Irã propõe a Washington cessar hostilidades em 30 dias com plano de paz em três fases

Bandeiras dos Estados Unidos e do Irã tremulam juntas sob o céu azul. (Foto: actualidad.rt.com)

O governo do Irã apresentou aos Estados Unidos, por intermédio do Paquistão, um plano de paz de três fases que pretende transformar o atual cessar-fogo informal no fim definitivo das hostilidades em apenas 30 dias.

A iniciativa, revelada por fontes diplomáticas à Al Jazeera, chega em meio à crescente tensão militar que envolve também Israel e aliados regionais. Segundo o portal da RT, a proposta começa com um compromisso de não agressão mútuo para impedir qualquer retorno imediato aos combates.

Esse ponto exige que tanto Washington quanto Tel Aviv se abstenham de ações militares contra Teerã e seus parceiros. A República Islâmica, em contrapartida, suspenderia retaliações diretas enquanto as negociações avançam.

A primeira fase operacional prevê a reabertura gradual do Estreito de Ormuz, gargalo por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no planeta. Inclui também o levantamento do bloqueio norte-americano aos portos iranianos e a remoção das minas marítimas lançadas nos últimos meses.

Diplomatas iranianos argumentam que essa medida daria o primeiro sinal concreto de descongelamento, facilitando o fluxo de navios-tanque e aliviando pressões sobre os preços globais de energia. Para Teerã, a normalização do tráfego reforçaria a confiança mútua e criaria um incentivo econômico palpável para que Washington sustente o acordo.

Na segunda etapa, o Irã retomaria o enriquecimento de urânio ao limite de 3,6%, patamar autorizado pelo Plano de Ação Conjunto de 2015, sob o princípio de “armazenamento zero”. Esse ponto foi desenhado para responder às preocupações ocidentais sobre o programa nuclear sem exigir o desmonte da infraestrutura construída após a retirada unilateral dos EUA do acordo em 2018.

Teerã condiciona a etapa nuclear a um cronograma claro de levantamento de sanções, incluindo a liberação progressiva de dezenas de bilhões de dólares bloqueados em bancos estrangeiros. Washington, em contrapartida, veria reforçado o mecanismo de verificação da Agência Internacional de Energia Atômica.

O documento explicita que Estados Unidos e Israel deverão suspender qualquer ataque a forças iranianas ou a grupos aliados, como Hezbollah e Ansarolá. Em troca, Teerã se compromete a frear lançamentos de mísseis ou drones contra posições inimigas, travando a escalada por meio de incentivos simultâneos.

A terceira fase, considerada a mais política, estabelece a abertura de um diálogo estratégico com Arábia Saudita, Emirados, Catar e outros vizinhos árabes para criar um sistema regional de segurança coletiva. A proposta se alinha à iniciativa de “Oriente Médio livre de armas nucleares” defendida há anos por Teerã e poderia limitar a presença militar extrarregional no Golfo Pérsico.

O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou recentemente que não descarta retomar ações militares contra a República Islâmica caso considere a segurança de Israel ameaçada. A declaração elevou o clima de incerteza no Congresso norte-americano, onde setores belicistas pressionam por novas sanções e exercícios navais ampliados.

Desde que Washington restabeleceu punições econômicas em 2018, o comércio exterior iraniano enfrentou restrições severas, forçando Teerã a aprofundar parcerias tecnológicas com China e Rússia e a buscar integração plena ao BRICS. Economistas apontam que a suspensão das penalidades poderia liberar fluxos de investimento capazes de revitalizar a indústria petroleira iraniana e estabilizar o mercado global de hidrocarbonetos.

Especialistas em segurança marítima lembram que qualquer incidente prolongado no Estreito de Ormuz eleva fretes, encarece o barril de petróleo e fortalece especuladores de derivativos energéticos sediados em Londres e Nova York. A rápida remoção de minas anunciada por Teerã interessa não só aos países do Golfo, mas também a importadores asiáticos como China, Índia e Japão.

A mediação do Paquistão, aliado histórico dos EUA e vizinho nuclear do Irã, demonstra que a proposta tem respaldo de um ator com trânsito em ambas as capitais. Analistas veem nisso um esforço para que potências emergentes assumam protagonismo na resolução de crises antes dominadas por iniciativas exclusivamente ocidentais.

Se implementado, o plano poderá inaugurar um novo marco de governança regional e reduzir a dependência do Oriente Médio de pactos militares externos. Caso Washington aceite engajar-se, observadores acreditam que a medida abrirá espaço para que chineses e russos impulsionem projetos de infraestrutura e energia ao longo da rota leste-oeste.


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