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Lula libera até R$ 2 bilhões para fortalecer crédito às exportações brasileiras

74 Comentários🗣️🔥 Ilustração editorial sobre Lula libera até R$ 2 bilhões para fortalecer crédito às exportações brasileiras. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou a União a aportar até R$ 2 bilhões no Fundo Garantidor de Operações de Comércio Exterior. A medida visa reduzir riscos financeiros e ampliar o […]

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Ilustração editorial sobre Lula libera até R$ 2 bilhões para fortalecer crédito às exportações brasileiras. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou a União a aportar até R$ 2 bilhões no Fundo Garantidor de Operações de Comércio Exterior. A medida visa reduzir riscos financeiros e ampliar o acesso ao crédito para empresas exportadoras.

O decreto, publicado no Diário Oficial da União, atualiza as regras do Conselho de Participação do fundo. O colegiado, vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, passa a ter presidência do órgão e participação direta da Fazenda.

A composição do conselho foi redefinida para incluir representantes dos ministérios envolvidos, fortalecendo a coordenação entre políticas industrial e fiscal. A presidência ficará com o ministério responsável pela agenda de comércio exterior.

O Fundo Garantidor atua como garantia complementar às instituições financeiras, diminuindo a exposição ao risco e facilitando a liberação de crédito. Com o aporte, o mecanismo ganha capacidade para lastrear novas operações, especialmente para empresas de menor porte.

O governo busca consolidar a integração institucional por meio da Secretaria Executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex). A medida reforça o apoio ao comércio exterior brasileiro, reduzindo barreiras financeiras e oferecendo maior previsibilidade às empresas.

O texto foi sancionado após a criação do sistema brasileiro de apoio oficial ao crédito à exportação. A nova norma reorganiza instrumentos públicos de financiamento e garantia para operações externas, priorizando a política industrial e a diversificação das exportações com maior valor agregado.

Segundo reportagem do portal UOL, a iniciativa busca expandir o crédito às exportações, com resultados concretos dependendo do montante efetivamente repassado e da demanda das companhias pelo financiamento garantido.

Leia mais sobre o assunto na noticias.uol.com.br.


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Maria Aparecida

03/05/2026

João Batista, com todo respeito, mas essa visão de que todo gasto público é “rombo” ignora que o dinheiro também pode gerar emprego e renda pra quem mais precisa. A questão não é gastar ou não, mas pra quem e com que propósito. Se for pra fortalecer o pequeno produtor e gerar trabalho, é justo.

Cíntia Ribeiro

03/05/2026

O Carlos Menezes tocou no ponto central: a eficácia do instrumento depende de desenho institucional e fiscalização. Fundos garantidores são comuns em economias exportadoras bem-sucedidas, mas no Brasil o histórico de concentração de benefícios realmente preocupa. Seria interessante ver a modelagem de risco e os critérios de acesso antes de celebrar ou condenar a medida.

João Batista

03/05/2026

Mais um rombo nos cofres públicos pra agradar empresários amigos do governo, enquanto o trabalhador honesto paga a conta com juros altos e inflação nas compras do mês. O Brasil precisa é de Deus e de ordem, não de mais gastança irresponsável.

Carlos Menezes

03/05/2026

Acho que o Paulo Gestor RJ trouxe um olhar mais técnico, que falta nessa discussão. O instrumento em si não é bom nem ruim, depende de como é usado. Minha preocupação é se esse dinheiro vai realmente chegar a pequenos e médios exportadores ou se vai ficar concentrado nos mesmos grandes grupos de sempre.

Letícia Fernandes

03/05/2026

Observo, com uma mistura de cansaço e interesse clínico, a histeria que se apossa de alguns comentaristas diante de um mero instrumento de política de crédito. A senhora Adriana, por exemplo, reduz a complexidade do Estado burguês a uma anedota de padaria, enquanto o Paulo Gestor, com sua pretensa tecnicidade, tenta despolitizar a questão ao tratá-la como mera equação atuarial. O que ambos, cada um a seu modo, escamoteiam é a função estrutural que este fundo garantidor desempenha na reprodução ampliada do capital: ele não é um favor a empresários amigos, mas uma injeção de liquidez necessária para que a fração exportadora do capital brasileiro possa continuar competindo no mercado mundial sem arcar integralmente com os riscos inerentes à sua própria atividade. É a socialização dos prejuízos e a privatização dos lucros em sua forma mais pura, um mecanismo clássico de transferência de valor do fundo público para o capital privado, operado sob a batuta de um governo que se autodenomina de esquerda.

O ponto nevrálgico, que o João Carlos tangenciou com perspicácia, é a completa ausência de condicionalidades. Dois bilhões de reais do erário, que poderiam financiar a reforma agrária, a transição energética ou a educação pública, são despejados em um fundo cujo único critério de acesso é a capacidade de exportar. Não se pergunta: para onde vai essa mercadoria? Quem a produz? Em que condições trabalhistas e ambientais? O fundo opera como uma máquina de abstração, indiferente ao conteúdo concreto da produção. É a superestrutura financeira a serviço de uma lógica que não reconhece limites éticos ou ecológicos, apenas a taxa de retorno e a participação no comércio internacional. A esquerda, quando assume o governo, muitas vezes se contenta em gerenciar essa máquina com mais eficiência, em vez de questionar seus fundamentos.

A discussão sobre se o mercado “resolveria sozinho” é, na verdade, um falso dilema. O capitalismo financeirizado já não existe sem o Estado garantidor. O que está em jogo não é a presença ou ausência do Estado, mas a quem ele serve. Um fundo garantidor para exportações de commodities agrícolas, por exemplo, não é a mesma coisa que um fundo para cooperativas de agricultura familiar que exportam produtos agroecológicos. Mas o governo Lula, preso à lógica do agronegócio como “locomotiva do PIB”, não ousa fazer essa distinção. Prefere o atalho da macroeconomia keynesiana, que estimula a demanda agregada sem tocar na propriedade dos meios de produção. É um reformismo sem reforma, que mantém intacta a estrutura de poder que condena a periferia ao papel de exportadora de natureza e importadora de tecnologia.

