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Lula lança Desenrola 2.0 com descontos de até 90% em dívidas de consumidores

74 Comentários🗣️🔥 Ilustração editorial sobre Lula lança Desenrola 2.0 com descontos de até 90% em dívidas de consumidores. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro) O governo Lula prepara a segunda fase do Desenrola com abatimentos de até 90% em dívidas de pessoas físicas. A iniciativa foi apresentada pelo ministro interino da Fazenda, Dario Durigan, como uma […]

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Ilustração editorial sobre Lula lança Desenrola 2.0 com descontos de até 90% em dívidas de consumidores. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

O governo Lula prepara a segunda fase do Desenrola com abatimentos de até 90% em dívidas de pessoas físicas. A iniciativa foi apresentada pelo ministro interino da Fazenda, Dario Durigan, como uma das maiores operações de renegociação já articuladas por um governo brasileiro.

Durigan explicou que a equipe econômica impôs aos bancos a adoção de juros mais baixos como condição para aderir ao programa. O desconto significativo, combinado a taxas suavizadas, permitirá que milhares de pessoas retomem o acesso a serviços bancários formais.

Os parâmetros finais foram fechados em reunião com representantes das principais instituições financeiras. As negociações incluíram a possibilidade de abater encargos moratórios acumulados desde a pandemia, considerados o principal fator de explosão das dívidas de curto prazo.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva receberá o desenho definitivo antes do anúncio público. Lula quer mobilizar emissoras de rádio e TV para divulgar a oportunidade de regularização.

A nova rodada mantém a lógica da versão original, que priorizou dívidas de consumo com valor declarado de até R$ 5 mil por CPF. A iniciativa amplia o teto de cobertura para contratos mais robustos, abrangendo microcrédito, cartão de crédito estourado e refinanciamentos de veículos em atraso.

O Ministério da Fazenda promete uma plataforma digital simplificada, capaz de cruzar informações cadastrais e ofertar condições personalizadas em poucos cliques. O usuário poderá escolher entre pagamento à vista ou parcelado, sempre dentro de limites de comprometimento de renda que evitem novo ciclo de inadimplência.

Dados do Banco Central mostram que o endividamento das famílias superou 48% da renda disponível, patamar recorde que pressiona consumo, atividade econômica e bem-estar social. Ao reduzir o passivo, o governo espera estimular a demanda interna e apoiar pequenos negócios que dependem do giro de comércio e serviços.

Além do alívio imediato, a equipe de Durigan vislumbra impactos fiscais positivos, pois contratos regularizados voltam a gerar arrecadação via Imposto sobre Operações Financeiras e PIS/Cofins embutidos nas parcelas. Técnicos argumentam que a perda contábil dos bancos é compensada por queda no provisionamento de calotes e ganho reputacional junto ao público.

Na primeira edição, aproximadamente dez milhões de pessoas renegociaram R$ 25 bilhões, com descontos médios de 83% em dívidas já baixadas a prejuízo pelos credores. O desempenho encorajou o Palácio do Planalto a escalar a segunda etapa, desta vez mirando um estoque potencialmente superior a R$ 50 bilhões.

Gestores de fundos privados acompanham de perto a movimentação, pois parte do passivo foi securitizada no mercado e precisa de aval dos detentores dos direitos creditórios. O governo estuda incluir garantias extras do Fundo Garantidor de Operações para atrair esses investidores e acelerar a liberação das carteiras.

Durigan não detalhou prazos de adesão, mas interlocutores sugerem janela de sessenta dias para negociação, com possibilidade de prorrogação se a demanda superar as expectativas. A pasta ainda debate a regra de participação dos birôs de crédito, responsáveis por atualizar o status dos consumidores reabilitados.

Economistas próximos ao governo sustentam que, ao baratear dívidas antigas, o programa diminui a pressão sobre a política monetária e abre espaço para cortes adicionais na taxa básica de juros sem risco inflacionário. O Banco Central observa o impacto sobre a inadimplência corrente antes de rever projeções de crédito para 2026.

Grandes bancos privados sinalizaram apoio, mas pediram flexibilização contábil para registrar as perdas em 24 meses. Durigan considera razoável a demanda e pretende homologar a solução no Conselho Monetário Nacional.

Se confirmados os 90% de abatimento, o Desenrola 2.0 se tornará o maior mutirão de renegociação da história do país. O governo aposta que a combinação de juros menores, divulgação ampla e plataforma digital impulsione a formalização do crédito e contribua para a recuperação sustentável do consumo popular.

Leia mais sobre o assunto na diariodocentrodomundo.com.br.


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Vanessa Silva

03/05/2026

Desconto de 90% soa bem, mas cadê a contrapartida de educação financeira? Se não ensinarem as pessoas a não reincidirem nas dívidas, daqui a dois anos estaremos no Desenrola 3.0.

    Miriam

    03/05/2026

    Vanessa, você tocou num ponto que é o xis da questão: sem educação financeira, isso vira um eterno “enxuga gelo”. Mas, convenhamos, exigir contrapartida de um programa de alívio imediato é quase pedir para o bombeiro ensinar prevenção de incêndio enquanto apaga o fogo.

      Luciana

      03/05/2026

      Miriam, concordo que educação financeira é o sonho de consumo, mas enquanto o povo não sabe se paga o gás ou o remédio, esse bombeiro aí tem que apagar o fogo urgente, e depois a gente pensa na prevenção. O que não pode é achar que pobre tem luxo de escolher dívida, né?

Pedro Silva

03/05/2026

Pô, 90% de desconto? Se for verdade, até eu que sou cético fico curioso. Mas duvido que essa bagunça vai resolver o problema de verdade, é mais um remendo pra tentar apagar incêndio antes das eleições. No final, quem paga a conta é sempre o mesmo, o povo que trabalha e não deve nada.

    Luiz Augusto

    03/05/2026

    Pedro, você acertou em cheio: é remendo eleitoreiro que transfere o custo para quem honra compromissos. No livre mercado, dívida se resolve com responsabilidade fiscal e crédito sustentável, não com canetada que maquia o problema e joga a conta no contribuinte.

    Luisa Teens

    03/05/2026

    Nossa, Pedro, que papo de tiozão do zap, hein? #ForaBolsonaro

Evelyn Olavo

03/05/2026

Mais um balão de ensaio do governo pra maquiar a realidade. Desconto de 90%? Só mostra como esses bancos estavam ganhando em cima do povo com juros abusivos. Mas duvido que isso resolva o problema de quem tá devendo porque não tem emprego.

