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Alckmin anuncia R$ 10 bilhões para acelerar renovação de máquinas no campo

78 Comentários🗣️🔥 Ilustração editorial sobre Alckmin anuncia R$ 10 bilhões para acelerar renovação de máquinas no campo. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro) O vice-presidente Geraldo Alckmin abriu a Agrishow em Ribeirão Preto e anunciou uma linha extra de R$ 10 bilhões para financiar a modernização de tratores, colheitadeiras e soluções digitais na agricultura. O pacote […]

78 comentários
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Ilustração editorial sobre Alckmin anuncia R$ 10 bilhões para acelerar renovação de máquinas no campo. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

O vice-presidente Geraldo Alckmin abriu a Agrishow em Ribeirão Preto e anunciou uma linha extra de R$ 10 bilhões para financiar a modernização de tratores, colheitadeiras e soluções digitais na agricultura. O pacote inaugura um braço agropecuário do programa MOVE Brasil e reforça a estratégia do governo Lula de usar crédito público orientado para tecnologia nacional como motor de competitividade e soberania produtiva.

Segundo o UOL, os financiamentos devem chegar às concessionárias em três semanas com juros reduzidos para estimular a troca de equipamentos defasados por máquinas mais eficientes e ambientalmente adequadas. Alckmin lembrou que a modalidade lançada para renovar caminhões esgotou os recursos em sessenta dias, argumento usado para defender o potencial de rápida absorção da nova verba pelo agronegócio.

A fonte do dinheiro será o superávit do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, administrado pela Finep. Isso vincula cada contrato a metas de conteúdo nacional, pesquisa e inovação, fortalecendo a indústria de bens de capital instalada no país.

Pela primeira vez, cooperativas agrícolas poderão acessar diretamente recursos da Finep. O mecanismo promove a difusão de agricultura de precisão nas pequenas propriedades e amplia o alcance social da digitalização do campo.

O anúncio veio acompanhado de outra sinalização importante: o Palácio do Planalto prepara um programa de renegociação de dívidas rurais que contemplará produtores adimplentes e inadimplentes. Alckmin descreveu a iniciativa como essencial para destravar novos investimentos no setor.

A ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiavelli, celebrou a decisão ao afirmar que a mecanização eleva a produtividade das famílias rurais e reduz o esforço físico. Ela destacou ainda que a compra de máquinas produzidas localmente mantém renda no interior do país.

O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, avaliou que o crédito se alinha ao corte tarifário previsto no acordo entre o Mercosul e a União Europeia. O acordo está em processo de ratificação pelos parlamentos e deve abrir mercados a carnes, açúcar e etanol.

O programa MOVE Agro, como já é chamado nos bastidores, também se apresenta como medida para lidar com turbulências externas. O governo monitora gargalos de fertilizantes provocados por conflitos no Oriente Médio e busca diversificar fornecedores sem onerar o produtor.

Representantes da indústria de máquinas estimam que cada R$ 1 bilhão aplicado nessa linha gere aproximadamente 6 mil empregos diretos na cadeia metalmecânica. Alckmin citou o efeito multiplicador para destacar o retorno fiscal do crédito subsidiado.

Líderes cooperativistas lembram que há quase uma década as cooperativas reivindicavam acesso irrestrito ao funding da Finep. O antigo modelo as obrigava a intermediar financiamentos via bancos privados, com spreads maiores e prazos menores.

Para o governo federal, o passo dado em Ribeirão Preto consolida a visão de que a agricultura de larga escala e a agricultura familiar são peças complementares de um mesmo projeto. O foco está em máquinas de baixo carbono e na transição energética rural.

O próximo desafio será calibrar a taxa final paga pelo produtor para que o crédito continue atraente mesmo em cenário de juros elevados. A equipe econômica planeja combinar equalização de taxas e alongamento de prazos de pagamento para vencer esse obstáculo.


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Beatriz Lima

03/05/2026

Ah, R$ 10 bilhões para o agro. Que novidade. O Alckmin abre a Agrishow, aperta a mão dos grandes produtores, anuncia o pacote, e a plateia aplaude como se fosse a primeira vez que o Estado subsidia a modernização de um setor que bate recorde de lucro ano após ano. O interessante é que ninguém nunca explica de onde esse dinheiro vai sair — mas a gente sabe: do mesmo orçamento que não tem verba para recompor o Ministério do Meio Ambiente, para manter estradas vicinais, para financiar pesquisa básica na Embrapa. O agro é forte, sim, mas com 10 bilhões de muleta, qualquer um fica forte.

A Letícia Fernandes fez um comentário cirúrgico ali em cima sobre a socialização dos custos e privatização dos lucros. É exatamente isso. O agronegócio brasileiro é um dos setores que menos paga impostos proporcionalmente ao faturamento, graças a um emaranhado de desonerações que o Congresso renova religiosamente. Agora ganha mais uma linha de crédito subsidiado para trocar de trator. Enquanto isso, o pequeno agricultor familiar — que produz boa parte da comida que chega na mesa do brasileiro — continua travado no Pronaf com juros que, mesmo subsidiados, são altos para a realidade de quem tira sustento de 20 hectares.

O Adalberto Livre soltou aquele clássico “comunistas safados” que já virou quase uma assinatura automática em qualquer post sobre governo. Mas, Adalberto, se formos olhar para os números, quem mais se beneficiou desse tipo de política nos últimos 30 anos foram justamente os governos que seus ídolos políticos apoiaram. O crédito rural subsidiado não é invenção do PT nem do governo Lula-Alckmin — é uma tradição brasileira que atravessa gestões tucanas, peemedebistas e liberais. O problema não é de partido, é de prioridade fiscal: a conta chega para todo mundo, mas o benefício é concentrado.

Dito isso, sou cética o suficiente para reconhecer que a mecanização agrícola tem um lado positivo: produtividade maior, menos perda na colheita, preços potencialmente mais baixos para commodities. Mas a pergunta que fica é: por que o dinheiro público precisa entrar nessa roda se o setor privado está nadando em lucro? Se o BNDES vai emprestar a juro subsidiado, que pelo menos amarre condições reais de contrapartida — rastreabilidade ambiental, compromisso com a reforma agrária, compra de insumos nacionais. Do jeito que está, parece mais um capítulo do mesmo manual: risco para o Estado, lucro para o mercado. E a fila do SUS continua lá, esperando.

Adalberto Livre

03/05/2026

10 BILHOES PRO AGRONEGOCIO E O BRASILEIRO NAO TEM DINHEIRO PRA COMPRAR ARROZ ESSE GOVERNO É UMA VERGONHA COMUNISTAS SAFADOS

Letícia Fernandes

03/05/2026

A leitura dos comentários aqui na thread já oferece um retrato quase sociológico do Brasil real. Enquanto a Nadia e o Carlos apontam com precisão a contradição central — o Estado socializando os custos de modernização de um setor que privatiza lucros recordes —, vejo a Lurdinha e o Luizinho expressarem, cada um à sua maneira, o desespero de quem sente na carne o desmonte do que deveria ser público. Mas acho que precisamos ir um pouco além da denúncia moral, por mais justa que ela seja, e perguntar: o que significa, em termos de lógica de acumulação, um pacote de 10 bilhões para renovação de maquinário agrícola num país onde a taxa de juros básica é uma das mais altas do mundo?

O que estamos testemunhando não é um mero “subsídio ao rico”, como alguns colegas colocaram, embora isso seja verdadeiro. É a explicitação de um pacto político-econômico: o capital financeiro, representado pelos bancos que operarão essas linhas de crédito, precisa de garantias estatais para circular. O capital industrial do setor de máquinas e implementos precisa de demanda cativa. E o agronegócio exportador, por sua vez, precisa manter sua produtividade física sem ter que arcar com o custo de reposição de seus ativos fixos num cenário de câmbio volátil e juros proibitivos. O Tesouro Nacional, portanto, atua como amortecedor de risco para que a reprodução ampliada do capital no campo não seja interrompida. Não se trata de “ajuda”, mas de uma função estrutural do Estado burguês: garantir as condições gerais de produção quando o mercado privado, sozinho, não consegue ou não quer fazê-lo.