Por fim, a reação raivosa da direita, epitomizada pelo comentário da Adriana, é sintomática de um sujeito que não consegue pensar o Estado para além da corrupção personalista. Para eles, qualquer ação estatal é, por definição, um roubo. Essa visão paranoica, no entanto, é funcional ao capital: ao reduzir a política a uma disputa entre “nós” e “eles”, impede a formação de uma consciência de classe que possa exigir que o fundo público seja usado para desprivatizar os lucros e socializar os meios de produção. Enquanto a esquerda institucional se contentar em administrar a miséria com um sorriso no rosto e a direita berrar “comunismo” a cada medida de estímulo ao capital, a estrutura permanecerá a mesma. Pena, mesmo, é da classe trabalhadora, que financia o fundo com seus impostos e não tem voz sobre seu destino.

Paulo Gestor RJ

03/05/2026

Pois é, Lucas, concordo que a lógica do risco merece escrutínio. Mas, como administrador, vejo que fundo garantidor é ferramenta de gestão de risco, não de subsídio. O problema não é o instrumento, e sim se a taxa de inadimplência projetada justifica o aporte. Faltam métricas claras de retorno pra gente saber se é investimento ou despesa.

Carmem Souza

03/05/2026

Gente, acho que o João Carlos tocou num ponto importante. O crédito público pode sim ser um instrumento legítimo, mas a falta de transparência que a Cíntia mencionou é real. Precisamos de mais acompanhamento social e menos radicalização de ambos os lados.

Adriana Silva

03/05/2026

Faz o L e vai pra Cuba, seu bando de comunista! 2 bi pra exportação é só pra encher o bolso de amigo do PT, enquanto a gente paga pão com ovo a 10 conto.

Lucas Alves

03/05/2026

Sempre a mesma novela: mais dinheiro público pra “garantir” risco que o setor privado não quer assumir. Se o negócio é tão bom, por que precisa de 2 bi do contribuinte pra viabilizar? A Marta tem razão no incômodo, mas a Cíntia também: o problema não é esquerda ou direita, é a completa ausência de prestação de contas real. No fim, a máquina pública sempre acha um jeito de gastar sem que a gente veja o retorno.

João Carlos da Silva

03/05/2026

Marta, discordo frontalmente. Reduzir a discussão a “mercado resolve sozinho” é ignorar que crédito público sempre foi instrumento de política industrial nos países centrais. O problema não é o fundo garantidor em si, mas a ausência de condicionalidades sociais e ambientais claras para as empresas beneficiadas — algo que o governo deveria exigir.

Maria Clara Lopes

03/05/2026

A Cíntia tocou num ponto crucial: a falta de transparência na aplicação desses fundos. Não importa se é governo de esquerda ou direita, a gente precisa de mecanismos reais de auditoria pra saber se o dinheiro público tá gerando resultado ou só virando mais um cabide de emprego indireto. Medida faz sentido no papel, mas a execução que preocupa.

Marta Souza

03/05/2026

Mais um dinheiro suado do contribuinte sendo usado pra tapar buraco de ineficiência que o mercado resolveria sozinho. Enquanto isso, a gente continua pagando imposto pra sustentar fundo garantidor que só engorda a máquina pública. Cadê a coragem de reduzir a carga tributária e deixar o setor privado competir de verdade?

Cíntia Alves

03/05/2026

Acho que o Beto tem um ponto, mas também não dá pra tratar crédito à exportação e infraestrutura como se fossem excludentes. O problema real é que a gente nunca vê uma auditoria séria desses fundos garantidores, independente de quem está no poder. Será que esses 2 bilhões vão realmente chegar em cadeias produtivas que precisam de fôlego ou vão parar nos mesmos grupos de sempre?

Beto Engenheiro

03/05/2026

João Carlos, falou tudo. Sou engenheiro e vejo diariamente o estado das rodovias federais. Dois bilhões num fundo garantidor que ninguém fiscaliza direito, enquanto a BR-101 no ES parece campo minado. Cadê o plano de obras?

Luciana Costa

03/05/2026

João Carlos, entendo a frustração com as estradas, mas não acho que seja um ou outro. O crédito às exportações pode gerar divisas que voltam em impostos, o problema é que falta um plano claro de contrapartidas pra infraestrutura. Apoiar o comércio exterior é necessário, desde que não vire apenas um socorro pra grandes grupos sem transparência.

João Carlos Silva

03/05/2026

Pois é, Luciana, você que é rodoviária sabe bem: a gente vê bilhão saindo pra exportação, mas na hora de melhorar o asfalto e a segurança nas estradas, cadê? Esses 2 bilhões poderiam pelo menos dar um jeito nos buracos que quebram a suspensão do nosso carro.

Mariana Ambiental

03/05/2026

Pessoal, a reclamação é justa, mas esse fundo garantidor pode ser uma ferramenta importante se for direcionado pra pequenos e médios produtores, não só pros grandes exportadores de sempre. O problema histórico não é ter crédito, é pra quem ele vai e com que condicionalidades ambientais e sociais. Se for só pra escoar soja de desmatamento, é dinheiro jogado fora.

Luciana Santos

03/05/2026

Luizinho 16, pão com ovo a preço de ouro é pouco perto de ver dois conto de real indo pra fundo garantidor sem ninguém saber direito quem vai pegar. Trabalhei 20 anos dirigindo ônibus, sei bem como funciona promessa de dinheiro que nunca chega onde precisa.

Luizinho 16

03/05/2026

2 bilhão pra banqueiro exportador e o povo pagando pão com ovo a preço de ouro, é mole?

Mariana Lopes

02/05/2026

Luiz Carlos, entendo sua frustração, mas não acho que seja uma escolha entre exportação e segurança pública. O problema é que R$ 2 bilhões em garantia de crédito podem até gerar receita futura, mas se não houver transparência e critérios claros de desempenho, vira mesmo um cheque em branco que a gente paga sem ver retorno.

Luiz Carlos

02/05/2026

Mais 2 bilhões que vão sair do bolso do contribuinte. Enquanto isso, a gente paga gasolina cara e imposto em tudo. Cadê esse dinheiro pra segurança pública, que é o que realmente precisamos?

Luciana

02/05/2026

Pois é, Miriam, aí é que tá. Dois bilhões saindo do nosso bolso pra garantir crédito de exportação, enquanto a gente aqui se vira pra pagar juro de cartão e o gás de cozinha não baixa. Queria ver se fiscalizassem esse dinheiro com o mesmo afinco que fiscalizam meu CPF na hora de parcelar uma conta.

