O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, liderou uma marcha popular que partiu da Praça da Revolução em direção à Tribuna Antiimperialista José Martí no 1º de maio. Os participantes gritaram ‘¡Viva Cuba libre!’ enquanto portavam faixas com a mensagem ‘La Patria se defiende’.
Trabalhadores, estudantes, camponeses, artistas e atletas marcharam juntos para exigir o fim do embargo econômico dos Estados Unidos. Eles rechaçaram as ameaças imperialistas recentes contra a ilha.
Mobilizações simultâneas ocorreram em todas as províncias do país, segundo o portal Actualidad RT. O movimento reforçou a coesão interna em um momento de recrudescimento das sanções de Washington.
Na véspera, Díaz-Canel convocou a população a transformar o 1º de maio em demonstração de paz e unidade. Ele sublinhou que a marcha respondia ao bloqueio genocida e às grosseiras ameaças da Casa Branca.
O clima festivo não ocultou a dimensão política do ato. Cartazes exigiam a devolução de ativos cubanos congelados no exterior e denunciavam a tentativa dos Estados Unidos de isolar a ilha em fóruns multilaterais.
Donald Trump assinou uma ordem executiva declarando emergência nacional, alegando que Cuba representaria ameaça extraordinária para a segurança regional. Havana refutou o argumento com veemência.
O documento acusou o governo cubano de abrigar grupos terroristas transnacionais e mencionou suposta instalação de equipamentos militares de Rússia e China. Isso serviu de justificativa para tarifas punitivas a países que forneçam petróleo à ilha.
Autoridades cubanas classificaram a medida como fascista e criminosa, afirmando que ela atende a interesses privados do círculo de poder em Washington. Qualquer asfixia econômica, disseram, será enfrentada com maior integração social.
Desde 1962, o bloqueio comercial dos Estados Unidos restringe o fluxo de alimentos, insumos médicos e crédito internacional para Cuba. As perdas são calculadas em mais de US$ 150 bilhões a valores correntes, segundo estimativas oficiais da ilha.
Sucessivos relatórios aprovados pela Assembleia Geral da ONU condenaram quase por unanimidade a manutenção dessas sanções. A política hostil permaneceu inalterada e foi até ampliada na área financeira.
No campo interno, o governo cubano reforçou programas de substituição de importações e incentivos à agroindústria. Ele enfatizou que o cerco econômico não impedirá a continuidade de serviços públicos gratuitos em saúde e educação.
Especialistas em Caribe observam que a nova ofensiva de Washington ocorre em contexto de reconfiguração geopolítica. A emergência do BRICS+ e a aproximação latino-americana com China e Rússia reduzem a margem dos Estados Unidos para manter hegemonia incontestada na região.
Analistas consultados pela imprensa regional destacam que o bloqueio gera efeitos colaterais nos próprios parceiros estadunidenses. Ele limita oportunidades de exportação agrícola e turística para um mercado de mais de 11 milhões de pessoas a poucas milhas da Flórida.
Na marcha de Havana, delegações estrangeiras de movimentos sindicais e partidos progressistas reafirmaram solidariedade à ilha. Elas defenderam o direito de cada nação escolher livremente seu modelo de desenvolvimento sem ingerência externa.
Díaz-Canel agradeceu os gestos de apoio internacional e reiterou que Cuba continuará aberta ao diálogo baseado em respeito mútuo. Ele afirmou que isso ocorrerá sem aceitar condicionantes que firam sua soberania.
O governo também sublinhou que seguirá apresentando no Conselho de Direitos Humanos da ONU denúncias contra o impacto humanitário das sanções. Ele argumenta que restrições a medicamentos violam convenções básicas do direito internacional.
Enquanto Washington fala em mudança iminente na ilha, Havana foca em turismo, biotecnologia e energia renovável para diversificar receitas externas. Ao mesmo tempo, a ilha fortalece laços com economias emergentes.
A mobilização do 1º de maio demonstra que, apesar das dificuldades, a sociedade cubana preserva elevado grau de organização popular. Ela mostra disposição de resistência diante das pressões econômicas e diplomáticas.
Para observadores latino-americanos, o desfile mostrou que a paz e a autodeterminação de Cuba estão ligadas ao fim do bloqueio. Isso a transforma em um símbolo regional contra imposições externas.
Leia também: Cuba cobra fim do bloqueio em reunião com delegação dos EUA em Havana
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Diego Fernández
02/05/2026
Luiz Augusto, você fala em “ditadura de partido único” mas esquece que o sistema de conselhos populares em Cuba permite participação direta que a nossa “democracia” de vender voto pra candidato patrocinado por banco nunca vai ter. Enquanto isso, o bloqueio dos EUA já matou mais gente que qualquer suposta falta de liberdade econômica — pergunta pro povo de Porto Alegre se ter “liberdade” de abrir empresa resolveu alguma coisa quando a enchente veio.
Luiz Augusto
02/05/2026
O Marcos Conservador tocou no ponto central: o bloqueio é uma política questionável, mas Cuba continua sendo uma ditadura de partido único que sufoca a iniciativa privada e prende opositores. Enquanto eles marcham contra o “imperialismo”, o povo cubano não pode abrir um negócio ou criticar o governo sem represálias. Liberdade econômica e política andam juntas, e Havana está longe disso.
Marcos Conservador
02/05/2026
Célia, o problema é que “imperialismo” virou muleta pra justificar qualquer coisa. O bloqueio é errado mesmo, mas Cuba continua sendo uma ditadura de partido único onde o povo não pode nem abrir um negócio sem pedir licença pro governo. Marchar contra os EUA é fácil, difícil é marchar por liberdade de expressão lá dentro.
Luiz Carlos
02/05/2026
Pois é, enquanto eles marcham contra bloqueio de décadas, a gente aqui paga imposto pra sustentar governo que faz vista grossa pra ditadura. Bloqueio dos EUA é errado, sim, mas Cuba livre mesmo é aquela que o povo pode escolher seus líderes de verdade.
Célia Carmo
02/05/2026
Ah, Luiz Carlos, vai defender imperialismo em outro lugar, #democraciaDeMentira é eleger fantoche do FMI!
Luisa Teens
02/05/2026
enquanto isso no Brasil o povo morre de fome e o governo gastando com viagem pra Cuba #ForaBolsonaro
Adriana Silva
02/05/2026
Faz o L e vai pra Cuba então, comunista!
João Silva
02/05/2026
Adriana, reduzir a discussão a um “faz o L” é justamente o tipo de atalho que impede a gente de entender a complexidade do mundo. Se formos falar de soberania nacional, talvez valha a pena perguntar por que os EUA podem bloquear economicamente um país vizinho há seis décadas sem que isso seja tratado como o que é: uma violação do direito internacional.
John Marshall
02/05/2026
Luciana, entendo sua frustração com o preço do gás em Goiás — é legítima e concreta. Mas acho que comparar realidades nacionais diferentes sem considerar a assimetria de poder entre os países é um atalho analítico perigoso. O bloqueio americano a Cuba não é uma política comercial qualquer; é um instrumento de guerra econômica que viola o direito internacional, como a ONU já reiterou dezenas de vezes. Dito isso, concordo que o governo cubano também precisa de mais autocrítica — culpar o embargo por tudo é tão empobrecedor quanto ignorar seus efeitos reais.
Luciana
02/05/2026
João Martins, os números da ONU que você trouxe são impressionantes, mas aqui em Goiás a gente sente o bloqueio na pele de outro jeito. Enquanto eles marcham contra o embargo, a gente marcha contra o preço do gás de cozinha que não para de subir. Cuba que lute contra o imperialismo, mas queria ver eles pagarem boleto de cartão de crédito com juro de 400% ao ano.