A ironia trágica, e que me parece escapar à análise mais imediata, é que essa injeção de liquidez no setor de máquinas agrícolas tende a aprofundar a própria crise que diz resolver. Mais tratores, colheitadeiras e “soluções digitais” significam, invariavelmente, maior capacidade de exploração da terra por unidade de trabalho. Isso não é produtividade no sentido humano; é expulsão de mão de obra do campo, concentração fundiária e aceleração do êxodo rural. O trabalhador que perde o emprego para uma colheitadeira financiada com dinheiro público não vai para o mercado de trabalho formal urbano — vai para a fila do SUS que o Carlos mencionou, para o aplicativo de corrida barata ou para a informalidade. O Estado paga duas vezes: primeiro, subsidiando a máquina que elimina o posto de trabalho; depois, arcando com os custos sociais da massa sobrante, via precarização dos serviços públicos.

Por fim, não posso deixar de notar a ausência de qualquer contrapartida social ou ambiental nesse anúncio. Dez bilhões de reais para renovar frota e não uma linha vinculada à reforma agrária, à produção de alimentos para o mercado interno ou à transição agroecológica. O discurso da “modernização” é sempre apresentado como um fim em si mesmo, descolado de qualquer projeto de nação. Enquanto a esquerda institucional, representada por figuras como o próprio Alckmin, celebrar pacotes como este sem questionar a propriedade da terra e o destino do excedente, estaremos apenas administrando a barbárie com planilhas de crédito. O agro é forte, sim. Mas forte para esmagar o trabalhador, o pequeno agricultor e o solo. E o contribuinte, como sempre, é quem segura a porta para o leão passar.

Carlos Oliveira

03/05/2026

R$ 10 bilhões pra quem já tem trator e terra, e eu aqui contando cada centavo do combustível pra não ter que parar de rodar. Enquanto isso, a fila do SUS só aumenta e a escola pública continua caindo aos pedaços. O agro é forte, mas o trabalhador que paga a conta é tratado como se fosse invisível.

Lurdinha Deus Acima de Todos

03/05/2026

Gente, R$10 bilhão pra trator novo e a igreja que se vire pra pagar conta de luz 😱🙏🇧🇷

Pedro

03/05/2026

Pois é, mais 10 bilhões que vão sair do meu bolso e do seu, enquanto a gasolina só sobe e o IPVA não dá desconto pra ninguém. O agro é forte, mas quem paga a conta é o motorista de aplicativo e o povo que anda de busão.

Luizinho 16

03/05/2026

10 bilhão pra trator novo e a merenda escolar continua sendo salsicha com farinha podre. Brasil é uma piada de mau gosto.

Nadia Petrova

03/05/2026

10 bilhões em subsídio pra renovar frota de trator? Alguém explica por que o contribuinte precisa financiar a modernização de quem já é dono dos meios de produção? Se o agro é tão competitivo assim, que invista com capital próprio ou busque crédito no mercado, não no Tesouro. Isso é capitalismo de compadrio com selo de “inovação”.

Alice T.

03/05/2026

10 bilhões pra quem já tem trator e terra, enquanto a estudante de federal mal tem bolsa pra comer. Mas fica tranquilo, o agro é pop, o agro é tech, o agro é tomar dinheiro do contribuinte pra ficar mais rico.

Renata Oliveira

03/05/2026

Gente, lendo os comentários aqui fico pensando: investir em modernização do campo é importante pra produtividade e segurança alimentar, mas R$ 10 bilhões é muito dinheiro e a gente precisa mesmo fiscalizar se isso vai chegar de forma justa, sem privilegiar só os grandes. Que tal um equilíbrio, com apoio também pra agricultura familiar e pra saúde pública?

Mariana Alves

03/05/2026

A leitura dos comentários me provoca uma inquietação que vai além da mera reação ao anúncio. Rick Ancap e Célia Carmo, cada um a seu modo, tocam em pontos nevrálgicos que merecem uma análise mais detida do que o senso comum costuma oferecer. O problema não é, em si, a existência de linhas de crédito para modernização agrícola. O problema é a quem se destina esse dinheiro e qual o projeto de país que ele financia. Quando o Estado injeta R$ 10 bilhões no agronegócio exportador de commodities, ele não está apenas “ajudando o campo”; está consolidando um modelo que, historicamente, concentra terra, renda e poder, enquanto a agricultura familiar e a reforma agrária definham na fila do Banco do Brasil.

É preciso lembrar que o agronegócio brasileiro não é um setor produtivo genérico. É o braço mais forte do capitalismo dependente e periférico, que drena recursos públicos para subsidiar a mecanização de grandes propriedades, muitas vezes já altamente capitalizadas, enquanto o pequeno produtor e o assentado da reforma agrária lutam para conseguir um Pronaf que cubra o custo de uma cerca ou de um poço artesiano. O dinheiro anunciado por Alckmin, dentro da lógica do Plano Safra, não é neutro. Ele opera como um mecanismo de reprodução da desigualdade estrutural no campo, aprofundando a divisão entre uma agricultura de precisão, high-tech e voltada para o mercado externo, e uma agricultura de subsistência, sufocada pela falta de crédito, assistência técnica e infraestrutura.

Luisa Teens e Célia Carmo têm razão em apontar a contradição com a pauta ambiental e social. Não é possível falar em “modernização” ignorando que o avanço da fronteira agrícola sobre o Cerrado e a Amazônia é, em grande medida, impulsionado por esse mesmo pacote de subsídios. Trator novo não resolve o problema de quem não tem terra para arar. E, enquanto o agronegócio fatura bilhões com a soja e o milho transgênicos, o preço do arroz e do feijão na mesa do trabalhador urbano só sobe, porque a lógica do mercado é produzir para quem pode pagar mais, não para alimentar o povo brasileiro.

Portanto, a discussão não pode se reduzir a “investimento é bom” versus “gasto é ruim”. A questão é de classe e de projeto de nação. Enquanto o Estado brasileiro continuar tratando o agronegócio como o “carro-chefe” da economia, sem contrapartidas sociais e ambientais efetivas, e sem um plano ousado de reforma agrária e apoio à agricultura camponesa, estaremos apenas trocando tratores velhos por tratores novos, mantendo a mesma estrutura fundiária injusta e predatória. É a modernização do atraso, com verniz de inovação.

Célia Carmo

03/05/2026

10 bilhões de dinheiro público pra quem já tem trator e terra, enquanto a galera do MST espera reforma agrária desde o império! #Vergonha #ReformaAgráriaJá

Luan Silva

03/05/2026

10 bi pra trator novo e o povo ainda paga 7 conto no ovo de páscoa. Brasil acima de tudo, mas o bolso que lute.

Luisa Teens

03/05/2026

10 bilhões pra maquinário agrícola enquanto a Amazônia pega fogo e o povo passa fome, é brincadeira né #ForaBolsonaro #GretaLembra

Rick Ancap

03/05/2026

10 bilhao de dinheiro suado do povo pra dar trator novo pra fazendeiro que ja tem patrimonio, enquanto a galera na fila do SUS espera meses por uma cirurgia. Brasil é piada mesmo.

Maria Antonia

03/05/2026

Sandra, o problema não é o dinheiro em si, mas de onde ele vem. Mais uma vez o Estado pega do contribuinte para bancar a modernização de quem já tem acesso a crédito privado. Se o agro é tão competitivo assim, que busque financiamento no mercado, como qualquer outro setor. Essa mamata só mostra que o governo não confia na própria economia que diz defender.

