O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, alertou que Washington deu início a uma nova fase do confronto no Oriente Médio, articulada para sufocar economicamente a República Islâmica.
Na avaliação do líder legislativo, os Estados Unidos pretendem minar a coesão interna iraniana e precipitar um colapso desde dentro. Em pronunciamento televisionado à população, Ghalibaf descreveu um pacote de medidas que incluiria bloqueio naval, pressão midiática e sanções ampliadas.
Segundo o dirigente, trata-se de uma ofensiva gradativa na qual cada instrumento é acionado para fragilizar a sociedade antes de qualquer ação militar direta. Ele citou declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, que teriam dividido o país persa entre extremistas e moderados como parte da estratégia de desestabilização.
Na sequência, Trump teria defendido a continuidade do bloqueio marítimo até que Teerã aceite um acordo que limite sua soberania. Para o parlamentar, essa retórica busca induzir choques políticos internos capazes de paralisar decisões estratégicas em temas como o programa nuclear civil e a autonomia energética.
‘O plano é forçar a rendição via inflação, desemprego e confronto interno’, resumiu Ghalibaf perante a câmara legislativa. O alerta ocorre em meio a semanas de tensão no golfo Pérsico, onde navios norte-americanos intensificaram patrulhas próximas ao estreito de Ormuz.
O estreito é a artéria por onde escoa aproximadamente um quinto do petróleo global. Qualquer tentativa de barrar o tráfego naquela rota elevaria o preço internacional da energia e afetaria economias de diversas regiões do mundo.
Ghalibaf lembrou que a coesão nacional foi decisiva para atravessar embargos anteriores desde 1979 e que a unidade da sociedade é o principal antídoto contra o cerco atual. Ele disse confiar na capacidade de adaptação do setor produtivo, que hoje exporta aço, fertilizantes e derivados petroquímicos mesmo sob regime de sanções.
Especialistas em Teerã enxergam nos avisos do parlamentar um chamado preventivo à sociedade diante de possíveis turbulências no câmbio e no abastecimento fiscal. O economista Saeed Leylaz avaliou à agência Isna que manter consenso entre governo, empresariado e Guardas da Revolução será vital para amortecer os choques vindouros.
Além da dimensão econômica, o bloqueio naval suscita riscos diretos à segurança alimentar, pois parte dos grãos importados pelo Irã chega por via marítima através do golfo de Omã. Interceptar cargueiros de trigo ou arroz poderia recriar, em menor escala, o cenário humanitário visto no Iêmen sob bombardeio saudita.
Analistas em Washington sugerem que o aumento de presença naval seria uma manobra de pressão máxima para obrigar o Irã a rever seu apoio a movimentos de resistência como o Hezbollah e os Houthis. A história recente, porém, demonstra que sanções prolongadas tendem a fortalecer a linha de resistência em Teerã — o inverso do resultado pretendido pela Casa Branca.
Conforme reportou o portal Actualidad RT, o pronunciamento de Ghalibaf ocorreu em meio às celebrações nacionais do Dia da Universidade e mobilizou canais oficiais e redes sociais iranianas. O engajamento público em torno da mensagem indicou ampla repercussão interna diante da ameaça percebida.
Historicamente, a República Islâmica reagiu a bloqueios marítimos com exercícios militares de alto impacto, incluindo testes de mísseis balísticos capazes de atingir bases dos EUA na região. As Forças Navais do Corpo da Guarda Revolucionária já realizaram manobras simulando o fechamento do estreito de Ormuz como resposta a eventuais tentativas de interdição.
Em paralelo, Teerã aprofunda laços com China e Rússia no âmbito do BRICS+ e de acordos energéticos que visam contornar o dólar nas transações comerciais. Esse reposicionamento multipolar reduz o alcance das sanções unilaterais, pois amplia o leque de mercados dispostos a comprar petróleo iraniano com moedas alternativas.
No plano diplomático, o chanceler iraniano Abbas Araghchi tem reforçado em encontros com países do Golfo a necessidade de diálogo regional livre da tutela ocidental. A aposta de Teerã é isolar politicamente Washington ao demonstrar que vizinhos árabes rejeitam uma escalada militar que comprometa a navegação e empurre o preço do barril a patamares insustentáveis.
Ghalibaf encerrou sua mensagem conclamando a juventude a participar de programas de voluntariado e vigilância comunitária para impedir que boatos semeem divisão interna. Ele garantiu que o povo iraniano superará o que chamou de plano enganoso e sairá da guerra econômica fortalecido, replicando a narrativa de resiliência que marca a política iraniana desde a Revolução de 1979.
Leia também: Irã captura navios no Estreito de Ormuz e desafia bloqueio naval dos EUA
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Major Ricardo Silva
03/05/2026
Mais um capítulo dessa novela no Oriente Médio. Enquanto isso, aqui no Brasil, a esquerda faz discurso contra “imperialismo americano” e fecha os olhos para a ditadura iraniana que oprime mulheres e executa homossexuais. Cadê o PCdoB e o PT para defenderem os valores da família iraniana?
Lucas Gomes
03/05/2026
Major, sua crítica seletiva ignora que o mesmo imperialismo que bloqueia o Irã é o que financia golpes na América Latina e destrói a Amazônia em nome do lucro. Enquanto você faz falsa equivalência entre regimes autoritários e a luta anti-imperialista, o capitalismo que você defende segue sufocando povos inteiros com sanções criminosas e devastação ecológica.
Bia Carioca
03/05/2026
Major, você critica a esquerda por supostamente defender o Irã, mas o que a gente vê é exatamente o contrário: o bloqueio americano é que fortalece os setores mais reacionários de lá, enquanto aqui no Brasil você e seus aliados batem palma pra quem financia golpe e explora trabalhador.