Miriam

02/05/2026

R$ 2 bilhões é dinheiro pra caramba, mas sinceramente, exportação gera divisas e emprego, então não acho um absurdo o governo dar uma garantida. Agora, se vão fiscalizar direito pra não virar esmola pra amigo, aí já é outros quinhentos.

Rodrigo Meireles

02/05/2026

Dr. Thiago, essa é a pergunta que ninguém quer responder. Se o risco é tão baixo, por que o setor privado não assume sozinho? Na prática, vira subsídio cruzado: o exportador ganha taxa menor, e o resto da economia paga a conta via inflação ou juro mais alto. Dados concretos de inadimplência e retorno real deveriam ser pré-requisito antes de qualquer aporte desse tamanho.

Dr. Thiago Menezes

02/05/2026

2 bilhões em garantia de crédito para exportação, e ninguém pergunta qual a taxa de inadimplência histórica desse fundo ou o retorno real sobre o dinheiro público injetado. Parece mais um subsídio disfarçado do que um instrumento de desenvolvimento — se o risco é tão baixo, por que o mercado não financia sozinho?

Roberto Lima

02/05/2026

Luiz Augusto, você está coberto de razão. Enquanto o agro brasileiro já é competitivo sem precisar de esmola estatal, esse governo insiste em usar dinheiro do contribuinte para tapar buraco de ineficiência própria. Se querem fortalecer exportação, que cortem impostos e diminuam a burocracia, não que encham mais um fundo garantidor com nosso suor.

Luiz Augusto

02/05/2026

Gabriel, você resumiu bem o espírito da coisa: mais dinheiro público para quem já opera em grande escala, enquanto o cidadão comum continua pagando a conta. O livre mercado não precisa de muleta estatal; precisa de menos impostos e menos burocracia. Esse aporte de R$ 2 bilhões é apenas mais um capítulo da velha política de escolher vencedores com o dinheiro do contribuinte.

    Marcos Andrade Niterói

    02/05/2026

    Luiz Augusto, discordo frontalmente: menos Estado não é sinônimo de justiça social. Em Niterói, vimos o que acontece quando o poder público abandona o planejamento — o caos da mobilidade e a especulação imobiliária desenfreada. Esse fundo garante exportação e emprego industrial, enquanto o discurso liberal de “menos impostos” só serve pra desmontar o que resta de política pública.

Gabriel Teen

02/05/2026

2 bi pra exportação e o povo ainda esperando fila no SUS, Brasil é tipo aquela festa que só tem cerveja pra quem já tá bêbado.

Caio Vieira

02/05/2026

Prezados colegas debatedores, permitam-me adentrar esta arena dialética com a devida vênia. A medida em questão, longe de ser um mero ato administrativo, revela a complexa tessitura do que Gramsci denominaria de hegemonia em disputa. O aporte de R$ 2 bilhões no Fundo Garantidor de Operações de Comércio Exterior (FGCE) não é uma novidade absoluta, como bem apontou o João Martins, mas a sua magnitude neste momento histórico específico exige uma leitura mais detida das relações de força no bloco histórico brasileiro.

A crítica contundente da Ana Paula Conserva e da Cecília Silva, embora carregada de uma justa indignação com as assimetrias estruturais do nosso capitalismo periférico, incorre, a meu ver, em uma análise que poderíamos qualificar de economicista. Não se trata de negar a necessidade premente de crédito para a pequena produção e para a reforma urbana das classes subalternas; trata-se de compreender que a inserção do Brasil na divisão internacional do trabalho, sob a égide de uma economia mundializada, exige que o Estado burguês, mesmo sob uma gestão de matiz progressista, opere com os instrumentos da sua própria racionalidade. O FGCE não é um fim em si mesmo, mas uma mediação para garantir que o excedente econômico gerado pelo agronegócio e pela indústria de transformação possa circular, gerando divisas que, em tese, realimentariam as políticas sociais.

Ocorre que aí reside o nó górdio da questão, e aqui dialogo com o Carlos A. Mendes. A capilaridade desse fluxo financeiro é duvidosa. A experiência histórica, desde os tempos do milagre econômico, nos mostra que a transferência de renda via fundos garantidores e subsídios creditícios tende a se concentrar nos estratos superiores da burguesia, naquilo que Pierre Bourdieu chamaria de campo do poder econômico. A verdadeira disputa, portanto, não está em negar a necessidade de apoiar as exportações — ato que seria um suicídio macroeconômico para um país como o nosso —, mas em forjar uma correlação de forças que imponha contrapartidas efetivas. Onde está a cláusula que obriga as empresas beneficiadas a ampliar o quadro de funcionários com salários dignos? Onde está o mecanismo que vincula esse crédito a práticas de comércio justo e à soberania alimentar?

Portanto, minha solidariedade à luta dos que clamam por crédito para a pequena empreendedora e para a reforma da casa própria é incondicional. Todavia, acredito que a tática política não pode ser a de simplesmente rejeitar o instrumento, mas sim a de disputar o seu conteúdo. A hegemonia se constrói na capacidade de transformar uma necessidade do capital em uma alavanca para a melhoria das condições de vida do povo. Se o governo Lula não impuser uma agenda de distribuição dos riscos e dos lucros desse fundo, estaremos apenas diante de mais um capítulo da velha e conhecida política de concertação social, onde o pão nosso de cada dia continua sendo amassado com o suor alheio e vendido a preço de ouro. É preciso, como diria Florestan Fernandes, radicalizar a democracia, e isso passa por exigir que cada centavo desse fundo seja auditado pela sociedade civil organizada.

Carlos A. Mendes

02/05/2026

Cecília, você tocou num ponto que me incomoda também. Esse dinheiro poderia muito bem ir para o BNDES financiar pequenas empresas ou infraestrutura básica, que geram emprego direto. Garantir exportação é importante, mas parece que o governo só sabe fazer política econômica na base do dinheiro fácil para o grande capital, enquanto o cidadão comum se vira com juros nas alturas.

Cecília Silva

02/05/2026

João, você tem razão que o FGCE não é invenção desse governo, mas o tamanho do aporte agora escancara a prioridade: sempre sobra dinheiro pra garantir lucro de quem já tem, enquanto a gente na ponta continua sem crédito pra reformar o barraco ou comprar uma máquina de costura. Não é contra exportação, é contra essa lógica que joga bilhões pro grande capital e migalha pro povo.