    Marina Silva

    03/05/2026

    Ah, Maria Antonia, pelo visto você acha que banco privado empresta pra agricultor familiar com a mesma facilidade que dá pra ruralista — vai estudar um pouco de Paulo Freire antes de falar besteira.

Sandra Martins

03/05/2026

O João Carlos Silva tem toda razão: de que adianta modernizar o campo se o preço do alimento na prateleira não muda? Parece que esse dinheiro todo vai para o lucro de quem já tem muito, enquanto a gente continua pagando caro no mercado. Espero que pelo menos uma parte desse investimento se reflita em comida mais barata para o povo.

João Carlos Silva

03/05/2026

Pois é, 10 bilhões é muito dinheiro, mas a gente vê que o preço do alimento no supermercado não baixa. Enquanto isso, o arroz e o óleo de cozinha tão cada vez mais caros, e o salário não acompanha. Se essa modernização não baratear a comida na mesa do pobre, fica difícil acreditar que resolve alguma coisa.

Celio Fazendeiro

03/05/2026

Ah, mais dinheiro público pra encher o bolso desses fazendeiros que já nadam em riqueza, enquanto o brasileiro comum se vira com o salário mínimo. E ainda falam em modernização, como se isso fosse ajudar quem não tem nem terra. Isso é só mais uma mamata pra quem já tem tudo, enquanto a floresta vai pro chão.

Beto Engenheiro

03/05/2026

10 bilhões é dinheiro sério, mas cadê o plano de execução? O agro precisa de máquina nova sim, mas sem estrada pra escoar a safra e sem logística decente, vira só um gasto. Quero ver é o trator novo chegar no campo com as pontes caindo e o asfalto esburacado.

Cláudio Ribeiro

03/05/2026

O Marcos Conservador toca num ponto nevrálgico, mas reduz a questão a uma dicotomia simplista entre campo e cidade. O problema não é o volume de recursos, e sim a lógica de concentração que atravessa esse modelo de modernização desde os anos 70: mecanização seletiva que expulsa mão de obra, aprofunda a renda fundiária e transforma o agricultor familiar em refém de pacotes tecnológicos desenhados pelo capital financeiro. Enquanto o BNDES seguir subsidiando tratores de R$ 500 mil sem contrapartidas sociais ou ambientais, estaremos apenas digitalizando o latifúndio.

Carlos Menezes

03/05/2026

O Paulo Gestor RJ e a Ana Souza levantaram pontos que merecem atenção: o retorno desse investimento precisa ser mensurável, e a distribuição dos subsídios entre grandes produtores e agricultura familiar é uma questão legítima. Dito isso, modernizar o maquinário agrícola não é bobagem — o Brasil perde competitividade com frota envelhecida. Mas 10 bilhões em crédito subsidiado, sem critérios claros de contrapartida, pode virar mais um capítulo da mesma história de sempre.

Marcos Conservador

03/05/2026

Mais 10 bilhões de dinheiro público para o agro, enquanto a família do trabalhador urbano mal consegue pagar o arroz e o feijão. E ainda chamam isso de “modernização” – parece mais uma forma de concentrar terra e poder nas mãos de sempre, enquanto o pequeno produtor continua sem acesso a crédito decente. O Brasil virou um imenso latifúndio com selo de eficiência.

Ana Souza

03/05/2026

O Paulo Gestor RJ trouxe um ponto sensato: o retorno desse investimento precisa ser claro. Mas confesso que fico com um pé atrás vendo 10 bilhões em subsídio de juros para máquinas enquanto o pequeno agricultor familiar continua tomando crédito a juros de mercado. Modernizar o agro é necessário, mas sem direcionamento vira só mais um pacote para quem já está grande.

Paulo Gestor RJ

03/05/2026

10 bilhões é dinheiro pra caramba, mas a pergunta que fica é: qual o retorno disso em produtividade e arrecadação lá na frente? Apoiar a modernização do campo faz sentido, desde que o plano de execução seja transparente e evite os desvios que a gente vê em todo canto. Agora, se for só mais um pacote sem contrapartida clara, vira obra de metrô que não sai do papel.

Karina Libertária

03/05/2026

Mais 10 bilhoes de reais pros amigos do Alckmin enquanto o brasileiro medio paga juro de agiota no cartao de credito. Aqui em Miami a gente aprende que subsidio so cria vagabundo e empresa ineficiente. Se o agro nao se sustenta sem dinheiro publico, entao nao e competitivo, e simples.

    Tiago Mendes

    03/05/2026

    Karina, sua crítica ao subsídio é pertinente, mas a comparação com Miami ignora que os EUA subsidiam pesadamente o próprio agro — são mais de US$ 20 bilhões por ano em programas federais. O problema não é o subsídio em si, mas para quem ele vai: enquanto o pequeno agricultor familiar luta pra sobreviver, esses R$ 10 bilhões reforçam o latifúndio que já concentra terra e renda. Isso sim é criar ineficiência, só que às custas do povo que paga a conta.

Eduardo Teixeira

03/05/2026

Lucas Moreira falou bem. Mais R$ 10 bilhões de dinheiro público pra subsidiar juro de trator, enquanto o produtor que paga imposto em dia não consegue competir com quem vive de subsídio. Se o agro é competitivo, por que precisa de mamata do Tesouro? Baixem a carga tributária e deixem o mercado funcionar.

    Carlos Henrique Silva

    03/05/2026

    Eduardo, você toca num ponto que é central no debate sobre o papel do Estado no capitalismo contemporâneo, mas a sua conclusão liberal clássica — “baixem a carga tributária e deixem o mercado funcionar” — ignora a estrutura concreta de poder que define quem ganha e quem perde nesse jogo. Você pergunta: se o agro é competitivo, por que precisa de subsídio? A resposta é que ele não é competitivo por mérito próprio, mas porque foi historicamente construído como o setor mais privilegiado da economia brasileira, com isenções fiscais, crédito subsidiado e uma política de preços mínimos que socializa os riscos e privatiza os lucros. Não é coincidência que os mesmos grupos que pedem “Estado mínimo” para saúde e educação sejam os primeiros a bater na porta do Tesouro quando o preço da commodity cai ou o câmbio desfavorece a exportação. O que você chama de “mamata” é, na verdade, a expressão da hegemonia do agronegócio no bloco no poder, algo que Gramsci explicaria como a capacidade de uma fração de classe transformar seus interesses particulares em política de Estado.

    O problema não é o Estado intervir — o Estado sempre intervém. A questão é a favor de quem. Enquanto o BNDES financia trator a juro negativo para o agro exportador, a agricultura familiar, que produz 70% dos alimentos que vão para a mesa do brasileiro, sobrevive com migalhas do Pronaf e enfrenta burocracia para acessar linhas de crédito que, quando chegam, vêm com taxas muito mais altas. Isso não é mercado livre, é captura do Estado por uma elite que usa o discurso do liberalismo para desmontar políticas sociais e, ao mesmo tempo, mantém intacto o seu próprio sistema de subsídios. O “mercado funcionando” que você defende nunca existiu no campo brasileiro: o que existe é um oligopólio de trading companies, fabricantes de insumos e grandes proprietários que se beneficiam de uma estrutura fundiária concentrada desde a Lei de Terras de 1850.

