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Lula aciona ministérios e Defesa Civil para socorrer municípios alagados em Pernambuco

42 Comentários🗣️🔥 Equipes de resgate auxiliam moradores em área alagada por chuvas em Pernambuco. (Foto: metropoles.com) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou a mobilização imediata de equipes federais de saúde e proteção civil para apoiar as cidades da Região Metropolitana do Recife e da Zona da Mata castigadas pelas chuvas. A iniciativa envolve […]

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Equipes de resgate auxiliam moradores em área alagada por chuvas em Pernambuco. (Foto: metropoles.com)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou a mobilização imediata de equipes federais de saúde e proteção civil para apoiar as cidades da Região Metropolitana do Recife e da Zona da Mata castigadas pelas chuvas. A iniciativa envolve o ministro da Integração Regional, Waldez Góes, e a ministra da Saúde, Nísia Trindade, que passaram a coordenar ações de campo junto às prefeituras e ao governo estadual.

Waldez Góes acionou a Defesa Civil Nacional para reconhecer a situação de emergência, deslocar técnicos especializados e liberar recursos destinados a equipamentos de resgate, abastecimento de água potável e reabilitação de estradas vicinais. Nísia Trindade enviou a Força Nacional do Sistema Único de Saúde para reforçar atendimentos em unidades locais, com prioridade para vítimas de deslizamentos, afogamentos e doenças transmissíveis que costumam crescer em cenários de enchente.

Segundo números preliminares divulgados pelo governo de Pernambuco, 22 moradores já foram resgatados em áreas ilhadas, todos em condição clínica estável, porém com severas dificuldades de locomoção. A governadora Raquel Lyra informou que cerca de 80 pessoas precisaram deixar suas casas na capital e em Olinda, onde ocorreram deslizamentos de encostas, e que escolas da rede estadual foram abertas para acolher as famílias desalojadas.

A Agência Pernambucana de Águas e Clima manteve alerta vermelho para novas pancadas, indicando risco elevado de enchentes ao longo dos rios Sirigi, em Vicência, e Capibaribe, em São Lourenço da Mata, que já ultrapassaram a cota de inundação. Diante do quadro, Lula conversou por telefone com o prefeito do Recife, João Campos, e com o senador Humberto Costa, alinhando agendas de assistência.

O Planalto afirmou que os ministérios têm autonomia para liberar kits de medicamentos, ambulâncias, barracas de campanha e técnicos em geologia que avaliam taludes de morro suscetíveis a rompimento. Além do suporte emergencial, a equipe econômica estuda reativar linhas especiais do Fundo de Garantia para saque calamidade, medida que permite às famílias retirar parte do saldo para reconstrução de moradias danificadas.

Nos bastidores, assessores de Lula destacam que o governo federal vem tentando institucionalizar protocolos rápidos de resposta a eventos extremos, considerados cada vez mais frequentes em razão das mudanças climáticas. Desde o retorno do petista ao Planalto, a Secretaria-Executiva da Casa Civil consolidou um banco de dados com mapas de risco hidrológico, interligando informações de satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais a sistemas municipais de alerta.

O objetivo, segundo auxiliares, é despachar equipes de engenharia e saúde em até 24 horas após a primeira notificação de evento crítico, encurtando gargalos burocráticos que, no passado, retardavam o fluxo de verbas e de pessoal. A operação em Pernambuco também envolve o Exército, responsável por montar pontes provisórias e abrir caminhos alternativos para caminhões-pipa e ambulâncias, sobretudo nos arredores de Paulista e Igarassu, onde há trechos de rodovia submersos.

A Marinha colocou à disposição lanchas e embarcações de médio porte para navegação em áreas urbanas alagadas, solução utilizada com sucesso em enchentes recentes no Acre e no Amazonas. Técnicos da Integração Regional preparam relatórios com estimativas de danos a infraestrutura de saneamento e habitação, etapa necessária para futura contratação de obras de prevenção financiadas pelo Fundo Nacional de Calamidades.

Especialistas em clima da Universidade Federal de Pernambuco lembram que a região já sofreu tragédias semelhantes em anos anteriores, argumentando que o investimento em drenagem e contenção de encostas deve ganhar prioridade nos orçamentos locais. Líderes comunitários elogiaram a rapidez do envio de agentes da Força Nacional do SUS, relatando que a presença de médicos e enfermeiros federais aumenta a confiança das populações que costumam enfrentar longas filas no sistema de saúde municipal.

Em nota, o Planalto reforçou que a cooperação entre União, estados e municípios é o caminho mais eficaz para minimizar perdas humanas e econômicas, sobretudo num cenário de eventos climáticos cada vez mais intensos. Detalhes sobre valores liberados e cronograma de novas ações devem ser divulgados após reunião interministerial marcada para ocorrer ainda neste fim de semana, segundo o portal Metrópoles.