Rodrigo RedPill

03/05/2026

Mais um presente pra quem nunca aprendeu a se virar sozinho. Enquanto isso, quem estuda, trabalha e investe em cripto paga a conta desse circo. 90% de desconto em dívida é só mais um incentivo pra galera continuar sem educação financeira.

    Paulo Rocha

    03/05/2026

    Exato, Rodrigo. Mais um incentivo do governo pra quem nunca aprendeu a se virar, enquanto quem estuda, trabalha e investe paga a conta desse circo. Brasil pra brasileiro que se esforça, não pra vagabundo. Faz o L e vai pra Cuba.

Rodrigo Meireles

03/05/2026

Desconto de 90%? Ótimo para quem está endividado, mas alguém precisa explicar de onde vai sair o funding para os bancos cobrirem esse rombo. Se for mais dinheiro público via subsídio, é só empurrar o custo para o contribuinte que paga imposto em dia. Cadê a contrapartida de educação financeira e controle de crédito para evitar a próxima bolha de inadimplência?

    John Marshall

    03/05/2026

    Rodrigo, sua pergunta revela uma preocupação liberal clássica com a moral hazard, mas você ignora que os bancos já precificaram esse risco nos spreads abusivos que cobram de todos nós. Quanto à educação financeira, ela é necessária, mas não substitui a regulação estatal do crédito — sem ela, o mercado repete o ciclo de expansão e colapso que Hobbes já identificava como a guerra de todos contra todos.

      Ana Souza

      03/05/2026

      John, você tocou num ponto que me incomoda: se os bancos já embutem o risco nos juros, por que o Estado precisa bancar o perdão? Isso vira um ciclo vicioso onde quem paga em dia subsidia quem não paga, e a regulação acaba virando muleta para o descontrole fiscal.

Lucas Moreira

03/05/2026

90% de desconto e o Zé do Povo acha que é bondade do governo? Isso é o mercado corrigindo o estrago que o próprio governo fez com juro artificial e crédito dirigido. Se o Estado não tivesse distorcido o sistema financeiro durante décadas, ninguém precisaria de renegociação com 90% de abate. O problema não é o caloteiro, é o modelo que cria calote.

    João Carlos da Silva

    03/05/2026

    Lucas, você toca num ponto importante ao dizer que o modelo cria o calote, mas cuidado com essa ideia de que o “mercado corrige” algo por conta própria. O que vemos aqui não é uma correção espontânea, e sim uma regulação estatal forçando o sistema financeiro a reconhecer que suas próprias práticas de crédito predatório geraram uma massa de endividados que inviabiliza até a lógica do lucro. Sem o Estado intervindo, o mercado continuaria empurrando juros abusivos e lucrando com a inadimplência — como faz há décadas. A renegociação é um paliativo, não uma cura, e enquanto não enfrentarmos a estrutura que transforma direito básico em mercadoria, estaremos apenas trocando a camisa de força por algemas mais confortáveis.

Zé do Povo

03/05/2026

90% DE DESCONTO É PRA QUEM NÃO TRABALHA! 😡 LADRÃO COM ENDIVIDAMENTO É PIOR QUE LADRÃO DE GALINHA! FAZ O L E VAI PRO INFERNO!

Fernando O.

03/05/2026

Tonho, se 90% de desconto ainda é “bondade com vagabundo”, me explica por que os bancos aceitaram? Porque sabem que o valor real da dívida nunca foi aquele montante com juros compostos abusivos. O Desenrola é um reconhecimento tácito de que o sistema de crédito no Brasil é uma máquina de moer pobre.

Tonho Patriota

03/05/2026

90% DE DESCONTO E AINDA VAI TER GENTE ACHANDO BOM? ISSO É DINHEIRO PUBLICO PAGANDO DÍVIDA DE VAGABUNDO QUE NAO TRABALHA! FAZ O L E TOMA NO CU!

    Maura Santos

    03/05/2026

    Tonho, calma lá, respira. Dinheiro público pagando dívida de vagabundo? Os bancos que inflaram esses juros abusivos são os mesmos que financiaram o agro que você tanto ama, e o governo só tá obrigando eles a devolverem parte do que roubaram. Mas se prefere chamar de vagabundo quem teve que se endividar pra comer durante a pandemia, o problema não é o Desenrola, é seu conceito de humanidade.

Ronaldo Pereira

03/05/2026

Ah, Ahmed, você tocou num ponto que é a chave da questão. O desconto de 90% não é bondade do governo, é a prova de que os bancos inflaram essas dívidas com juros abusivos e multas criminosas durante anos, sabendo que o trabalhador não ia conseguir pagar. O Desenrola é uma medida paliativa, sim, mas enquanto a reforma tributária e o controle de juros não vierem pra valer, o povo vai continuar sendo sangrado pelo sistema financeiro. O que a classe trabalhadora precisa é de emprego digno e salário justo, não de esmola com juro podre.

Ahmed El-Sayed

03/05/2026

Mais um programa que trata o sintoma, não a doença. Desconto de 90% mostra o quanto os bancos inflaram juros e multas sabendo que o governo pagaria a conta depois. Enquanto isso, o Estado laico empurra o cidadão para o consumo sem limites, afasta a família e a fé do centro da educação financeira, e depois vem com esse “perdão” seletivo. Onde fica a responsabilidade moral de cada um diante de Deus e da comunidade?

Clarice Historiadora

03/05/2026

Célio, seu discurso de “vagabundo que não sabe se controlar” ignora que a maioria dos endividados no Brasil é de trabalhadores informais, mães solo e aposentados que recorreram ao crédito pra sobreviver durante a pandemia. Enquanto isso, o agro que você defende recebeu R$ 500 bilhões em subsídios federais entre 2016 e 2022, segundo dados do TCU. Quer falar de quem paga a conta? Vamos falar com honestidade intelectual.

Cíntia Ribeiro

03/05/2026

Célio, sua visão ignora que o endividamento das famílias brasileiras tem raízes na instabilidade econômica e na falta de educação financeira estrutural, não em “vagabundagem”. Descontos de até 90% indicam que os bancos já provisionaram essas perdas — o Desenrola apenas regula um prejuízo contábil que o sistema financeiro já aceitou.

Caio Vieira

03/05/2026

Caro Celio Fazendeiro, seu comentário evoca uma dicotomia que merece ser desconstruída à luz da sociologia econômica. A oposição entre o “produtor rural que trabalha de sol a sol” e o “vagabundo que não sabe se controlar” é a expressão mais cristalina do que Gramsci denominaria de hegemonia do senso comum neoliberal: a internalização, pelo próprio trabalhador, da lógica do capital financeiro. O senhor, ao reproduzir essa antinomia, acaba por operar como um intelectual orgânico de uma classe que não é a sua, pois o pequeno produtor rural, historicamente, também é vítima das mesmas engrenagens usurárias que agora condena no consumidor urbano endividado.