João Martins
02/05/2026
Lucas Alves, você levantou um ponto que merece ser esmiuçado com dados. O bloqueio econômico dos EUA contra Cuba é real e tem efeitos mensuráveis: segundo relatórios anuais da ONU, a estimativa de danos acumulados ultrapassa US$ 150 bilhões em valores corrigidos. Isso não é retórica, são cifras do comércio internacional perdido, acesso negado a medicamentos e equipamentos médicos, e custos logísticos inflacionados por ter que importar de países distantes. Mas a sua provocação é justa: até que ponto o regime cubano usa o bloqueio como escudo para evitar reformas estruturais que qualquer economista sério apontaria como necessárias?
O que me incomoda nessa marcha é a ausência de autocrítica. Dados do Banco Mundial mostram que a economia cubana encolheu cerca de 10% em 2020 e continuou em queda livre nos anos seguintes, com inflação oficial beirando os 50% e uma dívida externa que já ultrapassa os US$ 30 bilhões. O bloqueio explica parte disso, mas não explica a ineficiência crônica do setor estatal, a burocracia que sufoca o pequeno empreendedor privado que surgiu após as reformas de 2021, ou a falta de transparência nas contas públicas. Um país que marcha contra o bloqueio mas não debate internamente por que sua moeda tem duas taxas de câmbio oficiais diferentes está fazendo um desserviço à própria população.
Beatriz Lima tocou num ponto interessante sobre as crianças de rua. De fato, Cuba tem indicadores sociais impressionantes para um país de renda média-baixa: taxa de mortalidade infantil de 4,0 por mil nascidos vivos, menor que a dos EUA (5,4), e alfabetização universal. Esses dados do UNICEF e da OMS são consistentes e não podem ser ignorados. Mas a pergunta que fica é: a que custo esses indicadores são mantidos? Quando o sistema de saúde colapsa por falta de insumos básicos como seringas e anestésicos, como tem sido reportado por médicos cubanos em relatos de 2023 e 2024, o indicador agregado esconde o sofrimento individual.
O que me parece é que o debate sobre Cuba no Brasil virou um ringue de boxe ideológico onde ninguém quer encarar a complexidade. De um lado, tem quem romantiza a ilha como paraíso socialista imune a críticas. Do outro, quem a reduz a uma ditadura faminta, ignorando que o embargo americano é uma política externa agressiva e contraproducente, conforme apontam até mesmo estudos do think tank conservador Council on Foreign Relations. A verdade, como sempre, está nas margens de erro. O bloqueio é um fato opressivo e deve ser combatido. Mas a falta de liberdade política e econômica interna também é um fato, e marchar sem reconhecer isso é fazer política de palanque, não de resultados.
Lucas Alves
02/05/2026
Beatriz, você tocou no ponto cego, mas acho que ele é maior do que parece. O bloqueio existe, é real e tem efeitos concretos, mas também é conveniente para o regime culpar tudo por ele — desde falta de papel higiênico até crise econômica. Fico curioso pra ver se a marcha anti-imperialista um dia vai incluir faixas pedindo liberdade de expressão e eleições multipartidárias, mas aí já é pedir demais pro roteiro, né?
Beatriz Lima
02/05/2026
Ótimo, mais uma edição do “vamos todos marchar contra o bloqueio” em Havana. Vou pegar carona no que o Carlos Henrique Silva falou sobre a contradição de quem nunca viu uma criança de rua em Havana, porque acho que ele tocou no ponto cego mais interessante dessa thread. Ninguém aqui está discutindo se o bloqueio é real ou se é prejudicial — isso é fato, e qualquer pessoa com dois neurônios e um relatório da ONU sabe disso. A questão é: por que essa pauta específica, com essa coreografia política impecável, sempre aparece em dia santo de guarda? Primeiro de maio em Cuba não é só Dia do Trabalhador, é um palco montado com a precisão de quem ensaia o espetáculo há seis décadas. O bloqueio existe, sim. A pobreza gerada por ele, também. Mas transformar sofrimento real em propaganda de regime é um truque velho que já devia ter caído de moda.
A Marta deu uma aula de história afiada, como sempre, e eu concordo com ela em 80% — o problema é que os 20% restantes são justamente onde a narrativa desanda. Ela apontou que a esquerda ocidental romantiza a miséria cubana, e isso é verdade. Mas a direita também adora usar Cuba como espantalho moral: “olha o que o socialismo faz”. Os dois lados tratam a ilha como um laboratório de teses, não como um país com 11 milhões de pessoas que, pasmem, têm opiniões divergentes entre si. Já vi cubano exilado em Miami que passa o dia sonhando com o retorno de Fidel e cubano em Havana que venderia a alma por um visto americano. Generalizar é preguiça intelectual.
O que me intriga nessa foto é a ausência de qualquer menção ao que acontece fora do enquadramento. Enquanto milhares marcham gritando “Viva Cuba libre”, a fila do pão em bairros como Centro Habana continua sendo a atividade matinal mais popular da ilha. O bloqueio americano é um cinto de castidade econômica, mas a gestão interna também tem seus dedos apertando a fivela. O regime cubano aprendeu a arte de culpar o imperialismo por tudo — e, convenhamos, o imperialismo dá munição de sobra. Mas quando um apagão dura 12 horas e a resposta oficial é “sabotagem dos EUA”, a conta começa a não fechar para quem vive o apagão.
No fim das contas, a marcha de 1º de maio em Havana é um termômetro, não um diagnóstico. Ela mostra resistência, mostra organização popular, mas também mostra o quanto a máquina de propaganda ainda precisa funcionar em regime de urgência para manter a coesão. O Pedro comparou com o preço do etanol no Brasil, e ele tem um ponto: toda nação tem sua narrativa de luta e seu bode expiatório. A diferença é que aqui a gente pode xingar o governo sem medo de desaparecer da timeline. Lá, a escolha entre marchar ou não marchar tem um peso que não cabe em nenhum gráfico de economia. É um peso que se sente na espinha. E, convenhamos, nenhum bloqueio justifica calar a boca de quem discorda — nem o americano, nem o cubano.
Carlos Henrique Silva
02/05/2026
Marta, você foi cirúrgica ao expor a contradição de quem reduz a questão cubana a um mero “regime autoritário” sem nunca ter pisado numa fila do sistema de saúde pública cubano ou visto uma criança de rua em Havana. O que me impressiona nessa discussão é como o debate sobre Cuba sempre escorrega para um maniqueísmo raso. Ninguém aqui está negando que existam problemas de liberdade política, de participação democrática ou de eficiência econômica na ilha. A questão é que o bloqueio econômico, criminalizado pela comunidade internacional em 29 votos na ONU contra 2 (EUA e Israel), não é um detalhe periférico – é a estrutura material que sufoca qualquer tentativa de desenvolvimento autônomo. Gramsci já nos ensinava que a hegemonia se exerce também pelo estrangulamento econômico, e é exatamente isso que Washington faz há seis décadas: impede que Cuba tenha acesso a medicamentos, alimentos, tecnologia e crédito internacional, e depois aponta o dedo para dizer que o socialismo não funciona.
A Maria Aparecida trouxe um ponto que merece ser aprofundado com mais rigor. A dimensão moral que ela evoca a partir do Salmo não é piegas – ela toca no cerne da doutrina social da Igreja e na crítica marxista à acumulação primitiva. O bloqueio não é apenas um instrumento geopolítico; é uma punição coletiva que viola o direito internacional humanitário, conforme apontam juristas como Richard Falk. Enquanto isso, a mídia hegemônica trata a marcha do 1o de maio como se fosse um ato de propaganda forjado, ignorando que o Dia do Trabalhador tem raízes profundas na luta de classes internacional – foi em Chicago, não em Havana, que os mártires de maio de 1886 foram assassinados por exigir jornada de oito horas. Ver o povo cubano nas ruas reivindicando soberania no mesmo dia em que os trabalhadores do mundo todo celebram a luta sindical deveria ser motivo de solidariedade, não de deboche.