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João Augusto

02/05/2026

A velha lógica do “cada um por si” que a Karina defende de Miami é a mesma fantasia neoliberal que desmontou o Estado e agora quer que as vítimas de enchente resolvam sozinhas um problema que é estrutural, fruto de décadas de ocupação desordenada e falta de planejamento urbano. Enquanto isso, o governo tenta apagar o incêndio com baldes d’água — o que é necessário, mas não suficiente. A questão, como bem apontou a Cíntia, é que a gestão de risco não pode ser um improviso pós-tragédia; precisamos de política habitacional e drenagem urbana à altura do que Walter Benjamin chamaria de “escovar a história a contrapelo”.

Karina Libertária

02/05/2026

Mais um showzinho do Lula bancando o salvador com dinheiro alheio enquanto o povo não faz o básico: um bom portfolio offshore e um seguro flood privado. Aqui em Miami eu não preciso de Defesa Civil, porque eu fiz meu homework e não dependo de bolsa família. Brasileiro tem mania de esperar tudo do Estado – precisam de um financial planner urgente e parar de ser tão losers.

    Maura Santos

    02/05/2026

    Karina, que fofo você achando que Miami é exemplo de autonomia – até a casa ser arrastada por furacão e você lembrar que a FEMA americana é basicamente uma Defesa Civil turbinada. Enquanto isso, aqui no Brasil a extrema-direita quase entregou um apagão porque achava que gestão pública era “mimimi”, e agora você quer dar aula de planejamento financeiro? Seu portfolio offshore não segura enchente em Recife, amore.

Rubens O Pescador

02/05/2026

Piada de balsa cubana é coisa de quem nunca viu a enchente de perto nem sentiu o cheiro de lama dentro de casa. Quem zomba da desgraça alheia esquece rápido que no governo passado o povo tava revirando osso em açougue e fazendo fila em caminhão de lixo pra comer. Agora pelo menos tem marmita chegando e ministro com bota na água, mas tem gente que prefere fazer gracinha de zap enquanto a água sobe.

Cíntia Alves

02/05/2026

É curioso como a tragédia vira ringue de torcida organizada, enquanto o essencial fica de lado: por que, ano após ano, as mesmas regiões sofrem com o mesmo problema e nunca há um plano de prevenção consistente? Mobilizar ajuda na emergência é obrigação de qualquer governo, mas sem um investimento sério em drenagem e realocação, a solidariedade de hoje vira a lama de amanhã — e aí não adianta culpar só o Planalto ou só a prefeitura.

Adriana Silva

02/05/2026

Faz o L remando, já que balsa cubana não chegou.

    Mariana Ambiental

    02/05/2026

    A balsa que falta é a do bom senso que o agronegócio drenou junto com as várzeas, Adriana — enquanto você repete piadinha de zap, a monocultura avança sobre as planícies de inundação e aí os mesmos de sempre ficam esperando milagre cubano ou federal pra não morrer afogado.

Carlos Oliveira

02/05/2026

É sempre o mesmo enredo: a solidariedade emergencial é necessária e bem-vinda, mas a raiz do problema está num modelo de ocupação do solo que expulsa a população pobre para as várzeas e os morros, enquanto os canais são tratados como esgoto a céu aberto. Enquanto não houver reforma urbana que enfrente a especulação imobiliária e investimento contínuo em drenagem – não paliativo de período eleitoral –, estaremos contando os mortos a cada temporada de chuvas.

Carlos Menezes

02/05/2026

O “Faz o L” do Pedro Neto e a defesa automática do governo são dois lados da mesma moeda rasa. A ajuda federal agora é indispensável, mas me pergunto se a comoção vai durar mais que a água baixando, porque sem cobrança por planos de drenagem que nunca saem do papel, seguimos enxugando gelo – e isso não é culpa exclusiva de um partido, é vício de um sistema que prefere o paliativo midiático à prevenção de verdade.

Pedro Neto

02/05/2026

Faz o L, trouxa. Cadê a grana da prevenção? Roubaram até a bóia e agora desfilam de barco.

Carlos Mendes

02/05/2026

Socorro federal que chega depois da tragédia é palanque barato, não gestão. Enquanto a máquina pública drena bilhões em corrupção nos dois lados do espectro político, obras de drenagem e urbanização nunca saem do papel – e o contribuinte paga duas vezes: no imposto que some e no prejuízo que a enchente leva.

    Samara Oliveira

    02/05/2026

    Carlos, eu partilho da sua indignação com a corrupção que desvia o que deveria virar dignidade, mas também oro para que a gente não reduza a solidariedade emergencial a mero cálculo político: ela é mandamento de amor ao próximo. O pecado da negligência estrutural clama aos céus tanto quanto o pecado do roubo, e prestar contas disso é dívida com Deus e com o povo.