Permita-me trazer à baila a análise de Pierre Bourdieu sobre o habitus de classe. O endividamento não é um fenômeno homogêneo: quando um banco concede crédito a um assalariado ou a um pequeno agricultor, insere-o em um campo de forças assimétrico, onde a taxa de juros e as cláusulas contratuais funcionam como instrumentos de dominação simbólica. O Desenrola 2.0, com seus descontos de até 90%, não é um “presente”, mas uma tentativa tardia de corrigir distorções estruturais de um sistema que, como bem apontou Cristina Rocha, provisiona perdas e externaliza os custos para o Estado. Negar isso é fazer o jogo do rentismo, que se beneficia da fragmentação da classe trabalhadora em “bons” e “maus” devedores.

A propósito, a intervenção de Julia Andrade é precisa ao diagnosticar o caráter estrutural do superendividamento. Precisamos ir além: a financeirização da vida cotidiana, fenômeno descrito por autores como Lúcia Bresser-Pereira e Maria da Conceição Tavares, transformou o consumo em uma espécie de cidadania precária. Nos governos petistas, o acesso ao crédito foi uma política de inclusão social, mas sem a correspondente regulação do sistema financeiro, criou-se uma armadilha. O Desenrola 2.0, nesse sentido, é um paliativo necessário — uma espécie de catarse coletiva —, mas que não substitui a imperiosa necessidade de uma reforma tributária progressiva e de um controle social sobre a taxa de juros, que no Brasil atingem patamares usurais, quase shakespearianos.

Rubens O Pescador, com sua sabedoria empírica, toca no ponto nevrálgico: a memória do tempo em que o povo comprava fogão e geladeira. Aquilo não era mero consumismo, mas a conquista de dignidade material. O que Celio chama de “irresponsabilidade” é, na verdade, o resultado de um projeto de sociedade que estimula o consumo como vetor de identidade, mas pune o consumidor quando o sistema entra em crise. Solidarizo-me com a luta do povo trabalhador, seja ele do campo ou da cidade, e vejo no Desenrola um instrumento imperfeito, porém legítimo, de reparação histórica. Que venham as próximas etapas, mas que venham acompanhadas de educação financeira crítica e, acima de tudo, de regulação estatal sobre a ganância dos bancos.

Rubens O Pescador

03/05/2026

Célio, cê tá de brincadeira, né? Lá na roça, quando o povo se enforcava com dívida de banco, ninguém chamava de vagabundo. No tempo do Lula, o povo comprava fogão novo, geladeira, e ainda sobrava pra comer um churrasco no fim de semana. Esse Desenrola é mão na roda pra quem tava devendo e não conseguia nem dormir.

Celio Fazendeiro

03/05/2026

Mais um presente pra vagabundo que não sabe se controlar. Enquanto isso, o produtor rural que trabalha de sol a sol paga imposto pra bancar irresponsável. Esse país vai acabar mesmo.

    Julia Andrade

    03/05/2026

    Célio, seu comentário reproduz um dos mitos mais eficientes da narrativa neoliberal sobre o endividamento: a ideia de que ele é fruto exclusivo da irresponsabilidade individual. Mas essa leitura ignora que o superendividamento no Brasil é estrutural, não comportamental. Quando uma família de trabalhadores rurais ou urbanos contrai dívida, muitas vezes não é por consumo supérfluo — é para comprar comida, pagar aluguel ou custear um medicamento que o SUS não fornece. A taxa de juros real mais alta do mundo transforma qualquer atraso em bola de neve. O “vagabundo” que você menciona provavelmente é um trabalhador precarizado que perdeu o emprego na última crise e viu o nome sujar por uma dívida de R$ 200 que virou R$ 5 mil com juros compostos.

    O produtor rural que trabalha “de sol a sol” também é vítima desse mesmo sistema financeiro que extrai riqueza real através de juros abusivos. O agronegócio brasileiro é altamente subsidiado — por meio do Plano Safra, desonerações fiscais e isenções que somam dezenas de bilhões por ano. Se formos falar de “presente”, o campo recebe benesses fiscais históricas que a população urbana pobre nunca viu. A diferença é que o subsídio ao agro é invisível, embutido em linhas de crédito com juros negativos, enquanto o Desenrola aparece como programa explícito. Um é tratado como “incentivo ao desenvolvimento”, o outro como “esmola para vagabundo”. A hipocrisia classista dessa distinção é evidente.

    Por fim, vale lembrar que o Desenrola não perdoa dívida com dinheiro público — ele renegocia títulos que os bancos já jogaram no prejuízo contábil, como a Cristina explicou antes. O Tesouro não está pagando a conta; está apenas permitindo que o sistema reconheça a perda real em vez de manter o devedor em cárcere privado por anos. Se o país vai acabar, como você diz, não será por causa de programas que tiram 40 milhões de brasileiros do cadastro de inadimplentes. Será, talvez, por continuarmos tratando a pobreza como caso de polícia e o lucro bancário como direito divino.

Cristina Rocha

03/05/2026

Tadeu, sua análise contábil é precisa, mas peca por isolar o fenômeno do seu contexto estrutural. Você trata o superendividamento como um desvio individual de responsabilidade fiscal, quando na verdade ele é uma engrenagem do sistema financeiro. Os bancos não provisionam perdas por acaso: eles calculam exatamente quantas famílias vão quebrar e colocam isso no preço dos juros para quem paga em dia. O “responsável fiscal” que você menciona já está pagando a conta há décadas, na forma de spreads bancários entre os maiores do mundo. O Desenrola não é caridade, é um paliativo necessário dentro de um modelo que transforma direito básico — moradia, alimentação, saúde — em dívida com juros compostos.

A crítica que eu faria ao governo é outra: por que não atacar a raiz do problema? Enquanto o Desenrola 2.0 alivia a ponta do consumo, o sistema financeiro segue intacto, com taxas de juros reais que envergonham qualquer economia civilizada. A Ceci Silva tem razão quando aponta que o salário mínimo não cobre o básico. O que falta é uma política de renda mínima universal combinada com regulação feroz do crédito consignado e do rotativo do cartão. Ensinar educação financeira para quem ganha um salário mínimo e paga 400% de juros no cheque especial é como ensinar natação para alguém que está sendo arrastado por uma cachoeira.

