China condena bloqueio a Cuba e promete apoio irrestrito diante de novas sanções de Trump

Representante do Ministério das Relações Exteriores da China durante coletiva de imprensa. (Foto: actualidad.rt.com)

A diplomacia chinesa intensificou o tom contra a política de sanções dos Estados Unidos e cobrou o fim imediato do bloqueio econômico que, há mais de sessenta anos, restringe o acesso de Cuba a comércio, financiamentos e tecnologia.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, declarou que nenhum pretexto inventado justifica manter medidas que ferem o direito da ilha ao desenvolvimento e violam princípios elementares do direito internacional. O funcionário salientou que a China continuará apoiando Cuba na defesa de sua soberania e de sua segurança nacional, independentemente do endurecimento de pressões externas.

Lin observou que a cooperação entre Pequim e Havana ocorre de maneira transparente e legítima, sublinhando que a tentativa de Washington de difamar projetos conjuntos não apaga o impacto destrutivo das sanções unilaterais. A chancelaria chinesa argumenta que tais sanções possuem caráter extraterritorial, pois penalizam também empresas e governos de terceiros países interessados em negociar com Havana.

A mais recente manifestação chinesa surge após o presidente dos EUA, Donald Trump, assinar uma ordem executiva que enquadra Cuba como ameaça incomum e extraordinária à segurança regional — narrativa que Pequim classifica como insustentável. O decreto reaqueceu o cerco econômico ao prever tarifas punitivas a países que abasteçam a ilha com petróleo e ameaçar represálias contra empresas associadas a esse comércio.

A escalada decretada por Trump foi recebida com indignação em Havana, cujo governo classificou as novas sanções como fascistas, criminosas e genocidas. O mandatário cubano prometeu defender a integridade territorial do país e denunciou o embargo como obstáculo central ao bem-estar da população.

Enquanto Washington amplia restrições, a China aprofunda parcerias estratégicas com a ilha em áreas como energia renovável, biotecnologia e infraestrutura digital. Pequim doou equipamentos para a construção de um parque fotovoltaico em Cienfuegos, ação celebrada pela vice-ministra de Comércio Exterior de Cuba, Déborah Rivas Saavedra, como parte do programa nacional de transição energética.

Rivas agradeceu a contribuição permanente chinesa à diversificação da matriz energética cubana e confirmou a instalação de novas usinas solares com sistemas de armazenamento, essenciais para reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados. O gesto reforça a convergência entre os dois países e evidencia o compromisso chinês em fomentar independência tecnológica em nações sob pressão de sanções unilaterais.

Segundo o portal Actualidad RT, Pequim avalia que a campanha de difamação orquestrada por autoridades norte-americanas pretende mascarar os danos reais provocados pelo bloqueio, responsável por perdas acumuladas que superam US$ 150 bilhões para a economia cubana.

A posição de Pequim ecoa as sucessivas resoluções aprovadas pela Assembleia Geral da ONU, que há décadas exige a revogação do embargo e contabiliza apoio quase unânime da comunidade internacional. Os EUA e Israel costumam ser as únicas nações a votar contra, e ainda assim o Congresso norte-americano mantém vigente a Lei Helms-Burton, que codificou o bloqueio em 1996 e ampliou a perseguição judicial a investidores estrangeiros na ilha.

Além do apoio chinês, Cuba tem recebido solidariedade de países como México, Venezuela, Rússia e da Comunidade do Caribe, todos defensores de soluções negociadas e de respeito à autodeterminação dos povos. Observadores destacam que o isolamento vivido pelos EUA em sucessivas votações na ONU fragiliza a legitimidade política do bloqueio perante a opinião pública internacional.

Pequim vê na cooperação energética e na transferência de tecnologia renovável uma via concreta para contrapor os efeitos do embargo e impulsionar o projeto cubano de redução de emissões de carbono. Fontes diplomáticas indicam que novos financiamentos poderão contemplar micro-redes de energia, modernização da rede elétrica e expansão de veículos elétricos, com efeito direto na redução das importações de diesel.

Ao reiterar que rumores não encerram parques solares, Lin Jian concluiu que a aposta dos EUA em sanções apenas evidencia a incapacidade histórica de Washington de conviver com processos soberanos na América Latina. Para a China, sustentar a parceria estratégica com Cuba e denunciar o bloqueio tornou-se não apenas uma posição moral, mas uma demonstração prática de que a pressão norte-americana encontra resistência organizada em múltiplas frentes diplomáticas.


Leia também: China doa parque solar a Cuba e aprofunda cooperação energética em Cienfuegos


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