João Martins

02/05/2026

Vou ser direto: R$ 2 bilhões em garantia para exportação não é nem de longe o escândalo que alguns estão pintando, mas também não é essa maravilha toda. O dado concreto é que o Fundo Garantidor de Operações de Comércio Exterior (FGCE) existe desde 2019, foi criado no governo Bolsonaro, e já teve aportes similares. A diferença é que agora o valor é maior e o contexto macroeconômico mudou. Se a gente for olhar o histórico, o Brasil tem um déficit crônico em garantias para exportadores de médio porte, que não têm o colateral que os grandes players do agro e da mineração oferecem. Isso é um gargalo real, documentado em estudos do Ipea e do BNDES. O problema não é o instrumento em si, mas a ausência de contrapartidas claras: esse dinheiro vai para quem? Com que critério de desempenho? E qual o impacto esperado na balança comercial?

A discussão sobre regressividade tributária levantada pela Alice e pelo Pedro é relevante, mas acho que misturam alhos com bugalhos. O FGCE não é um gasto público direto, é uma garantia contingente — o dinheiro só sai se houver calote. E, historicamente, a inadimplência nesse tipo de operação é baixíssima, algo entre 0,5% e 1,5% segundo dados do Banco Central. Ou seja, o custo fiscal efetivo tende a ser muito menor que os R$ 2 bilhões nominais. O verdadeiro problema é que o Brasil gasta mal os recursos que já arrecada: temos um dos maiores spreads bancários do mundo, e o crédito subsidiado para exportação convive com juros estratosféricos para o consumidor final. Isso não é culpa do FGCE, é um sintoma do nosso sistema financeiro oligopolizado.

Agora, sobre o argumento da Ana Paula de que o trabalhador não consegue crédito para casa própria: ela tem razão no diagnóstico, mas erra o alvo. O problema habitacional não é resolvido com R$ 2 bi em garantia exportadora, é resolvido com reforma tributária, redução do custo do dinheiro e política de subsídio direto para a baixa renda — coisas que nenhum governo fez de forma consistente nas últimas três décadas. O Minha Casa Minha Vida, por exemplo, tem orçamento anual de cerca de R$ 10 bilhões, e mesmo assim o déficit habitacional gira em torno de 6 milhões de moradias. A questão não é escolher entre exportação e moradia, é que o Estado brasileiro é ineficiente nos dois lados.

No frigir dos ovos, acho que a Cecília foi a mais equilibrada: o fundo pode gerar emprego, sim, especialmente em setores como o de manufaturados e serviços de engenharia, que têm maior valor agregado e empregam mais gente por real investido do que o agro. Mas é preciso monitorar a execução. Se o dinheiro for parar nas mesmas empresas que já têm acesso a crédito barato no mercado internacional, aí sim é um desperdício. O que falta no debate brasileiro é menos ideologia e mais transparência de dados: quem são os beneficiários finais dessas garantias, qual o prazo médio das operações e qual a taxa de recuperação em caso de inadimplência. Enquanto isso não for público, qualquer discussão é chute.

Cecília Ramos

02/05/2026

Ana Paula, entendo sua indignação, mas acho que a questão é mais complexa. O fundo garantidor pode ajudar a gerar empregos e renda, o que também beneficia o trabalhador. O problema não é apoiar a exportação, mas sim garantir que os lucros sejam distribuídos de forma justa e que o Estado cobre impostos progressivos de quem mais lucra.

Ana Paula Conserva

02/05/2026

R$ 2 bilhões do nosso suor para garantir exportação de grande empresário, enquanto o trabalhador brasileiro mal consegue crédito para comprar uma casa própria ou um carro usado. Cadê o incentivo para a família que quer empreender com dignidade, sem virar refém desse sistema? O Brasil precisa de menos intervenção estatal e mais liberdade econômica de verdade, com responsabilidade fiscal.

Cristina Rocha

02/05/2026

Alice T. e Pedro Almeida, vocês dois acertaram em cheio ao apontar a regressividade tributária como o verdadeiro nó do sistema. Mas eu gostaria de aprofundar um pouco mais essa discussão a partir de uma perspectiva que, confesso, sinto falta nos comentários até agora: a dimensão geopolítica e o papel do Estado como indutor de desenvolvimento, algo que a tradição liberal tanto insiste em obscurecer.

Quando Lula autoriza esses R$ 2 bilhões para o Fundo Garantidor de Operações de Comércio Exterior, não estamos diante de um “favor” ao empresariado, como alguns querem fazer crer. Estamos diante de uma função clássica do Estado burguês em sua fase de capitalismo periférico: reduzir o risco sistêmico para que o capital privado possa realizar seu ciclo de acumulação. O problema não é o Estado intervir; o problema é que tipo de intervenção ele faz e para quem. Um fundo garantidor não é gasto, é engenharia financeira pública que permite ao capital privado alavancar operações que, sem essa garantia, simplesmente não aconteceriam. A questão, como bem colocou Alice, é que a mesma lógica não se aplica ao consumo interno das maiorias populares.

Mas eu vou além: essa medida precisa ser lida à luz da nossa herança colonial. O Brasil sempre exportou commodities e importou tecnologia, sempre foi o “exportador de natureza” que financia o consumo sofisticado do Norte global. O que Lula está tentando fazer, com idas e vindas, é reposicionar o país nessa divisão internacional do trabalho. Apoiar exportações de maior valor agregado, com garantia estatal, é uma tentativa de romper com a especialização regressiva que nos foi imposta desde o período colonial. Não é pouca coisa, e não se faz com discurso moralista sobre “geladeira sem crédito” — que é um problema real, mas que não se resolve com a mesma ferramenta. O crédito popular depende de reforma tributária, de taxação de grandes fortunas, de um sistema bancário que não seja um dos mais lucrativos do mundo às custas do povo.

Portanto, minha crítica não é ao instrumento, mas à ausência de contrapartidas. Cadê a exigência de que essas empresas que se beneficiam do fundo garantidor paguem salários dignos, invistam em inovação no país e respeitem o meio ambiente? Enquanto o Estado socializar os riscos e o capital privatizar os lucros, estaremos sempre girando em falso. O debate não pode ser entre “crédito para exportar” versus “crédito para consumir”, mas sim sobre qual modelo de desenvolvimento queremos e quem paga a conta no final do mês. Enquanto a elite financeira brasileira continuar sendo a principal beneficiária de todos os mecanismos de garantia estatal, sem contribuir progressivamente para o financiamento do Estado, qualquer medida de fomento será, no limite, mais um capítulo da nossa crônica desigualdade.