O Luizinho 16 ironizou o “mercado livre” pagar a conta, e há uma verdade amarga aí: o neoliberalismo nos vendeu a ideia de que cada um é uma empresa de si mesmo, e quando a empresa quebra, a culpa é do empresário incompetente. Mas a verdade é que o sistema foi desenhado para produzir inadimplência em massa. Os bancos lucram mais com a rolagem de dívidas podres do que com o crédito produtivo. O Desenrola é um curativo, não a cura. A cura seria taxar grandes fortunas, regular o spread bancário com mão de ferro e garantir que ninguém precise se endividar para comer ou morar. Enquanto isso não vier, vamos continuar discutindo se o desconto é de 90% ou 95%, como se isso resolvesse a equação perversa entre salário congelado e financeirização da vida.

Rick Ancap

03/05/2026

90% de desconto? E quem paga a conta no fim do mês, o mercado livre?

    Luizinho 16

    03/05/2026

    Rick, o mercado livre paga a conta do mesmo jeito que você paga o aluguel: com o dinheiro que não existe, mas todo mundo finge que sim.

Beatriz Lima

03/05/2026

Tadeu, você resumiu bem a lógica contábil por trás disso: os bancos já provisionaram essas perdas e, na prática, o “desconto” é apenas um ajuste no valor de face de um papel que nunca seria pago integralmente. O problema é que o discurso oficial trata como se o governo estivesse abrindo mão de um tesouro, quando na verdade está apenas permitindo que as instituições financeiras limpem o balanço com um custo político mínimo.

Dito isso, acho que a discussão escorrega para um falso moralismo em ambos os extremos. De um lado, a Silvia com seu versículo bíblico e a ideia de que pobre se endivida por falta de “educação financeira” – como se juros de 400% ao ano fossem um detalhe pedagógico. Do outro, a Cecília que reduz tudo a “salário mínimo não cobre o básico”, ignorando que há sim um componente comportamental e de consumo impulsivo que não pode ser varrido para debaixo do tapete. A realidade é mais chata: o sistema financeiro brasileiro opera como um cassino com regras assimétricas, onde o banco sempre ganha porque pode renegociar a dívida que ele mesmo criou com juros abusivos.

O que me intriga de verdade é a ausência de qualquer contrapartida estrutural nesse Desenrola 2.0. Cadê a regulação que limita o spread bancário? Cadê a portabilidade de crédito que funcione de verdade? Enquanto o governo se contentar em apagar incêndio com descontos pontuais, sem mexer no sistema que gera o endividamento em massa, vamos ficar nesse looping: o banco empurra crédito podre, o devedor quebra, o governo “perdoa”, e o custo disso tudo volta via inflação ou via aumento da dívida pública. No fim, quem paga a conta é o Tadeu que é “responsável fiscalmente” – ou qualquer um que não tenha uma dívida de cartão de crédito para renegociar.

Tadeu

03/05/2026

90% de desconto? Isso só prova que o valor original era pura maquiagem de juros. O banco já colocou na conta o lucro que ia ter, então perdoar agora não é caridade, é ajuste de expectativa. Quem é responsável fiscalmente, como eu, acaba pagando a conta de todo mundo via inflação.

Silvia Ramos

03/05/2026

Gente, pelo amor de Deus, cadê a responsabilidade? O que adianta perdoar dívida se não ensinamos o povo a administrar o dinheiro? Provérbios 22:7 já diz que o rico domina sobre o pobre e o que toma emprestado é servo do que empresta. Esse governo só quer comprar voto com dinheiro dos outros, enquanto a família tradicional se desestrutura cada vez mais.

    Cecília Silva

    03/05/2026

    Silvia, com todo respeito, mas falar em “ensinar a administrar dinheiro” pra quem vive na corda bamba é quase piada. O problema não é falta de educação financeira, é que o salário mínimo não cobre nem o básico e o banco empurra crédito com juros de agiota. Enquanto a usura bancária for tratada como normal, qualquer “lição de responsabilidade” é só mais um peso nas costas de quem já carrega o país.

João Martins

03/05/2026

João Pereira, você tocou no ponto que mais me incomoda nessa história toda: a assimetria de informação. O governo anuncia 90% de desconto como se fosse um grande favor ao consumidor, mas ninguém pergunta qual era o valor original da dívida antes dos juros e multas. Se um empréstimo de R$ 1.000 vira R$ 10.000 depois de dois anos de atraso, um desconto de 90% ainda deixa o banco recebendo R$ 1.000 — ou seja, o valor principal corrigido pela inflação. O “desconto” é, na prática, a eliminação dos encargos abusivos que o próprio sistema financeiro criou. O Desenrola funciona como um resgate dos bancos, que transformam crédito podre em caixa imediato com aval do Tesouro.

O que me deixa cético é a ausência de dados concretos sobre o impacto fiscal. O ministro interino fala em “uma das maiores renegociações da história”, mas cadê a nota técnica com a projeção de renúncia tributária e o custo para o Fundo Garantidor de Operações? Sem transparência, fica parecendo propaganda eleitoral travestida de política pública. Estudos do Banco Mundial mostram que programas de renegociação massiva só funcionam quando acompanhados de educação financeira e limites legais para spreads bancários. Do contrário, é como enxugar gelo: em dois anos, metade desses mesmos consumidores volta a ficar inadimplente.

A Maria Silva e o Ronaldo Silva levantaram a questão dos juros abusivos, e isso merece um dado concreto: segundo o Banco Central, o spread bancário médio no Brasil gira em torno de 30% ao ano para operações de crédito pessoal, contra 3-5% em economias como a chilena ou a colombiana. Se o governo quer atacar a raiz, deveria regulamentar o teto de juros no rotativo do cartão e no cheque especial, que chegam a 400% ao ano. O Desenrola 2.0 trata o sintoma, não a doença. E enquanto isso, quem paga as contas em dia, como o Eduardo, financia via impostos esse seguro para maus pagadores.

Minha aposta é que os números oficiais vão mostrar uma redução temporária da inadimplência, mas sem efeito duradouro sobre o consumo ou a qualidade de crédito. Vamos ver os dados do Serasa nos próximos seis meses. Se a reincidência for alta, fica claro que o programa é mais um paliativo eleitoreiro do que uma solução estrutural. E se for baixa, aí sim podemos discutir se vale a pena o custo fiscal. Até lá, fico com o ceticismo de quem já viu esse filme em 2009, 2013 e 2020.

João Pereira

03/05/2026

Pois é, Luciana, você tocou num ponto que me incomoda: enquanto o governo anuncia descontos generosos, ninguém pergunta por que as dívidas chegaram a 90% do valor original. O sistema financeiro embute juros que tornam qualquer parcelamento uma armadilha, e o Desenrola acaba virando um perdão parcial que não mexe na estrutura do problema. Quem paga em dia, como o Eduardo, realmente sai perdendo nessa equação.