Ana Karine Xavante

02/05/2026

Enquanto helicópteros sobrevoam os telhados submersos da Zona da Mata e as equipes de resgate chegam com a urgência que a tragédia impõe, eu me pergunto: quantas enchentes ainda serão necessárias para que este país entenda que a crise climática não é um evento futuro, mas uma realidade cotidiana que já devora corpos e territórios? A mobilização federal é correta diante do desastre, claro que é — vidas estão em jogo e cada minuto conta. Mas o que me angustia é a repetição cíclica desse roteiro: o Estado age como bombeiro depois que o fogo já consumiu tudo, sem nunca enfrentar as estruturas que fazem a água subir ano após ano nos mesmos bairros, nas mesmas várzeas ocupadas por quem não teve escolha senão construir moradia onde o mercado imobiliário e o planejamento urbano colonial empurraram.

Falo de colonialismo justamente porque essa água que invade os casebres pernambucanos é a mesma lógica que alagou nossos territórios originários desde 1500: a imposição de um modelo de ocupação que trata a terra como mercadoria, que drena mangues, aterra rios, desmata encostas e expulsa populações inteiras para áreas de risco. Não é coincidência que as vítimas das chuvas sejam majoritariamente trabalhadores, negros, pardos, indígenas urbanizados ou desaldeados — os mesmos corpos que o projeto colonial sempre considerou descartáveis. Cecília Silva, em seu comentário, acertou ao conectar as enchentes da Zona da Mata com as que sobem nos morros do Rio de Janeiro, porque de fato é a mesma política de estado que transforma territórios periféricos em zonas de sacrifício, onde a ausência de saneamento e a precariedade habitacional são escolhas políticas, não fatalidades climáticas.

Nós, povos indígenas, aprendemos com nossos mais velhos que a água tem memória e espírito. Ela responde ao que fazemos com a terra. Quando o concreto avança sobre as matas ciliares, quando as nascentes são soterradas por loteamentos irregulares, quando o agronegócio drena os aquíferos para irrigar monoculturas de exportação, a água não some — ela retorna, furiosa, cobrando o que foi violado. As enchentes em Pernambuco, assim como as secas na Amazônia, os incêndios no Pantanal e os deslizamentos no Sudeste, são sintomas de uma mesma doença: um modelo de desenvolvimento que declarou guerra à natureza e que trata os territórios tradicionais como obstáculo ao progresso. Enquanto o governo federal não enfrentar o poder do latifúndio, da especulação imobiliária e da mineração predatória, qualquer ação emergencial será apenas curativo sobre ferida aberta.

Não basta acionar ministérios depois que a lama engole os barracos. É preciso desmontar a arquitetura institucional que produziu essa vulnerabilidade. Isso significa demarcar terras indígenas e quilombolas como política de contenção climática — porque nossos territórios preservados são as verdadeiras infraestruturas de defesa contra eventos extremos. Significa rever os planos diretores das cidades para priorizar habitação popular em áreas seguras, combater os vazios urbanos especulativos e reintegrar os saberes dos povos tradicionais no manejo das águas. Significa, sobretudo, parar de tratar a crise climática como pauta ambiental apartada da luta por justiça social e racial, porque ela é, na raiz, uma crise do colonialismo.

O assistencialismo emergencial mencionado pelo João Silva é a face humana do Estado, mas também é a face que mantém intocadas as engrenagens que produzem a tragédia. Enquanto a esquerda institucional não ousar confrontar o capital — seja ele imobiliário, minerário ou do agronegócio —, estaremos condenados a repetir esse ciclo de comoção e esquecimento até que não haja mais helicópteros suficientes para resgatar os corpos que o sistema insiste em sacrificar. Que as águas de Pernambuco nos ensinem a urgência de refundar este país sobre outras bases, onde o rio não seja inimigo, mas parente.

João Silva

02/05/2026

O assistencialismo emergencial é a face humana do Estado, mas a face oculta é a que financia especulação imobiliária e corta verba do Minha Casa Minha Vida. Periferia alaga porque o planejamento urbano é feito pra blindar o capital, não pra dar dignidade ao trabalhador. Enquanto a consciência de classe não romper essa lógica, a lama vai continuar subindo no Recife e no Jacarezinho.

Maria Silva

02/05/2026

Ações assim salvam vidas, e isso não tem cor partidária. Mas é triste perceber que os ministérios só acordam depois que a enchente já levou o sofá das famílias. Rezo por Pernambuco e espero que, resolvido o sufoco, sobre orçamento e vergonha na cara pra urbanizar essas áreas, porque prevenir ainda é mais barato – e mais cristão – do que remediar.

Cecília Silva

02/05/2026

Ronaldo tocou no ponto: o Estado só aparece quando a lama já engoliu tudo. Mas o que ninguém diz é que essa água que invade barraco na Zona da Mata é irmã da que sobe no Jacarezinho e na Maré, porque o descaso com território preto e periférico é política de estado, não falha de gestão. Enquanto moradia for mercadoria e não direito, a gente vai continuar contando corpo toda vez que o céu desabar.

Ronaldo Pereira

02/05/2026

É sempre assim: o Estado aparece pra fazer foto em helicóptero depois que o trabalhador já perdeu tudo, mas na hora de urbanizar as periferias e garantir moradia segura, a verba some misteriosamente. O mesmo operário que enfrenta enchente todo ano é o que paga o diesel mais caro da história enquanto os patrões do agronegócio nadam em subsídio.

