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Pezeshkian condena bloqueio naval dos EUA em Ormuz e alerta para risco à estabilidade global

59 Comentários🗣️🔥 O presidente iraniano Masoud Pezeshkian durante pronunciamento, com a bandeira do Irã ao fundo. (Foto: actualidad.rt.com) O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, advertiu que as manobras navais dos Estados Unidos no estreito de Ormuz constituem uma ameaça direta à estabilidade internacional e ferem o direito marítimo consagrado em convenções multilaterais. Em pronunciamento reproduzido […]

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O presidente iraniano Masoud Pezeshkian durante pronunciamento, com a bandeira do Irã ao fundo. (Foto: actualidad.rt.com)

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, advertiu que as manobras navais dos Estados Unidos no estreito de Ormuz constituem uma ameaça direta à estabilidade internacional e ferem o direito marítimo consagrado em convenções multilaterais.

Em pronunciamento reproduzido pelo portal RT, o líder iraniano afirmou que a iniciativa pune não apenas Teerã, mas todo o comércio global que depende da rota.

Pezeshkian declarou que Washington passou a utilizar o cerco marítimo como ferramenta de pressão, deslocando o foco dos embargos financeiros tradicionais para medidas de força sobre corredores logísticos essenciais. Segundo o mandatário, qualquer tentativa de restringir o tráfego em Ormuz vai contra os interesses coletivos das nações do Golfo e ignora a interdependência energética do planeta.

O presidente iraniano responsabilizou Washington e Israel por eventuais agravos à segurança regional, reiterando que o Golfo Pérsico não é palco para vontades unilaterais. Ele defendeu que apenas a cooperação entre os Estados ribeirinhos pode garantir uma convivência estável na região.

Pezeshkian qualificou o estreito de Ormuz como parte integrante da identidade nacional iraniana e símbolo da soberania do país. O corredor tem apenas 33 quilômetros de largura em seu ponto mais estreito e responde por mais de um quinto de todo o petróleo transportado por via marítima no mundo.

O contexto imediato das declarações envolve o posicionamento de navios de guerra americanos na região, medida que Washington justifica como pressão nas negociações nucleares em curso com Teerã. O presidente dos EUA, Donald Trump, manteve as forças navais em estado de alerta enquanto as tratativas avançam em ritmo incerto.

O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã já havia advertido que consideraria qualquer aproximação hostil como cooperação com o inimigo, prometendo responder a embarcações que apoiassem operações de bloqueio. A tensão entre as declarações de ambos os lados eleva o risco de incidentes no corredor mais estratégico do mercado global de energia.

Analistas regionais apontam que cerca de 17 milhões de barris de petróleo por dia cruzam Ormuz, e qualquer interrupção prolongada pressionaria rapidamente os preços globais da energia. Além do petróleo bruto, fluxos de gás natural liquefeito do Catar e mercadorias de alto valor com destino à Europa também utilizam a passagem, levando companhias de navegação a calcular rotas alternativas mais longas e onerosas.

A postura de Pezeshkian reforça a defesa iraniana do multilateralismo e do respeito às convenções marítimas frente a iniciativas unilaterais de grandes potências. O discurso ressoa em um momento em que a disputa pelo controle das rotas energéticas do Golfo ocupa posição central nas tensões geopolíticas entre Washington e Teerã.

Com informações de ACTUALIDAD.


Leia também: Pezeshkian alerta EUA e Israel e reafirma soberania iraniana sobre o Golfo Pérsico


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Ana Souza

03/05/2026

A Clarice tem um ponto válido sobre o direito internacional, mas a realpolitik não desaparece só porque a UNCLOS existe. O Irã usa Ormuz como moeda de troca há décadas, e os EUA patrulham porque ninguém quer depender da boa vontade de um regime que chama Israel de “entidade sionista”. No fim, o que me preocupa é que esse cabo de guerra só aumenta o preço do petróleo e a gente aqui paga a conta.

Capitão Tavares 🇧🇷

03/05/2026

Essa Clarice Historiadora aí deve achar que a ONU resolve tudo. O Irã é um regime terrorista que financia o Hamas e o Hezbollah, e os EUA estão certos em patrulhar Ormuz. Enquanto esse bando de esquerdista chora direito marítimo, o Brasil afunda na corrupção e o Exército não toma uma atitude. Ou vocês acham que o país vai se salvar sozinho?

Clarice Historiadora

03/05/2026

A Miriam e o Ricardo fizeram um esforço enorme pra ignorar que o direito marítimo internacional, codificado na UNCLOS, é assinado por mais de 160 países e não permite que ninguém bloqueie um estreito internacional como Ormuz só porque desconfia do regime local. Os EUA não são xerifes do petróleo, e essa patrulha unilateral é, sim, uma violação da liberdade de navegação que eles mesmos dizem defender. Se o Irã é uma teocracia problemática, isso não autoriza Washington a rasgar convenções multilaterais.

Augusto Silva

03/05/2026

Ricardo, você misturou alhos com bugalhos: a gasolina cara no Brasil tem a ver com a política de preços da Petrobras atrelada ao dólar e ao Brent, não com o Irã ou com o Estreito de Ormuz. Enquanto isso, os EUA patrulham o estreito para garantir que o petróleo deles (e dos aliados) passe, mas o Irã tem todo o direito de reclamar de bloqueio naval unilateral – a Convenção de Montego Bay é clara sobre liberdade de navegação. O problema real não é o teatro iraniano, é a falta de uma política energética soberana no Brasil que nos deixe reféns desse xadrez geopolítico.

Ricardo Menezes

03/05/2026

Carlos Rocha falou tudo. O Irã é um regime quebrado que vive de teatro, e os EUA patrulham Ormuz porque ninguém confia nesses aiatolás pra manter o fluxo de petróleo. Enquanto isso, o brasileiro paga gasolina a preço de ouro por causa de interferência estatal e burocracia — livre mercado resolvia metade disso.

Miriam

03/05/2026

O Irã reclamar de “estabilidade global” é dose, viu. Teocracia que reprime o próprio povo, financia milícia no Iêmen e no Líbano, e agora quer dar lição de direito marítimo. Os EUA estão lá porque o tráfego do estreito interessa a todo mundo, inclusive a quem não quer ver o petróleo virar moeda de chantagem. No fim, o que importa é que o preço do combustível aqui vai continuar subindo, independente de quem está patrulhando o golfo.