Pedro Almeida

02/05/2026

Alice T., você tocou no ponto nevrálgico: a regressividade tributária é a mãe de todas as distorções. Enquanto o sistema permitir que o topo da pirâmide contribua proporcionalmente menos que a base, qualquer política de crédito — seja para exportação ou para consumo interno — será apenas um paliativo. R$ 2 bilhões em garantias não são o problema; o problema é que o Estado brasileiro sempre encontra dinheiro para subsidiar o capital, mas nunca para taxar a renda e a propriedade como deveria, desde a República Velha.

Alice T.

02/05/2026

Pedro Neto, essa dicotomia é um clássico do discurso liberal vazio. Enquanto bilionário paga imposto de 5% e exporta com garantia estatal, a geladeira do trabalhador continua sem crédito porque o sistema tributário é regressivo. R$ 2 bi em fundo garantidor não é o problema, é a ausência de taxação de lucros e dividendos que deixa o crédito interno secando.

Cecília Torres

02/05/2026

Pedro Neto, essa dicotomia é falsa. O fundo garantidor não é gasto, é instrumento de alavancagem — cada real público pode viabilizar múltiplos reais em operação privada. Quem critica sem entender o mecanismo de garantia só está fazendo barulho. O problema real é a falta de transparência na execução, não o instrumento em si.

Jeferson da Silva

02/05/2026

Pedro Neto, geladeira sem crédito é problema real, mas exportação forte segura emprego na fábrica que produz a geladeira. Já vi patrão fechar linha porque “não tinha garantia” e mandar 300 colegas pra rua. Esse fundo não é esmola pra empresário, é ferramenta pra manter chão de fábrica funcionando. Quem acha que 2 bi é “só pra exportador” devia ver o que acontece com o salário do povo quando a indústria para de vender pro exterior.

Silvia D.

02/05/2026

Pedro Neto, mas crédito pra exportação fortalece a economia e gera receita que pode voltar em políticas públicas. O problema não é esse investimento, é a falta de progressividade tributária pra financiar crédito interno também. Apoiar o agro e a indústria não precisa ser excludente com o consumo popular.

Pedro Neto

02/05/2026

2 bilhão de garantia pra exportador e o brasileiro médio não consegue crédito nem pra comprar uma geladeira. Brasil é isso aí, meus amigos.

João Pereira

02/05/2026

R$ 2 bilhões em garantia de crédito é dinheiro público, sim, mas não é gasto a toa — é instrumento pra alavancar muito mais em operações reais. Quem acha que exportação não impacta o preço do pão deveria estudar balança comercial e formação de câmbio antes de soltar rage tweet.

Rodrigo RedPill

02/05/2026

2 bilhões de dinheiro público pra dar crédito a exportador enquanto o Brasil quebra e o pão tá 7 reais. Mas fiquem tranquilos, o PT sabe o que faz, confia no coach do Lula. Enquanto isso eu continuo aportando em cripto e vendo o circo pegar fogo.

    Bia Carioca

    02/05/2026

    Rodrigo, cripto não põe comida na mesa de ninguém, amigão. Enquanto você faz trade, o crédito à exportação segura emprego na indústria e gera divisas pra pagar a conta do pão — se acha que o Brasil quebra agora, espera ver sem política industrial.

Marina Costa

02/05/2026

Mais um rombo bilionário nas contas públicas enquanto o brasileiro de bem aperta o cinto. Enquanto isso, a família tradicional paga a conta de tanta irresponsabilidade fiscal. O que esse governo não entende é que não se constrói nada sólido sobre a imoralidade da gastança desenfreada. Provérbios 22:7 já dizia: o rico domina sobre o pobre, e o que toma emprestado é servo do que empresta.

    Mariana Alves

    02/05/2026

    Marina, sua citação de Provérbios é precisa e reveladora, mas a aplicação que você faz dela inverte completamente a direção da crítica. Se o rico domina sobre o pobre e o que toma emprestado é servo do que empresta, então a pergunta que você deveria estar fazendo é: quem são os ricos que dominam e quem são os pobres que servem nessa equação? O crédito à exportação não é um favor a empresários abstratos; é um mecanismo para que o Brasil não precise se curvar eternamente aos credores internacionais, aos detentores de títulos da dívida pública e ao capital financeiro especulativo que suga nossa riqueza via juros estratosféricos. Cada real gasto em política industrial e de comércio exterior que fortalece a capacidade produtiva nacional é um real que não precisa ser tomado emprestado do FMI ou dos bancos estrangeiros sob condições draconianas. A verdadeira servidão por dívida não está nesses R$ 2 bilhões para exportar, mas nos R$ 800 bilhões anuais que pagamos em juros da dívida pública para alimentar o rentismo que você parece defender quando clama por austeridade fiscal.

    Sua noção de irresponsabilidade fiscal é seletiva. Onde estava sua indignação moral quando o governo anterior concedeu bilhões em isenções fiscais para o agronegócio exportador sem contrapartidas, ou quando o Banco Central independente manteve a maior taxa de juros real do planeta, transferindo renda do trabalho para o capital financeiro? O rombo que você denuncia é uma gota no oceano comparado aos juros que engordam os mesmos bancos que financiam a especulação imobiliária que torna o pão a 7 reais. A gastança desenfreada que realmente sangra o Brasil é a da dívida pública, que consome mais de 40% do orçamento federal e não gera um único emprego, um único hospital, uma única escola. Enquanto você clama por responsabilidade fiscal contra crédito produtivo, o sistema financeiro continua drenando o país com a bênção de uma ortodoxia econômica que transforma o Estado em mero cobrador de impostos para pagar juros a acionistas.

    Família tradicional? A família tradicional brasileira, Marina, é a que enfrenta fila no SUS, que depende do transporte público sucateado, que vê os filhos sem perspectiva de emprego digno. Essa família não é servida por um Estado que se encolhe e deixa o mercado decidir quem vive e quem morre. Ela é servida por políticas que geram divisas, que fortalecem a indústria nacional, que criam empregos com carteira assinada e salário mínimo que ao menos tenta acompanhar a inflação. O crédito à exportação não é imoral; imoral é um sistema que trata o trabalho como custo e o capital como sagrado. Se você quer aplicar Provérbios com honestidade, olhe para quem realmente empresta e domina neste país: não é o Estado que financia a produção, mas o capital financeiro que cobra juros de 13,75% ao ano enquanto a economia real definha. A servidão moderna não está no crédito produtivo, mas na dívida pública que transforma cada brasileiro em devedor eterno de um sistema que nunca se satisfaz.

