Cuba marcha pelas ruas de Havana no 1º de maio contra bloqueio dos EUA

Milhares de cubanos marcham em desfile contra o bloqueio dos EUA e ameaças imperialistas. (Foto: actualidad.rt.com)

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, liderou uma marcha popular que partiu da Praça da Revolução em direção à Tribuna Antiimperialista José Martí no 1º de maio. Os participantes gritaram ‘¡Viva Cuba libre!’ enquanto portavam faixas com a mensagem ‘La Patria se defiende’.

Trabalhadores, estudantes, camponeses, artistas e atletas marcharam juntos para exigir o fim do embargo econômico dos Estados Unidos. Eles rechaçaram as ameaças imperialistas recentes contra a ilha.

Mobilizações simultâneas ocorreram em todas as províncias do país, segundo o portal Actualidad RT. O movimento reforçou a coesão interna em um momento de recrudescimento das sanções de Washington.

Na véspera, Díaz-Canel convocou a população a transformar o 1º de maio em demonstração de paz e unidade. Ele sublinhou que a marcha respondia ao bloqueio genocida e às grosseiras ameaças da Casa Branca.

O clima festivo não ocultou a dimensão política do ato. Cartazes exigiam a devolução de ativos cubanos congelados no exterior e denunciavam a tentativa dos Estados Unidos de isolar a ilha em fóruns multilaterais.

Donald Trump assinou uma ordem executiva declarando emergência nacional, alegando que Cuba representaria ameaça extraordinária para a segurança regional. Havana refutou o argumento com veemência.

O documento acusou o governo cubano de abrigar grupos terroristas transnacionais e mencionou suposta instalação de equipamentos militares de Rússia e China. Isso serviu de justificativa para tarifas punitivas a países que forneçam petróleo à ilha.

Autoridades cubanas classificaram a medida como fascista e criminosa, afirmando que ela atende a interesses privados do círculo de poder em Washington. Qualquer asfixia econômica, disseram, será enfrentada com maior integração social.

Desde 1962, o bloqueio comercial dos Estados Unidos restringe o fluxo de alimentos, insumos médicos e crédito internacional para Cuba. As perdas são calculadas em mais de US$ 150 bilhões a valores correntes, segundo estimativas oficiais da ilha.

Sucessivos relatórios aprovados pela Assembleia Geral da ONU condenaram quase por unanimidade a manutenção dessas sanções. A política hostil permaneceu inalterada e foi até ampliada na área financeira.

No campo interno, o governo cubano reforçou programas de substituição de importações e incentivos à agroindústria. Ele enfatizou que o cerco econômico não impedirá a continuidade de serviços públicos gratuitos em saúde e educação.

Especialistas em Caribe observam que a nova ofensiva de Washington ocorre em contexto de reconfiguração geopolítica. A emergência do BRICS+ e a aproximação latino-americana com China e Rússia reduzem a margem dos Estados Unidos para manter hegemonia incontestada na região.

Analistas consultados pela imprensa regional destacam que o bloqueio gera efeitos colaterais nos próprios parceiros estadunidenses. Ele limita oportunidades de exportação agrícola e turística para um mercado de mais de 11 milhões de pessoas a poucas milhas da Flórida.

Na marcha de Havana, delegações estrangeiras de movimentos sindicais e partidos progressistas reafirmaram solidariedade à ilha. Elas defenderam o direito de cada nação escolher livremente seu modelo de desenvolvimento sem ingerência externa.

Díaz-Canel agradeceu os gestos de apoio internacional e reiterou que Cuba continuará aberta ao diálogo baseado em respeito mútuo. Ele afirmou que isso ocorrerá sem aceitar condicionantes que firam sua soberania.

O governo também sublinhou que seguirá apresentando no Conselho de Direitos Humanos da ONU denúncias contra o impacto humanitário das sanções. Ele argumenta que restrições a medicamentos violam convenções básicas do direito internacional.

Enquanto Washington fala em mudança iminente na ilha, Havana foca em turismo, biotecnologia e energia renovável para diversificar receitas externas. Ao mesmo tempo, a ilha fortalece laços com economias emergentes.

A mobilização do 1º de maio demonstra que, apesar das dificuldades, a sociedade cubana preserva elevado grau de organização popular. Ela mostra disposição de resistência diante das pressões econômicas e diplomáticas.

Para observadores latino-americanos, o desfile mostrou que a paz e a autodeterminação de Cuba estão ligadas ao fim do bloqueio. Isso a transforma em um símbolo regional contra imposições externas.


Leia também: Cuba cobra fim do bloqueio em reunião com delegação dos EUA em Havana


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