Carlos Henrique Silva

03/05/2026

O Paulo Ribeiro tocou num ponto real e incômodo — a teocracia iraniana é, sim, uma ditadura que oprime mulheres, persegue comunistas e sindicalistas. Não tenho nenhuma simpatia por regime teocrático algum, seja em Teerã, seja em Riad. Mas reduzir a disputa do Estreito de Ormuz a um “teatrinho geopolítico”, como fez o Carlos Rocha, ou a um falso equilíbrio moral entre “dois lados hipócritas” é um erro de análise que a esquerda crítica não pode cometer. A questão não é defender o Irã, é entender a lógica imperialista que está em jogo.

Desde Gramsci, sabemos que a hegemonia não se mantém só pelo consenso, mas também pela coerção. O que os EUA fazem em Ormuz não é “patrulha” nem “defesa da liberdade de navegação” — é a aplicação bruta de uma doutrina de controle dos mares que remonta à estratégia de Alfred Mahan no século XIX. O estreito de Ormuz é um ponto de estrangulamento por onde passa cerca de 20% do petróleo global. Quem controla esse gargalo, controla o preço da energia e, por tabela, a economia de potências concorrentes como China e Índia. Não há nenhum mandato da ONU autorizando aquela presença naval maciça. É simplesmente a imposição unilateral da vontade de uma superpotência em declínio, que tenta compensar a perda de hegemonia econômica com demonstrações de força militar.

O Lucas Pinto, com mais fineza, apontou a contradição aparente. Mas eu diria que não há contradição alguma: o direito internacional sempre foi um campo de disputa. Os países periféricos, mesmo os regimes reacionários como o Irã, usam as convenções multilaterais como trincheira — porque sabem que, no tabuleiro real, a única linguagem que o imperialismo entende é a da correlação de forças. Pezeshkian não está sendo “moralista” ao invocar o direito marítimo; está tentando construir uma posição de relativa autonomia dentro de um sistema que, por definição, é desigual. A crítica ao regime iraniano não pode nos cegar a ponto de ignorar que, naquele estreito, quem está patrulhando com porta-aviões não é a Guarda Revolucionária, é a Marinha dos EUA. E não é para “proteger a democracia”, é para garantir que o petróleo continue fluindo nos termos de Washington.

Por fim, acho que a thread perdeu uma oportunidade de discutir o que isso significa para o Brasil. Nós importamos diesel e adubos que dependem dessa rota. Toda vez que os EUA apertam o cerco em Ormuz, o frete sobe, o seguro marítimo dispara e quem paga a conta é o povo brasileiro na bomba de combustível e no preço do pão. Enquanto isso, a imprensa hegemônica trata o Irã como o vilão da história, e o Carlos Rocha ainda acha que o problema é o “teatrinho” iraniano. Teatrinho é achar que a política externa americana age por altruísmo. O que estamos vendo é a velha geopolítica do petróleo, com a mesma lógica que levou a invasão do Iraque em 2003. Se a esquerda não consegue fazer essa leitura materialista e anticapitalista, acaba repetindo o discurso do Departamento de Estado, só que com verniz de “crítica aos dois lados”.

Carlos Rocha

03/05/2026

Mais um teatrinho geopolítico do Irã, que vive de blefe e discurso inflamado enquanto afunda a própria economia com sanções e corrupção interna. Enquanto isso, o contribuinte americano financia essa patrulha naval que só encarece o frete e o petróleo pra todo mundo, inclusive pro Brasil. Se o Pezeshkian quer estabilidade, que comece abrindo a economia e parando de bancar milícia no Oriente Médio.

Lucas Pinto

03/05/2026

A thread já expôs bem a contradição aparente: um regime teocrático que reprime mulheres e persegue comunistas invocando o direito internacional. Mas, com a devida licença, acho que o Paulo Ribeiro foi o único que não se deixou levar pelo falso moralismo de “os dois lados são iguais”. Sim, a República Islâmica é uma ditadura burguesa teocrática que usa o discurso anti-imperialista como cortina de fumaça para seu próprio projeto de poder. Mas reduzir a geopolítica do Estreito de Ormuz a uma questão de “hipocrisia iraniana” é perder de vista o essencial: quem detém os meios de coerção global e para que fim os utiliza.

O bloqueio naval dos EUA em Ormuz não é um exercício de “liberdade de navegação”, é a materialização bruta do que Gramsci chamaria de domínio pela força, combinado com a hegemonia ideológica do “livre mercado”. O estreito é um ponto nodal do capitalismo globalizado: por ali passa cerca de 20% do petróleo mundial. Controlar esse gargalo significa ditar os termos da acumulação energética para o planeta inteiro. Quando Washington envia porta-aviões para a região, não está defendendo princípios abstratos de direito marítimo, está garantindo que o petróleo chegue aos mercados ocidentais a preços que não comprometam a taxa de lucro das grandes petrolíferas e a estabilidade do dólar como moeda de troca. O Irã, por sua vez, reage exatamente da mesma forma, mas em posição subordinada: usa o discurso jurídico porque não tem poder de fogo para impor sua vontade pela força bruta.

O que me incomoda, e aí concordo em parte com a Maura Santos, é o silêncio cúmplice de certa esquerda brasileira que abraça o Irã como “resistência” sem fazer a autocrítica necessária. Não se trata de escolher entre o imperialismo ianque e a teocracia persa. Trata-se de entender que ambos são expressões de um mesmo sistema-mundo capitalista em sua fase de crise orgânica. O Irã é um Estado nacional burguês que, por contingências históricas, adotou o Islã xiita como ideologia de coesão interna e enfrenta o imperialismo não por solidariedade internacionalista, mas para preservar seu próprio controle sobre a renda petrolífera. Apoiar o Irã contra os EUA sem criticar sua estrutura de classe interna é cair no mais raso terceiro-mundismo.

No fim das contas, a manobra naval americana e o discurso iraniano são dois lados da mesma moeda: a lógica da guerra interimperialista pelo controle de recursos estratégicos. Enquanto a esquerda internacional não conseguir articular uma posição que critique simultaneamente a OTAN e as teocracias aliadas a Moscou e Pequim, vai continuar refém desse jogo de xadrez em que as peças são sempre os povos da região. A verdadeira estabilidade global não virá de convenções de direito marítimo, mas da superação do modo de produção que transforma um estreito em gargalo de estrangulamento da humanidade.

