Governador da Paraíba decreta calamidade após chuvas recordes destruírem pontes e interditarem rodovias

O governador da Paraíba, Lucas Ribeiro, e equipe de defesa civil em área afetada por fortes chuvas. (Foto: metropoles.com)

O governador da Paraíba, João Azevêdo (Cidadania), decretou calamidade pública em todo o território estadual após precipitações sem precedente em três décadas castigarem municípios do litoral ao interior, destruírem pontes e bloquearem rodovias estratégicas. O ato foi comunicado após a Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa) registrar 191 mm de chuva em apenas 24 horas em Alhandra, volume inédito desde o início do monitoramento sistemático na região.

A gravidade da situação ficou evidente em Ingá, onde o rio que corta o município transbordou e arrancou as cabeceiras de uma ponte, isolando comunidades ribeirinhas. Em Itabaiana, o excesso de água abriu fissuras estruturais em outro viaduto e criou uma cratera sobre a pista, interrompendo o tráfego de veículos pesados.

Diante dos riscos, o Departamento de Estradas de Rodagem da Paraíba interditou trechos da PB-032, nas proximidades de Pedras de Fogo, e bloqueou também a PB-054, a BR-230 e a zona urbana da PB-066 em Ingá. O colapso parcial das pontes expôs a fragilidade de estradas vicinais vitais para o escoamento da produção agrícola e para o transporte escolar em dezenas de pequenas propriedades familiares.

O decreto de calamidade acelera a liberação de recursos do Fundo Estadual de Proteção e Defesa Civil e simplifica contratações emergenciais. O documento será encaminhado à Assembleia Legislativa para convalidação, mas seus efeitos já valem imediatamente em razão do caráter extraordinário do desastre.

A Defesa Civil estadual instalou postos avançados de monitoramento nos municípios mais atingidos e distribuiu alertas por SMS, orientando moradores de áreas de encosta a buscarem abrigo em escolas e igrejas. Até o momento, não há registro oficial de mortes, mas oito pessoas ficaram desalojadas e 27 foram encaminhadas a unidades de saúde com sintomas de hipotermia ou escoriações.

O secretário de Infraestrutura da Paraíba, Rubens Germano, informou que equipes de engenharia avaliam soluções temporárias como passagens molhadas e pontes metálicas modulares até que reconstruções definitivas sejam contratadas. Azevêdo cobrou do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional a liberação rápida de verbas federais para obras de macrodrenagem.

O governador citou ainda a necessidade de um programa permanente de adaptação climática para as cidades do estado. Segundo o portal Metrópoles, pelo menos três municípios ultrapassaram seus próprios recordes pluviométricos, cenário que amplia a pressão sobre redes de abastecimento de água potável e aterros sanitários.

O comando da Polícia Militar reforçou patrulhas para coibir furtos em casas evacuadas e organizou barreiras móveis para impedir a circulação em trechos onde o asfalto cedeu. Produtores de cana-de-açúcar da Zona da Mata paraibana relataram perdas iniciais de safra e dificuldade de acesso às lavouras, sinalizando possíveis impactos sobre a economia regional.

A Federação das Indústrias da Paraíba sinalizou disposição em doar materiais de construção para auxiliar na reconstrução das estruturas danificadas. Especialistas do Instituto Nacional de Meteorologia observam que padrões de aquecimento anômalo do Atlântico Sul potencializam episódios de chuva concentrada na faixa litorânea do Nordeste, tendência que se intensifica com o aquecimento global.

Para o professor de Hidrologia da Universidade Federal da Paraíba, José Augusto Filho, o volume registrado em Alhandra corresponde a mais de um terço da média histórica de todo o mês de maio e desafia sistemas urbanos de drenagem subdimensionados. Organizações ambientais veem no evento mais uma evidência de que a agenda climática precisa avançar com urgência na implementação de sistemas de alerta precoce e no reflorestamento de margens de rios.

A meteorologia projeta chuvas isoladas, mas ainda intensas, nos próximos dias, de forma que a população deve permanecer em alerta até que os níveis dos rios retornem a patamares seguros. O governo estadual recomenda que qualquer sinal de enxurrada seja comunicado via telefone 199 da Defesa Civil.


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