Luciana Costa

03/05/2026

A Maria Silva tem toda razão: o Desenrola 2.0 é um paliativo bem-vindo para quem está sufocado, mas é insustentável se o governo não enfrentar de verdade a usura bancária. Enquanto isso, quem paga tudo em dia, como o Eduardo, acaba subsidiando o sistema sem nenhum benefício real. Falta uma reforma que alinhe taxas de juros civilizadas com a proteção ao consumidor.

Maria Silva

03/05/2026

Ronaldo, você tocou num ponto crucial: 90% de desconto soa bem, mas cadê a contrapartida para coibir esses juros que são uma verdadeira usura? Sou a favor de dar chance pra quem se endividou, mas o governo precisa atacar a raiz do problema, não só apagar incêndio com dinheiro público.

Ronaldo Silva

03/05/2026

Pois é, João Carlos, você falou bem demais. Sou motorista e vejo colega se lascando com juro de banco que não acaba nunca. Agora, 90% de desconto é coisa séria, mas cadê o governo pra regular esses juros abusivos que geram a dívida? Enquanto isso, a gente paga imposto pra tudo e ainda vê banco lucrando em cima do desespero alheio.

João Carlos Silva

03/05/2026

Pois é, Eduardo, eu entendo sua bronca de quem paga tudo em dia. Mas também já vi muito amigo motorista se afundar por causa de juro que não acaba mais. Se o governo der um jeito de limpar o nome dessa galera sem incentivar calote, já é uma ajuda. O problema é que o custo de vida não baixa, e aí qualquer tropeço vira bola de neve.

Nadia Petrova

03/05/2026

Laura, sua inquietação é certeira: o moralismo do “calote premiado” é um truque retórico pra desviar o debate do que realmente importa. O Eduardo aí em cima acha que o problema é o consumidor que não pagou, mas esquece que o sistema bancário brasileiro opera com spreads dignos de agiota de novela. Enquanto não houver reforma no crédito e educação financeira de verdade, o Desenrola é só um curativo num paciente que precisa de cirurgia.

Laura Silva

03/05/2026

A leitura dos comentários me provoca uma inquietação que vai além do mérito administrativo do Desenrola 2.0. Vejo uma linha de raciocínio que ronda a moralidade do “calote premiado”, como se o problema estivesse no consumidor que não pagou, e não na estrutura que transforma uma dívida de R$ 100 em um monstro de R$ 5 mil por meio de juros compostos que beiram a usura. O colega João Augusto foi certeiro ao lembrar que o Estado não está perdoando dívidas; está quebrando um ciclo de exploração financeira que, se deixado solto, condena milhões de brasileiros à exclusão creditícia perpétua. O que o Desenrola faz é um reparo emergencial em um sistema quebrado, não um prêmio à irresponsabilidade.

O argumento de que “quem paga em dia é otário” é uma falácia liberal clássica, que ignora que a disciplina financeira individual não existe num vácuo. O trabalhador que paga o boleto em dia muitas vezes o faz sacrificando alimentação, lazer ou saúde, e ainda assim é tratado como número pelo banco, que lhe oferece crédito rotativo com juros de 400% ao ano. O “incentivo” para o bom pagador, como bem pontuou Mariana Ambiental, é justamente não ter caído na armadilha do endividamento predatório. Mas isso não é mérito moral, é sorte ou circunstância. Se o sistema fosse justo, não precisaríamos de um programa de renegociação em massa.

É preciso lembrar que o endividamento das famílias brasileiras não é um fenômeno de consumo inconsequente, mas sim uma consequência direta do arrocho salarial e da precarização do trabalho que o neoliberalismo aprofundou nos últimos anos. Quando o custo de vida sobe e o salário mínimo não acompanha, a saída é o crédito fácil, que se torna uma corda no pescoço. O Desenrola 2.0, com descontos de até 90%, é uma tentativa de desafogar essa corda, mas não pode ser a única política. Sem regulação séria das taxas de juros e sem um projeto de desenvolvimento que gere emprego e renda dignos, estaremos apenas tratando a febre com analgésico enquanto a infecção se espalha.

A crítica de Ana Paula Conserva e Eduardo Nogueira reflete uma visão de mundo que endeusa o mercado autorregulado e pune o pobre por sua condição. Mas a história do capitalismo brasileiro mostra que o “otário” não é quem atrasa o boleto, e sim quem acredita que o sistema financeiro vai recompensar a lealdade. O Estado tem o dever de intervir quando o mercado produz desigualdade insustentável. O Desenrola é paliativo, mas necessário. O debate real deveria ser sobre como evitar que novas gerações caiam na mesma armadilha, e isso exige enfrentar o poder dos bancos e a lógica do lucro a qualquer custo.

Ana Costa

03/05/2026

Acho que o João Augusto foi cirúrgico ao lembrar que a origem do calote está nos juros abusivos, e não no consumidor que se enrolou. Dito isso, o Desenrola 2.0 pode até aliviar o curto prazo, mas não resolve o problema estrutural do crédito no Brasil. Sem uma regulação séria das taxas, vamos ficar nesse ciclo vicioso de endividamento e perdão eternamente.

Eduardo Nogueira

03/05/2026

90% de desconto? Kkkkk ou seja, o governo basicamente falou “não pague suas contas que a gente perdoa”. Enquanto isso quem trabalha e paga tudo em dia é otário. Brasil, o país do calote premiado.

    João Augusto

    03/05/2026

    Eduardo, sua piada tem a precisão de quem confunde o efeito com a causa. O calote premiado não nasce no Desenrola, mas na usura que transforma um atraso de R$ 100 em dívida de R$ 5.000 com juros compostos dignos de anatocismo medieval. Se o Estado não interviesse para quebrar essa engrenagem, o “otário” que paga em dia continuaria financiando, via spread bancário, o lucro dos mesmos credores que depois vendem a dívida podre com 90% de desconto. O moralismo fiscal, aqui, só esconde quem realmente ganha com a inadimplência.

Ana Paula Conserva

03/05/2026

Mais um programa que joga dinheiro dos contribuintes honestos pra lá e pra cá, enquanto a família que se vira pra pagar as contas em dia é tratada como otária. Cadê um incentivo pra quem nunca atrasou um boleto? Isso só estimula a irresponsabilidade financeira e desmonta o valor do trabalho e da disciplina.

    Mariana Ambiental

    03/05/2026

    Ana Paula, o problema é que seu raciocínio ignora que o sistema financeiro lucra com juros abusivos e que o “incentivo” pra quem paga em dia já existe: é não ter sido escravizado por dívidas impagáveis. Se a disciplina financeira fosse recompensada de verdade, o Brasil não teria bancos com lucros recordes enquanto milhões devem porque o salário mínimo não cobre o básico.