Maura Santos

03/05/2026

Gabriel Teen, você acha caro aqui? Espera só ver quando a extrema-direita cortar verba da Petrobrás de novo e a gente depender de importação na base do “mercado resolve”. Enquanto isso, os EUA fazendo cosplay de polícia do mundo num estreito que não é deles — parece até o apagão que eles deixaram no Brasil, só que em escala global.

Gabriel Teen

03/05/2026

Lula e Bolsonaro juntos culpando os EUA, enquanto o Brasil paga gasolina mais cara que no Irã, Brasil tá perdendo até pra ditadura agora kkkkk

Paulo Ribeiro

03/05/2026

É sintomático ver a thread se perder num falso equilíbrio entre “os dois lados são hipócritas”. Claro que a teocracia iraniana é uma ditadura que oprime mulheres, persegue comunistas e sindicalistas, e usa o discurso anti-imperialista para consolidar seu próprio poder burguês-teocrático. Ninguém aqui vai defender o aiatolá Khamenei como se fosse um revolucionário. Mas reduzir a questão do Estreito de Ormuz a uma mera troca de acusações morais entre Washington e Teerã é um exercício de idealismo liberal que esconde a estrutura material do conflito.

O que está em jogo não é a “sinceridade” do Pezeshkian ou o histórico de direitos humanos do Irã. O que está em jogo é a geopolítica do petróleo e a manutenção da hegemonia imperialista dos Estados Unidos sobre as rotas marítimas globais. Como bem apontou Gramsci, a hegemonia não se exerce apenas pela coerção econômica, mas também pelo controle dos aparatos ideológicos e militares que garantem a “ordem” do capital. O bloqueio naval dos EUA em Ormuz não é uma operação de defesa da liberdade de navegação; é um ato de guerra preventiva contra qualquer nação que ouse desafiar a dolarização do comércio energético e a supremacia da Quinta Frota. O Irã, por mais reacionário que seja internamente, cumpre aqui o papel objetivo de resistência a essa dominação.

Maria Antonia e John Marshall, com todo respeito, vocês caem na armadilha do moralismo pequeno-burguês ao exigir que o Irã seja um “paladino” para ter o direito de denunciar o imperialismo. Isso é como cobrar que um operário explorado só pode reclamar do patrão se ele próprio for um santo. A luta de classes e a luta anti-imperialista não se fazem com anjos, mas com forças sociais contraditórias. O governo iraniano usa o direito internacional como tática, sim, e isso não invalida a denúncia tática. Althusser nos ensinou que o Estado é um aparelho de repressão, mas também um campo de disputa. Quando Pezeshkian fala em “estabilidade global”, ele está usando a linguagem da diplomacia burguesa para expor a contradição: os EUA pregam a ordem internacional que eles mesmos violam quando lhes convém.

O que me preocupa, de verdade, é ver setores da esquerda brasileira repetindo acriticamente o discurso do “ambos os lados são ruins” como se isso fosse análise política. Não é. É niilismo cômodo de quem não quer assumir posição num mundo onde o imperialismo estadunidense segue bombardeando países, impondo sanções que matam crianças no Iêmen e no Irã, e usando a OTAN como braço armado do capital financeiro. Ninguém está pedindo para defender o aiatolá. Estou pedindo para enxergar que, na correlação de forças atual, qualquer movimento que enfraqueça a hegemonia ianque no Oriente Médio — mesmo que vindo de um regime autoritário — abre brechas para a luta dos povos. Não esqueçamos que Mariátegui, ao analisar o indigenismo peruano, jamais confundiu a crítica ao latifúndio com a defesa do gamonalismo. Do mesmo modo, criticar o regime iraniano não nos obriga a aplaudir o porta-aviões que os EUA estacionam no Golfo.

John Marshall

03/05/2026

Maria Antonia, você toca num ponto central que a maioria ignora: o discurso de direito internacional serve perfeitamente a regimes que violam sistematicamente outros artigos da mesma carta. A República Islâmica invoca a liberdade de navegação enquanto prende navios e reprime seu próprio povo. Hobbes diria que no estado de natureza todos os lobos invocam a lei quando lhes convém. O problema real não é a provocação naval americana ou a retórica persa, mas a ausência de um Leviatã global que faça cumprir as regras de forma imparcial. Enquanto isso, o comércio mundial segue refém desses jogos de poder.

Maria Antonia

03/05/2026

Ricardo Almeida, você acertou em cheio na hipocrisia dos dois lados. Mas o que me irrita é ver o Irã, que banca milícias no Oriente Médio e reprime mulheres dentro de casa, virar paladino do direito marítimo. Liberdade de navegação é importantíssima para o comércio global, mas esse discurso soa falso vindo de uma teocracia que não respeita nem os direitos humanos do próprio povo.

Luisa Teens

03/05/2026

EUA querendo controlar até o mar agora? #ForaBolsonaro #imperialismoNuncaMais 😤

Ricardo Almeida

03/05/2026

Nadia Petrova, você foi cirúrgica ao apontar a hipocrisia dupla: os EUA fazendo provocação naval enquanto o Irã também não é exemplo de defensor do direito internacional. Mas acho que falta um passo nessa análise – ambos os lados adoram usar o “direito marítimo” como conveniência, mas na prática o que vale é quem tem mais porta-aviões. Enquanto a esquerda dogmática culpa só os EUA e a direita ufanista culpa só o Irã, o povo brasileiro continua pagando o pato no preço do diesel.

Nadia Petrova

03/05/2026

Pois é, Paula Santos, o discurso do Pezeshkian tem lá sua razão de ser: bloquear o Estreito de Ormuz com porta-aviões é exatamente o tipo de provocação que só alimenta o autoritarismo que dizem combater. Mas convenhamos, a teocracia iraniana também não é exatamente uma defensora da liberdade de navegação quando lhe convém. No fim, o que temos é mais um round de dois regimes que adoram uma crise para justificar o próprio controle interno.

Paula Santos

03/05/2026

É preocupante ver mais um capítulo dessa tensão no Oriente Médio, que só aumenta o preço do diesel aqui no Brasil e sufoca o trabalhador. Como cristã, acredito que o diálogo e a diplomacia são sempre o melhor caminho, e não a demonstração de força que só gera mais instabilidade. Que Deus abra os olhos dos líderes mundiais para enxergarem o sofrimento dos povos inocentes que pagam por essas disputas de poder.