    Além disso, a sua crítica à carga tributária ignora que o agro brasileiro já paga proporcionalmente menos impostos do que qualquer outro setor. A desoneração da cesta básica, a não incidência de ICMS sobre exportações, a isenção de ITR para grandes propriedades consideradas “produtivas” — tudo isso é subsídio indireto que não aparece no orçamento, mas que custa caro ao conjunto da sociedade. Baixar ainda mais a carga tributária sem tocar na regressividade do sistema só aprofundaria a transferência de renda dos trabalhadores urbanos e rurais para o capital agroindustrial. O debate honesto não é entre Estado e mercado, mas entre que tipo de Estado e que tipo de mercado. Enquanto a esquerda não conseguir articular uma crítica materialista a esse modelo de subsídio seletivo, vai continuar perdendo a batalha cultural para o discurso que você representa: o de que o problema é o gasto público, e não a quem ele serve.

Sargento Bruno

03/05/2026

Ora, mais dinheiro público para o agro, enquanto o cidadão que pagou a conta com suor e sangue não vê um centavo de volta em segurança ou saúde pública. Esse Alckmin é um vendido, só sabe abrir os cofres para os amigos do centrão. Enquanto isso, a esquerda chora de alegria vendo o Estado se meter onde não é chamado.

    Marcos Andrade Niterói

    03/05/2026

    Sargento, o problema não é o Estado investir no agro — é que o governo estadual do Rio, que você tanto defende, larga a segurança e a saúde pública ao deus-dará enquanto Niterói, com gestão responsável do Rodrigo Neves, prova que dá pra ter infraestrutura decente sem entregar o cofre aos corruptos do centrão.

Lucas Moreira

03/05/2026

Mais 10 bilhões de reais saindo do bolso do contribuinte para financiar trator que deveria ser decisão de negócio privado. Enquanto isso, a conta de juros da dívida pública bate recorde e o Estado não consegue nem entregar estrada decente pro escoamento da safra. O agro é competitivo apesar do governo, não por causa dele.

José dos Santos

03/05/2026

Pois é, Clarice, mas na prática o dinheiro sempre acaba chegando mais fácil pra quem já tem estrutura. Eu, que vivo de aplicativo, sei bem como é: prometem linha de crédito, juro baixo, mas na hora de liberar é um Deus nos acuda. Esse tanto de grana aí, duvido que vá parar na mão de quem realmente precisa de um trator novo pra não quebrar no meio da safra.

Mariana Ambiental

03/05/2026

Clarice, com todo respeito, mas você está sendo ingênua se acha que esses R$ 10 bilhões extras vão parar na mão do pequeno produtor. O problema não é o volume total do Plano Safra, é que na ponta o financiamento da agricultura familiar continua travado por burocracia e juros que não acompanham a inflação real dos insumos. Enquanto isso, o agro empresarial ganha dinheiro público pra trocar trator que mal saiu da garantia.

Clarice Historiadora

03/05/2026

Interessante como todo mundo aqui caiu na armadilha de achar que esse pacote é só para “grande produtor”. O Plano Safra 2024/25 já destinou R$ 71,6 bilhões para a agricultura empresarial e R$ 76 bilhões para a familiar — o maior volume da história. A linha extra de R$ 10 bi é para renovação de frota, que inclusive tem taxas reduzidas para máquinas mais eficientes e menos poluentes. Se o problema é juro de agiota para o pequeno, a briga é com o Banco do Brasil e o crédito rural que não chega, não com um programa de modernização que, pasmem, também beneficia cooperativas da agricultura familiar. Mas claro, é mais fácil repetir o mantra do “dinheiro público pros ricos” sem abrir uma planilha do BNDES.

Evelyn Olavo

03/05/2026

Helton, você foi cirúrgico. Enquanto o governo solta bilhões pra renovar frota de trator que já é moderna, o agricultor familiar continua refém de banco privado com juro de agiota. Esse dinheiro todo sem lastro real é a mesma cartilha de sempre: maquiar PIB do agro pra esconder que a comida na mesa do pobre continua cara.

    Ronaldo Pereira

    03/05/2026

    Exato, Evelyn. Enquanto o dinheiro público vai pra maquinário das grandes fazendas que já exportam soja, o trabalhador rural sem terra e o pequeno agricultor continuam reféns do agronegócio que controla o preço do alimento. É a velha história: o lucro vai pro bolso do patrão e o povo paga a conta no supermercado.

Padre Antônio Rocha

03/05/2026

Mais 10 bilhões para trator novo e o pequeno produtor que se vire com arado puxado a jumento. Enquanto isso, o governo despreza a agricultura familiar, que é a que realmente alimenta o povo brasileiro. Cadê o incentivo à moral do trabalho honesto, sem essa dependência de dinheiro público?

Helton Barros

03/05/2026

Mais 10 bilhões do dinheiro suado do povo pra bancar maquinário novo pros grandes, enquanto o pequeno produtor se vira com trator véio e juro de agiota. Esse Alckmin é mestre em maquiar gastança com discurso de modernização. Cadê o incentivo pra agricultura familiar que põe comida na mesa do brasileiro?

    Laura Silva

    03/05/2026

    Helton, você tocou no ponto nevrálgico, e concordo com a indignação de fundo. Mas preciso acrescentar uma camada que, na minha leitura, escapa um pouco ao enquadramento de “gastança” ou “maquiagem”. O que estamos vendo não é apenas um desvio de recursos, é a materialização de um projeto de classe. O BNDES, desde os anos 2000, opera como braço financeiro de um modelo de desenvolvimento que, em vez de democratizar a produção, aprofunda a especialização regressiva da nossa economia. Esse dinheiro não vai para o pequeno produtor não porque falta vontade, mas porque o sistema de crédito rural, as taxas de juro e a própria burocracia foram desenhados para serem funcionais ao grande capital agroexportador. O trator novo para o latifúndio não é um erro de gestão, é o resultado lógico de um Estado que prioriza a competitividade do agronegócio globalizado em detrimento da segurança alimentar e da reforma agrária.

    Você pergunta, com toda razão, onde está o incentivo para a agricultura familiar. A resposta é dura: ele não interessa ao arranjo político que sustenta esse governo. A agricultura familiar, que responde por cerca de 70% dos alimentos que chegam à mesa do brasileiro, opera com margens estreitas, em áreas fragmentadas e com acesso residual ao crédito subsidiado. Enquanto isso, os R$ 10 bilhões anunciados para renovação de máquinas se somam a uma dívida histórica do Estado com quem produz comida de verdade. Não se trata só de “colocar dinheiro” — seria preciso reestruturar o sistema de assistência técnica, garantir preços mínimos dignos, desburocratizar o Pronaf e, acima de tudo, enfrentar a concentração fundiária. Mas isso exige enfrentar o poder político dos ruralistas no Congresso, e aí o discurso da modernização vira cortina de fumaça para a perpetuação do atraso nas relações de trabalho e na posse da terra.

    O que me preocupa, e aqui discordo de quem vê nisso apenas “gastança”, é que o problema não é o gasto em si, mas o destino e a lógica que o orienta. Um país que quer se desenvolver precisa investir pesado em mecanização e inovação no campo — isso é indiscutível. O drama é que esse investimento, quando canalizado exclusivamente para o agronegócio exportador de commodities, acelera a expulsão do campesinato, concentra renda e destrói a biodiversidade. Não é um erro de cálculo, é a natureza do modelo. Enquanto não houver uma política agrícola que subordine o crédito e a inovação à função social da terra e à soberania alimentar, esses pacotes bilionários serão apenas mais um capítulo da mesma história: o Estado financiando a própria desigualdade que diz combater. E o pequeno produtor, como você bem lembrou, continua pagando o pato — ou, no caso, o trator véio com juro de agiota.

Bia Carioca

03/05/2026

Pessoal, a modernização do campo é importante e todo investimento que gere mais produtividade e menos custo pro Brasil é bem-vindo. Mas fico com um pé atrás quando vejo esses pacotes bilionários saindo sem uma contrapartida clara de que o dinheiro vai chegar também ao pequeno produtor. Se for só pra alimentar o latifúndio de sempre, vira mais um capítulo da mesma história.