Sgt Bruno 🇧🇷

02/05/2026

Luan, para de repetir essa ladainha de que isso é culpa do governo atual. O pão a 7 reais é herança do desastre econômico que vocês mesmos elegeram, com câmbio podre e juros nas alturas. Esse dinheiro aí é pra gerar emprego e divisas, coisa que militar e selva não põe na mesa do brasileiro, não.

Luan Silva

02/05/2026

2 bi pra exportação e o povo ainda paga pão a 7 reais. Brasil acima de tudo, né?

    Ricardo Almeida

    02/05/2026

    Luan, o pão a 7 reais é consequência de câmbio desvalorizado e política monetária, não de crédito à exportação. Se você quer pão barato, deveria defender é menos juro e mais competição interna, não cortar o que gera dólar e emprego.

    Clarice Historiadora

    02/05/2026

    Luan, querido, o pão a 7 reais é fruto de 4 anos de desgoverno que quebrou a confiança na moeda, não de 2 bi para exportação. Se você quer entender a relação entre câmbio e preço do pão, te empresto meu exemplar de “Formação Econômica do Brasil” do Celso Furtado.

    Cláudio Ribeiro

    02/05/2026

    Luan, você inverte a equação: o pão a 7 reais é sintoma de uma economia desindustrializada e refém do rentismo financeiro, não de crédito à exportação. Sem gerar divisas e competitividade externa, a moeda desaba e o pão vai a 10 reais — aí você vai culpar o quê, a política cambial do Banco Central?

Zé Trovãozinho

02/05/2026

R$ 2 bilhões é troco de pinga perto do que o BNDES emprestava no governo passado, mas a esquerda adora falar de “investimento” quando é o Estado escolhendo os amigos. Enquanto isso, o agro e a indústria pagam a conta com imposto e burocracia, e o povo vê o dinheiro sumir em fundo garantidor que nunca vai ser auditado de verdade.

    Marina Silva

    02/05/2026

    Zé, troco de pinga é a sua noção de economia, vê se larga o terraplanismo fiscal e aprende que fundo garantidor sustenta emprego real, não amigo imaginário.

    Francisco de Assis

    02/05/2026

    Zé, tu reclama de “Estado escolhendo amigo”, mas no governo passado o BNDES financiava frigorífico e empreiteira que depois tavam tudo quebrada e demitindo geral. Esse fundo garantidor aí é pra pequeno e médio exportador não morrer na praia, e se tu acha que R$ 2 bi é troco de pinga, então deixa de frescura e vai pedir pro teu ídolo passar um PIX de verdade pro povo.

    João Carvalho

    02/05/2026

    Zé, você mistura duas críticas incompatíveis: reclama que o valor é “troco de pinga” e ao mesmo tempo que é uma farra com dinheiro público. Se é tão irrelevante, por que se incomoda? O ponto central que você ignora é que fundos garantidores como esse reduzem o risco sistêmico e permitem que pequenos e médios exportadores acessem linhas de crédito que o mercado privado sozinho não oferece. Isso não é escolher amigo, é corrigir uma assimetria de informação que o neoliberalismo teórico sempre subestima.

    Lucas Andrade

    02/05/2026

    Zé, você troca o nome do jogo: não é sobre o volume ser pinga ou tsunami, é sobre a coreografia do poder — o Estado não “escolhe amigos”, ele performa a fantasia de um mercado que nunca existiu, e você, com esse discurso de auditoria e imposto, só reforça a moldura que diz combater.

Cecília Alves

02/05/2026

R$ 2 bilhões do contribuinte pra virar fiador de exportador grande, enquanto o empreendedor que banca a própria máquina sem um centavo de subsídio é esmagado por imposto e burocracia. O Estado não tem dinheiro próprio, ele tira de quem produz pra escolher vencedores no mercado. Se o crédito privado não financia, o problema é juro alto e inflação, não falta de “garantia” estatal.

Carlos Rocha

02/05/2026

Mais 2 bilhões que saem do bolso de quem produz de verdade pra virar muleta de exportador. Enquanto isso, a carga tributária continua matando o pequeno e médio empresário que não tem acesso a esse dinheiro. O governo age como se o setor privado fosse incapaz de se financiar sozinho.

    Tiago Mendes

    02/05/2026

    Carlos, a Bíblia nos ensina que o Estado tem o dever de prover justiça econômica (Isaías 58), e não é “muleta” quando o dinheiro público sustenta a cadeia produtiva que gera empregos. O problema não é financiar exportação, mas sim o fato de que o pequeno empresário continua sendo esmagado por juros abusivos enquanto o governo escolhe os já favorecidos.

    Maura Santos

    02/05/2026

    Carlos, o setor privado se financiar sozinho é tipo achar que o transporte público se sustenta sem subsídio — na prática, quem paga a conta é o povo, mas de um jeito bem menos transparente. Esse dinheiro aí é pra segurar emprego e evitar que a gente volte pro apagão de crédito que a turma do “mercado se resolve” deixou de herança.

    Ronaldo Pereira

    02/05/2026

    Carlos, “quem produz de verdade” na sua cabeça é o patrão que explora o operário, não o trabalhador que constrói a riqueza com as próprias mãos. Esse dinheiro público sustenta empregos na fábrica, e não é muleta não, é investimento pra evitar que o patrão demita na primeira crise.

Zé do Povo

02/05/2026

MAIS 2 BILHÕES DO NOSSO DINHEIRO PRO LULA MAMAR EMPRESÁRIO AMIGO! 😡 ISSO É ROUBO DESC

    Paulo Ribeiro

    02/05/2026

    Zé do Povo, seu comentário é o retrato perfeito de como a direita brasileira conseguiu sequestrar o imaginário popular com uma narrativa rasa que reduz política econômica a “mamata” e “roubo”. Vamos com calma, porque o que está em jogo aqui não é favorecimento pessoal — é a lógica de funcionamento do capitalismo dependente brasileiro, que Gramsci já diagnosticaria como uma disputa hegemônica entre frações da burguesia.