O Pedro, com sua ironia fina, tocou num nervo exposto da nossa própria condição periférica. Ele tem razão: o brasileiro médio enfrenta o mesmo capitalismo predatório que sufoca Cuba, só que com um verniz democrático que nos faz acreditar que escolhemos nosso destino nas urnas enquanto o preço do pão de cada dia é decidido em Chicago e Nova York. A diferença é que lá eles ainda têm a coragem de marchar contra o bloqueio com a cara limpa, enquanto aqui a gente normaliza a Carestia como se fosse fenômeno natural. Não se trata de romantizar o modelo cubano – seria irresponsável ignorar o autoritarismo político e as dificuldades do cotidiano na ilha. Mas é preciso reconhecer que Cuba representa, no imaginário global, a teimosia de um país que ousou desafiar o império e sobreviveu, mesmo que à custa de imensos sacrifícios.
Para encerrar, quero lembrar algo que o pensador caribenho CLR James escreveu sobre a capacidade dos povos colonizados de fazer história mesmo sob condições adversas. O que vemos em Havana não é uma coreografia de fantoches, mas a expressão de uma consciência histórica que entende que a soberania não se negocia na ponta do fuzil econômico. Enquanto a esquerda brasileira se fragmenta em disputas identitárias e a direita avança com seu projeto de desmonte do Estado, Cuba nos oferece uma lição incômoda: a de que resistir, mesmo quando tudo conspira contra, ainda é o ato político mais radical que podemos praticar. E é por isso que a marcha do 1o de maio em Havana merece mais do que análise geopolítica – merece respeito.
Maria Aparecida
02/05/2026
Pedro, você tocou num ponto que me fez pensar na Bíblia: “repartiu com os pobres; a sua justiça permanece para sempre” (Salmo 112.9). Enquanto a gente reclama do preço do etanol, Cuba luta contra um bloqueio que é pecado social, porque sufoca quem já tem pouco. O problema não é só o preço do combustível, é o sistema que concentra riqueza enquanto o povo paga a conta.
Pedro
02/05/2026
Pois é, Marta, adorei sua aula. O povo cubano vai pra rua porque não tem outra escolha, igual a gente aqui que todo dia enche o tanque e paga IPVA nas alturas. Lá eles marcham contra bloqueio, aqui a gente marcha contra o preço do etanol. No fim, todo mundo lutando pra sobreviver.
Marta
02/05/2026
Meninos e meninas, sentem-se. A aula de história de hoje vai ser rapidinha, mas prestem atenção, porque esse assunto cai na prova da vida.
A Marina, coitada, deve ter aprendido história do mundo vendo novela das nove e lendo tuíte de coach. Dizer que Cuba é um regime que “oprime a família” e “persegue cristãos” é repetir o libreto da Guerra Fria que a CIA escreveu nos anos 60 e que até hoje alguns papagaios repetem sem nunca ter pisado na ilha. Conheço dezenas de médicos cubanos que vieram pro Brasil durante o Mais Médicos e todos, sem exceção, tinham sua fé e suas crenças. O que Cuba persegue, minha filha, é a fome causada por um bloqueio criminoso que dura mais de 60 anos. Se você acha que 60 anos de cerco econômico é “defender a liberdade”, sugiro fazer um exercício: fique um mês sem poder comprar remédio, sem poder importar peças pra máquina de lavar, sem poder vender nada pros Estados Unidos. Depois me conta como foi.
Agora, o Lucas, que se acha muito esperto falando em “desastre econômico” e “iniciativa privada”, também precisa de uma aula. Nenhum país do mundo sobreviveria a um bloqueio como o que os EUA impõem a Cuba. Isso não é opinião, é fato. Até a ONU vota todo ano contra o embargo, e só os EUA e Israel votam a favor. Mas o Lucas acha que o problema é falta de empreendedorismo. Querido, tenta abrir uma empresa se você não pode comprar matéria-prima de nenhum país que faça negócio com os americanos porque eles te multam. Tenta. Enquanto isso, Cuba formou mais médicos per capita que qualquer país da América Latina, tem uma das menores taxas de mortalidade infantil do continente e, mesmo na crise, não fechou uma escola sequer. O que o seu “livre mercado” fez pelo Brasil? Fechou fábricas, precarizou o trabalho e deixou 30 milhões de pessoas passando fome.
O Ahmed foi cirúrgico ao lembrar que o bloqueio não é “desculpa”, é uma política de extermínio econômico deliberada. Mas o que me deixa triste é ver brasileiros repetindo esse discurso como se fosse um jogo de futebol: “comunismo vs. capitalismo”. Gente, isso não é torcida organizada. Isso é vida real. O povo cubano marcha no 1o de maio porque ainda tem esperança, porque ainda acredita que a solidariedade entre os povos pode vencer a arrogância imperialista. Enquanto isso, aqui no Brasil, tem gente que defende o fim do SUS e a volta da escravidão disfarçada de “reforma trabalhista”. Cuba erra? Claro que erra, todo país erra. Mas a diferença é que lá o erro não é privatizar a saúde e a educação, é não conseguir comprar um parafuso porque os meninos mal-educados de Washington não deixam.
No mais, viva a resistência do povo cubano, viva o 1o de maio e viva a luta dos trabalhadores do mundo inteiro. E, meninos, quando forem comentar, leiam um livro de história antes. A vovó Marta já deu a aula de hoje. Podem sair.
Ahmed El-Sayed
02/05/2026
Marina, seu comentário reflete bem a visão ocidental que confunde liberdade com libertinagem moral. Cuba pode ter seus problemas econômicos, mas ao menos preserva valores de comunidade e resistência contra a arrogância imperialista que quer impor seu estilo de vida a todos. O bloqueio é uma agressão covarde que sufoca um povo inteiro há décadas.
Laura Silva
02/05/2026
Lucas, você levanta um ponto que merece ser aprofundado com mais rigor histórico. A tese de que o bloqueio serve como “desculpa única” para os problemas econômicos cubanos ignora uma particularidade fundamental: nenhum país no mundo moderno enfrentou um cerco econômico tão prolongado e abrangente quanto Cuba. Desde 1962, são mais de seis décadas de sanções que o próprio direito internacional condena, com impactos mensuráveis na saúde, na alimentação e na infraestrutura da ilha. Não se trata de um mero discurso de legitimação, mas de uma realidade material que qualquer economista sério pode verificar nos relatórios da ONU.
A crítica à estatização excessiva e à falta de abertura econômica, que você e o Ronaldo mencionam, é um debate interno legítimo que os próprios cubanos fazem. Mas é preciso contextualizar: a Revolução Cubana nasceu em 1959 como resposta a uma ditadura que entregava o país ao capital estrangeiro, com 80% das terras cultiváveis nas mãos de latifundiários e a economia operando como quintal das corporações americanas. O modelo de controle estatal não surgiu de um capricho ideológico, mas como estratégia de sobrevivência diante de um bloqueio que tentava sufocar qualquer alternativa ao capitalismo dependente. E, sim, houve erros e excessos de centralização que o próprio governo cubano vem tentando corrigir com as reformas de 2021.
O que me incomoda nos comentários da Marina e, em parte, no seu, Lucas, é a tentativa de reduzir a complexidade cubana a uma dicotomia rasteira entre “liberdade” e “opressão”. A liberdade de um povo que tem acesso universal à saúde e à educação, que eliminou o analfabetismo e tem uma das menores taxas de mortalidade infantil das Américas, não pode ser desprezada. Enquanto isso, o bloqueio americano criminaliza empresas que vendem remédios e alimentos para Cuba, sob a justificativa de “promover a democracia”. Isso não é política externa, é punição coletiva, e a marcha do 1o de maio é a resposta orgânica de um povo que se recusa a ser tratado como refém de uma guerra econômica.
Cíntia, você tocou num ponto sensível ao questionar se o regime usa a pressão externa como escudo. É uma pergunta honesta, mas que precisa ser equilibrada com outra: será que a oposição cubana, muitas vezes financiada por institutos sediados em Miami que defendem abertamente o recrudescimento do bloqueio, oferece um projeto político que vá além de restaurar o capitalismo dependente que vigorou antes de 1959? Enquanto a direita internacional seguir tratando Cuba como laboratório de desestabilização, qualquer análise que ignore a assimetria de poder entre a maior potência militar do mundo e uma ilha de 11 milhões de habitantes será, no mínimo, incompleta.