Adalberto Livre

03/05/2026

AH, ESSE LULA SÓ SABE DISTRIBUIR DINHEIRO DOS OUTROS PRA COMPRAR VOTO, ENQUANTO O BRASIL QUEBRA!

    Lucas Pinto

    03/05/2026

    Adalberto, sua indignação tem um alvo errado. Você reclama de “distribuir dinheiro dos outros” como se o Estado fosse um ente abstrato que tira recursos de cidadãos virtuosos para dar a vagabundos, quando na verdade o que está em jogo é a correção de uma distorção estrutural do capitalismo financeiro brasileiro. Os bancos privados, que lucraram mais de 180 bilhões de reais no último ano, operam com spreads que beiram a usura — juros no rotativo do cartão que ultrapassam 400% ao ano. Isso não é mercado, é extração de renda disfarçada de serviço. O Desenrola não é “presente”, é uma tentativa tímida de desarmar uma bomba social que o próprio sistema financeiro montou com a conivência de governos anteriores. Se o Brasil “quebra”, como você diz, não é por perdoar dívida de quem já não tinha como pagar, mas por manter intacta a engrenagem que transfere renda dos trabalhadores para o topo da pirâmide bancária.

    O discurso do “contribuinte que paga a conta” é um clássico da gramática neoliberal: ele individualiza um problema sistêmico e transforma o endividado em parasita, enquanto naturaliza o lucro bancário como mérito. Gramsci já apontava como o senso comum hegemônico opera para fazer o oprimido odiar quem está no mesmo barco que ele. Você, que provavelmente trabalha e paga impostos, está sendo levado a acreditar que seu inimigo é o vizinho desempregado que não conseguiu pagar o cartão, e não o sistema que transforma dívida em mercadoria e juro em instrumento de disciplina social. O Brasil não quebra porque Lula perdoa dívida; o Brasil quebra há décadas porque a elite financeira nunca foi taxada, porque o Estado nunca usou seu poder de regulação para conter a usura, e porque a dívida pública consome 40% do orçamento federal pagando juros a quem já tem demais.

    Você menciona “comprar voto” como se a democracia brasileira não fosse, desde 1994, um grande leilão financiado por caixa dois e propina empresarial. O PSDB comprou voto com Plano Real e estabilização monetária que beneficiou banqueiros; o PT compra com políticas de transferência de renda que, mesmo imperfeitas, mantêm 30 milhões de pessoas com algum poder de consumo. A diferença é que um tipo de compra é chamado de “governança responsável” e o outro de “populismo irresponsável”. Enquanto você grita contra o Desenrola, os bancos continuam lucrando com a miséria alheia e o sistema tributário regressivo continua fazendo o pobre pagar mais imposto que o rico. Talvez o problema não seja o “presente” para o endividado, mas o fato de que o presente para o rentista — juros estratosféricos, isenções fiscais, spreads abusivos — nunca é questionado. Isso sim é distribuir dinheiro dos outros: só que dos outros que trabalham, para os outros que já têm patrimônio.

Carlos A. Mendes

03/05/2026

Marta, entendo sua frustração, mas acho que a gente precisa separar as coisas. Quem nunca atrasou uma conta muitas vezes só não passou pelo aperto de ter que escolher entre pagar o cartão ou comprar comida. Desconto de 90% em dívida com juros abusivos não é “presente”, é corrigir um sistema quebrado. Agora, se o governo fosse mais eficiente no gasto público em vez de só fazer esses remendos, aí sim a gente não precisaria desses programas.

Marta Souza

03/05/2026

Mais um presente eleitoreiro bancado por quem paga imposto em dia. Enquanto isso, quem nunca atrasou uma conta e trabalhou duro pra manter o nome limpo continua pagando a conta desse festival de perdão. Se o governo reduzisse impostos e parasse de sufocar o empreendedor, ninguém precisava de 90% de desconto em dívida — o mercado se autorregula.

Ricardo Menezes

03/05/2026

Mais um balão de ensaio fiscal pra tentar esconder a incompetência. Se o governo não criasse um manicômio tributário e jurídico pra empreender, ninguém precisava de 90% de desconto em dívida — o cidadão pagava o que deve sem juros de agiota. Enquanto isso, o contribuinte que paga imposto em dia financia o calote alheio. Parasitismo puro.

    Bia Carioca

    03/05/2026

    Ricardo, você chama de “parasitismo” perdoar dívida de quem paga 400% de juros no rotativo, mas acha normal banco lucrar 180 bilhões por ano em cima do trabalhador endividado. O manicômio tributário que você critica é o mesmo que permite esse spread abusivo — o Desenrola só tenta consertar um sistema que já nasceu quebrado.

Zé Trovãozinho

03/05/2026

Lá vem o Lula querendo comprar voto com dinheiro público de novo, enquanto a inflação não dá trégua. Desconto de 90% em dívida é piada, só mostra como esse governo é desesperado.

    Maria Aparecida

    03/05/2026

    Zé, o desespero mesmo é de quem precisa pagar conta de supermercado com cartão de crédito e não consegue dormir por causa da dívida. Enquanto isso, banco lucra bilhões e você acha que perdoar 90% de uma dívida que já foi paga três vezes com juros é “piada” — parece que o evangelho que você lê é o do mercado, não o de Jesus, que mandou perdoar as dívidas dos devedores.

    Mariana Santos

    03/05/2026

    Zé, desesperado mesmo é o trabalhador que paga 400% de juros no rotativo enquanto o sistema financeiro lucra R$ 180 bilhões por ano. Se perdoar dívida que já foi paga três vezes com juros abusivos é piada, o que é o spread bancário brasileiro, então?

Lurdinha Deus Acima de Todos

03/05/2026

Credo, 90% de desconto? Isso é coisa do capeta pra enganar o povo! Fecha as igrejas não, amém! 🙏🇧🇷

    Ricardo Almeida

    03/05/2026

    Lurdinha, o capeta que eu conheço é o que usa pânico moral pra desviar a atenção de fatos concretos: o programa renegocia dívidas reais de gente que já está negativada — não inventa descontos do além. Se 90% é “coisa do capeta”, então os bancos que aceitaram o acordo são os verdadeiros endemoniados.

Karina Libertária

03/05/2026

Ah, lá vem o Lula ensinar o povo a não pagar as contas de novo. 90% de desconto? Quem é responsável e paga tudo em dia que se exploda, né? Esse país só premia quem não se esforça. Eu moro em Miami e invisto meu dinheiro, não preciso de esmola do governo.