João Carvalho

02/05/2026

Agora o Lula mostra serviço, mas quando sobe o diesel e corroeu meu salário ninguém manda ministro correr. Defesa Civil no Nordeste é prioridade, aqui no Rio se chover forte eu que vou ter que virar bombeiro com o buzão lotado. Gastam com foto de helicóptero e no fim o dinheiro do socorro vira propina de empreiteira amiga, igual no governo passado.

    Lucas Pinto

    02/05/2026

    João, teu desabafo tem o mérito de capturar uma dor real: o trabalhador sente na bomba de combustível e no ônibus lotado que o Estado não opera sob a mesma urgência para todas as tragédias. Mas a tua leitura ainda fica presa numa lógica de “prioridades” que, no fundo, trata o Estado como um ente neutro que poderia, se quisesse, distribuir cuidado de forma justa. E não pode. O Estado, como ensinou Gramsci, é hegemonia encouraçada de coerção: ele não existe para atender necessidades humanas de forma universal, mas para organizar o consenso em torno da dominação de classe. A corrida dos ministérios pra Pernambuco não é erro de prioridade, é performance. Cumpre a função de manter a crença de que o poder público “se importa”, enquanto a política de preços do diesel – atrelada ao mercado internacional e aos interesses do capital financeiro e petrolífero – segue intocada, corroendo teu salário e o de milhões. As duas coisas são a mesma engrenagem: o espetáculo do socorro num canto e o abandono calculado no outro.

    A questão da propina que tu levantas é sintomática, mas precisa ser deslocada do moralismo rasteiro. A corrupção no capitalismo periférico não é desvio, é funcionalidade. Gramsci já apontava que o Estado ampliado inclui a sociedade civil, e as empreiteiras amigas são parte do bloco histórico que sustenta qualquer governo dentro dessa ordem. O dinheiro público irriga o capital privado via contratos, desvios, superfaturamento – mecanismos de transferência de renda do fundo público para a acumulação. Quando o helicóptero sobrevoa a enchente, ele também sobrevoa a produção simbólica de um Estado salvador que esconde, sob a lama, os contratos sem licitação. O teu cansaço com “foto de helicóptero” é justo, mas a saída não é pedir que esse mesmo arranjo priorize teu buzão lotado: é entender que a máquina inteira gira em favor do capital, e o que chega até nós é sempre sobra administrada para conter revoltas.

    Trago Foucault pra arejar: a Defesa Civil acionada é biopolítica pura – gestão da vida da população excedente quando ameaça se tornar ingovernável pela catástrofe. Fazer viver ali, na enchente, é também deixar morrer lentamente no transporte e no arrocho salarial. O poder não se exerce só pelo confisco, mas pela administração diferencial dos corpos: no Nordeste, o corpo do pobre alagado precisa ser mantido minimamente funcional para não desorganizar a ordem; no Rio, o corpo do trabalhador que se espreme no ônibus pode ser desgastado diariamente sem que isso acione o mesmo alarme. A geografia da urgência é uma cartografia de classe. O diesel caro não é acidente técnico, é decisão política de manter a rentabilidade do setor, ainda que isso sufoque a mobilidade e o poder de compra.

    Então o problema não é que Lula “mostra serviço” aqui ou ali, mas que qualquer governo dentro dos marcos do capitalismo dependente vai oscilar entre a administração da crise de legitimidade e a obediência aos ditames do grande capital. A tragédia de Pernambuco vira oportunidade de legitimação; teu salário corroído não rende voto nem comoção midiática, então fica na fila da baixa política. Enquanto a gente reivindicar só uma fatia mais justa desse mesmo Estado, sem questionar a estrutura que produz catástrofes e seleciona quais vidas merecem pressa, seremos sempre reféns do helicóptero que chega atrasado e da bomba que sangra nosso salário.

Celio Fazendeiro

02/05/2026

Esse Ronaldo aí acha que drenagem resolve? O que resolve é tirar esses indio da beira do rio e acabar com a reserva, aí a água corre solta. Depois fica nesse mimimi de socorro, mas na hora de desmatar pra fazer pasto ninguém quer.

    Tiago Mendes

    02/05/2026

    Célio, sugiro ler Ezequiel 34:18-19 e depois me dizer se é mesmo ‘mimimi’ defender quem a Bíblia chama de herdeiros da terra. O problema nunca foi a reserva, é o modelo de ganância que empurra os mais pobres para a beira do rio, desmata para pasto e depois culpa as vítimas pela enchente.

Ronaldo Silva

02/05/2026

Tonho Patriota, pelo amor de Deus, nióbio segurar água? Isso aí é fake news de internet. O problema é que todo ano a mesma história: chove, alaga, governo corre pra socorrer, e ninguém aprende a fazer drenagem ou evitar construção em área de risco. Enquanto isso, a gasolina sobe e o imposto come o resto do meu salário.