Lucas Moreira
02/05/2026
O bloqueio americano é real e tem efeitos devastadores, mas usar ele como desculpa única para o desastre econômico cubano já cansou. Enquanto isso, o regime continua estatizando tudo e matando qualquer iniciativa privada — o povo é tratado como massa de manobra em vez de ter liberdade para empreender e prosperar. Dá pra ser contra o bloqueio e, ao mesmo tempo, exigir reformas de mercado que realmente tirariam Cuba do buraco.
Marina Costa
02/05/2026
Mais um desfile de fantasia comunista, e o povo cubano continua refém de um regime que oprime a liberdade e a família. Enquanto marcham contra o “bloqueio”, o governo deles persegue cristãos e destrói valores que nós, conservadores, defendemos. O Brasil que se cuide para não seguir esse caminho de imoralidade e escravidão ideológica.
Mariana Oliveira
02/05/2026
Marina, seu comentário revela uma visão bastante unilateral sobre o que significa liberdade e opressão. Quando você menciona “família” e “valores conservadores”, está partindo de uma perspectiva muito específica, que costuma ignorar como o bloqueio econômico dos EUA atinge de forma desproporcional as mulheres, as pessoas negras e as famílias mais pobres em Cuba. A Kimberlé Crenshaw, que cunhou o termo interseccionalidade, nos ensina que não dá para analisar opressão sem olhar para os eixos de raça, classe e gênero juntos. Um bloqueio que dura mais de seis décadas e impede a entrada de medicamentos, alimentos e insumos básicos não é uma abstração geopolítica: ele mata, adoece e desestrutura lares cubanos reais. Chamar a marcha de “fantasia comunista” é desconsiderar que, para muitas famílias cubanas, a luta contra esse cerco é uma questão de sobrevivência material, não de doutrinação.
Sobre a suposta perseguição a cristãos, vale lembrar que bell hooks, em “O feminismo é para todo mundo”, nos alerta para como discursos de “defesa da família” frequentemente são usados para justificar hierarquias e silenciamentos. Em Cuba, há igrejas funcionando, cultos acontecendo e, sim, tensões com o Estado, mas isso precisa ser contextualizado dentro de uma história de revolução que também secularizou direitos — como o acesso ao divórcio, ao aborto e à educação laica para meninas. A ideia de que o governo cubano “destrói a família” é um argumento que aparece em vários contextos autoritários, mas aqui ele serve para desviar o foco do verdadeiro algoz da soberania cubana: o bloqueio imperialista que os EUA mantêm, apoiado por governos de diferentes matizes ideológicos ao longo de décadas.
Aliás, você diz “o Brasil que se cuide”, mas será que não deveríamos nos preocupar mais com o fato de que o Brasil, sob governos recentes, também adotou políticas de austeridade que precarizaram a vida de mulheres negras e periféricas? A “imoralidade” que você enxerga em Cuba pode ser facilmente encontrada na desigualdade brutal do nosso próprio país, onde a fome voltou e a violência doméstica explodiu. Em vez de demonizar um país que resiste a um cerco econômico criminoso, talvez fosse mais produtivo olhar para como as estruturas de poder globais — incluindo as que operam aqui no Brasil — mantêm hierarquias de gênero, raça e classe. A verdadeira escravidão ideológica, Marina, é acreditar que liberdade se resume a consumo e a um modelo de família que, historicamente, sempre excluiu e violentou corpos dissidentes.
Ronaldo Silva
02/05/2026
Pois é, Cíntia, você tocou num ponto. Esse bloqueio dos EUA é covardia mesmo, já dura décadas e só prejudica o povo pobre. Mas também acho que o governo cubano podia abrir mais a economia, deixar o povo empreender sem tanto controle. Aqui no Brasil a gente reclama de imposto, mas lá a situação é bem mais complicada.
Cíntia Alves
02/05/2026
Olha, é inegável que o bloqueio americano existe e pesa sobre a economia cubana, mas acho que a discussão vai além disso. Será que um regime que não permite oposição política real não usa essa pressão externa como escudo para justificar seus próprios fracassos? O povo cubano merece dignidade, mas também merece poder escolher seus rumos sem ter que marchar obrigado.
Paulo Rocha
02/05/2026
Mais um desfile de fantasia comunista. Enquanto isso, o povo cubano não tem liberdade para criticar o próprio governo, mas marcha “contra o imperialismo” como se fosse um rebanho. Bloqueio existe, sim, mas o regime usa isso há décadas como cortina de fumaça para esconder o fracasso do socialismo. Brasil pra brasileiros, não pra essa palhaçada de ditadura tropical. Vai pra Cuba, Fernanda, se acha tão bonito.
Sargento Bruno
02/05/2026
Mais um desfile de fantasia comunista. Enquanto isso, o povo cubano não tem liberdade para criticar o próprio governo, mas marcha “contra o imperialismo” como se fosse um rebanho. Bloqueio existe, sim, mas o regime usa isso há décadas como cortina de fumaça para esconder a própria incompetência e falta de democracia.
Fernanda Oliveira
02/05/2026
Sargento Bruno, chamar de “rebanho” um povo que resiste há décadas a um bloqueio criminoso é um desservço à história. Se você acha que democracia se mede só por poder xingar governo no Twitter, tá confundindo liberdade com licença pra ser cruel com quem já sofre na pele o peso do imperialismo.
João Santos
02/05/2026
Ah, vai nessa… Bloqueio dos EUA é a desculpa deles faz 60 anos pra esconder que o comunismo não funciona. Povo passando fome, sem remédio, e ainda marchando como se fosse livre. Bandido bom é bandido preso, e regime bom é regime que deixa o povo trabalhar e prosperar.
Cecília Ramos
02/05/2026
João, você fala em “deixar o povo trabalhar e prosperar”, mas o bloqueio dos EUA tira exatamente isso do povo cubano — acesso a medicamentos, alimentos e insumos básicos. Como cristã, não consigo ver justiça num cerco que sufoca os mais pobres e depois culpa o socialismo pela miséria que ele mesmo provoca.
Luan Silva
02/05/2026
Marcha de fome é isso aí, viva a liberdade de não ter nem sabão em pó. Vai pra Cuba tomar blockout de verdade.
Marina Silva
02/05/2026
Luan, vai lá tomar seu blockout de reality show que aqui a gente luta contra bloqueio de verdade, não contra sabão em pó.
Eduardo C.
02/05/2026
Gostaria de ver os números reais desse “bloqueio” versus a produtividade interna cubana. Se o embargo é tão cruel, por que a Venezuela socialista com petróleo infinito colapsou em 5 anos e Cuba sobrevive há 60? A conta não fecha — ou o bloqueio não é o único culpado, ou os dados de eficiência econômica de Havana estão mascarados. Alguém tem a série histórica de crescimento do PIB cubano desde 1960 para compararmos?
João Carlos da Silva
02/05/2026
Mariana Santos tocou no ponto central: a resiliência de Cuba diante de seis décadas de cerco econômico é um fenômeno que deveria nos fazer refletir sobre os limites do “desenvolvimento” neoliberal. Enquanto isso, o comentário do Zé do Povo revela o quanto a propaganda anticomunista conseguiu naturalizar a ideia de que liberdade se reduz a abrir um negócio próprio, como se a dignidade de um povo inteiro se resumisse ao empreendedorismo individual. Gramsci já nos alertava sobre como o senso comum pode ser moldado para aceitar a própria miséria como destino.