João Santos

03/05/2026

Pois é, Mariana Lopes, falou tudo. Enquanto esse povo briga por causa de navio dos EUA no estreito, aqui no Rio o diesel já foi lá em cima e o povo que se vire. Esse papo de “ameaça à estabilidade global” é cortina de fumaça pra esconder que tão disputando petróleo e poder. Bandido bom é bandido preso, seja de farda ou de turbante.

    Mariana Oliveira

    03/05/2026

    João Santos, você tocou num ponto crucial quando disse que o papo de “ameaça à estabilidade global” é cortina de fumaça. Mas preciso discordar de você num aspecto que acho fundamental: a frase “bandido bom é bandido preso, seja de farda ou de turbante” carrega uma armadilha que a gente precisa desmontar. Kimberlé Crenshaw, quando desenvolveu o conceito de interseccionalidade, nos alertou justamente contra essa lógica de equivalência simplista que apaga as estruturas de poder. Não dá pra colocar no mesmo balaio um soldado americano que defende o bloqueio naval de Ormuz em nome da hegemonia do petróleo e um iraniano que resiste a esse bloqueio. Um ocupa o lugar de agressor histórico, o outro reage a uma agressão. A simetria moral é falsa.

    Quando bell hooks fala sobre a “margem como um espaço de resistência radical”, ela está nos ensinando que a posição de quem sofre a opressão não é a mesma de quem a exerce. O Irã não é um anjo, longe disso — é uma teocracia que executa mulheres, persegue comunistas e oprime a população curda. Mas isso não apaga o fato de que o bloqueio naval dos EUA no Estreito de Ormuz é um ato de guerra econômica que viola o direito internacional e joga o preço do diesel nas costas do povo brasileiro, como você mesmo lembrou. A disputa não é entre “bandidos iguais”, é entre um império que usa o poder militar para controlar rotas energéticas e um Estado que, mesmo sendo autoritário, tem o direito de não ser sufocado por sanções unilaterais.

    O problema do seu raciocínio, João, é que ele cai na armadilha do “both sides” — a falsa equivalência que a mídia hegemônica adora para naturalizar a violência imperialista. Enquanto a gente repete “bandido bom é bandido preso” para todo mundo, a gente esquece que o bandido de farda americano já prendeu, bombardeou e matou em quantos países? O bandido de turbante iraniano, por pior que seja, não tem porta-aviões nem base militar em 80 países. A assimetria de poder importa. E, como mulher preta e feminista, eu te pergunto: quem paga o pato dessa falsa simetria? É a mesma lógica que coloca o policial que mata no morro e o traficante que atira como “dois lados da mesma moeda”, apagando o fato de que um deles tem o Estado e a bala do Estado do lado dele.

    No fim das contas, você está certo que a briga é por petróleo e poder. Mas a saída não é tratar todos como igualmente culpados — é entender que, enquanto o Brasil depender de diesel importado e a nossa política externa for submissa aos EUA, quem vai continuar se virando é o povo do Rio, da periferia, do campo. A interseccionalidade nos ensina a olhar para quem está em cima e quem está embaixo na hierarquia global. E, nessa hierarquia, o bloqueio de Ormuz não é um ato de “bandido contra bandido” — é um ato de poder imperial contra populações inteiras, inclusive a nossa.

Mariana Lopes

03/05/2026

Mariana Ambiental, você foi certeira ao ligar o bloqueio no Ormuz ao custo do diesel aqui no Brasil. O problema é que esse tipo de retórica inflamada de ambos os lados só serve pra esconder o jogo real: ninguém quer abrir mão do controle sobre a rota do petróleo. Falta pragmatismo pra sentar e negociar de verdade, sem bandeira ideológica.

Celio Fazendeiro

03/05/2026

Zé do Povo, para de repetir bordão de rede social e abre os olhos. O Irã não é comunista coisa nenhuma, é uma teocracia que persegue até esquerdista de verdade. E esse papo de “EUA pode tudo” é a mesma lógica que justifica invadir país alheio em nome de “defesa”. Enquanto isso, o agro brasileiro paga o pato com diesel caro e embargo sanitário.

    Mariana Ambiental

    03/05/2026

    Célio, é isso. Enquanto a direita briga pra defender bloqueio naval dos EUA, o agro brasileiro paga o pato com diesel caro e perde mercado por embargo sanitário. Quem lucra com essa guerra não é o pequeno produtor, é a commodity financeira.

Zé do Povo

03/05/2026

IRÃ COMUNISTA QUER MANDAR NO MUNDO! 😡 EUA TEM DIREITO DE SE DEFENDER! BANDO DE ESQUERDISTAS DEFENDENDO TERRORISTA! 🇺🇸💪

    João Silva

    03/05/2026

    Zé, o Irã não é comunista — é uma teocracia islâmica que executa comunistas. Reduzir a geopolítica a torcida de futebol só escancara o quanto o senso crítico foi atropelado pelo ufanismo de mercado.

Tiago Mendes

03/05/2026

Carmem, você tocou num ponto crucial. Como cristão, não posso ignorar que a paz defendida por Jesus passa pela justiça entre as nações. Bloqueio naval é uma violência que só agrava tensões e joga o peso nas costas dos mais pobres, que já sofrem com o preço dos combustíveis. Direito internacional não é opção, é compromisso ético.

Luciana

03/05/2026

Gente, tô vendo aqui a discussão e pensando: 20% do petróleo do mundo passa por ali, qualquer barulho já sobe o preço do diesel na bomba aqui do lado. O Marcus reclama que o governo não faz nada, mas e a gente que paga o pato? Enquanto os diplomatas discutem direito internacional, meu orçamento doméstico já sente o baque.

Carmem Souza

03/05/2026

Gente, pelo amor de Deus, vamos colocar a razão no lugar. O Irã tem seus erros sim, mas fechar os olhos para o direito internacional e achar que os EUA podem fazer o que quiserem no Estreito de Ormuz é perigoso. O cristão que prega a paz e o diálogo deveria enxergar que estabilidade global não se constrói com provocações de nenhum dos lados.

Marcus Almeida

03/05/2026

O Irã reclama de bloqueio naval, mas quem financia o terrorismo no Oriente Médio? Esse discurso contra os EUA é o mesmo que a esquerda usa aqui para atacar quem defende a liberdade. Enquanto isso, o Brasil importa diesel e o preço nas bombas só sobe. Cadê a preocupação do governo com a família brasileira que não consegue pagar as contas?