    Primeiro, entenda que esses R$ 2 bilhões não vão para o bolso de ninguém. Eles abastecem um fundo garantidor que reduz o risco dos bancos ao emprestar para exportadoras. Sem isso, o crédito simplesmente não chega — não por maldade, mas porque o sistema financeiro privado opera com aversão ao risco. O Estado entra como fiador justamente para compensar essa falha de mercado que os liberais tanto insistem em negar. Não se trata de “mamar empresário amigo”, mas de garantir que a cadeia produtiva exportadora continue girando, gerando emprego e renda para milhões de trabalhadores — inclusive aqueles que votam em você e nem sabem que dependem desse fluxo.

    Segundo, sua indignação seletiva revela um desconhecimento estrutural. O pequeno empresário que você menciona sofre com juros altos não porque o governo ajuda exportadores, mas porque a taxa básica de juros deste país é mantida artificialmente elevada por pressão do mercado financeiro — o mesmo que financia campanhas de políticos que você provavelmente admira. Enquanto isso, o BNDES e outros bancos públicos operam com taxas subsidiadas justamente para tentar equilibrar essa distorção. Se você quer saber para onde vai “seu dinheiro” de verdade, olhe para o pagamento de juros da dívida pública, que consome quase metade do orçamento federal e beneficia rentistas, não exportadores.

    Por fim, sugiro abandonar esse discurso conspiratório raso e buscar entender como funciona a engenharia financeira do Estado. O que você chama de “roubo descarado” é, na verdade, o que Mariátegui chamaria de uma contradição do capitalismo periférico: o Estado precisa intervir para sustentar a acumulação privada porque o mercado sozinho não dá conta. A crítica legítima não é contra a existência do fundo, mas contra o fato de que ele poderia ser mais democrático — incluindo cooperativas e pequenos produtores no mesmo esquema de garantia. Mas isso exigiria uma reforma estrutural que seu time político sempre boicotou. Reflita.

Ricardo Menezes

02/05/2026

Mais 2 bilhões do meu suado imposto pra virar garantia de empréstimo pra empresa que já fatura em dólar. Enquanto isso, o pequeno empresário aqui se vira com juro de agiota e burocracia infernal. Esse governo trata o setor produtivo como se fosse um paciente terminal, só que quem paga a conta é o contribuinte.

    Renato Professor

    02/05/2026

    Ricardo, você reclama que o dinheiro vai para quem já fatura em dólar, mas ignora que o pequeno empresário também depende do fluxo de exportação das grandes para manter a cadeia produtiva funcionando. Seu argumento é o mesmo do liberal que quer cortar gasto público sem entender que o crédito estatal é o único antídoto contra a asfixia do sistema financeiro privado.

    Márcio Torres

    02/05/2026

    Ricardo, sua indignação é compreensível e, em parte, acertada. O fato de o governo injetar R$ 2 bilhões em um fundo garantidor para exportadores que já faturam em dólar, enquanto o pequeno empresário enfrenta juros de agiota e burocracia, expõe uma seletividade que é difícil de defender em termos de justiça tributária. Você paga imposto, vê o dinheiro ir para quem já está consolidado, e a sua realidade é de crédito caro e escasso. Isso não é apenas uma falha de gestão — é uma escolha política que favorece setores com maior poder de lobby, e não necessariamente os mais eficientes ou necessitados. O argumento de que o pequeno empresário depende indiretamente das exportações, como disse o Renato Professor, é verdadeiro em cadeias produtivas específicas, mas é um consolo frio para quem não vê o benefício chegar na ponta.

    No entanto, sua crítica precisa de um ajuste de mira. Você trata o Estado como se fosse um ente neutro que simplesmente “trata o setor produtivo como paciente terminal”, mas a história mostra que o crédito público sempre foi um instrumento de política industrial, não de caridade. O problema não é o Estado intervir — é que ele intervém de forma seletiva e, muitas vezes, capturada por interesses privados. O que você chama de “paciente terminal” é, na verdade, a lógica do capitalismo de Estado brasileiro: as grandes empresas são consideradas “grandes demais para quebrar”, e o crédito público funciona como um seguro contra o risco sistêmico. O pequeno empresário, por outro lado, é tratado como descartável — não porque o governo seja incompetente, mas porque ele não tem poder de barganha para exigir o mesmo tratamento.

    O ponto mais profundo aqui é que sua revolta, embora legítima, pode cair na armadilha de pedir menos Estado quando, na verdade, o que falta é um Estado mais inteligente e menos capturado. Você quer que o dinheiro vá para o pequeno empresário? Ótimo. Mas isso exigiria uma reforma tributária que taxasse os lucros das exportadoras e uma política de crédito que não fosse apenas reativa a crises. Enquanto isso não acontece, o governo prefere dar garantias a quem já tem lastro — porque é mais fácil, menos arriscado politicamente e mais alinhado com a lógica de curto prazo. Seu imposto não está sendo “sugado” por um Estado perdulário; está sendo usado para manter a roda da economia girando em um modelo que privilegia o grande em detrimento do pequeno. A pergunta que fica é: você prefere que a roda pare de girar e o pequeno empresário também quebre, ou prefere uma discussão mais estrutural sobre quem deve pagar a conta?

Eduardo Teixeira

02/05/2026

Mais 2 bilhões do meu imposto para um fundo garantidor que só maquia o problema real: nossa indústria não é competitiva por causa do custo Brasil. Enquanto isso, a reforma tributária patina e o câmbio continua matando o exportador. Dinheiro público não resolve ineficiência fiscal.

    Laura Silva

    02/05/2026

    Eduardo, você toca num ponto caro ao pensamento liberal, que é a ideia de que o “custo Brasil” é uma espécie de pecado original da nossa economia, um fardo que só a austeridade fiscal e a desregulamentação poderiam redimir. Mas essa narrativa, repetida à exaustão desde os anos 1990, esconde o essencial: o tal “custo Brasil” não é um acidente da natureza, é uma construção política deliberada. O câmbio sobrevalorizado que você menciona, por exemplo, não caiu do céu; é resultado de uma política de juros reais entre as mais altas do planeta, que atrai capital especulativo e estrangula o exportador industrial. Enquanto a reforma tributária patina, como você bem observa, o sistema financeiro continua sendo o grande beneficiário desse arranjo, com o Tesouro pagando uma dívida pública que já ultrapassou os 7 trilhões de reais. Os 2 bilhões do fundo garantidor são uma gota nesse oceano, e criticá-los como se fossem a causa da ineficiência é fazer o jogo de quem quer desviar o foco do verdadeiro problema: o rentismo que drena recursos do Estado e da produção.