Zé do Povo
02/05/2026
ESSA MARCHA É CENA DE NOVELA! 😡 POVO FANTASIADO DE LIVRE ENQUANTO O REGIME MUDA DE FOME! BLOQUEIO NADA, O VERDADEIRO BLOQUEIO É NÃO PODER TER UM NEGÓCIO PRÓPRIO! VOLTA, BOLSONARO! 🇧🇷
Rick Ancap
02/05/2026
Marcha encomendada, povo fantasiado de livre. Enquanto isso, o sistema deles já bloqueou qualquer chance de prosperidade antes mesmo dos EUA pensarem em sanção.
Mariana Santos
02/05/2026
Rick Ancap, seu argumento ignora que o “sistema” cubano resistiu a 60 anos de bloqueio, invasões e terrorismo patrocinado pelos EUA — se fosse tão frágil, já teria ruído nos anos 1960. Enquanto isso, Cuba exporta médicos para o mundo e tem uma taxa de mortalidade infantil menor que a dos EUA, coisa que nenhum paraíso libertário conseguiu replicar.
Bia Carioca
02/05/2026
Zé Trovãozinho, sempre repetindo o mesmo roteiro bolsonarista, hein? O bloqueio dos EUA é um crime contra a humanidade que já dura mais de 60 anos, sufoca a economia cubana e impede até a compra de remédios. Enquanto isso, Cuba tem indicadores sociais que o Brasil só sonha em ter. Mas claro, pra quem acha que liberdade é só poder abrir uma lojinha, isso não importa.
Maria Silva
02/05/2026
Ah, Zé Trovãozinho, falou pouco mas falou bonito. Esse povo marcha contra bloqueio, mas esquece que o verdadeiro bloqueio é o próprio sistema que não deixa ninguém empreender, plantar e colher o próprio sustento. Lá em Mato Grosso, se o governo atrapalhasse a gente desse jeito, a lavoura virava mato e a boiada morria de fome antes do primeiro ano. Cuba precisa é de liberdade pra trabalhar, não de discurso na praça.
Zé Trovãozinho
02/05/2026
Mais um desfile encomendado pelo regime, e o povo vai porque não tem escolha. Enquanto marcham contra o bloqueio, a economia deles já era um desastre antes mesmo das sanções. Cadê a prosperidade que o socialismo prometeu?
João Augusto
02/05/2026
Zé Trovãozinho, sua objeção ignora que a economia cubana já era dependente do açúcar e do turismo antes de 1959, e o bloqueio não criou essa fragilidade, mas a cristalizou como instrumento de asfixia geopolítica. A prosperidade que o socialismo prometeu em Cuba sempre foi condicionada à superação do subdesenvolvimento herdado e à ruptura com a divisão internacional do trabalho imposta pelo capitalismo — e nenhum país conseguiu fazer isso sob um cerco econômico de seis décadas. O povo marcha porque reconhece, na prática, que a soberania nacional é condição prévia para qualquer projeto de desenvolvimento, e não o contrário.
Tiago Mendes
02/05/2026
João Batista, com todo respeito, mas essa narrativa de perseguição religiosa em Cuba é um tanto desatualizada. A Igreja tem espaço sim, e o próprio papa Francisco já mediou diálogos importantes com o regime. O bloqueio econômico é que sufoca o povo e limita até a liberdade de comprar remédios e comida — isso sim é uma violência estrutural que deveria indignar qualquer cristão que preza pela vida digna do próximo.
João Batista
02/05/2026
Mais um desfile cheio de discurso anti-imperialista, mas cadê a liberdade religiosa que o regime cubano tanto persegue? Enquanto marcham contra o bloqueio, o povo cubano continua sem poder frequentar uma igreja livremente ou criar os filhos nos valores cristãos. O verdadeiro bloqueio é o que o comunismo impõe à alma humana.
Paulo Ribeiro
02/05/2026
João Batista, seu comentário levanta uma questão que merece ser examinada com o rigor que o tema exige, e não com o simplismo maniqueísta que você apresentou. A acusação de que Cuba persegue a liberdade religiosa é um clichê repetido há décadas pela propaganda anticomunista, mas que não resiste a uma análise minimamente honesta dos fatos. Desde a reforma constitucional de 1992, o Estado cubano reconhece a laicidade e garante o livre exercício religioso. A visita do Papa Francisco a Cuba em 2015, os encontros do cardeal Jaime Ortega com o governo e a presença ativa de igrejas protestantes e afro-cubanas no tecido social são evidências concretas de que a narrativa da perseguição sistemática é, no mínimo, anacrônica. O que existe em Cuba é uma tensão histórica entre o projeto revolucionário de transformação social e instituições religiosas que, em certos momentos, alinharam-se a interesses contrários à soberania popular — mas isso é muito diferente de uma suposta caça às almas.
Você fala em “verdadeiro bloqueio à alma humana” como se o comunismo fosse uma espécie de tirania espiritual. Gramsci, que era marxista e profundamente religioso em sua formação, nos ensinou que a hegemonia não se impõe apenas pela força, mas pela capacidade de disputar o senso comum. Ora, em Cuba, as igrejas não só existem como disputam espaço — e o fazem com muito mais liberdade do que qualquer dissidente político teria em, digamos, Honduras ou no Paraguai, países onde a liberdade religiosa convive com a mais brutal desigualdade social. O “bloqueio à alma humana” real, João, é aquele que condena milhões à fome, à falta de medicamentos e à emigração forçada — e isso, sim, é produzido pelo embargo econômico dos EUA, que impede Cuba de importar até mesmo insumos básicos para a vida digna.
Sua metáfora do “verdadeiro bloqueio” é reveladora, mas pelo avesso. Ela inverte a relação causal: o bloqueio material, concreto, de 60 anos de sanções, é que asfixia as condições materiais para que qualquer liberdade — inclusive a religiosa — floresça plenamente. Mariátegui, o grande pensador peruano, dizia que o problema da liberdade na América Latina não é metafísico, é estrutural: não há liberdade real onde o povo não tem pão, saúde ou educação. A marcha do 1º de maio em Havana não é apenas um desfile de slogans; é a afirmação de um povo que, apesar do cerco, insiste em existir com dignidade. Se você quer debater liberdade religiosa, sugiro começar por denunciar o bloqueio que impede uma igreja cubana de receber doações de Bíblias ou de construir um templo com cimento importado — porque aí, sim, o debate sai do campo da abstração moralista e entra no da política concreta.
Ana Rodrigues
02/05/2026
Pois é, Tadeu, eu entendo sua frustração com a economia cubana, mas olha, dirigindo aqui em Curitiba todo dia eu vejo como qualquer buraco na rua já atrasa minha corrida. Imagina se além dos problemas internos, ainda tivesse um bloqueio dos EUA me impedindo de comprar peça de carro ou abastecer direito? Acho que marchar contra isso é o mínimo, mesmo que a gestão deles também deixe a desejar.
Vanessa Silva
02/05/2026
O Tadeu aí em cima trata bloqueio como se fosse detalhe, mas qualquer estudo sério de economia política mostra que 60 anos de sanções asfixiam qualquer país, independentemente do modelo de gestão. Dá para criticar ineficiências internas sem ignorar o elefante na sala — e o elefante chama-se embargo dos EUA.
Renato Professor
02/05/2026
O Tadeu aí em cima acha que inflação em Cuba é “ineficiência econômica pura”, como se 60 anos de bloqueio não tivessem nenhum impacto na produtividade. É de uma ingenuidade acadêmica que beira o cinismo. Se os EUA permitissem que Cuba comercializasse livremente com o mundo, aí sim poderíamos discutir gestão econômica interna. Enquanto isso, o povo cubano resiste com uma dignidade que falta a certos “analistas de buteco”.
Tadeu
02/05/2026
Mais um 1º de maio e a mesma pauta de sempre. Enquanto isso, o povo cubano continua enfrentando uma inflação que não tem nada a ver com bloqueio — é ineficiência econômica pura. Se ao menos gastassem metade dessa energia organizando marcha pra melhorar a produtividade local, quem sabe o país não saía do buraco mais rápido.