Maria Silva

03/05/2026

Pessoal, a modernização do campo é importante e todo investimento que gere mais produtividade e menos custo pro Brasil é bem-vindo. Mas fico com um pé atrás quando vejo esses pacotes bilionários saindo sem uma contrapartida clara de que o dinheiro vai chegar também ao pequeno e médio produtor, que muitas vezes fica de fora. E outra: com a dívida pública do jeito que está, será que não dava pra priorizar um corte de gastos antes de liberar mais R$ 10 bilhões em crédito subsidiado?

Carlos Mendes

03/05/2026

Mais R$ 10 bilhões do contribuinte para o BNDES bancar trator novo enquanto o pequeno produtor afoga em burocracia e juro de mercado. Enquanto isso, o governo gasta rios de dinheiro que não tem e a conta chega pra nós via inflação e impostos. Modernização é necessária, mas com juro real e sem essa mamata de dinheiro público.

    Mateus Silva

    03/05/2026

    Carlos, você tem razão em desconfiar do dinheiro público mal alocado, mas o problema não é o gasto em si — é que esse gasto reforça a concentração fundiária e a expulsão do trabalhador rural, enquanto o pequeno produtor, sem crédito e sem terra, vira mão de obra precária na cidade. A questão não é apenas fiscal, é de classe: quem decide o que é modernização e para quem ela serve.

Carlos Rocha

03/05/2026

Augusto Silva acertou em cheio. O agro não precisa de esmola, precisa de crédito com juro civilizado e menos burocracia. R$ 10 bi em subsídio é dinheiro do meu imposto indo pra banco estatal emprestar a taxa favorecida, enquanto eu pago 30% de carga tributária pra sustentar esse circo. Se fosse juro de mercado, ótimo; do jeito que é, só engorda a máquina pública.

    João Silva

    03/05/2026

    Carlos, você tem razão sobre o custo do Estado para o contribuinte, mas a discussão não pode parar na eficiência fiscal. O problema estrutural é que esse tipo de crédito subsidiado aprofunda a mecanização e expulsa quem vive da roça, e aí o imposto do cidadão comum financia não só a máquina pública, mas também a concentração de terra e a eliminação de postos de trabalho no campo.

Paula Santos

03/05/2026

Pessoal, acho que precisamos olhar para isso com equilíbrio. O agro realmente sustenta nossa economia e a modernização pode aumentar a produtividade, mas concordo com quem lembra dos pequenos produtores. Será que esses R$ 10 bilhões vão chegar também ao agricultor familiar que precisa de um trator simples, ou só para as grandes fazendas? Honestidade e justiça na distribuição dos recursos são essenciais.

Mariana Oliveira

03/05/2026

Lucas Gomes, você trouxe um ponto que a maioria das pessoas que defende esse pacote como “modernização” simplesmente ignora: a substituição do trabalho humano por máquinas não é um fenômeno neutro. Quando a gente olha para quem são os trabalhadores rurais que perdem o emprego com a chegada de mais um trator ou colheitadeira automatizada, a cara desse país fica escancarada. São majoritariamente pessoas negras e pardas, muitas vezes sem acesso à terra, que vivem de bicos sazonais e que agora terão mais um obstáculo para sobreviver. A Kimberlé Crenshaw, quando fala de interseccionalidade, nos lembra que raça, classe e gênero se cruzam para criar experiências únicas de opressão. E aqui estamos diante de um pacote que, ao mesmo tempo que “moderniza”, pode estar aprofundando o fosso racial e social no campo.

O Augusto Silva defende que o agro é o carro-chefe do PIB e que o investimento volta em produtividade. Ok, mas para quem volta? A bell hooks, em “Ensinando a Transgredir”, nos provoca a pensar para quem a educação e o desenvolvimento servem. Se o lucro gerado por essa produtividade extra fica concentrado nas mãos de grandes grupos econômicos, enquanto o pequeno produtor e o trabalhador braçal são expulsos do sistema, isso não é desenvolvimento, é apartheid social. Não adianta ter superávit na balança comercial se a desigualdade interna só aumenta. E ninguém está falando em taxar esses lucros extraordinários para financiar políticas de reforma agrária, educação no campo ou assistência técnica para a agricultura familiar.

O que me incomoda profundamente é a naturalização desse discurso. Parece que virou consenso que “modernizar” o campo é sinônimo de substituir gente por máquina, como se a vida humana fosse descartável. E aí a gente vê o governo, que deveria zelar pelo bem-estar de todos, bancando essa lógica com dinheiro público. Enquanto isso, não vejo nenhum anúncio bilionário para garantir que as famílias que forem deslocadas por esse processo tenham moradia digna, qualificação profissional ou acesso a políticas de renda mínima. A ausência de uma política de proteção social para esses trabalhadores é a prova de que o Estado não está interessado em pessoas, mas em números.

Por fim, acho que a discussão não pode ser simplificada para “agro contra cidade”. O problema é estrutural: o Estado brasileiro sempre foi capturado por elites agrárias que veem o campo como espaço de exploração e não de vida. R$ 10 bilhões poderiam ser usados para financiar agroecologia, fortalecer a reforma agrária, garantir crédito para mulheres agricultoras e comunidades quilombolas. Mas não, a opção é sempre a mesma: maquinário pesado, concentração de terra e expulsão de gente. Enquanto não tivermos um debate que encare de frente as questões raciais e de classe por trás desse modelo, esses pacotes vão continuar sendo apenas mais uma ferramenta de perpetuação do racismo e da desigualdade no Brasil.

Augusto Silva

03/05/2026

Pessoal, respirem fundo e vamos aos números: o agro responde por quase 25% do PIB e gera saldo cambial que segura o real. R$ 10 bi em crédito para renovar frota é investimento que volta em produtividade e arrecadação, não esmola para “grande capital”. O problema não é financiar trator novo, é que o Brasil ainda financia menos de 5% do crédito rural para a agricultura familiar, que produz a comida que vai pra nossa mesa. Se a turma do “Estado mínimo” e os “reformistas de sofá” unissem forças para cobrar um plano safra com recorte social de verdade, em vez de chorar pitangas separados, a gente avançava.

Marcus Almeida

03/05/2026

Mais um pacote bilionário do governo para o agro, enquanto o cidadão comum paga a conta. Impressionante como o Estado sempre tem verba para grandes grupos econômicos, mas para a família que precisa de um crédito rural simples ou para o pequeno produtor que luta para sobreviver, os juros são proibitivos. Isso é a velha política da caneta cheia para os amigos e mão fechada para o povo.

Lucas Gomes

03/05/2026

É estarrecedor, mas não surpreendente, ver esse anúncio de R$ 10 bilhões para “modernização” do campo sendo tratado como grande feito. Enquanto isso, o governo financia a substituição de trabalhadores por tratores e colheitadeiras, num processo que o Lucas Andrade e o João Carvalho já identificaram muito bem: é a receita clássica para aprofundar o desemprego estrutural e a concentração fundiária. Mas falta um elemento central nessa análise que me incomoda profundamente: o impacto ecológico desse maquinário pesado. Tratores de grande porte, colheitadeiras movidas a diesel, sistemas de irrigação digitalizados — tudo isso consome uma quantidade absurda de combustíveis fósseis e compacta o solo, destruindo sua microbiota e capacidade de reter água. Não há “modernização” que se sustente quando o modelo produtivo continua sendo o do agronegócio exportador de commodities, que desmata, contamina aquíferos com agrotóxicos e expulsa populações tradicionais.