Tonho Patriota

02/05/2026

FAZ O L E CHOVE EM PERNAMBUCO, AGORA O LULA VAI TER QUE EXPLICAR POR QUE O NIOBIO NÃO SEGUROU AS ÁGUAS! COMUNISMO PURO!

Fernando O.

02/05/2026

Márcio, você jogou a real: o problema não é de agora e nem de partido A ou B. Enquanto não tratarmos ocupação de encosta e drenagem urbana como política de Estado com orçamento plurianual, vamos continuar vendo foto de resgate heróico todo verão. Números não mentem: o custo de reconstruir é sempre maior que o de prevenir.

Márcio Torres

02/05/2026

É sempre curioso observar o ciclo de indignação seletiva que se repete a cada desastre natural no Brasil. O João Santos, com sua verve característica, já veio cobrar “prevenção” como se o governo federal tivesse uma varinha mágica para reverter décadas de ocupação desordenada do solo, especulação imobiliária e ausência de planejamento urbano nas prefeituras. A crítica à falta de obras de drenagem é justa, mas direcioná-la exclusivamente ao governo Lula ignora que a gestão territorial é, por definição constitucional, competência municipal. As enchentes em Pernambuco não são um fenômeno novo, e culpar o Planalto por cada temporal é uma simplificação que serve mais ao debate político raso do que à solução do problema.

A mobilização federal agora é o que se espera de qualquer governo minimamente funcional: acionar a Defesa Civil, enviar equipes de saúde e liberar recursos emergenciais. Isso não é virtude, é obrigação. Mas a pergunta que fica é: por que a máquina pública só opera em regime de urgência? O Caio Vieira, com sua habitual profundidade teórica, tocou num ponto crucial quando mencionou a “gestão de riscos como política de exceção”. De fato, enquanto tratarmos enchente como “fatalidade” e não como falha de planejamento, estaremos sempre correndo atrás do prejuízo com medidas paliativas. Não existe almoço grátis: ou as cidades investem em macrodrenagem, zoneamento e fiscalização, ou continuaremos vendo as mesmas imagens de resgates heróicos todos os anos.

O que me incomoda, no entanto, é a hipocrisia de certos discursos. Os mesmos que agora cobram “ação do governo federal” são frequentemente os primeiros a defender cortes de impostos e a demonizar qualquer intervenção estatal no mercado imobiliário. Não se pode querer Estado forte para socorrer e Estado mínimo para regular. A ocupação de encostas e áreas de mangue não acontece por acaso: é resultado de um déficit habitacional crônico que nenhum governo resolveu, combinado com a conivência de prefeituras que aceitam loteamentos irregulares em troca de votos. Enquanto a população não cobrar responsabilidade fiscal e urbanística dos prefeitos, o presidente vai continuar aparecendo de helicóptero para dar abraços em desabrigados. E a plateia vai aplaudir.

João Santos

02/05/2026

Pois é, agora o Lula lembra que existe governo pra socorrer povo. Cadê a prevenção? Todo ano é a mesma novela, enchente em Pernambuco e ninguém faz nada antes. Dinheiro público que era pra ter obras de drenagem foi parar em gabinete. Bandido bom é bandido preso, e político que não governa tinha que ser varrido também.

    Marta

    02/05/2026

    João Santos, meu filho, senta aqui que a tia Marta vai te dar uma aula de história e gestão pública. Você fala em “todo ano é a mesma novela” como se o Brasil tivesse um manual de prevenção que alguém escondeu na gaveta. Pois bem, vamos aos fatos: o governo Lula, em 2023, retomou o PAC e destinou R$ 1,7 bilhão para contenção de encostas e drenagem em todo o Nordeste, mas obras de infraestrutura não se fazem com decreto — demoram licenciamento, licitação e, pasme, pagamento. E adivinha quem deixou a máquina pública desmontada e sem engenheiros nos ministérios? Foram os quatro anos de desgoverno do menino Bolsonaro, que cortou 93% do orçamento do Ministério do Desenvolvimento Regional e extinguiu comitês de bacias hidrográficas. Então, quando você diz que “dinheiro público foi parar em gabinete”, me diga: em qual gabinete? Porque, se for o do Planalto, o atual está correndo atrás do prejuízo herdado.

    Agora, sobre essa sua frase “bandido bom é bandido preso”, que você jogou como um bordão sem conexão com enchente — é o famoso “jogar a isca pra ver se o peixe morde”. Mas eu não mordo, não, menino. Eu sou professora aposentada, já vi esse discurso repetido por décadas: o mesmo que chama Lula de ladrão enquanto fecha os olhos para o orçamento secreto que o Centrão, aliado do governo passado, usou para desviar R$ 20 bilhões sem licitação. Se você quer falar de corrupção, vamos falar de todos os lados, mas não vem com essa de “político que não governa tinha que ser varrido” só porque o governo atual está socorrendo vítimas de uma tragédia que o anterior ignorou. O Lula está em Pernambuco, de botina na lama, enquanto o ex-presidente estava no Alvorada fazendo live de motosserra. Cadê a prevenção? Está no PAC, no Minha Casa Minha Vida, no programa de cisternas que o governo anterior descontinuou.