João Carvalho
02/05/2026
Acho curioso como a discussão sempre escorrega para o maniqueísmo. O bloqueio é uma política anacrônica e cruel, que fere o direito internacional e a soberania de um povo — isso é fato. Mas reduzir tudo à “fila do pão” ou ao “anti-imperialismo” de araque ignora as contradições internas do regime cubano, que também precisam ser enfrentadas com honestidade intelectual. Uma análise materialista séria exigiria reconhecer que a asfixia externa e o autoritarismo interno se retroalimentam, e que a saída não está em torcer por um lado ou outro, mas em pensar alternativas que combinem justiça social com liberdade política.
Mariana Alves
02/05/2026
A insistência em reduzir o bloqueio a uma questão de “fila do pão” ou de “vergonha alheia” — como fez Eduardo Nogueira em sua intervenção — revela menos sobre Cuba e mais sobre os mecanismos subjetivos que sustentam a hegemonia neoliberal. O que está em operação nesse tipo de provocação é o que a psicologia social crítica chama de internalização do discurso do vencedor: a vítima da violência estrutural passa a ser responsabilizada pelos efeitos dessa mesma violência, enquanto o agressor tem sua ação naturalizada como mero dado da realidade. O bloqueio não é uma abstração geopolítica; é um dispositivo concreto de asfixia que, há mais de seis décadas, opera como laboratório de engenharia social punitiva. Ignorar essa dimensão é ignorar que sanções econômicas unilaterais são, na prática, formas de guerra contra populações civis.
A marcha do 1º de maio em Havana carrega um significado que transcende a exibição de força política. Ela é, antes de tudo, um ato de resistência simbólica em um contexto em que a própria possibilidade de planejar o cotidiano foi sequestrada por decisões tomadas a milhares de quilômetros de distância. Quando a esquerda internacional trata o bloqueio como nota de rodapé ou como “debate de torcida organizada” — ecoando aqui o comentário de Miriam —, ela incorre em um erro analítico grave. Não se trata de torcida: trata-se de reconhecer que o direito internacional, quando violado sistematicamente pela maior potência militar do planeta, deixa de ser uma arena de regulação para se converter em instrumento de dominação. A resolução anual da ONU contra o bloqueio, aprovada com votação quase unânime, é prova cabal de que o consenso jurídico mundial se opõe a essa política. O que falta, então, não é evidência; é vontade política de enfrentar o imperialismo sem eufemismos.
Há, nos comentários de Pedro Silva e de Ana Souza, um elemento que merece ser aprofundado: a percepção de que o bloqueio distorce a economia cubana a ponto de tornar a escassez uma rotina. Essa escassez, no entanto, não é um fracasso do modelo socialista; é o resultado previsível de um cerco econômico que criminaliza transações financeiras internacionais, impede a aquisição de insumos médicos e alimentares e persegue empresas de terceiros países que ousam comercializar com a ilha. O que se observa é um experimento macabro de condicionamento social: cria-se artificialmente a penúria para, em seguida, apontar a penúria como prova da inviabilidade do sistema. A lógica é circular e perversa, e se retroalimenta exatamente quando vozes como a de Eduardo repetem o roteiro sem qualquer mediação crítica.
Do ponto de vista da teoria da dependência — e aqui recorro às formulações de Theotonio dos Santos e Ruy Mauro Marini —, o bloqueio a Cuba é a expressão mais brutal do que significa estar na periferia do capitalismo sem se submeter aos ditames do centro. A ilha ousou romper com a lógica de acumulação que subordina as economias latino-americanas aos interesses do capital transnacional, e paga por isso com um isolamento forçado que nenhum outro país do hemisfério enfrentou. A insistência em ignorar essa assimetria e em tratar o caso cubano com o mesmo cardápio analítico usado para democracias liberais europeias é, no mínimo, desonestidade intelectual. Quando a esquerda se recusa a enfrentar seriamente a questão do imperialismo, ela se torna cúmplice passiva da narrativa que transforma agressores em árbitros.
Por fim, é preciso dizer com todas as letras: o cinismo não é posição política; é sintoma de derrota ideológica. Reduzir a resistência de um povo a “bagunça política” ou a “xadrez dos grandões” é abandonar qualquer possibilidade de agência dos trabalhadores e trabalhadoras que, nas ruas de Havana, afirmam sua existência coletiva apesar de todas as adversidades. A solidariedade internacionalista não é um gesto romântico; é uma exigência ética e estratégica para quem ainda acredita que outro mundo é possível. E isso começa por tratar o bloqueio não como pano de fundo, mas como o que ele efetivamente é: um crime continuado contra a humanidade.
Eduardo Nogueira
02/05/2026
Marcha contra bloqueio… e a fila do pão, como vai? Cuba “libre” só se for de vergonha alheia.
Letícia Fernandes
02/05/2026
Eduardo, há em sua frase algo que merece ser escutado para além da provocação rasteira. Não se trata de debater blocos geopolíticos ou estatísticas de desabastecimento que outros comentaristas já trouxeram com pertinência; trata-se de interrogar o próprio ato de fala que reduziu o 1º de maio cubano a uma piada sobre a fila do pão. Como psicanalista inserida na tradição marxista, vejo nesse gesto um mecanismo de defesa que a direita latino-americana aperfeiçoou até convertê-lo em patologia social: o sarcasmo que se pretende crítica, mas que funciona como gozo sádico diante do corpo sofredor do outro. O seu “vergonha alheia” não é um afeto genuinamente ético diante da injustiça; é a projeção da própria impotência. Você ri daquele que marcha sob asfixia porque reconhecer a dignidade dessa marcha obrigaria você a nomear o sufocamento que sofre aqui, sob o capitalismo dependente brasileiro, onde a fila do pão existe também, mas se disfarça de endividamento crônico, de trabalho análogo ao escravo, de subcidadania naturalizada. É mais confortável gozar da suposta falência do socialismo alheio do que admitir que a sua existência, como trabalhador periférico, é administrada pelo mesmo império que bloqueia.
Convém lembrar, para aprofundar o diagnóstico, que a superestrutura ideológica sob a qual você foi subjetivado cumpre, há décadas, a função precisa de transformar a lógica da sanção em afeto de senso comum. Ninguém nasce achando normal que um país seja proibido de importar insumos médicos ou que uma economia inteira seja estrangulada e, ao mesmo tempo, ser responsabilizada pela escassez resultante. Esse cinismo é adquirido mediante um trabalho pedagógico da mídia hegemônica, que naturaliza o bloqueio como pano de fundo mudo enquanto hipervisibiliza, com lupa cruel, cada fome mal calçada nas ruas de Havana. Quando o bloqueio vira paisagem e a consequência dele vira prova de fracasso, temos a máquina da culpabilização da vítima operando em sua potência máxima. Sua fala, Eduardo, não é idiossincrática; ela é um enunciado prototípico de uma subjetividade colonizada, que internaliza o discurso do opressor a ponto de repeti-lo com a convicção de quem acredita estar sendo irreverente. O trabalhador que marcha no Malecón sabe perfeitamente que a penúria que enfrenta é artificialmente produzida por um ato de guerra econômica. Já você, sujeito aparentemente livre e tão satisfeito com sua liberdade, repete o roteiro do Pentágono sem perceber que está a um despejo de distância de uma indignidade comparável.
Sua noção de “vergonha alheia” é, no fim, a vergonha de si mesmo invertida. O horror que você projeta no outro é o horror de reconhecer que, mesmo com todas as suas críticas ao “discurso bonito”, você jamais marchou por coisa alguma que exigisse coragem real. Marchem por trabalho, por pão, por soberania, os cubanos o fazem sabendo que estão na mira de uma potência que os quer de joelhos. E marcham apesar da fila, ou talvez precisamente por causa dela, porque entenderam – lição psicanalítica elementar – que o sintoma não se cura ignorando a causa estrutural. Sua resposta ao sintoma chamado escassez é debochar do sintoma; a deles é marchar contra a etiologia. Eis a diferença entre a posição neurótica funcional ao capital, que desloca a raiva para o próprio oprimido, e a posição do sujeito que, mesmo em condições de extrema restrição material, preserva a capacidade de simbolizar o inimigo real. A fila do pão é a concretização mais didática do que é um bloqueio; marchar contra ele no Dia do Trabalhador é afirmar que a fome não apaga a inteligência política. Mas para perceber isso seria preciso suspender o gozo fácil da zombaria e encarar o vazio que a ideologia liberal instala onde deveria haver solidariedade de classe. Fica o convite à análise, ainda que tardia.