    Caio Vieira

    03/05/2026

    Marcus Almeida, seu discurso reproduz acriticamente a hegemonia estadunidense ao reduzir a complexidade geopolítica do Estreito de Ormuz a um maniqueísmo entre “terrorismo” e “liberdade”. A verdadeira questão é que o bloqueio naval configura um ato de coerção extrajurídica que viola a soberania iraniana e, como bem apontaram Pedro e Tadeu, tem consequências diretas na carestia do povo brasileiro — enquanto o governo, capturado por uma ideologia neoliberal, prefere subsidiar o agronegócio exportador a proteger a família trabalhadora do custo do diesel.

João Martins

03/05/2026

O Eduardo C. trouxe o dado mais relevante aqui: 20% do petróleo global passa por Ormuz. É um número que qualquer pessoa com o mínimo de noção de geopolítica energética deveria ter na cabeça. Mas acho que a discussão precisa ir além do impacto imediato no bolso, que o Pedro e o Tadeu levantaram com toda razão. O ponto central é que o direito marítimo internacional, consolidado na UNCLOS (Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar), de 1982, reconhece o “direito de passagem inocente” por estreitos usados para navegação internacional. O Irã não está inventando retórica; há uma base legal que limita o que qualquer marinha de guerra pode fazer ali sem consulta ou coordenação com os estados costeiros.

Dito isso, a declaração do Pezeshkian precisa ser lida com o ceticismo de praxe. O cara é o presidente de um regime que, em 2019, foi diretamente responsável pela apreensão do petroleiro britânico Stena Impero, além de ter derrubado um drone americano e, mais grave, abatido o voo PS752 da Ukraine International Airlines, matando 176 civis. Então, quando ele fala em “estabilidade internacional”, o histórico iraniano de ações unilaterais e violações de normas marítimas não ajuda a construir credibilidade. A retórica de Teerã sempre opera em dois níveis: o discurso jurídico e a ação de fato, que muitas vezes é calculadamente provocativa para testar os limites das potências ocidentais.

O que me incomoda nessa cobertura é o viés de seleção. O artigo destaca a fala do Irã como se fosse uma vítima passiva, mas omite o contexto estratégico: os EUA mantêm presença naval no Golfo desde a década de 1940, e o que mudou agora foi o aumento da capacidade iraniana de minagem e ataques assimétricos com drones e mísseis anti-navio. Em 2023, o Irã já havia tentado tomar petroleiros no Golfo de Omã. Então, chamar a patrulha americana de “bloqueio naval” é um framing que favorece a narrativa iraniana. Tecnicamente, bloqueio naval implica interdição total de tráfego, o que não está ocorrendo. O que há é um aumento de presença dissuasória.

No fim das contas, o que me deixa mais cético é a ausência de dados concretos no artigo. Quantos navios de guerra americanos estão exatamente ali? Qual a frequência das patrulhas? Houve alguma interceptação documentada? Sem esses números, a notícia vira um cabo de guerra de declarações. O leitor brasileiro, que já sente no bolso o efeito de qualquer tensão no Golfo, merece mais que alarmismo retórico. Queremos saber se há risco real de interrupção de fluxo, ou se é mais um round do xadrez geopolítico que não vai além de comunicados inflamados.

Eduardo C.

03/05/2026

Tadeu e Pedro, vocês estão cobertos de razão no ponto prático. Mas olhando os números, o estreito de Ormuz responde por cerca de 20% do tráfego global de petróleo. Qualquer perturbação ali não é barulho de brincadeira, é choque direto na cadeia de suprimentos. Enquanto os diplomatas trocam discursos, o preço do barril já começa a precificar esse risco. Quem paga a conta no fim do mês é sempre o consumidor no posto.

Tadeu

03/05/2026

Pedro Silva falou tudo. No fim do dia, o que importa é o impacto no bolso. Enquanto os caras brincam de guerra no estreito de Ormuz, aqui a inflação corrói o salário e o combustível não dá trégua. Podiam resolver isso sem afetar quem só quer trabalhar.

Pedro Silva

03/05/2026

Pois é, Ana Rodrigues, você tocou no ponto que interessa pra nós aqui em baixo. O problema não é se o Irã ou os EUA estão certos, é que o preço do litro da gasolina já tá lá em cima e qualquer barulho em Ormuz vai fazer o combustível disparar de novo. Enquanto esses caras brincam de guerra no meio do mar, quem roda 12 horas por dia pra pagar conta sente o tranco no bolso. Política internacional é isso: uma bagunça que sempre sobra pro motorista de aplicativo.

Clotilde Pátria

03/05/2026

Gente, pelo amor de Deus, vocês estão vendo isso? Os Estados Unidos fazendo patrulha no estreito de Ormuz e esse tal de Pezeshkian ainda reclama! É o fim dos tempos mesmo, amanhã vão querer fechar o comércio mundial e implantar o comunismo de vez. Só Jesus na causa pra salvar a pátria amada Brasil dessa bagunça globalista!

    Letícia Fernandes

    03/05/2026

    Clotilde, querida, sua indignação é compreensível dentro do horizonte ideológico que o capitalismo tardio nos oferece como única janela para o mundo. Mas permita-me oferecer um desvio epistemológico, com a ternura de quem observa uma criança tentando montar um quebra-cabeça de 500 peças usando apenas as peças do céu. Quando você afirma que o Irã “reclama” da patrulha dos EUA, está naturalizando uma relação de poder que é, na verdade, a expressão mais crua da superestrutura imperialista. O estreito de Ormuz não é uma propriedade privada dos Estados Unidos, assim como o comércio mundial não é um dom divino concedido ao Ocidente. O que Pezeshkian denuncia é a continuidade de uma política de bloqueio que remonta à Doutrina Carter e que, sob o pretexto de “liberdade de navegação”, garante a reprodução ampliada do capital das petrolíferas norte-americanas. Não há “comunismo” algum em exigir soberania sobre seu próprio território; há, isso sim, a luta de classes em escala geopolítica.

