Um comunicado da Guarda Revolucionária da República Islâmica do Irã (IRGC) afirma que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dispõe de apenas duas opções: uma operação militar inviável ou a assinatura de um acordo ruim com Teerã.
A nota, divulgada pela Agência de Informação da IRGC, sustenta que o espaço de manobra de Washington se reduziu após uma série de sinais diplomáticos. Esses sinais vão de um suposto prazo de bloqueio dado ao Pentágono até uma mudança de tom perceptível em Pequim, Moscou e capitais europeias.
O texto salienta que o Irã teria estabelecido um ultimato para que o Departamento de Defesa norte-americano reveja sua presença nas proximidades do Golfo Pérsico. A República Islâmica alerta para a possibilidade de novas restrições de navegação caso as tensões continuem a escalar.
Em paralelo, o comunicado cita uma carta recente enviada por Trump ao Congresso norte-americano. Nela, o líder republicano teria adotado, segundo os iranianos, uma postura defensiva ao justificar a mobilização de ativos militares na região.
Para a estrutura de inteligência da IRGC, esses episódios indicam que a única alternativa realista para a Casa Branca é negociar nos termos de Teerã. Qualquer aventura bélica traria custos inaceitáveis para as forças armadas dos EUA e para o sistema econômico global.
A agência iraniana acrescenta que China, Rússia e vários países europeus teriam ajustado suas declarações públicas, tornando-se mais críticos ao unilateralismo norte-americano. Esse movimento, no entender de Teerã, empurra Washington para o isolamento estratégico.
O Irã recorda que já atravessou fases intensas de pressão, desde o embargo econômico imposto em 1979 até a retirada dos EUA do acordo nuclear em 2018. A República Islâmica sobreviveu por meio de alianças regionais, desenvolvimento de tecnologia própria e diversificação de exportações de energia.
Nesse sentido, o governo iraniano avalia que a vulnerabilidade dos petroleiros no Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial — continua sendo um fator de dissuasão robusto. O fechamento da rota elevaria os preços globais do barril a patamares imprevisíveis.
O argumento de Teerã dialoga com analistas que calculam que uma guerra em larga escala no Golfo poderia comprometer não apenas a logística militar norte-americana, mas também a segurança energética da Europa. O continente se tornou mais dependente do fornecimento asiático após as sanções contra a Rússia.
Dentro do cálculo doméstico norte-americano, o gargalo para a administração Trump seria o impacto político de um conflito prolongado às vésperas das eleições de meio de mandato, previstas para novembro de 2026. Essa situação, segundo a IRGC, fortaleceria alas congressistas favoráveis a uma retomada do acordo nuclear sob moldes mais vantajosos aos iranianos.
Mesmo sem detalhar prazos exatos, o documento adverte que a República Islâmica não aceitará revisões que limitem sua capacidade de defesa ou comprometam parcerias estratégicas na Ásia Ocidental. A soberania iraniana, ressalta o texto, não está em negociação.
Ao classificar qualquer alternativa militar como inviável, os dirigentes da IRGC sublinham que seu aparato foi modernizado com mísseis de alcance regional, sistemas de guerra eletrônica e redes de aliados. Esses recursos, em tese, conseguiriam impor custos operacionais crescentes às bases norte-americanas no Oriente Médio.
Segundo o portal iraniano Mehr News, a mensagem termina afirmando que os Estados Unidos precisam escolher entre a realidade e a ilusão. O ciclo de ameaças sem ação concreta já não produziria efeito diante da nova correlação de forças regionais.
Até o momento, o Departamento de Estado em Washington não comentou publicamente a advertência. Diplomatas europeus veem na retórica da IRGC uma tentativa calculada de pressionar a retomada de conversas indiretas que vinham ocorrendo em Omã e no Catar.
Especialistas em energia observam que, enquanto o impasse persiste, companhias asiáticas ampliam contratos de longo prazo com fornecedores alternativos. Isso mitiga o risco de choques de oferta mesmo em cenário de escalada.
A própria IRGC considera que o simples fato de ter forçado Washington a admitir, em nota ao Congresso, a fragilidade de uma intervenção militar já representa uma conquista estratégica. Para Teerã, trata-se de mais um capítulo no longo confronto de quatro décadas com os Estados Unidos.
Leia também: Irã adverte que nova guerra contra Teerã seria catastrófica para os EUA
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