    Ana Karine Xavante

    03/05/2026

    Karina, sua tranquilidade em afirmar de Miami que não precisa de esmola do governo revela um privilégio que é exatamente a raiz do problema que o Desenrola tenta mitigar. Você mora nos Estados Unidos, um país que construiu sua riqueza sobre séculos de escravidão, genocídio indígena e exploração colonial — o mesmo modelo que, no Brasil, deixou marcas profundas de desigualdade. Dizer que quem paga as contas em dia é o único merecedor de respeito ignora que o sistema financeiro brasileiro opera com juros que estão entre os mais altos do mundo, não por eficiência, mas por um desenho que privilegia bancos e credores. O trabalhador que se endivida não é, na maioria dos casos, um irresponsável; é alguém que enfrenta um custo de vida que supera o salário, que precisa escolher entre pagar o cartão de crédito ou comprar comida. Você, que investe seu dinheiro em Miami, provavelmente nunca precisou fazer essa escolha.

    O discurso da meritocracia individualista, tão comum entre brasileiros que vivem fora, ignora a estrutura colonial do nosso país. O Brasil foi construído sobre a lógica da exploração: primeiro dos povos indígenas, depois dos negros escravizados, e hoje da classe trabalhadora que sustenta um sistema tributário regressivo. Quem paga as contas em dia muitas vezes o faz porque teve acesso a educação de qualidade, a crédito com juros menores, a uma rede de apoio que a maioria não tem. O Desenrola não é um prêmio à irresponsabilidade; é um reconhecimento de que o Estado e o sistema financeiro criaram uma armadilha de dívidas que empurra milhões para a exclusão. Você pode não precisar de esmola, como diz, mas talvez precise refletir sobre o que significa viver num país que explora o trabalho dos outros para manter seu conforto em Miami.

    Seu comentário ecoa uma visão que criminaliza a pobreza enquanto naturaliza a usura. O problema não é o desconto de 90% — é que durante décadas os bancos cobraram 400% ao ano no rotativo do cartão, transformando uma dívida de R$ 100 em R$ 10 mil. O Desenrola não quebra o sistema; ele apenas tenta consertar um pouco do estrago que o próprio sistema causou. E, sim, quem paga em dia acaba subsidiando indiretamente, mas isso é uma escolha política: ou mantemos um modelo que exclui metade da população do consumo formal, ou tentamos reintegrar essas pessoas. Você, de Miami, talvez não veja, mas aqui na terra indígena onde vivo, a dívida não é um erro individual — é uma ferramenta de controle. O colonialismo sempre usou o endividamento para manter povos subjugados. O Desenrola é um passo pequeno, mas necessário, para romper esse ciclo.

    Cláudio Ribeiro

    03/05/2026

    Karina, sua narrativa de mérito individual ignora que o trabalhador brasileiro não concorre em igualdade com o capital financeiro, que extrai mais-valia via juros estratosféricos — e, ao se colocar de Miami como exemplo de virtude, você apenas confirma a tese de que o privilégio geopolítico é o verdadeiro motor da sua suposta responsabilidade.

    João Carvalho

    03/05/2026

    Karina, sua perspectiva de que o programa premia a irresponsabilidade ignora um dado estrutural: o Brasil tem a maior taxa de juros real do mundo, e o superendividamento das famílias é, em grande parte, consequência de um sistema financeiro que opera como usura legalizada. A discussão não é sobre mérito individual, mas sobre a assimetria de poder entre quem empresta a 400% ao ano e quem precisa de crédito para sobreviver.

Carlos Meirelles

03/05/2026

O Major tem um ponto: quem paga as contas em dia acaba subsidiando esse perdão generalizado. Desconto de 90% não é solução, é承认 de que o Estado quebrou o cidadão com impostos e juros. Cadê o programa pra desonerar quem nunca devia nada?

    Carlos Oliveira

    03/05/2026

    Carlos, com todo respeito, mas essa visão ignora que o sistema financeiro já lucra há décadas com juros abusivos que quebram o trabalhador. Desonerar quem nunca devia nada é justo, mas não podemos esquecer que a maioria dos endividados não é irresponsável: é vítima de um modelo que precariza renda e emprego. O Desenrola não é perdão, é um respiro para quem o sistema afogou.

    Carlos Henrique Silva

    03/05/2026

    Carlos, seu comentário levanta um ponto que merece ser aprofundado, mas parto de uma premissa diferente. Você diz que quem paga as contas em dia subsidia o perdão generalizado. A questão é: o que significa “pagar as contas em dia” num país onde a taxa básica de juros é a mais alta do mundo real e o spread bancário é um dos maiores do planeta? O cidadão que “nunca devia nada” não é um herói da poupança isolado do sistema; ele é, na verdade, o sustentáculo de um modelo que transfere renda dos 99% para o topo da pirâmide financeira. O Banco Central já demonstrou que o spread bancário brasileiro é explicado em grande parte pelo lucro dos bancos, não pela inadimplência. Ou seja, o “bom pagador” já subsidia, via juros exorbitantes, a margem de lucro dos acionistas dos bancos. O Desenrola não cria esse subsídio; ele apenas redistribui, ainda que de forma imperfeita, uma migalha do que foi extraído.

    Sua crítica à desoneração de quem nunca devia nada é justa, mas ela escamoteia a natureza de classe do endividamento. O trabalhador que se endivida não é um desviante moral; ele é o elo frágil de uma engrenagem que combina salário comprimido, inflação de serviços básicos e um sistema de crédito predatório. O Estado não “quebrou o cidadão com impostos” — essa é uma tese liberal que ignora que a carga tributária brasileira é regressiva: o pobre paga proporcionalmente mais em impostos indiretos do que o rico em renda. Quem quebrou o cidadão foi a financeirização da vida, a transformação do crédito em substituto do salário. O Desenrola é um paliativo, claro, mas ele ao menos expõe a verdade incômoda: 90% de desconto não é generosidade, é a confissão de que a dívida original era ilegítima, fruto de juros que beiram a usura.

    Por fim, discordo da ideia de que o programa “premia o caloteiro”. Isso é uma narrativa moralista que o próprio capitalismo adora, porque individualiza um problema sistêmico. Gramsci já nos ensinava que a hegemonia se mantém também pela capacidade de fazer com que o oprimido internalize a culpa pela própria opressão. O endividado não é um aventureiro fiscal; ele é o sintoma de um modelo que precisa da dívida como mecanismo de controle social e extração de valor. Se você quer desonerar quem nunca devia nada, ótimo: defenda a taxação de grandes fortunas, o fim do privilégio dos bancos com títulos públicos indexados ao juro real, e a regulação do crédito rotativo. Enquanto isso não acontece, o Desenrola é uma pequena trégua numa guerra assimétrica — e não o contrário.