    O pânico que você manifesta diante de um “fechamento do comércio mundial” revela justamente o que o marxismo chama de fetichismo da mercadoria: você enxerga o comércio como uma entidade metafísica, pairando acima das relações sociais concretas, quando na verdade ele é a expressão de uma relação de exploração que beneficia uma minoria ínfima de acionistas e conglomerados. A “bagunça globalista” que você teme é, na prática, a tentativa dos países periféricos de renegociarem os termos de sua inserção subordinada na divisão internacional do trabalho. O Irã, a Rússia, a China e tantos outros não estão “fechando” o mundo; estão, com os instrumentos que lhes restam, recusando-se a serem meros apêndices da acumulação primitiva comandada por Wall Street. A patrulha dos EUA em Ormuz não é uma operação de paz, é um ato de guerra preventiva contra qualquer nação que ouse desafiar a hegemonia do dólar-petróleo.

    Sobre sua invocação de Jesus e da pátria amada, permita-me sugerir uma leitura materialista do Evangelho: o Cristo histórico foi crucificado justamente por confrontar o Império Romano e seus colaboradores locais, os saduceus que lucravam com o Templo e com a exploração dos pobres. A “pátria” que você defende, aquela do “Brasil amado”, é a mesma que deporta imigrantes, criminaliza movimentos sociais e entrega o pré-sal a multinacionais estrangeiras. Se Jesus voltasse hoje, Clotilde, duvido que ele estaria ao lado dos que abençoam porta-aviões; ele estaria, muito provavelmente, nas barricadas de Teerã, Damasco ou Caracas, ao lado dos que resistem à espoliação. O “fim dos tempos” que você anuncia não é o comunismo, é a agonia de um sistema que já não consegue mais se reproduzir sem violência explícita. E essa agonia, infelizmente, não será resolvida com orações, mas com a reorganização da classe trabalhadora global.

Silvia Ramos

03/05/2026

Ah, Samara, minha filha, você tem um coração que busca justiça, mas cuidado para não igualar o joio e o trigo. O Irã persegue cristãos e mulheres sim, isso é abominável aos olhos de Deus, mas os Estados Unidos não são exemplo de moralidade também, com tanta imoralidade sendo exportada como liberdade. O que me preocupa é ver o mundo inteiro se afastando dos valores bíblicos e achando que pode resolver tudo na base da força e do orgulho. A paz verdadeira só vem quando nos voltamos para Cristo, não quando potências brincam de guerra no estreito de Ormuz.

Ana Rodrigues

03/05/2026

Pô, a Marta tem razão em parte, mas o Carlos também não está errado. O problema é que a gente aqui em Curitiba já fica puto quando fecha a BR-277 por causa de acidente, imagina se fecham o estreito de Ormuz e o petróleo dispara? O bolso do motorista de app sente na hora. No fim, essa treta entre EUA e Irã só vai encarecer meu litro de gasolina e ninguém liga pra isso.

Carlos Mendes

03/05/2026

Ah, Marta, a vovó que acha que só ela leu livro de história. O Irã financia o Hezbollah e os houthis, que atacam navios civis no Mar Vermelho, e agora chora de “ameaça à estabilidade global” porque os EUA fazem uma patrulha? Livre mercado e liberdade de navegação são pilares da prosperidade; um regime teocrático que enforca homossexuais e oprime mulheres não tem moral pra dar lição de direito marítimo.

Marta

03/05/2026

Ah, meus filhos, como é bom ver tanta gente comentando geopolítica sem nunca ter lido um livro de história na vida! Deixa a vovó Marta dar uma aula aqui pra vocês.

O senhor Major Ricardo Silva, com todo respeito ao seu uniforme, parece ter esquecido que o estreito de Ormuz não é um brinquedo de criança. Em 1988, os EUA derrubaram um avião civil iraniano matando 290 pessoas, e o mundo não viu “defesa da democracia” nenhuma, viu massacre. O Irã tem seus defeitos sim, e a senhora Cristina Rocha foi muito correta ao apontar a teocracia iraniana, mas isso não autoriza os Estados Unidos a transformarem o Golfo Pérsico num lago particular. O direito marítimo não é sugestão, é convenção internacional, e quem assinou tem que cumprir.

Agora, o Marcos Andrade de Niterói, meu filho, você misturou alhos com bugalhos! O túnel Charitas-Cafubá é uma obra importante, mas não vamos fugir do assunto. O que o presidente Pezeshkian está denunciando é a velha tática do imperialismo americano de estrangular economicamente nações que não se curvam. Lembrem-se do que aconteceu no Iraque em 2003: acusaram de armas de destruição em massa, invadiram o país e no final não acharam nada. Enquanto isso, centenas de milhares de civis mortos. O Irã tem petróleo, tem posição estratégica e ousou não ser satélite de Washington. Pronto, virou alvo.

E o Ahmed El-Sayed tem toda razão: cadê a preocupação com a liberdade de navegação quando Israel bloqueia Gaza há quase duas décadas? Cadê quando a Arábia Saudita bombardeia o Iêmen com bombas americanas? A hipocrisia tem nome e sobrenome: interesses econômicos. O estreito de Ormuz é um dos gargalos mais importantes do mundo, e qualquer movimento dos EUA por lá não é para “garantir a paz”, é para mostrar quem manda. O Brasil, que sempre defendeu a solução pacífica de controvérsias e a não-intervenção, deveria estar apoiando a via diplomática, não aplaudindo provocação naval.

Então, meninos mal-educados, antes de sair repetindo discurso pronto de imperialista, peguem um livro de história. O mundo não começou em 2001 nem em 2020. A vovó Marta está aqui, com 40 anos de sala de aula, para lembrar que quem não conhece a história está condenado a repetir os erros. E erros, meus queridos, custam vidas.

Marcos Andrade Niterói

03/05/2026

Samara, você tocou no ponto central: a esquerda brasileira precisa fazer essa autocrítica sem medo, mas sem cair no moralismo cego que só serve pra desviar do imperialismo. Enquanto isso, aqui em Niterói a gente vê o que é gestão de verdade com o Rodrigo Neves — túnel Charitas-Cafubá, defesa do metrô pra São Gonçalo — e no estado o descaso do governo do Cláudio Castro com a mobilidade urbana. Fora Yankees e fora essa direita que abandona o povo.

Samara Oliveira

03/05/2026

Cristina, você trouxe um ponto necessário: sim, o Irã é uma ditadura teocrática que persegue mulheres e cristãos, e como evangélica isso me dói profundamente. Mas a hipocrisia dos EUA também não pode ser ignorada — eles não estão lá defendendo a democracia, estão defendendo o controle do petróleo e alimentando guerras que matam os pobres do mundo inteiro. A justiça de Cristo não é seletiva: condenamos a opressão onde quer que ela esteja, seja em Teerã ou em Washington.