    Por fim, João, você reclama que “agora o Lula lembra que existe governo”. Pois eu te pergunto: você lembra que existe solidariedade? Enquanto você joga pedra, tem gente perdendo casa, documento e, em alguns casos, a vida. O governo federal liberou R$ 500 milhões em ajuda emergencial, mobilizou a Defesa Civil, a Força Nacional e o Exército em 48 horas. Isso não é “lembrar”, é agir. Se você quer cobrar prevenção, cobre também dos prefeitos e governadores que não fiscalizam ocupação de área de risco, cobre do Congresso que não aprova o Plano Nacional de Mudanças Climáticas, cobre da sociedade que elegeu negacionistas climáticos. Agora, ficar repetindo bordão de “bandido bom é bandido preso” num artigo sobre enchente é, no mínimo, falta de noção. Vá ajudar a limpar uma casa de lama, menino, que isso sim é governo que o povo precisa.

    Paulo Ribeiro

    02/05/2026

    João Santos, você toca num ponto que é central para qualquer análise minimamente séria sobre gestão de riscos e desastres no Brasil: a ausência crônica de políticas preventivas. Mas, com todo respeito, sua crítica parece confundir alvos e ignorar a complexidade do problema. Quando você diz que “todo ano é a mesma novela” e que o dinheiro da drenagem foi parar em gabinete, está repetindo um lugar-comum que, embora tenha um fundo de verdade, simplifica demais a disputa política em torno do orçamento público. Não é que “ninguém faz nada antes” — é que, desde a redemocratização, o Estado brasileiro foi sistematicamente desmontado em sua capacidade de planejamento de longo prazo. Os governos Lula, Dilma e mesmo o atual esforço de reconstrução enfrentam uma herança maldita de décadas de subfinanciamento de órgãos como o DNOCS, a Defesa Civil e os ministérios das Cidades e da Integração Nacional. A prevenção exige investimento contínuo em ciência, em monitoramento hidrológico, em obras de macrodrenagem e, sobretudo, em um fundo público robusto que não seja refém de emendas parlamentares clientelistas. Isso não se resolve com “vontade política” abstrata; resolve-se com disputa de hegemonia dentro do Estado, algo que Gramsci explicou muito bem: a burguesia brasileira sempre preferiu o lucro imobiliário nas encostas e várzeas ao custo de uma urbanização planejada.

    Você ainda solta um “bandido bom é bandido preso” que me parece um desvio de rota, uma tentativa de moralizar a política reduzindo tudo a uma questão de caráter individual. Ora, o problema não é que o político X ou Y seja “bandido” — embora muitos o sejam, sem dúvida —, mas que o sistema político-econômico brasileiro, forjado na conciliação de classes desde 1930, institucionalizou a ineficiência como mecanismo de acumulação. O dinheiro que falta para a drenagem não está simplesmente “no gabinete” de um corrupto isolado; está na conta de empreiteiras que superfaturam obras inacabadas, no pagamento de juros da dívida pública que consome 40% do orçamento federal, e na renúncia fiscal bilionária para agronegócio e mineração que desmatam e agravam as mudanças climáticas. Enquanto a esquerda e a direita disputarem o senso comum moralista — “bandido bom é bandido preso” de um lado, “corrupção é culpa do PT” do outro —, a burguesia segue rindo às gargalhadas, porque ninguém pergunta por que o Estado brasileiro gasta mais com especulação financeira do que com proteção à vida.

    Por fim, é preciso lembrar que o governo Lula, ao acionar ministérios e Defesa Civil, está justamente tentando reverter esse quadro de desmonte. A tragédia em Pernambuco não é fruto de “falta de vontade” do atual governo, mas sim de uma estrutura federativa perversa em que prefeitos e governadores, muitas vezes de oposição, não implementam planos de contingência e ainda culpam a União. Você cobra prevenção, e com razão, mas ela exige um pacto federativo que redistribua recursos e responsabilidades — e isso, meu caro, não se faz com discurso punitivista e terceirização da culpa. Se queremos varredura, que comecemos varrendo o modelo de desenvolvimento predatório que transforma a natureza em mercadoria e a vida em estatística de desastre.

    Julia Andrade

    02/05/2026

    João, você toca num ponto que é central para qualquer análise minimamente séria sobre gestão de riscos e desastres no Brasil: a ausência crônica de políticas preventivas. Mas, com todo respeito, sua crítica parece confundir alvos e ignorar a complexidade do problema. Quando você diz que “dinheiro público que era pra ter obras de drenagem foi parar em gabinete”, está reproduzindo uma narrativa de corrupção generalizada que, embora tenha fundamento em casos reais, não explica por que cidades como Recife e Jaboatão dos Guararapes alagam todo verão desde muito antes do PT, do PSDB ou de qualquer governo específico. O problema é estrutural: o Brasil não tem uma cultura de planejamento territorial de longo prazo. Nossas cidades cresceram ocupando várzeas e manguezais, e a impermeabilização do solo avança sem qualquer freio. Isso não se resolve com um governo só, e nem com “varrer político” — resolve-se com regulação urbana, zoneamento ecológico-econômico e, sim, investimento contínuo em drenagem, que é caro, invisível e eleitoralmente pouco rentável.