O João Batista e o Pedro Silva tocam em questões reais — o custo de vida e a falta de reforma agrária — mas precisamos ir além. Esse pacote não é apenas um subsídio disfarçado para o grande capital rural, como bem apontou o João Carvalho. Ele é parte de um projeto político que trata a terra como mero ativo financeiro, onde o maquinário vira fetiche de produtividade enquanto os solos são exauridos, as nascentes são secas e os povos indígenas e quilombolas são empurrados para ainda menos território. O Ahmed El-Sayed já denunciou que o campo virou negócio de banco, e é exatamente isso: o BNDES e os bancos privados vão lucrar com os juros desses financiamentos, enquanto o pequeno agricultor familiar, que não tem escala para absorver um trator de R$ 500 mil, fica de fora.

E o pior é o silêncio sobre o que essa “modernização” significa para a crise climática. Cada litro de diesel queimado por essas máquinas é carbono na atmosfera, cada hectare de monocultura mecanizada é biodiversidade perdida, cada sistema de irrigação digitalizado é água desviada de rios que já estão secando. O governo Lula-Alckmin repete o discurso da “transição energética” e da “agricultura de baixo carbono”, mas na prática financia exatamente o oposto: a intensificação do modelo predatório. Enquanto não houver condicionantes socioambientais claros — como exigência de agrofloresta, proibição de desmate indireto, rastreabilidade da cadeia — esse dinheiro é só mais um capítulo do ecocídio brasileiro travestido de progresso. A pergunta que fica é: quantos bilhões mais serão necessários para destruir o que resta do Cerrado e da Amazônia antes de admitirmos que o problema não é de maquinário, mas de modelo civilizatório?

João Pereira

03/05/2026

Pedro Silva, você tocou num ponto que me incomoda demais: 10 bilhões para maquinário agrícola, mas e o preço do óleo diesel que não baixa? O custo de vida nas cidades está cada vez mais apertado, e parece que o governo só lembra de quem já tem terra e trator. Falta um olhar mais equilibrado para quem está na ponta, sem acesso a esses incentivos.

Pedro Silva

03/05/2026

Pois é, João Carvalho, você falou tudo. O Alckmin solta 10 bilhões pro agro, mas o motorista de aplicato aqui não vê um centavo de desconto no combustível. Modernização é bom, mas parece que só pra quem já tem grana. Bagunça geral.

João Carvalho

03/05/2026

Lucas, você capturou bem o paradoxo: modernização sem reforma agrária é só mais um capítulo da concentração de renda no campo. O crédito subsidiado para maquinário, se não vier atrelado a condicionantes sociais e ambientais, vira subsídio disfarçado para o grande capital rural. Enquanto isso, o pequeno produtor segue sem acesso a terra e a crédito.

Lucas Andrade

03/05/2026

Ahmed, você tocou no ponto que a Luciana e o João Batista deixaram escapar nas entrelinhas: o maquinário é o fetiche da produtividade, mas o que ele produz, na ponta, é mais desemprego estrutural e concentração fundiária. Enquanto isso, o discurso oficial repete “modernização” como se fosse um fetiche da razão instrumental, ignorando que cada trator novo pode significar uma família expulsa do campo.

Ahmed El-Sayed

03/05/2026

João Batista, você tem razão no incômodo, mas o problema é mais fundo: esse dinheiro todo vai para máquinas que substituem o trabalhador rural, enquanto o governo abandona a reforma agrária e a agricultura familiar. O campo virou negócio de banco, não de quem tira o sustento da terra com a família. Onde está a justiça social nessa modernização?

João Batista

03/05/2026

Luciana, o problema não é só o juro do cartão, é a falta de prioridade moral nesse país. Enquanto o governo joga bilhões no agro, o brasileiro comum paga a conta com inflação e impostos. E o pior: essa turma do PT com Alckmin de vice só quer agradar o agronegócio pra manter o poder, enquanto a família tradicional brasileira se aperta. O que adianta trator novo se o povo perdeu o temor a Deus e a noção de trabalho honesto?

    Marta

    03/05/2026

    João Batista, meu filho, senta aqui que a vovó vai te dar uma aula de história e economia ao mesmo tempo, porque misturar “temor a Deus” com política fiscal é algo que só se vê em púlpito de igreja que virou palanque. Primeiro, vamos aos fatos: o Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo, e o agronegócio responde por cerca de 25% do PIB e por um terço dos empregos formais. Se você acha que R$ 10 bilhões para renovar máquinas é “jogar dinheiro fora”, me explique como você vai colocar comida na mesa da sua família sem trator, sem colheitadeira e sem logística. Esse dinheiro não é um mimo para o agro, é investimento em produtividade. E sobre a “falta de prioridade moral”, meu anjo, moralidade não paga conta de luz nem bota arroz no prato do povo. O que falta é prioridade política, e isso não é de agora — é de séculos.

    Agora, sobre o “PT com Alckmin só quer agradar o agronegócio pra manter o poder”: você já parou para pensar que o Brasil é uma república presidencialista, não uma teocracia? Governar é fazer alianças, e Alckmin, que já foi tucano, hoje está num governo de coalizão que precisa dialogar com o setor produtivo para gerar emprego e renda. O Lula não está “agradando” ninguém de graça; ele está fazendo política real, aquela que Maquiavel — que o Pedro citou ali em cima — já descrevia como a arte de unir interesses contraditórios em prol de um bem comum. Se você acha que isso é “farinha do mesmo saco”, me diga: qual governo na história deste país não fez acordos com o agro? Desde o Império com o café até a República com a soja, o Brasil sempre foi um país agrícola. O problema não é o agro existir, é a concentração de terra e a falta de reforma agrária, mas isso é outro papo.

    E por último, essa sua ladainha de “perda do temor a Deus e da noção de trabalho honesto” é o mesmo discurso que eu ouvia na sala dos professores quando a ditadura militar acabou. Trabalho honesto não é só enxada e suor, João. É o médico que salva vidas, o professor que forma cidadãos, o técnico que conserta a máquina. O Brasil de 2025 não é mais o Brasil de 1950; a economia é complexa, e o Estado precisa intervir para corrigir distorções históricas. Se você quer falar de moral, vamos falar de como 1% dos proprietários rurais detém quase metade das terras do país, enquanto o trabalhador sem-terra é criminalizado. Isso sim é falta de moral. Agora, se você quer continuar achando que o problema do Brasil é “falta de Deus” e não falta de política pública, fique à vontade. Mas não venha chamar de “prioridade moral” o que é, na verdade, um discurso que esconde a defesa de privilégios históricos.

Cíntia Alves

03/05/2026

Luciana, entendo sua frustração com os juros do cartão, mas acho que a questão é mais complexa. O crédito subsidiado pro maquinário agrícola até pode ter lógica se aumentar produtividade e segurar preços internos, mas o problema é que esses 10 bilhões precisam vir acompanhados de transparência — cadê a avaliação de resultados das linhas anteriores que o João Martins mencionou? Sem métrica, vira só anúncio de palanque.

Luciana

03/05/2026

R$ 10 bilhões e a gente aqui se virando com juro de cartão a 400% ao ano. Enquanto isso o preço do gás de cozinha não baixa e o arroz só sobe. Mas pode deixar, o trator novo do agro vai aumentar a produtividade e a gente agradece pagando mais caro no mercado.

Clotilde Pátria

03/05/2026

Gente, pelo amor de Deus, 10 bilhões de reais e ninguém pergunta de onde vai tirar esse dinheiro? Vão imprimir mais moeda e depois a inflação come o salário do povo, como sempre! E esse Alckmin é o mesmo que era tucano ontem, hoje virou vice do PT… tudo farinha do mesmo saco. O agro precisa sim de modernização, mas com juros baixos assim vai tudo pros mesmos de sempre, enquanto o pequeno agricultor continua na mão. O Brasil tá perdido, só Jesus na causa!