Ahmed El-Sayed

03/05/2026

O Irã tem todo o direito de defender sua soberania e o estreito de Ormuz. Enquanto isso, o Ocidente prega liberdade de navegação mas fecha os olhos para a opressão de palestinos e a perseguição a muçulmanos na Índia e na China. Hipocrisia pura.

Major Ricardo Silva

03/05/2026

Pois é, Célia, o discurso de “fora Yankees” é bonito no papel, mas enquanto isso o regime iraniano financia terrorismo no Oriente Médio e persegue mulheres e cristãos lá dentro. Os EUA têm seus erros, mas o Irã é uma ditadura teocrática que ameaça a estabilidade global de verdade, não com manobras navais, mas com armamento nuclear e milícias proxies. Ordem e segurança começam com quem respeita o direito internacional de fato, não de fachada.

    Cristina Rocha

    03/05/2026

    Major, seu comentário é um primor de seletividade moral. Você faz uma denúncia corretíssima do caráter teocrático e repressor do regime iraniano — e eu não vou discordar de você nesse ponto. O Irã é, de fato, uma ditadura religiosa que persegue mulheres, minorias sexuais e dissidentes políticos com uma violência que qualquer feminista ou esquerdista que se preze deveria condenar sem hesitação. O problema, meu caro, é que você usa essa denúncia legítima como uma espécie de licença poética para absolver o imperialismo estadunidense de seus próprios crimes, como se a existência de um monstro justificasse a existência de outro. Isso não é análise geopolítica, é maniqueísmo de quinta categoria.

    Você afirma que “ordem e segurança começam com quem respeita o direito internacional de fato, não de fachada”. Pois bem, vamos falar de direito internacional de fato. Os EUA invadiram o Iraque em 2003 com base em mentiras sobre armas de destruição em massa — 300 mil mortos depois, cadê o julgamento de Washington? Os EUA mantêm a base de Guantánamo em funcionamento até hoje, torturando pessoas sem julgamento, em violação direta das Convenções de Genebra. Os EUA bombardearam a Síria sem mandato da ONU, mataram o general Soleimani em território iraquiano sem declarar guerra, e continuam impondo sanções unilaterais que equivalem a um bloqueio econômico contra o Irã — sanções que, segundo a própria ONU, violam o direito à saúde e à alimentação do povo iraniano. O direito internacional que você invoca é o direito internacional do vencedor, aquele que só se aplica quando convém à potência hegemônica.

    E quanto ao “terrorismo” iraniano, Major, vale a pena lembrar que boa parte do que chamamos de “milícias proxies” no Oriente Médio — Hezbollah, Hamas, os houthis — são movimentos que surgiram como resistência à ocupação israelense e à agressão saudita-americana. Não estou defendendo suas táticas, que muitas vezes são abomináveis, especialmente quando atingem civis. Mas é no mínimo desonesto intelectual falar em “terrorismo iraniano” sem mencionar que os EUA armaram e treinaram a contra-revolução na Nicarágua, que financiaram os mujahidins no Afeganistão, que apoiam a ditadura saudita no Iêmen com bombas que matam crianças em escolas. Terrorismo não é uma essência, é uma tática — e quando o Estado mais poderoso do mundo a emprega, chama-se “política externa”.

    Por fim, sobre a “estabilidade global”: o que ameaça a estabilidade global de verdade não é o programa nuclear iraniano, que está sob monitoramento da AIEA e até hoje não produziu uma bomba sequer. O que ameaça a estabilidade global é um sistema internacional onde uma única potência se arroga o direito de bloquear estreitos, impor sanções e derrubar governos que não lhe obedecem. O Irã é um regime odioso, sim, e devemos criticá-lo sem meias palavras. Mas enquanto a esquerda internacional não for capaz de fazer essa crítica com a mesma contundência com que critica os EUA, ela perderá credibilidade. E enquanto a direita não for capaz de reconhecer que Washington também é uma potência imperial que mata e desestabiliza, ela continuará sendo cúmplice, por omissão, do mesmo horror que diz combater.

João Carvalho

03/05/2026

Pois é, Roberto Lima, você acha mesmo que os EUA tão lá pra garantir o fluxo de petróleo pro mundo? Se fosse assim, não estariam há décadas travando guerra por petróleo alheio enquanto o preço da gasolina aqui no Brasil só sobe. Esse discurso de “liberdade de navegação” é a mesma conversa fiada de sempre, e quem paga o pato é o povo trabalhador que depende do diesel pra levar o pão de cada dia.

    Célia Carmo

    03/05/2026

    Exato, João, #imperialismo é o capitalismo na fase do monopólio e o povo brasileiro paga a conta enquanto os EUA brincam de polícia do petróleo, #foraYankees!

Fernanda Oliveira

03/05/2026

Cláudio, você trouxe um ponto essencial — o direito internacional sempre serviu aos interesses de quem tem poder de fogo pra impor sua interpretação. Enquanto isso, a mídia hegemônica trata qualquer reação do Irã como “provocação” e naturaliza o fato dos EUA terem base militar em 70 países. O estreito de Ormuz é território iraniano em termos de soberania marítima, e a tal “liberdade de navegação” nunca foi aplicada com boa-fé quando o país não se alinha ao Ocidente. É triste ver como o debate sobre imperialismo ainda é tratado como piada aqui nos comentários.

Roberto Lima

03/05/2026

O Irã reclamando de bloqueio naval é piada, né? Enquanto eles mesmos fecham o estreito pra quem bem entendem e financiam terrorismo na região, querem vir de vítima. Os EUA tão é garantindo que o petróleo continue fluindo pro mundo todo, coisa que esse regime teocrático nunca fez. Direito internacional pra eles é só quando convém.

    Cláudio Ribeiro

    03/05/2026

    Roberto, sua análise reproduz exatamente a lógica que Foucault chamaria de “dupla verdade” do discurso hegemônico: condena-se no outro o mesmo gesto que se naturaliza quando praticado pela potência dominante. O direito internacional nunca foi um campo neutro, mas um dispositivo de poder que os EUA reinterpretam conforme sua conveniência geopolítica, como demonstram as invasões do Iraque e da Líbia sem mandato da ONU.