    Pedro Almeida

    03/05/2026

    Carlos, sua objeção lembra a crítica de Edmund Burke à Revolução Francesa: o cuidado com os credores “virtuosos” enquanto se ignora que a usura legalizada já é uma violência estrutural. O problema não é desonerar quem paga em dia, mas aceitar que o sistema financeiro opere como um Leviatã que cobra 400% ao ano sem qualquer contrapartida social — o desconto de 90% não é perdão, é reparação mínima diante de um Estado que sempre protegeu o capital em detrimento do trabalho.

Major Ricardo Silva

03/05/2026

90% de desconto? Mais uma esmola eleitoreira pra comprar voto de quem nunca aprendeu a se organizar. Enquanto isso, o cara que honra os compromissos toma juro de 400% no rotativo. Cadê o Desenrola pra quem nunca devia nada? Só vejo esse governo premiar caloteiro e destruir o valor da responsabilidade.

    Alice T.

    03/05/2026

    Major, se o sistema financeiro pode dar 90% de desconto é porque a dívida original já era extorsiva. Quer responsabilidade? Começa defendendo taxa de juros civilizada e para de culpar quem foi esmagado por 400% ao ano.

    Francisco de Assis

    03/05/2026

    Major, com todo respeito, o senhor acha que o cara que paga juro de 400% no rotativo é exemplo de responsabilidade? Isso é agiotagem com selo de banco, não virtude. O Desenrola não premia caloteiro, premia o pobre que foi sufocado por esse sistema que o senhor mesmo critica.

    Lucas Andrade

    03/05/2026

    Major, sua fala revela uma nostalgia curiosa por uma responsabilidade que nunca existiu para todos — o sujeito endividado não é um desviante moral, é o sintoma de um sistema que produz dívida como tecnologia de controle. O Desenrola não restaura virtude, apenas expõe que 90% de desconto é a confissão de que o preço original já era violência pura.

Sgt Bruno 🇧🇷

03/05/2026

Selva! Mais um balaio de gato desse governo pra maquiar a incompetência. 90% de desconto? Só prova que essas dívidas eram podres desde o começo, criadas por esse sistema quebrado. Enquanto isso o cidadão de bem que paga tudo certinho se ferra, e o vagabundo é premiado. Tudo farinha do mesmo saco comunista.

    Mariana Oliveira

    03/05/2026

    Sgt Bruno, você levanta um ponto que merece uma análise mais cuidadosa, especialmente quando você chama de “vagabundo” quem está endividado. A sua fala reflete uma visão muito comum, mas que esconde uma armadilha moral que precisamos desmontar. A ideia de que o endividamento é uma escolha individual, uma falha de caráter, ignora completamente a estrutura econômica e racial que empurra grupos inteiros para o buraco. Kimberlé Crenshaw, a criadora do conceito de interseccionalidade, nos mostra que as opressões não agem sozinhas: o racismo, o machismo e a desigualdade de classe se cruzam para determinar quem vai parar no SPC e quem vai ser socorrido. Uma mulher negra, chefe de família, que ganha um salário mínimo e precisa escolher entre pagar a conta de luz ou comprar o leite das crianças, não está endividada por “vagabundagem”. Ela está presa num sistema que historicamente a excluiu do crédito justo, do emprego digno e da educação financeira. O Desenrola, com todos os seus defeitos, é uma tentativa de reconhecer que essa dívida não nasceu do nada — ela é fruto de um país que sempre tratou a pobreza como caso de polícia, e não como questão de direitos.

    Você menciona o “cidadão de bem que paga tudo certinho” como se ele fosse a vítima dessa política. Mas a pergunta que fica é: quem define o que é ser “cidadão de bem”? bell hooks, em “Ensinando a Transgredir”, nos alerta para como a moralidade é usada como ferramenta de controle social. O “cidadão de bem” muitas vezes é aquele que se encaixa num ideal branco, heteronormativo e de classe média, enquanto o “vagabundo” é a pessoa preta e pobre que o sistema já criminalizou antes mesmo de ela cometer qualquer crime. O desconto de 90% não é um “prêmio” para caloteiros; é um reconhecimento de que aquelas dívidas, muitas vezes, foram contraídas em condições de vulnerabilidade extrema, com juros abusivos que multiplicaram o valor original dezenas de vezes. O sistema financeiro não é neutro: ele lucra com a inadimplência, e o Estado, ao intervir com um programa como esse, está apenas tentando corrigir uma distorção que o próprio mercado criou.

    E sobre o “sistema quebrado” e o “comunismo”: acho importante lembrar que o endividamento das famílias brasileiras não é uma invenção do PT ou do Lula. Dados do IBGE mostram que a inadimplência disparou durante a pandemia, independentemente de quem estava no poder, e que o perfil do devedor no Brasil é majoritariamente feminino, negro e com baixa escolaridade. Chamar isso de “balaio de gato” ou “farinha do mesmo saco comunista” é uma forma de evitar o debate real sobre como a dívida opera como um mecanismo de manutenção da desigualdade racial e de gênero. O Desenrola 2.0 não é perfeito, e críticas técnicas são bem-vindas, mas reduzir milhões de brasileiros a “vagabundos” é repetir o discurso que sempre culpou o pobre pela própria pobreza. A pergunta que fica é: se o sistema fosse tão justo, por que ele precisa de descontos de 90% para ser minimamente funcional? Talvez o problema não esteja em quem deve, mas em quem lucra com a dívida.

    Marina Silva

    03/05/2026

    Sgt Bruno, essa lógica de meritocracia individualista cai por terra quando a gente lembra que o sistema financeiro lucra com juros abusivos e o Estado só tá corrigindo uma dívida social histórica.

João Santos

03/05/2026

Ah, lá vem o Desenrola de novo… 90% de desconto? Só se for pra pagar o erro do próprio governo que inflacionou tudo. Enquanto isso, o trabalhador que paga as contas em dia que se vire, né? Esse povo só sabe criar cabide de emprego e dar calote com dinheiro público.

    Augusto Silva

    03/05/2026

    João, querido, inflação no Brasil está em 4,5% — menor que a da Argentina, do Reino Unido e até que a média dos EUA no pós-pandemia. O Desenrola já renegociou mais de R$ 50 bilhões em dívidas e tirou 15 milhões de pessoas do vermelho, o que, pasme, injeta dinheiro na economia e não no seu bolso? Mas entendo: é mais fácil achar que 90% de desconto é cabide de emprego do que admitir que o trabalhador endividado também merece uma segunda chance.


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