    Ora, dinheiro público não resolve ineficiência fiscal, você diz. Concordo que não resolve sozinho, mas a pergunta que fica é: a quem interessa essa ineficiência? O Estado brasileiro arrecada muito e gasta mal, sim, mas boa parte desse gasto “mal” é, na verdade, uma transferência de renda para o topo da pirâmide, via juros e subsídios fiscais para setores já consolidados. Enquanto isso, a indústria de transformação definha, e o que se propõe é sempre mais do mesmo: cortar direitos, achatar salários, desmontar o BNDES. O fundo garantidor para exportações, nesse contexto, é um paliativo, mas um paliativo necessário num cenário em que o crédito privado é caro e escasso para o pequeno e médio exportador. Não se trata de “maquiar” o problema, mas de oferecer uma muleta enquanto a perna quebrada não é operada. E a operação, convenhamos, exigiria enfrentar o poder do sistema financeiro e dos grandes grupos que lucram com a desindustrialização.

    Por fim, acho curioso que a crítica ao fundo garantidor venha sempre acompanhada de um silêncio sobre os subsídios fiscais bilionários que o agronegócio exportador de commodities recebe, ou sobre as desonerações para a indústria automobilística que nunca geraram a competitividade prometida. O “mercado” adora falar em eficiência, mas na hora de abrir mão de seus próprios privilégios, a conversa muda. Se o problema é o custo Brasil, que comecemos pelo custo do capital, que é o maior do mundo. Enquanto isso não for enfrentado, esses 2 bilhões são sim uma tentativa tímida de manter alguma capacidade de financiamento público numa economia que o neoliberalismo insiste em entregar de bandeja ao rentismo. A discussão não deveria ser sobre o tamanho do fundo, mas sobre o modelo de desenvolvimento que estamos dispostos a construir.

    João Augusto

    02/05/2026

    Eduardo, você tem razão ao apontar o custo Brasil, mas sua crítica reduz o problema a uma suposta ineficiência fiscal, como se o Estado fosse mero obstáculo e não parte constitutiva da acumulação capitalista — sem crédito público, como lembrava Keynes, a demanda efetiva definha e o exportador médio, refém do oligopólio bancário, simplesmente não embarca.

    Carlos Oliveira

    02/05/2026

    Eduardo, você tem razão ao apontar a ineficiência fiscal, mas o problema não é o tamanho do Estado e sim o destino do gasto público: enquanto o crédito subsidiado vai para o agro exportador que já lucra bilhões, faltam recursos para a reforma agrária e para a escola técnica que poderia formar o trabalhador para uma indústria de verdade.

    Marta

    02/05/2026

    Eduardo, meu filho, senta aqui que a vovó vai te dar uma aula de história econômica. Você reclama que dois bilhões do seu imposto vão para um fundo garantidor, como se o problema fosse o gasto público em si e não o fato de que, sem ele, o crédito simplesmente não chega onde precisa. Você já parou para pensar que os países que hoje têm indústria competitiva — Alemanha, Japão, Coreia do Sul — construíram seus parques industriais nas costas de bancos públicos e fundos garantidores estatais? O BNDES não é invenção do Lula, não; existe desde 1952, e foi ele que financiou a infraestrutura que permitiu ao Brasil se industrializar. Chamar isso de “maquiagem” é ignorar que o setor privado, sozinho, não financia projeto de longo prazo com risco alto. O mercado quer lucro rápido, não quer esperar quinze anos para uma fábrica de semicondutores dar retorno. Esse fundo é exatamente o que permite ao pequeno e médio exportador competir com os gigantes que têm caixa próprio.

    E sobre esse tal de “custo Brasil” que você repete como um mantra, deixa eu te contar uma coisa: ele não caiu do céu. O custo Brasil é resultado de décadas de desindustrialização promovida por governos que acreditavam que abrir a economia sem planejamento ia nos tornar eficientes. Lembra dos anos 1990? Foi a era das privatizações, da abertura indiscriminada, do câmbio valorizado para segurar inflação às custas de quebrar a indústria nacional. O resultado foi que desaprendemos a fazer desde parafuso até transformador elétrico. Agora, quando um governo tenta usar instrumentos de política industrial — como esse fundo garantidor —, você chama de “ineficiência fiscal”. Mas ineficiência fiscal de verdade é o que se viu nos governos Temer e Bolsonaro: renúncia bilionária para agronegócio e mineração sem contrapartida social ou ambiental, enquanto a indústria definhava.

    Outra coisa: você fala como se o dinheiro público fosse sagrado e não pudesse ser usado para gerar emprego e renda. Mas me diga, Eduardo: de que adianta ter um Estado enxuto, com superávit primário, se a economia encolhe e o povo passa fome? O problema não é gastar, é gastar bem. Esse fundo garantidor é um instrumento inteligente porque alavanca recursos privados: para cada real público colocado, o mercado empresta vários. É o que os economistas chamam de multiplicador fiscal. Se você prefere um Estado mínimo que deixa o mercado se autorregular, sugiro dar uma olhada no que aconteceu com a Argentina nos anos 1990 — quebrou três vezes, e a indústria virou pó. O Brasil precisa é de mais política industrial, não de menos. E, já que você se preocupa tanto com o seu imposto, que tal cobrar transparência sobre os juros da dívida pública, que consomem quase metade do orçamento federal? Isso sim é dinheiro jogado fora, engordando banqueiro enquanto a escola pública cai aos pedaços.

Lucas Moreira

02/05/2026

Mais 2 bilhões de reais do contribuinte para um fundo garantidor estatal. Por que não usar esse dinheiro para simplificar a burocracia e reduzir impostos sobre o exportador? Enquanto o governo injeta capital em mecanismos de crédito artificial, o câmbio sobrevalorizado e o custo Brasil seguem corroendo a competitividade real das empresas. Menos Estado garantidor e mais liberdade para o setor privado operar.

    Lucas Gomes

    02/05/2026

    Lucas, seu discurso ignora que a “liberdade para o setor privado” que você defende é exatamente o que transforma o Brasil num mero exportador de commodities, desmatando o Cerrado e a Amazônia para encher o bolso de multinacionais, enquanto o câmbio sobrevalorizado que você critica é fruto da mesma lógica financeira que o Estado garantidor tenta, ainda que precariamente, mitigar.


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