Ana Souza
02/05/2026
A Miriam tocou num ponto que me fez lembrar de entrevistas que fiz em Havana em 2019: o bloqueio distorce tanto a economia que a falta de insumos básicos vira rotina, mas há pouca investigação independente sobre os números reais por trás dessa asfixia. Enquanto o debate for só marcha contra discurso, nenhum dado concreto aparece para mostrar até que ponto a asfixia é externa e onde começa a ineficiência interna.
Pedro Silva
02/05/2026
Tanta marcha e discurso bonito, mas no fim do dia quem tá na rua é trabalhador tentando sobreviver enquanto os grandões de lá e daqui jogam xadrez com a vida dos outros. Vendo de longe, parece tudo a mesma bagunça política, só muda o sotaque.
Miriam
02/05/2026
Olha, eu só queria entender por que um bloqueio econômico de décadas ainda é tratado como debate de torcida organizada. A máquina pública funciona com previsibilidade, e sanções que travam insumos básicos atrapalham qualquer planejamento, não importa o governo. Esse pessoal que grita mais alto geralmente nunca precisou despachar um processo administrativo na vida.
João Carlos Silva
02/05/2026
A Dona Carmem tem razão, essas sanções só prejudicam quem quer trabalhar e botar comida na mesa. Aqui no Brasil a gente vive apertado com conta pra pagar, imagino lá. Briga de país grande só complica a vida do trabalhador.
Carmem Souza
02/05/2026
Vejo aqui um debate carregado de bandeiras políticas, mas a realidade de um bloqueio que sufoca famílias inteiras me lembra o que leio em Provérbios sobre não reter o bem de quem precisa. Como cristã, não consigo enxergar justiça em medidas que impedem a entrada de alimentos e remédios, independentemente do regime que esteja no poder. Talvez o que falte nessa conversa seja menos ideologia e mais misericórdia prática.
Mariana Lopes
02/05/2026
Como a Julia pontuou, a gente acaba discutindo Cuba para validar nossas próprias bolhas aqui no Brasil. É óbvio que sanções econômicas asfixiam qualquer mercado e precisam ser revistas por puro pragmatismo comercial e humanitário, mas usar isso como escudo para justificar o imobilismo de gestão também não resolve o prato vazio de ninguém. O diálogo real precisaria passar pelo fim desse isolamento externo e, simultaneamente, por uma abertura que permita ao povo produzir e crescer sem tantas amarras.
Julia Andrade
02/05/2026
É sintomático que, sempre que se fala de Cuba, o debate brasileiro descambe para um Fla-Flu ideológico que pouco diz sobre a ilha e muito sobre nossos próprios recalques. A marcha do 1º de maio em Havana existe materialmente — corpos nas ruas, faixas, palavras de ordem —, mas o que se lê nos comentários é uma disputa para ver quem consegue reduzir mais rápido uma realidade complexa a um par de slogans. O bloqueio, que já foi classificado como genocida por relatores da ONU e atinge desproporcionalmente mulheres negras e crianças, aparece aqui como mero detalhe, quando não como justificativa moral para o sofrimento imposto de fora. É um exercício de desumanização que a esquerda ortodoxa e a direita religiosa praticam com métodos distintos, mas com um resultado curiosamente parecido: apagar a experiência vivida do povo cubano.
Penso no que a Cecília trouxe sobre o Jacarezinho e a fome que persiste mesmo onde há igreja em cada esquina. A direita cristã brasileira tem uma obsessão por Cuba que diz menos sobre a ilha e mais sobre o pânico de perder a hegemonia cultural aqui dentro. O discurso do “regime ateu que apagou Deus” é a versão internacionalizada do mesmo pânico moral que usa “ideologia de gênero” como espantalho nas eleições municipais. Enquanto isso, o bloqueio — que é política de Estado, mensurável, documentada, com relatórios anuais sobre seu impacto humanitário — é tratado como abstração. Não é. Ele organiza a escassez, destrói infraestrutura de cuidado, empurra mulheres para jornadas extenuantes de reprodução social. Se há um ataque à “família tradicional”, ele vem empacotado em sanções econômicas que impedem a entrada de medicamentos e alimentos, não em marchas do 1º de maio.
Isso não significa romantizar o governo cubano ou ignorar que há dimensões autoritárias que merecem crítica — especialmente do ponto de vista feminista. A ausência de uma esfera pública realmente plural, a repressão a dissidências, a instrumentalização do discurso anti-imperialista para silenciar vozes internas: tudo isso importa. Mas o que me incomoda é como essa crítica, quando feita daqui, costuma vir desacompanhada de qualquer autocrítica sobre o imperialismo à brasileira. O mesmo Major que exalta a “família tradicional” provavelmente não se indigna com a violência policial que desestrutura famílias negras no Rio de Janeiro todo santo dia, nem com a bancada evangélica que legisla contra direitos reprodutivos enquanto defende isenção fiscal para pastores. A coerência moral é seletiva e geolocalizada.
A Alice tocou num ponto que merece ser aprofundado: a direita tem um fetiche performático pela família quando o assunto é Cuba ou Venezuela, mas se omite quando as políticas de austeridade do Norte global — e do Sul global alinhado — produzem exatamente o mesmo desmonte dos laços comunitários que diz defender. O bloqueio é uma tecnologia de gênero: ele precariza o cuidado, sobrecarrega as mulheres, interrompe cadeias de afeto e sustento. Isso está documentado por pesquisadoras feministas latino-americanas que há décadas analisam como sanções econômicas funcionam como violência estrutural generificada. Ignorar essa dimensão é escolher não ver.
Por fim, acho importante dizer que solidariedade internacionalista não é endosso automático a governo nenhum. Marchar contra o bloqueio não é bater palma para Díaz-Canel; é reconhecer que existe um projeto de sufocamento que antecede em décadas qualquer crítica que o mundo progressista possa fazer à ilha. A esquerda brasileira, em especial, precisa aprender a fazer esse duplo movimento: apoiar a autodeterminação dos povos sem abrir mão de uma lupa sobre autoritarismos internos. E a direita, se realmente se importasse com a dignidade da família, começaria olhando para o impacto das suas próprias políticas aqui no asfalto e no morro. Mas aí já é pedir demais de quem transforma crucifixo em cabo eleitoral.
Major Ricardo Silva
02/05/2026
A tal “resistência” que tanto exaltam é um povo sem liberdade marchando sob ordens de um regime ateu que odeia a família tradicional. O bloqueio americano pesa, sim, mas a fome de Cuba tem endereço certo: o socialismo que aqui no Brasil a esquerda tenta importar.
Alice T.
02/05/2026
Major, curioso esse fetiche por “família tradicional” enquanto 60 anos de bloqueio estrangulam exatamente a família cubana que o senhor diz defender — o relatório da ONU de 2023 escancara que as sanções miraram até remessa de alimentos e medicamentos, mas imagino que falar de imperialismo atrapalhe a narrativa pronta. A fome que o senhor atribui ao socialismo tem CPF e endereço em Washington, mas se for pra culpar modelo econômico, me explica a fila do osso no Brasil do agro, da fé e do livre mercado?
Silvia Ramos
02/05/2026
Enquanto marcham com faixas, o povo geme sem pão na mesa e sem liberdade para louvar o nome do Senhor na praça pública. O bloqueio é duro, sim, mas a verdadeira pobreza de Cuba não vem de fora — vem de um regime que apagou Deus do coração da nação e colheu o fruto amargo dessa escolha. Eu oro pelas famílias cubanas, porque só Jesus pode libertar de verdade.
