas em dois dias, atraindo mais de 500 pessoas. O produtor calcula que as perdas somam cerca de 24 mil euros, considerando o custo de 8 mil euros por hectare cultivado.
Ele descreve a situação como sem precedentes, lembrando que, mesmo em anos de baixa, sempre havia um preço mínimo para o produto. Agora, o mercado livre simplesmente parou de absorver o excedente.
Apesar da abundância, os consumidores não sentiram redução no preço das batatas fritas congeladas. Isso ocorre porque os contratos de fornecimento foram firmados com antecedência e a preços mais altos, protegendo as margens das empresas e deixando os produtores independentes sem saída.
Para o próximo ciclo, Warnant já planeja reduzir em 25% sua área de cultivo de batatas e substituí-la por milho. A decisão reflete a incerteza generalizada entre agricultores belgas, que enfrentam custos de produção crescentes e um mercado cada vez mais volátil.
Especialistas do setor agrícola apontam que a crise belga é um sintoma de desequilíbrios estruturais na cadeia europeia de alimentos. A concentração industrial e a dependência de contratos de longo prazo tornam o sistema vulnerável a choques de oferta como o registrado neste ciclo.
A superprodução também levanta questões ambientais, já que toneladas de alimentos correm o risco de apodrecer sem destino. O episódio reacende o debate sobre políticas agrícolas mais sustentáveis e mecanismos de regulação de estoques na União Europeia.
Sem medidas coordenadas, produtores locais podem continuar arcando sozinhos com as consequências de um mercado que privilegia grandes grupos industriais em detrimento da agricultura familiar. Esta realidade destaca a necessidade urgente de reformas na política agrícola europeia.
Fonte: RFI
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João Carvalho
01/05/2026
Lá fora jogam comida fora e aqui no Rio o preço do sacolão tá um assalto, o meu VR não dá nem pro cheiro. Enquanto esses burocratas fazem lambança, quem se ferra é o trabalhador que carrega esse país nas costas. É muita ideologia e pouca vergonha na cara, Brasil acima de tudo!
Augusto Silva
01/05/2026
João, confundir um excedente pontual na Europa com a dinâmica do nosso mercado é ignorar que a inflação de alimentos no Brasil despencou para 1,03 por cento em 2023, conforme o IBGE, graças à retomada dos estoques da Conab que a turma do seu slogan havia dizimado. Se o seu sacolão está pesado, lembre-se que o que realmente garante o seu VR é o crescimento do PIB acima das previsões e o desemprego na casa dos 7,5 por cento, o menor patamar em dez anos. A ideologia que você critica é a mesma que está recompondo a renda do trabalhador e tirando o Brasil do mapa da fome que o governo anterior, esse sim cheio de frases de efeito, nos devolveu.
Samara Oliveira
01/05/2026
João, meu irmão, esse desperdício lá fora é um tapa na cara de quem vive de joelhos pedindo o pão de cada dia aqui no Brasil. Não dá para dizer que a pátria está acima de tudo se o sistema permite que se jogue comida no lixo enquanto o próximo padece de necessidade; isso é falta de temor a Deus e de justiça com o trabalhador.
Carlos Mendes
01/05/2026
Isso é o resultado direto de subsídios estatais que distorcem o preço e ignoram a lei da oferta e demanda. Enquanto burocratas de Bruxelas brincam de planejar a economia, o produtor quebra com 5 milhões de toneladas de prejuízo. A conta da intervenção sempre chega, e ela é cara para quem realmente produz.
Célia Carmo
01/05/2026
Cala a boca, Carlos, seu sistema podre joga comida fora pra salvar lucro de patrão enquanto o povo passa fome! #CapitalismoGeraFome
Mariana Santos
01/05/2026
Carlos, o que você chama de distorção é na verdade a lógica intrínseca da anarquia da produção capitalista, que prioriza o valor de troca em detrimento do valor de uso. Enquanto o agronegócio europeu descarta toneladas de alimento para proteger margens de lucro, fica evidente que o mercado é incapaz de garantir a função social da terra e a soberania alimentar. É a barbárie estrutural do capital, e não a falta de mercado, que gera esse desperdício criminoso em um mundo com fome.
Ronaldo Pereira
01/05/2026
Carlos, essa sua lei da oferta e demanda é a desculpa técnica para moer o trabalhador enquanto os barões do agronegócio europeu tentam salvar o próprio lucro. O que você chama de distorção é a crise de superprodução inerente ao capital, onde se prefere o desperdício criminoso à barriga cheia do povo para não ver a margem financeira oscilar. No chão de fábrica ou no campo, a conta dessa anarquia nunca cai no colo da burguesia, mas sim nas costas de quem realmente produz a riqueza e hoje vê o fruto do seu suor valer zero.