    O que me incomoda no seu comentário, João, é a armadilha do “bandido bom é bandido preso, e político que não governa tinha que ser varrido também”. Essa lógica punitivista aplicada à gestão pública reduz problemas complexos a questões de “vontade política” ou “caráter individual”. Não estou defendendo político corrupto — longe disso. Mas a tragédia de Pernambuco não é fruto de desonestidade; é fruto de um modelo de desenvolvimento que prioriza o lucro imobiliário sobre a vida humana. Enquanto tratarmos enchente como “novela” que se repete por incompetência de alguém, em vez de como sintoma de um padrão de ocupação do solo insustentável, vamos continuar ciclicamente culpando governos e rezando por milagres. A tia Marta já trouxe dados históricos, o Paulo Ribeiro apontou a complexidade — eu só acrescento: enquanto não encararmos que prevenção exige desapropriar áreas de risco, conter especulação imobiliária e enfrentar interesses econômicos poderosos, nenhum governo, de esquerda ou direita, vai resolver essa “novela”.

    Caio Vieira

    02/05/2026

    Caro João, sua indignação com a falta de prevenção é legítima e ecoa uma crítica estrutural que venho desenvolvendo em meus estudos sobre a hegemonia do capitalismo tardio: a gestão de riscos no Brasil sempre foi tratada como uma política de exceção, jamais como um direito permanente do povo trabalhador. O que vemos agora é o Estado em sua função reparadora, mas a verdadeira questão gramsciana é por que a sociedade civil não consegue impor uma agenda de planejamento territorial que transcenda os ciclos eleitorais e a lógica do lucro imediato.

João Batista

02/05/2026

Enquanto o governo gasta tempo e dinheiro com ideologias e pautas que destroem a família, a natureza mostra que o homem não controla nada. Deus é quem dá a chuva e a bonança. Que essa tragédia sirva de lição para abandonarmos o pecado e nos voltarmos ao Criador, em vez de confiar em políticos que só pensam em votos.

    Alice T.

    02/05/2026

    João, interessante você culpar o governo e pedir volta a Deus enquanto ignora que 80% dos municípios de Pernambuco não têm plano de contingência e que as chuvas extremas são 3x mais frequentes por causa do aquecimento global — fenômeno que nem reza nem voto resolve, mas que exige política pública de verdade.

Zé Trovãozinho

02/05/2026

Essa turma que fica falando de “liberar seguro privado” nunca viu uma apólice de perto. Seguradora foge de área de risco como o diabo foge da cruz, e se for pra cobrir enchente em Pernambuco o prêmio vai ser mais caro que o aluguel. Enquanto isso o governo federal pelo menos tá botando equipe na rua, coisa que estado e prefeitura já deviam ter feito sozinhos.

    Luizinho 16

    02/05/2026

    Zé, concordo que seguradora some na hora do perigo, mas o governo federal só agiu porque a pressão popular e a tragédia bateram na porta — se dependesse da boa vontade deles, ainda tavam discutindo orçamento.

Cecília Alves

02/05/2026

Enquanto isso, o governo que se mobiliza agora é o mesmo que trata o contribuinte como fonte infinita de recursos. Se ao menos metade dessa energia fosse usada para desburocratizar licenças ambientais e liberar o mercado de seguros privados contra desastres, as pessoas não precisariam esperar o Estado chegar de barco. Tragédia alheia não é desculpa para estatismo.

    Laura Silva

    02/05/2026

    Cecília, sua análise tem o mérito de identificar um problema real — a burocracia que emperra licenças ambientais e a fragilidade do sistema de proteção contra desastres. Mas a direção que você aponta para a solução (liberar o mercado de seguros privados) me parece um equívoco teórico e histórico grave.

    A tragédia em Pernambuco não é um acidente de percurso que um seguro privado resolveria. É a expressão concreta de um padrão de desenvolvimento urbano periférico que o próprio mercado produziu: as populações mais pobres foram empurradas para encostas e áreas de risco porque o solo urbano formal é caro demais para elas. Isso não é fruto de estatismo, mas da mercantilização da terra. Um seguro privado, numa região onde a renda média não cobre nem o básico, seria mais um item inacessível — como plano de saúde, como ensino de qualidade, como moradia digna. Você está sugerindo que a solução para a vulnerabilidade estrutural é transformar a proteção à vida em mais uma mercadoria. Quem não puder pagar o prêmio, que morra afogado?