Cecília Silva
02/05/2026
Irmã, com todo respeito, mas esse discurso de “apagou Deus” é o mesmo que usam pra criminalizar terreiro e culpar pobre pela própria miséria. Aqui no Jacarezinho tem crente pra caramba e ainda assim falta pão na mesa de quem ralou o dia inteiro — e não é falta de louvor, é falta de justiça econômica que o bloqueio escancara e aprofunda.
Carlos Menezes
02/05/2026
É curioso como tanto quem defende Cuba incondicionalmente quanto quem reduz tudo a “ditadura falida” parece ignorar a complexidade real da ilha. O bloqueio obviamente tem impacto brutal — os números da ONU estão aí — mas será que todo desacerto interno pode ser atribuído ao vizinho do norte? Me incomoda essa necessidade de escolher um lado como se fosse time de futebol, enquanto o cubano comum segue tentando sobreviver entre duas narrativas que pouco entregam de fato.
Francisco de Assis
02/05/2026
O bloqueio é criminoso e a resistência do povo cubano é aula de soberania. Essa gente que acha que liberdade econômica resolve tudo é a mesma que bate palma pra privatização de estatal brasileira. Tão alienados que não enxergam o óbvio: imperialismo nenhum vai ditar o destino de uma nação que luta.
Ana Costa
02/05/2026
O embargo americano realmente impõe custos severos: a própria ONU estima perdas acumuladas superiores a 130 bilhões de dólares, e isso tem impacto no abastecimento da ilha. Todavia, insistir que todo o colapso econômico cubano decorre exclusivamente do bloqueio, sem problematizar a gestão estatal ineficiente e a ausência de liberdades políticas, é uma simplificação que mais serve a trincheiras ideológicas do que ao debate baseado em evidências.
Roberto Lima
02/05/2026
Olha, o Celio falou o óbvio e já apareceu a turma da teologia da libertação pra dar aula. Cuba é uma ditadura comunista falida há décadas e ficar repetindo esse disco arranhado de “culpa do bloqueio” é piada, na boa. Quer ver desenvolvimento de verdade? Liberdade econômica, Estado enxuto e menos mimimi ideológico.
João Batista Alves
02/05/2026
Pois é, Helton e Celio, vocês falam em liberdade, mas esquecem que a verdadeira liberdade vem de Deus e do respeito à dignidade humana. Esse bloqueio dos EUA é uma crueldade que atinge crianças, idosos e famílias inteiras. Enquanto isso, o mundo moderno prefere fechar os olhos e criticar quem luta contra a opressão.
Lucas Gomes
02/05/2026
João, você acerta ao denunciar a crueldade do bloqueio, mas cuidado com essa ideia de que a liberdade vem de Deus como algo descolado da luta material — a teologia da libertação já nos ensinou que a verdadeira dignidade humana se conquista contra o imperialismo e o capitalismo, que são os verdadeiros pecados estruturais que esvaziam estômagos e devastam a criação.
Celio Fazendeiro
02/05/2026
Essa marcha é só mais um teatrinho de um regime falido que adora culpar os EUA por tudo. Enquanto isso o povo cubano continua passando fome e sem liberdade, mas os esquerdistas de plantão aqui acham lindo. Quero ver se o Díaz-Canel vai marchar com o estômago vazio igual o povo dele.
Marcos Andrade Niterói
02/05/2026
Celio, o bloqueio dos EUA é justamente o que esvazia o estômago do povo cubano — 60 anos de sanção econômica não são “teatrinho”, são guerra. Enquanto isso, aqui no Brasil a gente vê governante que corta verba de obra pública e entrega pedágio pra empresário, e ninguém chama de “regime falido”.
Gabriel Teen
02/05/2026
Marcha contra bloqueio? Kkkkk, e o povo lá tá comendo o quê, vento e discurso do Díaz-Canel?
Helton Barros
02/05/2026
Marcha orquestrada por regime que prende, persegue e cala a boca do povo há décadas. Enquanto isso, famílias cubanas passam fome e falta até remédio básico. Mas o pessoal aqui defende porque odeia mais os EUA do que ama a liberdade.
Caio Vieira
02/05/2026
Helton, seu discurso reproduz acriticamente a hegemonia do senso comum neoliberal que, sob o manto de uma suposta “liberdade abstrata”, ignora a violência estrutural de um embargo econômico que, como demonstram os relatórios da ONU, configura crime de lesa-humanidade. A solidariedade ao povo cubano não é ódio aos EUA, mas sim a compreensão dialética de que a autonomia de uma nação periférica que ousa desafiar o imperialismo é, em si, o gesto mais concreto de amor à liberdade.
Sgt Bruno 🇧🇷
02/05/2026
Mais um teatrinho comunista financiado com dinheiro que falta pro povo cubano. Enquanto isso, o Brasil paga mico apoiando essa ditadura. Selva!
Luizinho 16
02/05/2026
Sgt Bruno, vai tomar no cu com esse ufanismo de buteco, bloqueio dos EUA que mata e você aí chamando de teatrinho, tira o cotonete do ouvido e acorda.
Augusto Silva
02/05/2026
Sgt Bruno, o único teatrinho aqui é você repetindo bordão de WhatsApp sem nunca ter visto um dado do PIB cubano ou do embargo. Enquanto isso, o Brasil que apoiou Cuba em 2023 exportou 2,3 bilhões de dólares em alimentos e remédios — dinheiro que volta em vacinas e cooperação técnica. Selva é achar que 60 anos de bloqueio não deixam marcas.
Márcio Torres
02/05/2026
Sgt Bruno, você está certo em apontar que há dinheiro envolvido nisso tudo. A diferença é que você parece acreditar que o custo de uma manifestação popular em Havana é maior do que o custo de manter o embargo que, segundo o próprio Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Tesouro dos EUA, já custou à economia cubana mais de 130 bilhões de dólares em danos acumulados, corrigidos pela inflação. Se formos falar de dinheiro que falta ao povo cubano, sugiro olhar para o bloqueio econômico que impede a ilha de comprar medicamentos, alimentos e insumos básicos no mercado mais próximo. Não é teatrinho quando o país importa 80% dos alimentos que consome e o embargo encarece cada remessa em até 30% por conta de fretes alternativos e intermediação de terceiros países.
Sobre o Brasil pagar mico: o dado que o Augusto trouxe é relevante, mas vou além. O Brasil exporta para Cuba há décadas, e não por caridade. Em 2022, vendemos 1,2 bilhão de dólares em frango, arroz, leite em pó e máquinas agrícolas. A dívida cubana conosco é renegociada em condições que garantem retorno, e a cooperação técnica em saúde gerou, por exemplo, a produção de vacinas contra hepatite B e meningite que o SUS usa até hoje. Se isso é mico, então o agronegócio brasileiro e o Ministério da Saúde são os maiores palhaços do circo. Mas acho que você não diria isso para um exportador de carne de Santa Catarina.
Por fim, o termo “ditadura” é um atalho retórico que substitui análise. Cuba tem eleições, sim, com candidato único do Partido Comunista, o que não é democracia liberal nos moldes ocidentais, mas também não é o que você descreve. O país ocupa a 67ª posição no IDH da ONU, acima da média latino-americana em educação e saúde, e tem uma expectativa de vida de 79 anos, igual à do Chile. Se o bloqueio é um “teatrinho”, por que a Assembleia Geral da ONU aprovou por 187 votos a 2 (EUA e Israel) a resolução contra o embargo em 2023? Talvez o teatro seja maior do que você imagina, e você esteja na plateia errada.
Mariana Ambiental
02/05/2026
Sgt Bruno, o único dinheiro que falta pro povo cubano é aquele que o bloqueio dos EUA impede de entrar — são 60 anos de sanções que a ONU condena todo ano. Se for pra falar de ditadura, começa olhando pra quem prendeu Julian Assange e bombardeia países sem mandato da ONU.