O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, advertiu que as manobras navais dos Estados Unidos no estreito de Ormuz constituem uma ameaça direta à estabilidade internacional e ferem o direito marítimo consagrado em convenções multilaterais.
Em pronunciamento reproduzido pelo portal RT, o líder iraniano afirmou que a iniciativa pune não apenas Teerã, mas todo o comércio global que depende da rota.
Pezeshkian declarou que Washington passou a utilizar o cerco marítimo como ferramenta de pressão, deslocando o foco dos embargos financeiros tradicionais para medidas de força sobre corredores logísticos essenciais. Segundo o mandatário, qualquer tentativa de restringir o tráfego em Ormuz vai contra os interesses coletivos das nações do Golfo e ignora a interdependência energética do planeta.
O presidente iraniano responsabilizou Washington e Israel por eventuais agravos à segurança regional, reiterando que o Golfo Pérsico não é palco para vontades unilaterais. Ele defendeu que apenas a cooperação entre os Estados ribeirinhos pode garantir uma convivência estável na região.
Pezeshkian qualificou o estreito de Ormuz como parte integrante da identidade nacional iraniana e símbolo da soberania do país. O corredor tem apenas 33 quilômetros de largura em seu ponto mais estreito e responde por mais de um quinto de todo o petróleo transportado por via marítima no mundo.
O contexto imediato das declarações envolve o posicionamento de navios de guerra americanos na região, medida que Washington justifica como pressão nas negociações nucleares em curso com Teerã. O presidente dos EUA, Donald Trump, manteve as forças navais em estado de alerta enquanto as tratativas avançam em ritmo incerto.
O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã já havia advertido que consideraria qualquer aproximação hostil como cooperação com o inimigo, prometendo responder a embarcações que apoiassem operações de bloqueio. A tensão entre as declarações de ambos os lados eleva o risco de incidentes no corredor mais estratégico do mercado global de energia.
Analistas regionais apontam que cerca de 17 milhões de barris de petróleo por dia cruzam Ormuz, e qualquer interrupção prolongada pressionaria rapidamente os preços globais da energia. Além do petróleo bruto, fluxos de gás natural liquefeito do Catar e mercadorias de alto valor com destino à Europa também utilizam a passagem, levando companhias de navegação a calcular rotas alternativas mais longas e onerosas.
A postura de Pezeshkian reforça a defesa iraniana do multilateralismo e do respeito às convenções marítimas frente a iniciativas unilaterais de grandes potências. O discurso ressoa em um momento em que a disputa pelo controle das rotas energéticas do Golfo ocupa posição central nas tensões geopolíticas entre Washington e Teerã.
Com informações de ACTUALIDAD.
Leia também: Pezeshkian alerta EUA e Israel e reafirma soberania iraniana sobre o Golfo Pérsico
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