    Pedro Almeida

    03/05/2026

    Clotilde, você toca num ponto que Maquiavel já advertia: a aparência de continuidade sob a descontinuidade dos nomes. Alckmin não é “farinha do mesmo saco” por acaso — é a materialização do pacto político que mantém a estrutura fundiária intocada desde a Lei de Terras de 1850. O crédito subsidiado para maquinário pesado, com juros negativos em termos reais, é a modernização do latifúndio, não do campo.

João Martins

03/05/2026

R$ 10 bilhões em crédito subsidiado para maquinário agrícola soa bem no discurso de abertura da Agrishow, mas a pergunta que ninguém responde com dados é: qual foi o impacto real das linhas anteriores do Moderfrota e do PCA? O Banco Central divulga todo ano o Anuário Estatístico do Crédito Rural, e lá dá pra ver que a taxa de inadimplência desses financiamentos gira em torno de 0,5% — ou seja, o risco é baixíssimo porque o tomador típico é o médio/grande produtor já capitalizado. O problema é que a distribuição do crédito rural é historicamente concentrada: segundo o último Censo Agropecuário do IBGE, menos de 20% dos estabelecimentos rurais acessam financiamento bancário, e os 10% maiores tomadores ficam com mais de 70% dos recursos. Então esse anúncio, na prática, é mais um reforço para quem já está mecanizado, não para quem precisa sair da tração animal.

Outro ponto que a Marta Souza levantou e que merece um olhar mais frio: a narrativa de que “o agro paga a conta do país”. Vamos aos números da balança comercial: o agronegócio realmente gera superávit, mas quando você tira os subsídios embutidos — crédito rural com juros abaixo do mercado, desonerações tributárias, renegociações de dívidas — o saldo líquido pro Tesouro não é tão óbvio. Um estudo do Ipea de 2023 mostrou que o custo fiscal do crédito rural subsidiado (equalização de juros) ficou em torno de R$ 16 bilhões naquele ano. Ou seja, o governo está injetando mais dinheiro no setor via subsídio do que esse novo pacote de R$ 10 bi. A conta não fecha tão bonita quanto o discurso do “motor do PIB” faz parecer.

E tem a questão da eficiência marginal desse investimento. O Brasil já tem uma das frotas de tratores mais novas do mundo — idade média de 12 anos, contra 25 nos EUA. O ganho de produtividade ao trocar um trator de 5 anos por um zero km é pequeno comparado ao salto que um pequeno produtor teria ao sair de um implemento manual para um trator básico. Mas o desenho do crédito, com exigências de garantia e taxas que ainda são altas para o pequeno, simplesmente não alcança esse público. Enquanto não houver um recorte por porte e uma linha específica para agricultura familiar com menos burocracia, esses R$ 10 bilhões vão continuar irrigando o mesmo terreno já fértil, deixando a borda seca.

No fim das contas, o anúncio é bom para a foto e para o estoque de máquinas das montadoras que expõem na Agrishow. Mas se a métrica for aumento real da produtividade total dos fatores na agricultura brasileira — que segundo dados da Embrapa cresce a taxas decrescentes desde 2010 — esse dinheiro poderia ter um retorno maior se direcionado a inovação em logística, armazenagem e conectividade no campo, que são os gargalos reais. Mas isso não vende trator e não gera manchete.

Marta Souza

03/05/2026

Gente, pelo amor de Deus, esse povo reclamando de 10 bilhões pro agro não entende nada de economia. O agro é o motor do PIB brasileiro, gera superávit e emprego. Enquanto ficam chorando por ônibus quebrado, o setor que paga a conta do país precisa de modernização. Menos Estado e mais produtividade, é simples.

    Fernanda Oliveira

    03/05/2026

    Marta, com todo respeito, esse discurso de que o agro “paga a conta do país” ignora que os 10 bilhões saem dos nossos impostos enquanto o trabalhador rural e o pequeno agricultor continuam sem acesso a crédito e tecnologia. Motor do PIB não justifica concentração de renda e destruição ambiental.

Ronaldo Silva

03/05/2026

Pois é, Luciana Santos, e enquanto esse dinheiro todo vai pro agro, a gente aqui na cidade vê é o preço do arroz e do feijão subindo sem parar. Esses 10 bilhões iam dar uma boa reformada na frota de ônibus que a gente pega todo dia pra ir trabalhar, mas parece que o povo mesmo fica sempre pra depois.

Luciana Santos

03/05/2026

Ah, lá vem o Alckmin com mais um pacotão em ano de eleição. R$ 10 bi é dinheiro pra caramba, mas cadê a fiscalização pra ver se esse maquinário novo vai realmente aumentar produção ou só encher o bolso de grande fazendeiro? Enquanto isso, o povo na fila do SUS e o busão quebrado na ladeira.

Caio Vieira

03/05/2026

Prezados leitores e leitoras deste espaço de debates, permitam-me adentrar esta arena discursiva com a devida vênia, trazendo uma perspectiva que, creio eu, ancora-se na tradição crítica da sociologia rural brasileira. Acompanho com atenção os comentários de Francisco de Assis e de Silvia D., que, a meu ver, representam dois polos de uma dialética que precisa ser superada, e não apenas justaposta. Francisco, com sua defesa veemente do agro como motor nacional, parece operar sob o que Gramsci denominaria de “hegemonia do capital agrário”, uma visão de mundo que naturaliza a modernização como um bem em si, sem questionar a quem ela serve e a que custo social. Já Silvia, com sua arguta cobrança por contrapartidas ambientais, toca em um ponto nevrálgico, mas ainda circunscrito a uma agenda reformista dentro da ordem.

O anúncio de R$ 10 bilhões para a renovação de máquinas, sob a batuta do vice-presidente Alckmin, não é um mero ato administrativo; é um sintoma daquilo que Florestan Fernandes diagnosticou como a “modernização conservadora” brasileira. O que vemos é a injeção de vultoso capital público para acelerar a subsunção formal do trabalho ao capital no campo, intensificando a mecanização sem que se altere, em um iota, a estrutura fundiária concentrada ou as relações de produção semi-feudais que ainda persistem em vastas regiões do país. A “solução digital” anunciada, com seus tratores autônomos e sensoriamento remoto, longe de ser uma ferramenta neutra, configura-se como um novo vetor de hegemonia, aprofundando a dependência do pequeno e médio produtor em relação às grandes corporações de insumos e tecnologia, um verdadeiro complexo agroindustrial-financeiro.

É preciso, portanto, ir além da dicotomia entre “agro é pop” e “agro é opressão”. A questão central, que parece escapar à análise de muitos colegas comentaristas, é a da apropriação do fundo público. Estes R$ 10 bilhões não surgem do éter; são recursos extraídos do trabalho de todos os brasileiros, via tributos, e que agora são canalizados para o setor que detém a maior taxa de lucro da economia. Não se trata de negar a importância da produtividade agrícola, per se, mas de questionar a direção social desse investimento. Por que não condicionar o financiamento a práticas de agroecologia, à reforma agrária ou à garantia de preços mínimos para a agricultura familiar camponesa? A ausência dessas condicionalidades revela a natureza de classe do Estado, que, na esteira de Poulantzas, opera como uma condensação de forças, mas que, neste caso, pende desmesuradamente para o lado do capital agroexportador.

Ao Zé do Povo, que com justa ira denuncia as filas do INSS, eu diria que sua revolta é a centelha de uma consciência de classe em formação. O problema não é apenas a existência de dois Brasis, mas a constatação de que o mesmo Estado que financia a modernização do latifúndio é o que precariza a previdência do trabalhador. A luta por um projeto nacional-popular e democrático passa, inevitavelmente, por desnudar essa contradição. A solidariedade que devemos ao povo trabalhador do campo e da cidade exige que não nos deixemos seduzir pelo canto da sereia do “agronegócio moderno”, mas que lutemos por uma política agrícola que subordine a acumulação capitalista às necessidades da maioria, com soberania alimentar, justiça social e equilíbrio ecológico. Do contrário, estaremos apenas trocando seis por meia dúzia, modernizando a jaula sem abrir a porta.