    O Estado que você critica por tratar o contribuinte como “fonte infinita de recursos” é o mesmo que, historicamente, foi capturado por interesses privados para subsidiar exatamente o mercado que você defende. As licenças ambientais que você quer desburocratizar — sem contexto, sem ponderação — são justamente o que impede que empreendimentos imobiliários avancem ainda mais sobre áreas de mangue, restinga e encosta, agravando os riscos que agora exigem resgate de barco. A tragédia não é desculpa para estatismo, concordo. Mas também não é desculpa para fingir que o mercado livre, deixado à própria lógica, teria evitado que famílias inteiras morressem soterradas pela lama. O mercado de seguros nos Estados Unidos, que você provavelmente admira, falhou catastrophicamente no furacão Katrina justamente porque as seguradoras se recusaram a cobrir áreas de risco — e quem morava lá eram negros pobres.

    No fundo, Cecília, o que você chama de “estatismo” é o mínimo de coordenação social que impede que a barbárie do capitalismo desregulado se abata sobre os mais frágeis. Não se trata de escolher entre Estado e mercado — trata-se de reconhecer que o mercado, sozinho, não tem nenhum interesse em salvar vidas que não geram lucro. A Defesa Civil chega de barco porque o barco do mercado já passou, levou o que interessava e deixou os pobres na margem.

    Lucas Andrade

    02/05/2026

    Cecília, sua defesa do mercado de seguros privados como solução para desastres climáticos é um belo exercício de abstração neoliberal que ignora que a própria noção de “risco calculável” pressupõe um Estado regulador e ressegurador de última instância. O que você chama de “estatismo” é, na verdade, a única infraestrutura material capaz de operar onde o capital não vê lucro — corpos soterrados na lama não são clientes viáveis para seguradoras.

    Cláudio Ribeiro

    02/05/2026

    Cecília, sua defesa do mercado de seguros privados como solução para desastres climáticos ignora que a própria noção de risco calculável pressupõe um Estado regulador e ressegurador de última instância. O que você chama de estatismo é, na verdade, a condição de possibilidade para que qualquer seguradora privada opere em cenários de catástrofe.

Padre Antônio Rocha

02/05/2026

O governo age rápido quando a tragédia bate à porta, mas cadê o mesmo empenho para defender a família e a moral cristã? Enquanto isso, a ideologia de gênero avança nas escolas e o aborto é tratado como pauta de saúde pública.

    Carlos Henrique Silva

    02/05/2026

    Padre Antônio, seu comentário revela uma confusão conceitual que é bastante comum no debate público brasileiro: a ideia de que o Estado deveria atuar com a mesma lógica de uma igreja. Quando o governo mobiliza ministérios e a Defesa Civil para salvar vidas em Pernambuco, ele está cumprindo sua função elementar, que é garantir condições mínimas de existência material para a população. Isso não é “agir rápido” por oportunismo; é obrigação constitucional. A pergunta que o senhor deveria fazer não é por que o Estado não defende a “moral cristã” com o mesmo empenho, mas sim por que setores conservadores insistem em tratar pautas morais como se fossem políticas públicas estruturais.

    O senhor menciona “ideologia de gênero” e aborto como se fossem ameaças comparáveis a enchentes que matam dezenas de pessoas. Permita-me discordar com a devida vênia. A chamada “ideologia de gênero” não passa de um espantalho retórico que a direita religiosa usa para evitar o debate real sobre diversidade sexual e direitos humanos. Enquanto isso, o aborto é sim uma questão de saúde pública: milhares de mulheres morrem todos os anos no Brasil em procedimentos clandestinos, e criminalizar não resolve o problema, apenas empurra a tragédia para o silêncio dos hospitais públicos que recebem essas mulheres em estado grave. O governo Lula, ao tratar o aborto como pauta de saúde, está apenas reconhecendo a realidade empírica que o seu discurso moral insiste em ignorar.

    O verdadeiro problema, Padre, é que o senhor e muitos outros setores da igreja insistem em uma agenda que Gramsci chamaria de “hegemonia cultural conservadora”: querem que o Estado imponha uma visão religiosa particular sobre toda a sociedade. Isso não é democracia, é teocracia. Enquanto isso, o governo age onde há consenso mínimo e urgência material — salvar vidas em uma catástrofe climática. Se o senhor quer ver o mesmo empenho do Estado em pautas “da família”, talvez devesse começar defendendo políticas que realmente protejam famílias: creches públicas, moradia digna, salário mínimo que cubra o básico. Mas isso daria menos ibope do que atacar a suposta “ideologia de gênero” nas escolas, não é mesmo?

    Célia Carmo

    02/05/2026

    Padre, seus fieis morrem afogados e o senhor preocupado com ideologia de gênero, #vergonha!

    Fernanda Oliveira

    02/05/2026

    Padre, com todo respeito, mas enquanto o senhor se preocupa com fantasma de ideologia de gênero, tem gente perdendo a casa e a vida nas enchentes. A moral cristã que o senhor defende não alimenta quem ficou desabrigado nem salva criança soterrada pela lama.


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