João Augusto

03/05/2026

Laura Silva, sua análise é precisa: a “liberdade de navegação” sempre foi a máscara jurídica para a projeção de poder naval, como bem demonstrou a geopolítica do petróleo desde a Doutrina Carter. O que vemos em Ormuz não é um litígio comercial, mas a tentativa de Washington de estrangular a soberania energética de um Estado que ousa não se alinhar. Gramsci já nos advertia que a hegemonia se exerce também pelo controle dos estreitos, e Benjamin completaria: o estado de exceção virou regra no Golfo Pérsico.

Lurdinha Deus Acima de Todos

03/05/2026

Gente do céu, esse povo não cansa de querer guerra 😱🙏 já tão querendo fechar as igrejas aqui no Brasil também, fiquem em oração que o Brasil vai vencer 🇧🇷🙌

    Cecília Silva

    03/05/2026

    Lurdinha, com todo respeito, mas falar de guerra no Oriente Médio enquanto desvia o assunto pra fechamento de igreja aqui é cair na armadilha de quem quer esvaziar o debate sobre imperialismo. O povo da favela sabe que rezar é importante, mas também precisa entender que petróleo e marinha de guerra não se resolvem só com oração — a briga é material e a gente precisa estar do lado certo da história.

Laura Silva

03/05/2026

Ronaldo Pereira, você tocou num ponto central que a maioria dos comentários aqui parece ignorar: a hipocrisia estrutural do discurso da “liberdade de navegação”. Não se trata de defender o regime iraniano — que tem sua própria teocracia e contradições internas que eu, como marxista, não romantizo — mas de reconhecer que os Estados Unidos nunca aplicaram o direito internacional de forma universal. Quando a 7a Frota patrulha Ormuz, não está protegendo o comércio global abstrato; está garantindo que o petróleo circule nos termos do dólar petróleo, e qualquer nação que ouse desafiar essa ordem é tratada como “terrorista” ou “instável”. O Irã comete erros graves, mas a narrativa de que “se não quisesse bloqueio, era só não patrocinar terrorismo” ignora que o próprio conceito de terrorismo é definido por Washington conforme sua conveniência geopolítica.

O que me impressiona é como Karina Libertária e Luiz Carlos reproduzem acriticamente a lógica do império como se fosse senso comum. Dizer que os EUA “garantem a liberdade de navegação no mundo” é o mesmo que dizer que o patrão garante a liberdade de trabalho na fábrica — uma liberdade que só existe enquanto você aceita as regras dele. O estreito de Ormuz não é propriedade privada americana, é uma via marítima internacional regida por convenções que os próprios EUA assinaram, mas violam sempre que lhes convém. Basta lembrar a Guerra do Golfo em 1991, quando Washington bloqueou o comércio iraquiano sem nenhuma autorização da ONU que fosse além das sanções. O direito internacional é seletivo, e isso não é teoria conspiratória, é fato histórico documentado.

Maria Aparecida, sua leitura bíblica é certeira no aspecto moral, mas precisamos ir além da denúncia profética. O bloqueio econômico contra o Irã, que já dura décadas, é uma forma de guerra de exaustão que atinge primeiro os mais pobres — aqueles que não têm voz nem no parlamento iraniano nem nas mesas de negociação em Viena. Enquanto isso, a mídia hegemônica trata a patrulha naval como “dissuasão” e as sanções como “pressão diplomática”. É a mesma gramática usada para justificar o embargo a Cuba: uma punição coletiva que viola a Carta da ONU e o direito à autodeterminação dos povos. Não defendo o aiatolá Khamenei, mas defendo o direito de qualquer nação de não ser sufocada economicamente por uma potência estrangeira.

Rubens O Pescador trouxe uma memória importante sobre 2014, quando o preço do petróleo caiu e o povo brasileiro sentiu no bolso o impacto das flutuações geopolíticas. A verdade é que Ormuz não é um problema “deles”, é um problema nosso. Cada vez que a 7a Frota faz uma manobra de intimidação, o risco de um conflito armado aumenta, e quem paga a conta não são os generais do Pentágono nem os clérigos de Teerã, mas os trabalhadores que dependem do preço do combustível para levar o pão para casa. A esquerda precisa parar de cair na armadilha de ter que escolher entre o imperialismo americano e a teocracia iraniana. Nosso papel é denunciar ambos e lutar por uma ordem internacional onde o petróleo seja gerido como bem comum, não como instrumento de dominação de poucos sobre muitos.

Luiz Carlos

03/05/2026

Ah, lá vem o Irã querendo ditar regra no estreito de Ormuz. Os caras vivem ameaçando fechar a passagem do petróleo e ainda reclamam quando os EUA fazem patrulha. Se não quer bloqueio, para de financiar terrorista e respeita o direito internacional.

    Rubens O Pescador

    03/05/2026

    Luiz Carlos, lá na roça a gente aprendeu que quem vive ameaçando é porque tem medo de perder o bonde. O Irã não tava atrapalhando ninguém até os EUA começarem a patrulhar como se fossem donos do estreito. Lembro de 2014, quando o petróleo tava mais barato e o povo aqui enchia o tanque sem aperto, mas depois que esse bloqueio apertou, o preço do diesel subiu e o pequeno agricultor quase quebrou. Direito internacional é bonito no papel, mas na prática é o mais forte que manda.

    Ronaldo Pereira

    03/05/2026

    Luiz Carlos, você repete o discurso do patrão como se os EUA fossem polícia do mundo. Quem patrulha Ormuz com 7ª Frota não é guarda de trânsito, é o mesmo tio Sam que já derrubou governo alheio pra controlar petróleo. Se direito internacional valesse mesmo, bloqueio econômico contra Cuba e Irã já tinha caído como prática de guerra.

Karina Libertária

03/05/2026

Mais um governante de regime teocrático reclamando da liberdade de navegação que os EUA garantem no mundo. Se o Irã não quisesse bloqueio, era só não patrocinar terrorismo no Oriente Médio. Aqui em Miami a gente sabe bem quem são os verdadeiros vilões da estabilidade global.

    Maria Aparecida

    03/05/2026

    Amiga, de Miami é fácil defender “liberdade de navegação” seletiva, né? Jesus expulsou os vendilhões do templo, não abençoou impérios que bloqueiam nações inteiras com sanções. O verdadeiro terrorismo é a fome que os EUA causam com esses bloqueios, e a Bíblia é clara: ai dos que acumulam riqueza à custa do sangue dos pobres.


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