Zé do Povo

03/05/2026

10 BILHÕES DE DINHEIRO PÚBLICO PRA AGRONEGÓCIO E O BRASILEIRO TOMANDO CACETE NA FILA DO INSS! ESSE GOVERNO É UMA VERGONHA!

    Ana Karine Xavante

    03/05/2026

    Zé do Povo, sua indignação é legítima e eu compartilho dela, mas preciso fazer um convite para aprofundarmos o olhar. Você está absolutamente certo em apontar o absurdo de vermos filas no INSS enquanto o agro recebe 10 bilhões. Mas a pergunta que fica é: por que esses dois problemas aparecem como opostos na nossa cabeça? A resposta tem nome: colonialismo interno. O Estado brasileiro foi desenhado para servir ao latifúndio exportador desde 1500, e a Previdência Social, a saúde e a educação sempre foram tratadas como sobras do orçamento, nunca como prioridade. O problema não é apenas o valor de 10 bilhões, é que esse dinheiro vai para a renovação de máquinas sem nenhuma amarra socioambiental, enquanto a reforma agrária e os direitos indígenas são tratados como gasto, não como investimento.

    Veja bem: quando o governo anuncia subsídio para trator novo, ele está financiando a concentração de terra e a expansão do monocultivo que desmata, envenena os rios com agrotóxico e expulsa povos indígenas e quilombolas dos seus territórios. E quem paga a conta? O povo brasileiro, com impostos e com a degradação dos bens comuns. Enquanto isso, a fila do INSS é sintoma de um projeto de país que prefere transferir dinheiro público para o capital privado do que garantir dignidade a quem trabalhou a vida inteira. Não é coincidência: é a mesma lógica que trata o lucro do agro como prioridade nacional e o direito à aposentadoria como custo a ser cortado.

    O que me preocupa é que a raiva justa contra esse governo muitas vezes cai na armadilha de pedir “menos Estado”, quando na verdade precisamos de um Estado forte, mas que sirva ao povo e não ao agronegócio. Cortar gasto social para “equilibrar as contas” enquanto se mantêm subsídios bilionários para o setor que mais desmata e mais concentra renda é repetir o mesmo erro de sempre. A saída não é cortar o Estado, é disputar para onde vai o dinheiro público. Queremos 10 bilhões para reforma agrária, para demarcação de terras indígenas, para agricultura familiar agroecológica, para fortalecer o SUS e a Previdência. Enquanto a esquerda não pautar isso com clareza, a direita vai seguir usando a sua indignação para desmontar o pouco de público que temos.

Silvia D.

03/05/2026

Francisco, o agro é motor sim, mas motor precisa de manutenção e de freio. R$ 10 bilhões em subsídio para máquina nova sem contrapartida ambiental ou social é receita para concentrar ainda mais terra e renda. Cadê a exigência de recuperação de área degradada ou de redução de agrotóxico? Sem condicionantes, isso é só transferência de dinheiro público para o balanço das montadoras.

Francisco de Assis

03/05/2026

Pessoal, deixa eu falar uma coisa: esse povo que reclama de gastar 10 bi no agro é a mesma turma que depois vai encher a boca pra pedir comida na mesa. O agro é o motor do Brasil, e modernizar máquina é gerar mais produtividade, mais emprego e mais comida barata. Enquanto isso, o povo alienado fica repetindo discurso de gente que nunca pegou num trator na vida. Lula e Alckmin estão certos, é assim que se desenvolve o país com responsabilidade.

Ricardo Menezes

03/05/2026

Mais 10 bi de dinheiro suado do contribuinte pra irrigar o curral eleitoral do agro enquanto o pequeno empresário urbano se vira pra pagar 40% de imposto e ainda enfrenta 3 horas de fila na Junta Comercial. Cadê os 10 bi pra desburocratizar a abertura de empresa nesse país? Enquanto não cortarem o Estado no osso, vão continuar usando nosso imposto pra comprar voto.

    Cecília Ramos

    03/05/2026

    Ricardo, entendo sua indignação com a burocracia, mas cortar o Estado no osso é justamente o que o agro quer: menos regulação, menos imposto pra eles e mais desmonte de políticas públicas que poderiam distribuir terra e renda. O problema não é gastar 10 bi, é gastar sem condicionar a modernização a práticas sustentáveis e sem fortalecer a agricultura familiar que alimenta de verdade o povo pobre.

    Márcio Torres

    03/05/2026

    Ricardo, você toca num ponto que parece óbvio, mas carrega uma armadilha lógica. A indignação com os R$ 10 bilhões para o agro enquanto o pequeno empresário urbano enfrenta burocracia e carga tributária alta é legítima. Mas a conclusão de que a saída é “cortar o Estado no osso” é um non sequitur que precisa ser desmontado. O problema não é o tamanho do Estado, é a direção do gasto. Você está pedindo menos Estado justamente quando o Estado demonstra que só consegue atender a quem tem poder de fogo político. O agro não precisa de subsídio para comprar trator; precisa de regulação ambiental, trabalhista e fundiária que o faça pagar pelos custos que impõe ao resto da sociedade. O que você chama de “curral eleitoral” é exatamente a captura do orçamento por um setor que, ironicamente, se diz liberal.

    A burocracia que estrangula o pequeno empresário não é um acidente. É o resultado de décadas de um Estado que foi desenhado para servir a poucos e atrapalhar muitos. Cortar o Estado no osso, como você sugere, significa cortar justamente o que poderia desburocratizar: agências reguladoras independentes, sistemas de registro digital unificados, fiscalização inteligente. O que o agro quer não é Estado mínimo; é Estado máximo para subsidiar seus insumos e mínimo para fiscalizar seus passivos. Prova disso é que os mesmos que pedem corte de gastos sociais são os primeiros a bater na porta do BNDES quando o preço da soja cai. A fila de 3 horas na Junta Comercial não se resolve com menos Estado, mas com um Estado que use dados abertos, automação e, sim, dinheiro público para modernizar a máquina pública. O problema é que modernizar a máquina pública não rende voto; subsidiar trator rende.

    Você menciona “comprar voto” como se fosse uma idiossincrasia deste governo. Mas a compra de voto via subsídio setorial é a regra do jogo político brasileiro desde sempre. A diferença é que, enquanto o pequeno empresário urbano não tem uma bancada de 300 deputados para defender seus interesses, o agro tem. A solução não é cortar o Estado, é mudar a correlação de forças que define quem é atendido por ele. Enquanto a esquerda e a direita liberal disputarem quem gasta menos, o agro continuará levando a fatura. O debate real deveria ser: por que o Estado consegue achar R$ 10 bilhões para renovar frota de tratores, mas não consegue achar R$ 500 milhões para digitalizar integralmente a Junta Comercial de São Paulo? A resposta não está na ideologia do tamanho do Estado, mas na engenharia política de quem captura suas decisões.

Luiz Augusto

03/05/2026

Mais 10 bilhões de reais do contribuinte para subsidiar maquinário que o agro já poderia comprar com desoneração fiscal bem feita. Enquanto isso, o governo Lula-Alckmin torra dinheiro em subsídios que distorcem o mercado e adiam a verdadeira reforma tributária que o país precisa.

    João Carlos da Silva

    03/05/2026

    Luiz Augusto, você toca num ponto central: a opção por subsidiar a modernização do parque de máquinas revela menos uma preocupação com eficiência tributária e mais a hegemonia do agronegócio na definição das prioridades orçamentárias. Gramsci nos lembraria que esse tipo de subsídio, longe de ser neutro, consolida a aliança de classes que mantém a estrutura fundiária intocada, enquanto a reforma agrária e a agricultura familiar seguem com migalhas.


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